Poesia das ruas


Novos artistas do hip hop em Belo Horizonte levam para a arte suas experiências de vida

No cenário do Duelo de MCs se encontram várias experiências e histórias de vida. Em comum, a certeza de que a arte é o caminho que melhor permite a expressão de ideias e visão de mundo. Além disso, o hip hop acabou por se tornar um destino, um horizonte profissional que dialoga com outras manifestações. Os MCs, quando não estão envolvidos na disputa sob o viaduto, mostram talento como poetas, agitadores culturais, dançarinos, responsáveis por oficinas de literatura e até como skatistas.

H. Apocalypse, de 19 anos, emergiu no Duelo de MCs e também vem se dedicando aos shows em várias cantos do país. Ele destaca o papel que o evento teve em sua formação. “Andava de skate e aí conheci a galera do hip hop. Quando fui ao Duelo pela primeira vez, gostei muito e não tenho dúvida de que me ajudou demais. Já ganhei muitas batalhas, mas hoje tenho meus projetos paralelos e atuo mais como juiz no viaduto. Gosto do rap porque a linguagem é direta. É uma maneira de mostrar a música e a arte de uma forma objetiva”, revela o jovem. “Sempre vivi no meio das artes e além de rapper trabalho no Giramundo (que foi fundado por seu avô Álvaro Apocalypse). Minha mãe sempre me incentivou e costuma ir às minhas apresentações, mas meu pai só assimilou quando percebeu que eu estava mesmo me dedicando e que aquilo estava dando certo”, revela.

Assim como H. Apocalypse, Kdu dos Anjos, de 21, sempre esteve envolvido com várias manifestações artísticas. Tanto é que, além do rap, é articulador do sarau de poesia Vira Latas, movimento itinerante, literário e cultural, e ministra oficinas de literatura marginal e empreendedorismo cultural. “Sempre gostei de música, teatro e passei a escrever poesia ainda garoto. Depois vi que o rap também é poesia. Quando assisti ao filme do Eminem, Rua das ilusões, que retrata bem o que é este duelo aqui, falei: ‘Gostei disso. É isso que quero fazer’. O rap tem um lugar muito especial na minha vida e espero que sempre tenha”, enfatiza.
(Fotos: Alexandre Guzanche/EM/D.A Press )

Vuks (Pedro Henrique Pinto Soares), de 24 anos, é um dos nomes mais conceituados do hip hop mineiro e do Brasil. Lançou no ano passado seu primeiro disco com nove faixas autorais e dois clipes: Iluminado e Hoje, que tiveram boa aceitação do público. Foi um dos criadores do Duelo de MCs, mas hoje participa como convidado, já que tem uma agenda com apresentações em todo o Brasil, como no próximo domingo, quando estará em Florianópolis. Vuks, que é casado e se prepara para a chegada do primeiro filho em dezembro, está na produção do segundo disco e classifica seu estilo como “música de mensagem”.

MC FBC (Fabrício Soares Teixeira), de 23 anos. Mora no Bairro Cabana, na Região Oeste da capital, mas foi criado em Santa Luzia, na região metropolitana. É uma das revelações do rap de improvisação não só em BH, como do Brasil. Um dos MCs mais bem-sucedidos nos duelos, com aproximadamente 30 vitórias, ele também conquistou outros concursos, como o Cidade Hip Hop, em 2010. Considera seu estilo como “largado” e tem como referência o MC Matéria Prima, de BH.


H. Apocalypse (Mário Apocalypse) (foto), de 19 anos. De uma família de artistas – é neto do criador do Grupo Giramundo, Álvaro Apocalypse –, descobriu o rap por meio da turma de skatistas com quem andava. Faz parte do coletivo C. A. O. S., junto com os MCs FBC e Well e o beatmaker Coyote, e tem feito shows em várias cidades do interior de Minas. Apocalypse tem videoclipes gravados e se prepara para lançar em breve o primeiro EP.

Douglas Din (Douglas Nascimento da Silva), de 21 anos. Mora no Bairro da Serra, Região Centro-Sul, e descobriu a cultura hip hop quando passou a escutar a Rádio Favela. É o atual detentor do título de campeão do Duelo de MCs Nacional e um dos principais nomes do rap de improviso do Brasil. No momento, está produzindo seu primeiro EP, Causa mor, que deve ser lançado em novembro.


Kdu dos Anjos (Carlos Eduardo Costa dos Anjos), de 21 anos, é morador do Cafezal, na Região Centro-Sul. Sempre esteve envolvido com as artes, seja o teatro, música ou a poesia. Participa semanalmente do Duelo de MCs, onde já fez vários shows e disputa batalhas de freestyle com temáticas, o chamado Duelo de Conhecimento, em que é um dos principais nomes. Em 2009, foi um dos 10 vencedores do programa Vozes do Morro, com a música Contos de fada, o que tornou possível a gravação de seu primeiro clipe. Além de fazer música, Kdu é técnico em empreendedorismo formado pelo Sebrae-MG e articulador do sarau de poesia Vira Latas.

Por:Ana Clara Brant

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