A revolução que almejamos


20130620073711347184aAgora temos a convicção de que o povo brasileiro está descontente, não somente com o aumento das passagens de ônibus, mas também com a realidade da corrupção, que se tornou rotineira; com o sucateamento dos serviços públicos, que oferecem péssimo atendimento ao cidadão; com a excessiva carga tributária, que corrói grande parcela da renda familiar e que onera o preço final dos produtos e estimula a inflação.
Por: Sebastião Luiz de Mello
Presidente do Conselho Federal de Administração (CFA)
Temos assistido, atônitos, às manifestações de rua que começaram em São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus. As cenas transmitidas pela televisão parecem irreais. O conflito entre policiais e manifestantes, pessoas feridas, sangue nas ruas, detenções e o barulho ensurdecedor das bombas de efeito moral e das balas de borracha disparadas pela Polícia Militar lembram um cenário de guerra.
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Essas manifestações – garantidas pela Constituição – que tomaram as ruas de várias cidades brasileiras lembram os movimentos revolucionários de tempos atrás: 1968, a Passeata dos 100 dias, pelo fim da ditadura militar; 1984, as Diretas Já, pelas eleições diretas; 1992, os caras-pintadas, pedindo o impeachment do presidente Collor, fazem parte da democracia e, cedo ou tarde, iriam acontecer de novo. O aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus em São Paulo foi apenas a gota d’água que faltava para a população descruzar os braços e lutar pelos seus direitos. Esses poucos centavos podem parecer pouco, mas em um país onde falta educação, saúde e transporte de qualidade, qualquer acréscimo faz muita diferença no orçamento do trabalhador ao final do mês.

Aquelas pessoas não queriam apenas impedir o aumento, mas alertar os governantes de que é desumano enfrentar, diariamente, longos congestionamentos e um transporte público cada vez mais precário. Não é concebível um reajuste nas tarifas e continuar oferecendo à população ônibus velhos e lotados, péssimas ciclovias – quando tem – e metrô incapaz de atender a todos.

Essa euforia social, inspirada no Movimento Passe Livre, gestado em Florianópolis (SC), que defende a estatização das empresas de transporte e a gratuidade das passagens – com o que não concordamos –, vem percorrendo outras cidades brasileiras. Na abertura da Copa das Confederações, em Brasília, a população foi às ruas pedir mais investimentos em saúde, educação, transporte, entre outros. O movimento Copa prá quem? questiona os gastos do Brasil na Copa das Confederações e na Copa do Mundo e já tem apoio de brasileiros residentes em outros países, como Irlanda, Canadá, Estados Unidos e Alemanha.

Agora temos a convicção de que o povo brasileiro está descontente, não somente com o aumento das passagens de ônibus, mas também com a realidade da corrupção, que se tornou rotineira; com o sucateamento dos serviços públicos, que oferecem péssimo atendimento ao cidadão; com a excessiva carga tributária, que corrói grande parcela da renda familiar e que onera o preço final dos produtos e estimula a inflação. Os brasileiros não aguentam mais. Esse descontentamento é fruto de uma gestão não profissional, tocada por pessoas que não possuem conhecimento técnico-cientifico para tal missão. O resultado é o que vemos todos os dias: pessoas morrendo nas filas dos hospitais à espera de atendimento, transporte público à beira do colapso, escolas sem estrutura e professores mal remunerados e preparados, inflação, alta nos juros, insegurança, entre outros problemas cotidianos.

É perceptível a ausência de gestão, inclusive, nas manifestações que estão ocorrendo em todo o país. Diante da crise, os governos se atrapalham na hora de adotar alguma atitude, mostram-se, quase sempre, intolerantes aos movimentos, e a polícia, aparentemente despreparada, parte para a violência excessiva provando, mais uma vez, que inclusive a segurança é vítima da má gestão, em todos os níveis.
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Não somos contra a realização de grandes eventos no país: Copa do Mundo, Olimpíadas, Copa das Confederações. Não concordamos é com obras superfaturadas, descaso com as finanças públicas, indefinição de prioridades, gestões amadoras, só para citar algumas práticas rotineiras. Estamos cientes de que, quando bem planejados e bem administrados, esses eventos geram empregos, investimentos, movimentam o turismo interno, faz a economia crescer, deixando um legado positivo para as futuras gerações. Entretanto, não basta ter estádios com padrão internacional. O Brasil precisa, desesperadamente, de hospitais e escolas de Primeiro Mundo, por exemplo.

É entristecedora a situação, mas desejamos que essas manifestações possam, de fato, motivar os gestores públicos a promover as mudanças que o brasileiro deseja. E essa transformação começará, indubitavelmente, quando o Brasil acordar para a necessidade de repensar a sua gestão. Quando o país for administrado por profissionais qualificados e habilitados, aí, sim, começaremos a ver a revolução que nós, cidadãos, almejamos.
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