Crack: uma realidade dolorosa


crack (1)Em relação ao crack, discute-se sobre “tratar” e “internar” como se a simples colocação do indivíduo no regime hospitalar, por mais que indicada sob o julgamento médico, resolvesse a problemática. Discute-se o tratar e esquece-se do prevenir.
Os programas governamentais sucumbem na necessidade de combater o crack. Tais programas e projetos devem extrapolar a dimensão da saúde, visto que, sem instrumentos sociais, educacionais e culturais, nenhum resultado será alcançado. Portanto, será equivocado achar que os problemas relacionados ao crack serão combatidos, apenas, com discussões pautadas em internações psiquiátricas. O dependente de crack e sua família necessitarão, além de espaços de tratamentos dignos e adequados, de uma revolução social. Este é o ponto principal dessa questão: o Estado brasileiro está preparado e se mostra capaz para essa revolução?
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O dependente de crack é o mesmo fora ou dentro da internação. A vida dele, em sua quase totalidade, acontecerá nas ruas, nas relações familiares e sociais, no trabalho e no cotidiano. Eis o porquê da necessidade de se pensar para além dos espaços de tratamento. Consequentemente, o Estado brasileiro precisará investir em propostas de tratamento com bons indicadores de impacto (eficácia, eficiência e efetividade) e capazes de fazer frente ao problema. Além disso, é necessário ofertar uma proteção social aos usuários de crack e suas famílias. Somente assim, alguma mudança poderá ser alcançada em relação ao crack.

Em todo processo saúde-doença, independentemente da patologia, é necessário compreender, aprofundar o entendimento e investir em atividades preventivas. Essas propostas mostram-se eficazes e, ao final, menos onerosas, portanto mais eficientes. Em relação ao crack, discute-se sobre “tratar” e “internar” como se a simples colocação do indivíduo no regime hospitalar, por mais que indicada sob o julgamento médico, resolvesse a problemática. Discute-se o tratar e esquece-se do prevenir.

A voz daqueles que trabalham com saúde mental e que poderiam pressionar as instâncias governamentais é uma voz fraca e sem reverberação. Essa voz é fragmentada e, muitas vezes, até contraditória. O resultado é um meio de cultura apropriado para a construção de políticas de saúde pública que não darão certo. E os protagonistas do processo ficam parecidos com “baratas tontas” trombando uns nos outros sem conseguir mudar absolutamente nada.

Talvez, tudo isso justifique essa importante situação social e de saúde relacionada ao crack. Portanto, a questão não é somente a capacidade expansiva de consumo e de dependência que o crack tem. Ele se encaixou como dedo em luva nessa realidade nua e crua que está explícita aos olhos de todos. Não adiantará se esconder, pois, de um jeito ou de outro, ele baterá na nossa porta. Por fim, é preferível analisarmos esses pontos de estrangulamentos, a fim de construirmos propostas de mudanças, pois essa postura é a mais adequada para a situação. As categorias profissionais da saúde mental e a sociedade civil precisarão ajustar o discurso para que, de maneira mais efetiva e menos dicotomizada e messiânica, melhores resultados sejam alcançados.
Por: Régis Eric Maia Barros – Médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental pela FMRP 2013 USP
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