Vícios privados, malefícios públicos


fumar-maconha436Não existe um só benefício coletivo na liberação dos vícios privados. No caso, apenas malefícios.
Por: Martiniano Borges* e Juliano Melo**
Nestes dias, o Congresso brasileiro tem debatido o Projeto de Lei 7.663/2010, que, se aprovado, será um grande avanço por representar a fundação de uma política de Estado sobre a drogadição, já que; 1) trata o usuário como um doente – não um criminoso; 2) torna mais severa a penalidade por tráfico; 3) delibera sobre a estrutura de tratamento do dependente. No entanto, para que haja resultados reais, se faz necessário que a União blinde nossas fronteiras e que a política seja profundamente capilarizada nos municípios, mobilizando a opinião pública, os meios de comunicação e, sobretudo, escolas, ONGs e igrejas.
galeriagr_22082011091105USUÁRIA DE CRACK DE CLASSE MEDIA QUE PERDEU FAMILIA E PATRIMÔNIO POR CAUSA DO VICIO.
O projeto de lei em discussão, assim como todo o debate que envolve a legalização ou proibição das drogas, sofre pelo desapreço à realidade objetiva. O argumento da liberdade individual, pela qual não cabe ao Estado regular aquilo que o indivíduo faz com a própria vida em ambiente privado, é uma distorção. Pois o que o Estado deve fazer quando recebe informação de que alguém está se suicidando no próprio lar? Deixá-lo morrer em nome da liberdade?
A dependência química é individual e socialmente danosa. Como sabemos, a droga age anulando o poder de decisão da pessoa, tornando-a um perigo para outros. Estudos apontam que 80% dos presos brasileiros cometeram crimes relacionados às drogas.
Existe também o fetiche da elite cultural em torno das drogas. Estes alegam que as drogas fazem parte da história cultural da humanidade há milhares de anos e que seu combate seria um prejuízo à produção cultural, artística e até científica. Que bom que não pensaram assim aqueles que lutaram contra o racismo, a escravidão, a violência contra mulher, as ditaduras e outros males do passado.
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Já existe uma áurea de glamour ao redor da erva cannabis. Seu uso é retratado positivamente por parte da mídia e intelectualidade. Resultado: “o mato” está disponível em qualquer praça dos centros urbanos. O cheiro está no ar. Jovens fumam em vias públicas. Será que a brisa não poderá levá-los para o pior?
Pergunte a um adolescente viciado em crack por qual droga ele começou.
Hoje temos que lidar com a existência das cracolândias. Engana-se quem pensa que ali impera a liberdade de autoafirmação do indivíduo. Não é uma “festa rave”! Antes, são locais governados pelos “pequenos traficantes”, especialistas em destruição de famílias, produtores de zumbis sociais e aliciadores do crime.
Fala-se também sobre “redução de danos”. Tomada como “a” solução, esta ideia só produz “mais danos”. Que se saiba: redução de danos é muito pouco para uma mãe que encontra seu filho na cracolândia.
Diante deste contexto estaríamos perdendo a “guerra às drogas”. O Estado desperdiçaria milhões dos cofres públicos na estratégia proibicionista que não traria nenhum outro resultado além de mortes indiretas e superlotação de cadeias. É outra falácia. A única coisa que nunca tivemos no Brasil, neste aspecto, foi uma “guerra às drogas”. Nenhuma política pública foi sistematizada. Tudo o que temos é a atual confusão de leis que permitem a compra mas proíbem a venda.
E se estivéssemos perdendo a batalha? Deveríamos declarar nossa rendição ao tráfico? Nestes termos, teremos que legalizar os atropelamentos, roubos e inflação, que não param de crescer. A última guerra que perdemos foi no campo da educação. Fomos humilhados pelo abandono escolar e a repetência. Rendemo-nos. Legalizamos a incompetência e o analfabetismo funcional.
Finalmente, que a internação involuntária seja empregada. O dependente químico espera por essa ajuda. Não que ele seja irracional e inimputável. Ele sabe o que faz. Apenas não tem forças para fazer uma coisa: parar de usar a droga. Cabe a nós tirá-lo de lá.
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Não existe um só benefício coletivo na liberação dos vícios privados. No caso, apenas malefícios.
* Martiniano Borges é cientista político e Juliano Melo, tradutor e linguista. Ambos, diretores do IBTE (Instituto Brasileiro de Transformação pela Educação), que atua na cracolândia paulistana.
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Uma resposta

  1. _Pergunte a um adolescente viciado em crack por qual droga ele começou
    Cigarro e bebida alcolica com certeza
    são drogas legalizadas quem matam milhões por ano.
    A guerra as drogas não tem surtido efeito algum.
    Chega de sangue…Chega de mortes…
    Regulamentação já.
    Se não conseguimos evitar que drogas entrem em um sistema penitenciário de segurança máxima, como faremos isso em uma sociedade livre?
    Os traficantes são contra a regulamentação e uma nova politica de drogas e você?

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