Da Rua: O Grafite na Universidade.


533204_4138472253568_75556187_nA passagem pela universidade tem sido um divisor na carreira dos grafiteiros. “A academia me trouxe outra visão do trabalho, novas possibilidades do que se pode usar nas ruas, além de um estudo mais definido de formas e cores. Por outro lado, levei para a universidade a abertura e o diálogo maior das ruas e ainda a visão do cotidiano, nem sempre percebidos”
Grafiteiros da capital procuram a universidade em busca de técnicas e informação, mas garantem que levam para a academia a vida que corre nas veias da cidade real.
Por: Sérgio Rodrigo Reis
Arte / Os grafiteiros agora estao na universidade cursando cursos de arte
A informação e técnica adquiridas na universidade dão a Wagner Braccini, Márcio Surto, Carolina Jaued e Michel Testa (acima) outra visão da arte de rua e novas possibilidades de criação. Eles retribuíram deixando suas experiências nos bancos da escola.
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hqdefaultO destino parecia conspirar para que o mineiro Wagner Braccini se tornasse grafiteiro. O avô era tipógrafo, o pai artista gráfico e, aos 12 anos, no auge da breakdance no país – estilo de dança de rua inspirado na cultura hip-hop americana –, resolveu ir para as ruas de Belo Horizonte se expressar. “Fiz as primeiras frases e, em seguida, caí para o grafite. Foi espontâneo, sem qualquer autorização, mas como levávamos gravador, escadas e ficávamos desenhando nas paredes, as pessoas não viam nada de errado.” Os anos seguintes foram marcados pela repressão à arte urbana. O movimento atual, depois que parte dos seguidores entraram para a universidade, parece sinalizar tempos mais promissores com reconhecimento do público, da crítica e do mercado. arte_waguim-vert

Wagner cursa o quinto período de artes plásticas da Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Há outros alunos, como ele, que começaram intuitivamente no grafite, procuraram a academia e não veem a hora de voltar às ruas para se expressar. As paredes da cidade são como tela branca para eles. O trabalho da maioria, que já tinha personalidade forte, ganhou consistência no discurso. Foi o que chamou a atenção da atual direção do Centro de Arte Popular Cemig, de onde partiu recente convite para que parte deles grafitassem as paredes do espaço cultural e participassem da mostra Arte-Grafite. O painel que o grupo realizou divide a atenção do público com exposições de artistas populares mineiros reconhecidos, como o GTO e a Dona Isabel.
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12515_135903006598079_463181010_nA passagem pela universidade tem sido um divisor na carreira dos grafiteiros. “A academia me trouxe outra visão do trabalho, novas possibilidades do que se pode usar nas ruas, além de um estudo mais definido de formas e cores. Por outro lado, levei para a universidade a abertura e o diálogo maior das ruas e ainda a visão do cotidiano, nem sempre percebidos”, conta Márcio Gustavo, o Surto, formado pela Escola de Design da Uemg. O início de sua carreira nas artes foi como o da maioria. Ele, que vive na Zona Leste da cidade, começou influenciado pelos amigos. Aos poucos, configurou um trabalho autoral, inspirado em 321539_135854336602946_1052150292_nelementos dos primórdios do grafite, sobretudo no formato das letras. Ao contrário das facilidades da internet de hoje em dia, onde é possível encontrar não só modelos de desenho como o passo a passo de como realizar um grafite, seu início foi bem mais difícil. “Não tinha referência de nada. Aprendia por fazer. A prática me levou ao estilo”, conta.
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Pichação

1535_4958434798931_1788127651_nMesmo com a boa aceitação em alguns setores, o grafite ainda é assunto delicado e, não raras vezes, confundido com pichação. Eles próprios explicam as diferenças: “O grafite é uma pintura que usa o muro como suporte e o spray, como ferramenta. Já a pichação é um tipo de protesto contra o sistema. É um jeito de os jovens, principalmente da periferia, se colocarem no mundo. Porém, não inclui tanta técnica e é feito bem mais rápido”, explica o 947374_4828335666534_384889610_nartista Tiago Ribeiro. O grafiteiro Surto é mais detalhista na análise. “As duas formas de expressão estão no mesmo barco. Marcam a cidade por igual. Pichação também é arte, depende do contexto. Na verdade, toda forma de expressão é arte.” Para Wagner Braccini, qualquer inscrição no espaço urbano, dependendo da elaboração e de quem as vê, pode ser considerado grafite. O mesmo não acha dos tags ou assinaturas que são feitas no espaço urbano sem qualquer elaboração e que a sociedade vê como pichação.

