A violência urbana


437faed30bc0ae845b0c28befea2a613A vida da sociedade organizada em torno dos centros urbanos nos últimos tempos foi marcada pela presença diária, na imprensa, de eventos e posturas da mais completa e constrangedora falta de civilidade. As estatísticas estão aí para provar: a cada dois minutos uma mulher é agredida nas relações com a própria família; um motoqueiro morre a cada duas horas no país. Escolas são invadidas por dementes e crianças feitas reféns. A criminalidade crescente na adolescência, sugerindo a redução da idade penal para 16 anos, e, depois, para 14 e, esperemos, ainda vamos chegar aos 12 anos, como se esse marco fosse uma solução. “Cadeia para os delinquentes”, pede-se em coro. No mesmo momento, com a mesma emoção e informalidade, pede-se a adoção da pena de morte para os que cometem crimes violentos, para os reincidentes, para os traficantes de drogas e por aí vamos.
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A violência representa a mais grave questão da vida urbana, como origem ou como resultado dos nossos modelos de construção (ou desconstrução) das nossas relações. Grave e sem caminho de volta. Queimamos as pontes. Mas não é apenas essa violência capitulada na legislação penal o que deveria nos preocupar.

É uma forma de violência que submete cidadãos todos os dias de suas vidas, fazendo-os se servirem de um transporte coletivo que opera em horários e volume ofertados conforme o interesse de seus concessionários, sem que esses mesmos cidadãos tenham como serem ouvidos no protesto pelo seu desconforto, pela desumanidade como são transportados e pelos preços que pagam por tais serviços.
Tomar um ônibus para o trabalho e para voltar à sua casa, consumir nessa operação três, quatro horas de suas vidas todos os dias é, sem dúvida, um ato de violência. Ou não?
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No mesmo trânsito, suportar a imprudência do motorista apressado e sem limites para buzinar na sua cabeça, ou do idiota que coloca o som do carro no último volume, tocando funk ou outro mau gosto da mesma escala, é um ato de violência. Ou não?

Alimentar-se fora de casa, uma comida cuja origem não se conhece, como nem se conhecem a forma, os critérios e os cuidados como é preparada, armazenada e servida, sem dúvida, também é uma forma de violência.

A construção civil, que movimenta os grandes centros, é uma agressão desmedida. Seus parâmetros são os códigos de posturas urbanas, que nada regulam, tamanha sua superficialidade e a generalidade de seus critérios. A qualquer empreendimento é permitida a operação e o funcionamento de todo equipamento, desde que entre 7h da manhã e 7h da noite. O prédio que está sendo construído na sua vizinhança pode manter uma betoneira misturando, uma serra elétrica gritando, um martelo batendo, o diabo a quatro, na sua cabeça, sem qualquer cuidado, porque estão dentro do horário permitido: de 7h às 7h durante a semana e, aos sábados, até as 5h da tarde. Você, que mude sua casa de lugar ou encha seu ouvido de algodão (ou concreto da obra vizinha). Não tenhamos dúvida: isso também é uma forma de violência, sem data para acabar e sem quem se ocupe em torná-la menos agressiva.

Viver nos extremos, no limite da tolerância, do desconforto, o progresso a qualquer preço, é tornar a vida uma violência. Ou não?
col_luiztitoPor: Luiz Tito
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