Dereco e Sua Arte urbana: A resistência das imagens


533642_436895239710405_40558872_nMemória. Estêncil materializa imagem por anos incorporada ao cotidiano de Belo Horizonte
Não é de hoje que Dereco Machado se inspira em acontecimentos urbanos para criar seus trabalhos em grafite e estêncil. Já em meados de 2008, quando andava a pleno vapor a duplicação da avenida Antônio Carlos, o artista organizou a ACZine, publicação em que documentou por meio de fotos, textos e registros de intervenções in loco a grande transformação sofrida pela cidade.
Por: DANIEL TOLEDO
Frequentemente transitando entre trabalhos de rua e ateliê, mas quase sempre inspirado pela rotina da cidade, Dereco foi recentemente selecionado como finalista do Modern Craft Project, concurso internacional voltado a uma revisão contemporânea do conceito de artesania, realizado pela revista “Wallpaper”.
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“Logo que fiquei sabendo dessa história, achei interessante o conceito de artesania contemporânea e entendi que meu trabalho se aproximava disso. Mesmo usando a rua como suporte, sempre passo muito tempo no ateliê concebendo e produzindo os trabalhos”, conta Dereco, selecionado em meio a outros 19 brasileiros para a etapa final da competição.

Entre os trabalhos que apresentou à curadoria do concurso, destaca-se uma complexa obra de estêncil na qual reproduz com impressionante fidelidade um dos mais conhecidos edifícios abandonados de Belo Horizonte, situado na região da Lagoinha e recentemente comprado por uma rede hoteleira.
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“Depois de ficar abandonado por muito tempo, esse edifício acabou se convertendo na maior agenda de pichadores da cidade, onde estavam assinaturas de nomes importantes dessa cena. Foi a partir dessa textura que criei o trabalho, concebido como uma espécie de gravura em homenagem a uma paisagem que se perdeu, cedendo lugar a mais um edifício genérico dentro da cidade”, observa.

Outro trabalho de destaque dentro do conjunto corresponde à publicação “Praça Sete de Setembro”, na qual Dereco faz referência à mesma onda higienista que, no ano passado, gerou conflitos entre policiais e artesãos que há tempos trabalhavam e expunham suas criações na praça Sete.
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“Nesse caso, trabalhei a partir de uma série de fotografias feitas durante uma dessas ações policiais, gerando uma espécie de narrativa em que um policial revira um cobertor. E toda a publicação foi construída a partir de colagens, em uma espécie de mosaico feito com materiais encontrados na rua”, explica ele, que atualmente se dedica à criação da série “Cidadão Comum”, na qual retrata, por meio do estêncil, diferentes figuras marginalizadas que povoam as ruas da cidade.
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