O sonho de Luther King


racismo-naoTal como no Brasil, permanecem injustiças gritantes. Lá e cá, pobreza e desemprego ainda têm cor. É negra.

Cinquenta anos é pouco na história da humanidade, mas podem provocar mudanças substantivas. O ritmo — lento ou acelerado — depende de fatores nem sempre previsíveis ou controláveis. É o caso do fator Martin Luther King. Na onda libertária que sacudiu o mundo nos anos 1960, o pastor protestante subiu ao pódio à altura de Mahatma Gandhi.K447~King-I-Have-a-Dream-Posters
Sem violência, mas com palavras vigorosas e pungentes, o líder religioso pregou a igualdade dos direitos civis. A síntese da tese por ele defendida aparece no famoso discurso de 1.667 vocábulos proferido em 28 de agosto de 1963: “Eu tenho o sonho de que meus quatro pequenos filhos viverão, um dia, numa nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo teor do caráter”.

Martin Luther King não foi o primeiro intelectual a se insurgir contra o ostensivo racismo que imperava nos Estados Unidos, sobretudo no Sul do país. Muitos, antes dele, hastearam a bandeira do igualitarismo. O que marca a diferença entre uns e outro é a qualidade da proposta. Enquanto os antecessores levavam à segregação, Martin abraçou o universalismo.
Não falava em África, negro, afrodescendente ou afro-americano. Falava em seres humanos. O enfoque fez a diferença e atraiu a simpatia dos antes contrários à inclusão. A Lei dos Direitos Civis, de 1964, e a Lei do Direito ao Voto, no ano seguinte, derrubaram a segregação legal que imperava na ex-colônia britânica. Hoje, parece ficção imaginar o apartheid de meio século atrás.
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A cor da pele era critério que separava as pessoas. Assim como hoje existem banheiros para homens e mulheres, à época havia espaços para brancos e negros. Além de proibidos de votar, os cidadãos com raízes africanas eram impedidos de se misturar aos brancos. Escolas, restaurantes, ônibus, parques, transporte público exibiam regras claras aptas a manter a distância.
O sonho deu frutos. O presidente Barack Obama é o mais simbólico. Um negro conseguiu, pelas vias democráticas, entrar na Casa Branca levado pelo voto popular. Trata-se de exemplo irrefutável de que, no campo dos direitos civis, a utopia virou realidade. Mas a luta longe ainda está de bater ponto final. Falta avançar muito mais no plano econômico. Tal como no Brasil, permanecem injustiças gritantes. Lá e cá, pobreza e desemprego ainda têm cor. É negra.
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Esperar que cinco décadas virem pelo avesso a cultura de uma nação é ingenuidade típica de quem acredita em Papai Noel ou Branca de Neve. Mudanças de comportamento andam sem pressa: dão dois passos para a frente e um para trás. Daí por que as transformações sofridas pelos Estados Unidos em cinco décadas mereçam admiração e aplauso. Mas têm longo caminho a percorrer até concretizar os ideais de Martin Luther King.
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