Fé e a arte – Arturos: cultura preservada pela tradição

Fé e a arte – Arturos: cultura preservada pela tradição

A origem da comunidade dos Arturos é o negro Arthur Camilo Silvério e sua esposa, Carmelinda Maria da Silva, que se fixaram nas terras da localidade conhecida como Domingos Pereira, no município de Contagem, no final do século XIX, e que sobrevive até hoje pelo trabalho de conscientização de geração a geração, realizada pela liderança.

Formada apenas por descendentes de Arthur e Carmelinda e por isto mesmo conhecida como “os Arturos”, a comunidade é o exemplo de uma identidade cultural que preserva as tradições dos antepassados negros e, embora seja basicamente uma família, hoje não há mais impedimentos para que ocorra casamento fora da comunidade. A única exigência é que o novo casal resida junto com os demais, participando ativamente das ações comunitárias.

Superação

Embora no Brasil se cultive o mito da democracia racial, certamente os Arturos viveram períodos de grande discriminação social, racial e econômica, o que se traduz nas dificuldades pelas quais a comunidade passou nos setores educacional, de saúde e econômico.

Mas há um grande esforço por parte das lideranças para integrar cada vez mais a comunidade junto aos demais moradores de Contagem, buscando desenvolver ações importantes nas áreas social, de educação e saúde, além da sua inclusão nos planos de geração de emprego, principalmente para os jovens que chegam ao mercado de trabalho, junto ao poder público.

O que marca a comunidade negra dos Arturos de Contagem, é mesmo a preservação dos costumes e da cultura miscigenada com a vinda dos escravos africanos e os portugueses, nascendo um sincretismo que ora se comemora isoladamente, ora em companhia das comunidades que vivem o seu redor.

Festa da Abolição
Há 36 anos, a comunidade negra dos Arturos de Contagem comemora a Festa da Abolição, que recebeu esta denominação em 1972. Antes, era conhecida como Festa do Reinadinho, que deste 1954 era realizada na Mata do Curiangu, em Esmeraldas, e posteriormente transferida para a comunidade. São ao todo 52 anos de comemorações e preservação da cultura negra no Brasil, transmitidas de geração a geração dentro da comunidade.

A festa, que dura dois dias, marca a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel e as comemorações começam com a concentração das Guardas de Congo e Moçambique, na Casa Mater dos Arturos, iniciando com uma oração. Em seguida, o grupo percorre as casas dos 13 reis e rainhas da festa, levando as bandeiras de São Benedito e Santa Cecília para serem abençoadas.

No primeiro dia, a festa termina com o levantamento dos mastros com os estandartes dos santos, já que este período coincide com o mês dedicado aos únicos santos negros católicos. Também é erguido um mastro com a imagem da Princesa Isabel, considerada “a redentora” pelos negros libertos.

Festa do Rosário
Na seqüência das festividades, a comunidade dos Arturos comemora, nos meses de setembro e outubro, a Festa do Rosário, em homenagem à Nossa Senhora do Rosário, e que tem início com uma novena que vai do dia 29 de setembro até 7 de outubro, sempre na Igreja do Rosário, e com a participação de oito comunidades vizinhas, cada uma responsável por um dia.

Nos dois dias que se seguem, os festejos se dividem entre a Igreja e a comunidade, com missas, procissões, confraternizações, e as mais diversas manifestações da cultura popular negra, em consonância com os costumes enraizados em todas as comunidades, principalmente do interior, herança dos tempos do Brasil Colônia.

Folia de Reis
Do dia 20 de dezembro a 6 de janeiro, os Arturos fazem outra importante comemoração: o nascimento do menino Jesus e a visita dos três Reis Magos. É a tradicional Folia de Reis, e que neste ano poderá ser intercalada com a Festa do João do Mato, ou Festa da Capina, que acontece no dia 23 de dezembro. Mas tudo depende do período de chuvas, e da possibilidade do plantio do milho, sem o que, a limpeza da roça não pode ser feita.

A Folia de Reis é um ato popular que procura rememorar a jornada dos Reis Magos a partir do momento em que eles recebem o aviso do nascimento do Messias até a hora em que o encontram. Após esta data a festa passa a ser “folia de São Sebastião”, cantando a vida, a paixão e a morte do Santo Mártir. Anualmente, ocorrem, na cidade, encontros de Folias de Reis vindas de outros municípios mineiros, contando com público de, aproximadamente, mil pessoas.

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