Impressões sobre as manifestações populares


20130619001203444461uMuitas das mazelas do sistema político atual só serão superadas com uma nova reformulação dos partidos e do sistema eleitoral. Ademais, é preciso mecanismos para aprofundamento da democracia participativa.
Por:Robson Sávio
Sobre manifestações e violências

OK. Manifestações são legítimas. Golpismo, não. Para além do voluntarismo e do desdém contra as instituições políticas tradicionais, é preciso ter a capacidade de proposições que desaguem no aprofundamento da democracia participativa e das suas instituições.

Fascistas, direitistas de plantão e setores conservadores, incomodados com a democratização da sociedade brasileira, estão aproveitando da situação que começa a beirar o caos e auspiciam justamente aquilo que repudiamos, ou seja, a interrupção democrática. O mundo não muda num segundo…. Vamos com calma!
Sobre as características do “Movimento”
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Movimento com várias lideranças e pautas muito diversificadas e sem uma coesão em termos de demanda reivindicatória. Em boa medida tem suas origens nas redes sociais, onde não há hierarquias de comando e centralização; ao contrário, há uma horizontalidade nas formas e participação.

É importante observarmos com cuidado, pois no espaço público a ausência de líderes para negociação podem ensejar manipulações de grupos pouco escrupulosos. Nessas condições, o perigo de uma guinada conservadora e/ou autoritária é real. Tem muito político conservador, filhote do chamado “pacto das elites”, que está tentando contabilizar louros desse movimento.

Por outro lado, jovens das classes média e alta nem sempre lutam por reformas estruturais e transformadoras. Muitas vezes querem manter o velho “status quo”.

Para além de demandas gerais, registrem-se as especificidades. No caso de Belo Horizonte, por exemplo, no seio dos protestos existem inúmeros movimentos sociais organizados que, há tempo, manifestam na cidade: o “Praia da Estação”, o “Fora Lacerda”, o “Movimento dos Atingidos pela Copa”, o movimento dos “Moradores de Rua”, o “Fica Ficus”, os estudantes que exigem passe livre, os que lutam pela moradia urbana; grupos que desejam uma cidade mais democrática.

Soma-se a esses grupos o daqueles indignados com os gastos com a Copa do Mundo e revoltados em relação as leis de exceção que foram impostas às cidades-sede da Copa pela Fifa, com a conivência dos governos municipais, estaduais e federal.

Ou seja, são muitos grupos com diferentes demandas que não tinham canais de visibilidade para a vocalização de suas preferências. Sempre foram tratados com desdém pelo poder público (principalmente municipal) e com repressão. Agora, conseguiram se articular a partir da questão do transporte público de baixíssima qualidade.

Lembrar do passado, para não repetir erros no futuro

Em 1988, havia uma insatisfação difusa no Brasil. As pessoas pareciam insatisfeitas com tudo. E vivíamos uma hiperinflação. De repente, apareceu, do nada, um político alagoano desconhecido, jovem, classe média alta, esportista…

Vitaminado pela REDE GLOBO, começou a vender uma proposta de combate à corrupção e aos marajás. Collor de Mello foi assunto ao Palácio do Planalto em 1989 com amplo apoio das ruas. E em 1992, também com os cara pintadas, saiu do palácio pelas portas do fundo.
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Papel da grande mídia

Não podemos esquecer que a imprensa tem papel decisivo. Aliás, se não existe setor imparcial em nossa sociedade, este setor chama-se “grande mídia”. Ao observar que a opinião pública estava favorável aos protestos, a grande mídia, em uníssona, começou a inflar o movimento de forma meio irresponsável. Há um certo clima “do quanto pior, melhor”.

Lembremos que durante as últimas três ou quatro semanas uma ação articulada e orquestrada pela grande mídia espalhou um clima de pessimismo e desconfiança generalizados a partir do discurso da volta da inflação. Ora, esse discurso venenoso, politicamente orquestrado e dosado homeopática e diuturnamente, junto com o boato criminoso da extinção do Bolsa Família geraram um clima de insegurança e medo.

E ainda: boa parte da classe média progressista e mesmo setores da chamada “nova classe média” já vinham vocalizando a insatisfação pelo fato do governo federal não avançar nas chamadas “reformas estruturantes”.

É importante considerarmos todos esses elementos na análise da explosão social dos últimos dias.

Por um denominador comum: unificar o discurso e apontar para uma pauta transformadora

Que tal se todos nos uníssemos para exigir uma REFORMA POLÍTICA que dê uma nova institucionalidade à vida republicana.

Para tanto, um Congresso EXCLUSIVO seria eleito para este fim (afinal, com o atual Congresso não dá para acreditar em algo prestável).

Muitas das mazelas do sistema político atual só serão superadas com uma nova reformulação dos partidos e do sistema eleitoral. Ademais, é preciso mecanismos para aprofundamento da democracia participativa.

Que tal esta pauta?
Por:Robson Sávio
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