Hora de conter o alcoolismo


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Falta ao país uma política eficaz de combate ao vício.
O Brasil tem experiência em campanhas exitosas na prevenção de doenças como sarampo e paralisia infantil. Conta pontos também o combate ao tabagismo. Reduzir o apelo ao álcool é também possível. Basta vontade e medidas corretas.

O álcool, apesar do rastro de tragédias que provoca, não tem merecido atenção à altura nem das autoridades nem das famílias. Droga lícita, vende-se sem restrições em supermercados e lojas de conveniência. Menores de idade têm acesso à bebida sem esforço e sem fiscalização. A publicidade envolve com charme o consumo de cerveja, uísque, vodca.
Famílias não veem com apreensão a iniciação dos filhos no álcool. Ao contrário. Muitas estimulam meninos e meninas a provar a bebida servida na mesa, sem preocupar-se com a idade — 10, 12, 15 anos. A flexibilidade vai além. Aceitam o porre com a naturalidade de uma dor de cabeça para cuja cura basta uma aspirina.

Comportamento diferente se observa quando o adolescente se introduz no mundo das drogas ilícitas — maconha, cocaína, crack, heroína, ecstasy. Os familiares acendem a luz vermelha diante dos primeiros sintomas decorrentes da aventura. Alarmam-se e buscam ajuda. O mesmo cuidado deveria nortear o consumo de álcool. Porém, não é o que ocorre.

Não surpreendem, por isso, dados do Relatório Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado em maio do ano passado. O texto traz informações sobre o consumo de álcool no mundo. O Brasil fica mal na foto. Aqui, a ingestão total estimada ultrapassa a média mundial — 8,7 litros por pessoa contra 6,2 litros.
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Dados mais recentes sobre o consumo do álcool e suas consequências no Brasil são assustadores. Nada menos de 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional escoa pelos ralos do vício. Em 2014, o país arcou com R$ 372 bilhões com as despesas impostas pela dependência etílica. A produtividade cai. O patrimônio familiar se perde. O equipamento hospitalar e previdenciário se sobrecarrega.
O alcoolismo responde por 85% das internações decorrentes do uso de drogas. Nada menos de 75.139 processos de auxílios-doença tramitaram entre 2009 e 2014 (sem contar os afastamentos indiretos). A violência doméstica aumenta. A barbárie no trânsito tem tudo a ver com a incompatibilidade entre álcool e volante.
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Apesar das evidências, falta ao país política clara e eficaz de combate ao vício orientada aos interesses da saúde pública. Impõe-se, de um lado, esclarecer as famílias para o risco do consumo, e, de outro, proteger as populações expostas aos efeitos nocivos da bebida. Indivíduos e familiares afetados precisam de acompanhamento e apoio.
Álcool é droga de tarja preta. Não deveria ser comercializado livremente. A venda tem de se restringir a maiores de idade. Não se trata de missão impossível. O Brasil tem experiência em campanhas exitosas na prevenção de doenças como sarampo e paralisia infantil. Conta pontos também o combate ao tabagismo. Reduzir o apelo ao álcool é também possível. Basta vontade e medidas corretas.
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