7535910622_0be1ee6351_zA polêmica em torno do grafite e da pichação ainda rende assunto. O universitário Michel Testa, que atualmente cursa educação artística na Guignard, tem muitas histórias. Uma das mais recentes ocorreu em 2 de dezembro. Estava num restaurante, à tarde, com a namorada, a também grafiteira Carol Jaued, comemorando um ano de namoro e, depois do almoço, por sugestão dela, resolveu aproveitar o dia para pintar. “Pegamos o material e, de moto, saímos para procurar um suporte. Rodamos e encontramos um muro na orla da lagoa da Pampulha, no Mineirinho, que já tinha grafites.” Era o lugar ideal. Depois que o trabalho terminou, ele ficou esperando a namorada e, de repente, foi repreendido por um policial, “meio inexperiente”, que não quis conversa. Chamou três viaturas da Polícia Militar, depois três motos da Guarda Municipal e ainda queria ligar para a Guarda Ambiental. “Não teve conversa. Apesar de não saber o que fazer conosco, nos levou para a delegacia e, chegando lá, acabamos vendo um jogo do Atlético na televisão com o delegado e depois fomos liberados”.

Intervenção

O pouco conhecimento da sociedade em saber como lidar com a arte urbana e a falta de regulamentação de espaços adequados para a realização dos grafites nas grandes cidades acaba gerando situações complicadas. Os autores dos trabalhos veem o que realizam como contribuição à paisagem cinza e, em boa parte das vezes, abandonada e suja das grandes metrópoles. “Nossos trabalhos trazem um novo olhar para os locais. Trazem à tona uma expressão para lugares que, nem sempre, são vistos pelos transeuntes. O grafite tem essa carga expressiva. Qualquer intervenção urbana causa isso, gostem ou não as pessoas”, salienta Surto. Para ele, o que cria pelos muros da cidade ilustra sua própria evolução artística. “O que os espectadores acham é uma consequência do processo. O grafite é uma arte anônima que, de uns tempos para cá, tem ganhado a mídia.” Bom exemplo é o que ocorre com a dupla paulista Os Gêmeos, cujos trabalhos ganharam repercussão internacional. No caso do Surto, a passagem pela universidade foi transformadora.

Além de amadurecer sua proposta estética, Surto entrou em contato com outras técnicas expressivas e aprimorou o discurso. Michel Testa também vê a experiência acadêmica como decisiva. “A escola me mostrou várias técnicas que não sabia, me pôs de frente com artistas da cidade e tive contato com a arte de maneira mais abrangente. Em resumo: ampliou meus horizontes.” Hoje, a maioria dos grafiteiros que passaram pela academia usa o grafite de duas formas: ou para se manifestar livremente ou para realizar trabalhos por encomenda. Michel, por exemplo, acaba de realizar um trabalho comercial, pintou um tema inspirado em safáris, num espaço de 7m x 2m e cobrou R$ 900. Surto também realiza este tipo de obra por encomenda. “É uma arte cara. Os melhores materiais são importados. Uma lata de spray custa até R$ 16 e, como meus desenhos são bem coloridos, tenho cerca de 50 cores”, conta.

O que diferencia e dá valor às criações dos grafiteiros é o amadurecimento estético dado pelo tempo e pelo apuro estético. Hoje, a disputa entre os que cursaram universidades e se mantêm fiéis à proposta do grafite é pela busca de uma identidade autoral para as criações e ainda a melhor forma de exibi-las. “O processo leva anos para amadurecer”, resume Surto. O artista Wagner Braccini pensa de maneira semelhante. Se o início foi inspirado no estilo norte-americano, com o tempo e à medida que adquiriu mais conhecimento, passou a desenvolver uma pesquisa autoral. “Usei linhas, cores, formas geométricas e assim desenvolvi meu trabalho.”

Dois olhares

Em BH, há basicamente dois grupos em busca de identidade para a própria obra, um deles inspirado em personagens, sejam caricaturas, expressões realistas ou infantis; e outro que desenha e ocupa os espaços públicos com letras estilizadas. Para cada um deles, o desafio é o mesmo: diante de tanta interferência visual no espaço urbano, como se destacar na multidão?

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Hip-hop visual

Expressão plástica, o grafite é um dos quatro pilares do hip-hop, ao lado da dança, música e poesia, representadas pelos Bboys, DJs e MCs. O aparecimento como fenômeno mundial se dá nos anos 1970, em Nova York, quando jovens de comunidades afro-americanas, jamaicanas e latinas passaram a deixar marcas nas paredes da cidade. Em pouco tempo, a arte das ruas evoluiu para desenhos mais elaborados que expressavam protesto e novas opções estéticas. No Brasil, surgiu no final daquela década em São Paulo e foi se alastrando pelo país, ganhando novas formas, estilos e significados.
Mais detalhes em:http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/musica/2013/07/14/noticia_musica,144281/grafiteiros-de-bh-procuram-universidade-em-busca-de-tecnicas-e-informa.shtml

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