Brecht e o ‘analfabeto político’


227011_182185328620685_535372425_nOs que se recusam a votar estão, na verdade, despindo-se de sua condição cidadã, fugindo de qualquer responsabilidade coletiva, abstraindo-se da sua própria condição de ser vivo, consciente, inserido num processo histórico. Deixa de ser gente, ou agente da história, é ser passivo, despido de solidariedade, de fraternidade, de responsabilidade para com si e seus semelhantes.
Por: Mauro Werkema
Jornalista
O dramaturgo alemão Berltol Brecht, crítico mordaz da sociedade burguesa, dizia que “o pior analfabeto é o analfabeto político”. É aquela pessoa que, numa espécie de empáfia entre arrogante e burra, estufa o peito para dizer: “destesto política”. Nas palavras do papa Francisco, trata-se da “indiferença orgulhosa”. Não votam ou anulam a cédula eleitoral. Não percebem que são elas que justamente permitem, com seu afastamento, ou inconsciência, ou falta de cidadania e de humanismo, a existência dos maus políticos, dos desonestos na vida pública, das mazelas dos governos e assim por diante. Insensíveis e omissos, esquecem-se de que a política é atividade que permite a construção da vida republicana e da democracia e que é pelo seu exercício que os cidadãos elegem e sustentam governos. E podem mudar maus governos e maus políticos.
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Se a vida pública, entre nós, em todo o mundo, em todos os tempos, tem desvios, com os corruptos e incompetentes, exploradores dos mandatos populares, não quer dizer que simplesmente deva o cidadão, aquele que vive em sociedade, negar inteiramente essa atividade, omitindo-se. Ou negando-se a enxergar, participar, interagir, opinar, votar. Na verdade, abdica de sua condição de pessoa, de ser social, inserido num processo histórico, que indispensavelmente tem vida compartilhada com seus congêneres, vizinhos, colegas de trabalho e de vida, cidadãos de uma mesma comunidade, interdependentes de normas, leis, ações governamentais. Na verdade, o omisso é pior do que o crítico negativista. Este, pelo menos, tem opinião e presta atenção mínima na realidade.

Política, na sua melhor definição, é a busca de caminhos consensuais em prol do bem público. Ou seja, é a construção de caminhos comuns para consumação dos interesses coletivos. Este é conceito originário da velha e sábia Grécia, que floresce por volta dos anos 400 a.C., auge da civilização helênica, sob os ensinamento de filósofos como Aristóteles e Platão. Nasce a ideia de república. A pólis grega é a política e também a cidade, é o exaercício, portanto, interligado e essencial da cidadania, pela ação política, na ágora (praça), onde todos estavam. Portanto, a não ser que a pessoa fuja da vida urbana, entre para uma caverna e tenha vida ermitã, isolada e sozinha, não tem consistência lógica ou qualquer sentido, renegar a política como atividade imanente à vida humana quando exercida coletivamente.
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Evitar e condenar os maus políticos é parte do próprio exercício político tanto quanto é da essência desta atividade o debate de ideias. Cabe ao cidadão consciente de seu papel, do seu tempo, da sua responsabilidade histórica, evitar os maus políticos, aqueles que traem a confiança popular, que submetem seus mandatos aos interesses próprios escusos e desviantes do verdadeiro sentido da representação popular. Mas o importante é que os maus políticos se elegem e se perpetuam nos seus mandatos justamente em razão da omissão dos “analfabetos políticos” que, com sua alienação, permitem a existência destas “ervas daninhas”. O voto, que tem peso igual para todos, ricos e pobres, doutores e iletrados, colhido por sufrágio universal, na urna indevassável, é a melhor arma para afastar os maus políticos. É a arma do cidadão, para promover a transitoriedade dos mandatos e dos governos. Os que se recusam a votar estão, na verdade, despindo-se de sua condição cidadã, fugindo de qualquer responsabilidade coletiva, abstraindo-se da sua própria condição de ser vivo, consciente, inserido num processo histórico. Deixa de ser gente, ou agente da história, é ser passivo, despido de solidariedade, de fraternidade, de responsabilidade para com si e seus semelhantes.
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