A culpa não é da polícia


20080627232908868Policiais se queixam, com razão, de trabalhar em vão.
Braço do Estado em defesa do cidadão, a polícia não pode perder o monopólio da força, sob penas de estimular o crime. E, pensando bem, tem sido fácil promover esse enfraquecimento, pela via da leniência com o infrator. Apesar de nossas prisões estarem cheias, a verdade é que a polícia tem razões de sobra para se queixar de que anda enxugando gelo. O bandido preso é solto com facilidade. O condenado, se pegar poucos anos, dificilmente os cumprirá na cadeia. Criamos uma teia de recursos e de atenuantes que, a menos que se trate de crime hediondo (como estupro ou homicídio qualificado), quase ninguém fica preso por muito tempo. Menos ainda se for réu primário. Sim, é hora de valorizar, equipar e treinar melhor nossa polícia. Mas isso também valerá pouco se lhe negarmos as armas mais importantes: a lei e as condições para cumpri-la.
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É hora de a sociedade repensar o alvo de sua ira, que aflora toda vez que um crime violento comove as pessoas, ou quando uma pessoa indefesa é vítima de assaltantes à saída de um banco, ou volta para casa depois de um dia de trabalho honesto. Nessa hora, nada é mais fácil do que atirar sobre a polícia a culpa pelo clima de insegurança que, inegavelmente, tem aumentado nas grandes cidades brasileiras.

Chocado com o noticiário policial, cada vez mais intenso e mais violento, é natural que cada um pense como seria bom ter um policial de plantão à sua porta (só na sua, o vizinho que defenda a parte dele). Daí é só um pequeno passo para se propagar a ideia de que a culpa pelo crime é da polícia, ou da falta dela.

Qualquer um de bom senso sabe que nem a polícia pode ser responsabilizada pela criminalidade nem o Estado dispõe ou disporá de efetivo para cometer o equívoco de manter guarda pessoal a gosto de cada contribuinte. Então, o que resta é procurar com mais juízo e ponderação onde estamos falhando, o que temos feito ou deixado de fazer e que tem resultado na alimentação do crime, organizado ou não.

Convivendo com os mais baixos níveis de desemprego da história recente da economia brasileira, a explicação (também fácil) da falta de oportunidades de trabalho honesto perdeu força e, embora ainda tenha algum peso, está longe de justificar e muito menos perdoar a tentação de tomar de alguém o que se deseja, muitas vezes provocando ferimento ou morte.

Certamente falta educação de qualidade oferecida a todos. Esse é, sem dúvida, um ponto que tem o consenso geral, mas que, curiosamente, se arrasta para longe da revolução no ensino, que precisa ocorrer no país. E mesmo que, de repente, todas as autoridades e o Parlamento acordassem dispostos a mudar essa realidade rapidamente, levaríamos mais de uma geração para corrigir o atraso. Ou seja, não dá para esperar que a nova escola produza os efeitos civilizatórios que movem a convivência pacífica entre as pessoas.

É, portanto, forçoso reconhecer que, pelo menos por um bom tempo, contamos mesmo é com a polícia. Por isso mesmo, todos teremos mais a ganhar se procurarmos entender as dificuldades e as limitações que a própria sociedade brasileira tem imposto à atividade policial e, principalmente, tratar de remediá-las. A exacerbação do sentimento contra o autoritarismo que marcou o recente regime militar tem turvado a compreensão de muitas pessoas do papel das forças de segurança.
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Braço do Estado em defesa do cidadão, a polícia não pode perder o monopólio da força, sob penas de estimular o crime. E, pensando bem, tem sido fácil promover esse enfraquecimento, pela via da leniência com o infrator. Apesar de nossas prisões estarem cheias, a verdade é que a polícia tem razões de sobra para se queixar de que anda enxugando gelo. O bandido preso é solto com facilidade. O condenado, se pegar poucos anos, dificilmente os cumprirá na cadeia. Criamos uma teia de recursos e de atenuantes que, a menos que se trate de crime hediondo (como estupro ou homicídio qualificado), quase ninguém fica preso por muito tempo. Menos ainda se for réu primário. Sim, é hora de valorizar, equipar e treinar melhor nossa polícia. Mas isso também valerá pouco se lhe negarmos as armas mais importantes: a lei e as condições para cumpri-la.
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Eus-R Doação de Sangue .

2 Respostas

  1. Cara, vc de vez em quando escreve umas besteiras de dar medo…….

    1. Não tenha medo, apenas repasso para justamente provocar. São textos variados de autores diversos com pensamentos conservadores e ultrapassados, afinal temos que provocar o debate.
      Gosto de seus comentários, você me faz buscar novos parâmetros.
      Um abração!

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