Uma galeria a céu aberto


580784_3391179029025_330914224_nAlém de encantar quem passa pelas ruas, o grafite vem ganhando destaque em novos espaços
Por: Camila França
Muros coloridos, divertidos, cheios de arte e histórias. Em meio a uma cidade que à medida que cresce vai ficando mais cinza, o grafite surge para dar cor e vida às ruas. A arte, que tem como essência o diálogo com o espaço público, vai levando os seus tons e originalidade para galerias, bares, restaurantes e casas.

Em Belo Horizonte, encontramos artistas que representam dentro e fora do país um estilo de arte que nos leva a uma reflexão não somente com o espaço urbano, mas com a maneira que vemos tudo ao nosso redor. Com uma lata de spray ou pincéis nas mãos, os artistas mineiros Nilo Zack e Emanuel Mosh usam muros e telas para disseminar a arte e encantar com a riqueza de detalhes das suas obras.

nilo-zack-eusr-0Os encantos de um menino palhaço

Como um bom aspirante a artista, Nilo copiava, desenhava e rabiscava tudo o que via pela frente desde pequeno. Cresceu e não perdeu o hábito e, foi assim, na espontaneidade e no gosto pelas formas, que surgiu o menino palhaço, uma das suas obras que mais despertam curiosidade.
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“Ao pintar a imagem a partir da foto de meu sobrinho Juan, percebi que ela teve um impacto muito maior nas pessoas do que tudo que havia pintado anteriormente, então, vendo o seu potencial, decidi investir e pintar mais algumas. A proposta deu tão certo que já está há quase três anos nas ruas de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e até em Portugal”, conta.

A carinha sapeca e às vezes melancólica do garoto de boca vermelha e pintinha no nariz impressionam pela profundidade, volume, variação de cores frias e quentes e o manejo da luz. Quem observa tem a sensação de ver uma obra que parece ser real, como uma foto. O realismo das obras de Nilo tem influência nas pinturas renascentistas. Não é à toa que os pintores que ele mais admira são nomes como:Caravaggio, Velásquez e Rembrandt.
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Aos 26 anos, Nilo tem chamado a atenção pela originalidade do traço e alta qualidade da pintura. Ele diz não acreditar muito nessa historia de dom e que para conseguir alcançar a precisão nos seus desenhos, foi resultado de muita dedicação. Para ele, o seu papel é pintar. E quem vê as suas obras não duvida que ele faça isso muito bem.
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Mitos e lendas

Assim como Nilo, o também artista Emanuel Mosh começou seus primeiros rabiscos bem cedo. “O meu interesse pelo grafite começou quando tive que fazer um desenho para um concurso na escola. Comecei a perceber mais os desenhos nas ruas e outras formas de expressão e fui desenvolvendo mais esse talento e também conhecendo pessoas que me incentivaram”.

Hoje, Mosh, como é chamado pelos amigos, apresenta em suas obras uma reflexão em torno do tema religiosidade. As cores, formas e debates promovidos pelo artista são de despertar fascínio até mesmo nos professores que não votaram no seu desenho na época da escola.
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Suas principais influências estão no universo dos mitos e das lendas, além da arte contemporânea. Para Mosh, o seu papel como artista é instigar a reflexão e o pensamento a partir da imagem. “Gosto de abrir o diálogo em torno do assunto, mas nas entrelinhas. É preciso deixar a imagem falar por ela mesma”, revela.
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Uma das características mais marcantes de suas obras são os olhos dos seus personagens. O velho clichê “os olhos são a janela da alma” representa bem o seu trabalho, que demonstra a partir dos olhos dos personagens a ancestralidade dos povos e a ideia da miscigenação.
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Arte como linguagem

“O grafite nunca foi spray, é linguagem”. A afirmativa usada por Emanuel Mosh mostra que a linguagem do grafite pode ser levada para diferentes espaços. Para Mosh e Nilo, expor em uma galeria ou pintar a casa de um amigo, por exemplo, não retira o valor que a arte tem. O grafite surgiu como mais uma forma de expressão e vai continuar promovendo diálogos sejam eles entre quatro paredes ou a céu aberto.
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PARA APRECIAR

Nas ruas, as obras de Nilo Zack podem ser encontradas na Rua dos Guaicurus esquina com Rua São Paulo; passando pela Rua Espírito Santo com Guajajaras, na região central; Rua dos Otoni, no Santa Efigênia; Francisco Deslandes, no Anchieta, até chegar as periferias com no Alto Vera Cruz e

Taquaril. Fora do espaço urbano, Nilo vem expondo em Mini galerias (Stiling e Colmeia), Centro de Documentação (COREN-MG), Galerias (QuartoArmado e Espaço 640) e até mesmo no Hospital das Clínicas, isso sem especificar os vários encontros e eventos de arte em todo Brasil.

Outros lugares que ganham um novo tom com as obras de Mosh são a Rua da Bahia, esquina com Afonso Pena, a escola de samba do Cidade Jardim e a galeria QuartoAmado, na Savassi. O artista também tem um atelier para criar e apresentar a sua arte para quem desejar ver.
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