Entram em cena os “institutos de pesquisa”: primeira etapa da fraude eleitoral eletrônica


Com o inicio do circo eleitoral, desta vez de características municipais, as pesquisas eleitorais são o primeiro “combatente” político da burguesia a entrar em cena, antes mesmo do próprio horário eleitoral gratuito.
Como a maioria das candidaturas majoritárias postas pelo regime carece de base social, as pesquisas eleitorais cumprem a função de “popularizar” os postulantes do anonimato, que sempre começam a corrida eleitoral com índices muito baixos, para depois repentinamente aparecerem liderando a disputa. A exceção se faz quando se trata dos governantes que pleiteiam a reeleição, neste caso ou já partem disparados na frente (um indício de que a eleição já está definida) ou não conseguem decolar em momento algum (sinal de que perderam o apoio da burguesia). Muitos ingênuos (úteis) poderiam pensar que o IBOPE ou Data Folha realmente utilizam elementos técnico-científicos em seus trabalhos por “encomenda”, ledo engano! Estes supostos “institutos” ganharam um enorme peso político com a implantação do sistema eleitoral totalmente digitalizado, ou seja, na votação eletrônica (voto virtual) e totalização computadorizada. Como não se pode mais aferir o voto do cidadão, pela inexistência de sua materialidade, a totalização eletrônica fica a cargo de uma equipe de “técnicos” dos TREs, subordinados aos desembargadores nomeados pela oligarquia dominante em cada região. Neste caso, as “pesquisas eleitorais”, promovidas pelos respeitáveis “institutos”, só precisam de um software instalado nos respectivos computadores do TRE para confirmarem seus prognósticos estatísticos. Em quase duas décadas do surgimento da urna eletrônica, já são inúmeros os casos mais evidentes e “patéticos” do golpe da “casadinha”, ou seja, pesquisa eleitoral e urna eletrônica atuando em conjunto, sob o comando da máfia burguesa hegemônica. Um destes episódios burlescos, marcados pela pantomima de seus protagonistas, foi a eleição do ex-governador Lúcio Alcântara em 2002, pelo PSDB-CE, quando o TRE emitiu o último boletim oficial dando a vitória ao candidato petista José Aírton, o tucano de “alta plumagem”, Tasso Jeressati, pego de “surpresa” correu até a sede da justiça eleitoral para ele próprio emitir um novo resultado (anulando o boletim já divulgado) empossando o correligionário Lúcio Alcântara.

A fraude eleitoral, não nasceu com a urna eletrônica nem tampouco com as pesquisas eleitorais, é um produto histórico inerente a própria democracia burguesa. Lenin há mais de um século, estudou os mecanismos do processo eleitoral, no marco da ditadura capitalista, concluindo que seus resultados expressam sempre a forma distorcida da vontade popular. Passadas várias décadas e distintas etapas da correlação de forças da luta de classes, podemos afirmar que hoje o processo político da fraude no interior das eleições representativas não só foi ampliado como tornou-se um sofisticado mecanismo da “indústria” eleitoral. Isto significa que as distorções políticas próprias da democracia burguesa, como o peso econômico dos candidatos ou o apoio que recebem da imprensa capitalista, agora são potenciados pela manipulação direta do voto popular.

Casos como o escândalo do Proconsult, na eleição de 1982 no Rio de Janeiro, onde a poderosa rede Globo buscou impedir a vitória de Leonel Brizola, são considerados hoje como os primeiros “laboratórios” da fraude eletrônica. Em 1989, na primeira eleição direta para presidente após a saída de cena da ditadura militar, novamente a família Marinho atuou para derrotar um candidato considerado “adversário” de seus interesses, combinando a farsa midiática com a fraude na totalização dos votos. Com a legitimação social das pesquisas, agora ficou bem mais fácil “adequar” os boletins oficiais da justiça eleitoral, impossíveis de serem contestados por qualquer partido político ou organização da classe operária. Todos devem confiar na lisura de nossos “probos” juízes e desembargadores, já que o voto virtual não pode ser armazenado e tampouco recontado, a não ser nos programas dos computadores estatais.

A esquerda reformista tupiniquim aceitou passiva a introdução da urna eletrônica, saudando o atual mecanismo de contagem de votos como um “avanço da modernidade”, o curioso é que países na vanguarda da eletrônica e informática, como o Japão e até mesmo os EUA, não adotaram este sistema virtual, pela insustentabilidade de sua aferição material. Na verdade, para se instalar institucionalmente um mecanismo eleitoral fraudulento como o brasileiro, inclusive já exportado para outras semicolônias, é necessário um amplo acordo político no seio das classes dominantes com o objetivo de estabilizar o regime burguês por um longo período. No caso de países imperialistas, com uma tradição republicana mais arraigada e sem um profundo consenso partidário no interior da burguesia, fica impraticável estabelecer a completa virtualidade do processo eleitoral.
Como marxistas não depositamos nenhuma confiança ou credibilidade nos instrumentos e cortes da justiça eleitoral e seus “parceiros” do IBOPE… Desgraçadamente, a chamada “oposição de esquerda” seguiu o mesmo caminho do reformismo “chapa branca”, e se recusa a denunciar a urna eletrônica, como parte integrante deste grande embuste representado por este regime bastardo da democracia dos ricos e seu escopo institucional. A classe operária poderá avaliar a conveniência política conjuntural de participar ou não de um processo eleitoral burguês, mas sem nunca legitimar seus resultados cada vez mais fraudulentos e corruptos, signos da atual etapa mundial de brutal ofensiva imperialista sobre os povos e nações oprimidas.
Fonte: Diário Liberdade
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