Vereadores de BH dobraram patrimônio em quatro anos


Maior variação é de Edinho, 23.300%; ele alega que registro de 2008 está errado.
Por:GUILHERME REIS
Dos 39 vereadores de Belo Horizonte que vão tentar a reeleição neste ano e que declararam patrimônio em 2008, 26 aumentaram o valor de seus bens em uma variação média de 85%. A análise pode ser feita a partir dos registros de candidatura disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, dentro desse grupo dos que enriqueceram nos últimos quatro anos, 15 duplicaram suas posses.

Dois casos chamam a atenção pelo aumento percentual. Reinaldo Preto do Sacolão (PMDB) declarou, na eleição passada, ter R$ 6.000. Neste ano, o valor subiu para R$ 180 mil, o que equivale a 2.900% de aumento. A assessoria do peemedebista informou que o valor inicial é referente a 2004 e que, em 2008, o montante era de R$ 110 mil.

Já o corregedor da Câmara, Edinho do Açougue (PTdoB), declarou ter R$ 1.000 há quatro anos. Agora, o candidato divulgou ter R$ 234 mil, o que resulta em uma variação de 23.300%. Edinho apresentou à reportagem de O TEMPO sua declaração de Imposto de Renda para confrontar esse índice. Os documentos mostram que, em 2008, o valor de patrimônio era de R$ 158 mil, na verdade.

De acordo com Edinho, uma carta solicitando a correção foi enviada ao TSE, mas os dados não foram atualizados até hoje. O cartório eleitoral responsável informou que não poderia confirmar a informação por questões burocráticas.

O patrimônio de Pablito (PSDB) também cresceu significativamente. Em quatro anos, o valor saltou de R$ 103 mil para R$ 529 mil, resultando em um aumento de 412%. Os candidatos ainda podem enviar à Justiça documentos para retificar o valor de seus bens.

Queda. Segundo o levantamento, seis candidatos perderam posses. A que mais “empobreceu” foi Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB). Em 2008, ela declarou ter R$ 20 mil. Neste ano, consta na declaração da candidata apenas R$ 89, 65. O petista Arnaldo Godoy também amargou perda de patrimônio. Ele declarou ter R$ 106 mil na campanha passada, e, nesta, o valor é de R$ 26 mil. O terceiro que mais perdeu foi Moamed Rachid (PDT), que foi de R$ 354 mil para R$ 269 mil.

Outros que perderam são Silvinho Rezende (PT), que baixou de R$ 268 mil para R$ 239 mil, Heleno Oliveira (PHS), que tinha R$ 959 mil e passou para R$ 874 mil, e Iran Barbosa (PMDB), cuja soma dos bens involuiu de R$ 803 mil para R$ 787 mil.


Curiosidade
Thomé e Gunda não têm bens a declarar

Neste ano, os vereadores e candidatos à reeleição Hugo Thomé (PMN) e Gunda (PSL) informaram não ter bens a declarar, conforme seus registros de candidatura. Em 2008, eles disseram ser donos de R$ 24 mil e R$ 43 mil, respectivamente. A assessoria de Thomé informou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não atualizou os dados e que o parlamentar possui, na verdade, um bem no valor de R$ 220 mil.

O vereador Gunda foi procurado em seu gabinete, mas a reportagem não conseguiu o contatar.

Ricos. Dois vereadores informaram ter bens superiores a R$ 1 milhão. Leonardo Mattos (PV) declarou possuir R$ 1,1 milhão de patrimônio, e Daniel Nepomuceno (PSB) declarou ter R$ 1,06 milhão. As cifras ficam muito longe dos candidatos menos “afortunados”: Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB), com R$ 89,65, e Arnaldo Godoy (PT), com R$ 26 mil.

A assessoria da vereadora comunista disse que não há qualquer erro no registro enviado ao TSE e que ela tem apenas esse patrimônio a informar. (GR)
Alguns disseram não possuirem bens em 2008
Os vereadores Léo Burguês (PSDB), presidente da Câmara, Bruno Miranda (PDT), Toninho Pinheiro da Vila Pinho (PTdoB) e Márcio Almeida (PRP) declararam que não tinham bens em 2008. Entretanto, no registro atual de candidaturas, os bens somam, respectivamente, R$ 34 mil, R$120 mil, R$ 87 mil e R$ 62 mil.

Sobre a declaração anterior, Miranda esclareceu que houve um equívoco naquele ano. “Em 2008, eu tinha um apartamento no valor de R$ 180 mil, mas ele não era só meu, era da minha irmã também. Vendemos o imóvel, e eu fiquei com R$ 78 mil. Esclareci essa situação para a Justiça Eleitoral e minhas contas foram aprovadas”, explicou.

A assessoria do vereador Toninho Pinheiro informou que, em 2008, ele realmente não tinha bens, ainda que já tivesse a casa que declarou desta vez. No entanto, o imóvel fica em um terreno doado pela prefeitura, e ele não tem a escritura, mas sim um Título de Propriedade Precária. Ainda consta na declaração de 2012 do candidato um carro avaliado em R$ 7.000.

Burguês e Almeida (PRP) foram procurados, mas não deram explicações. (GR)
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