Rapper Ice Band: UM NA MULTIDÃO


Enxergando o futuro com os olhos do coração
Rapper Ice Band conta como trocou a arma pelo microfone em sua luta diária pelos diretos dos jovens e adolescentes
A vida nos faz acreditar que, quando uma porta se fecha, outra se abre. No caso de Hudson Carlos de Oliveira, foi preciso que um olho se fechasse para que as portas da vida se abrissem para ele. Aos 42 anos, o rapper conhecido como Ice Band, contraria as estatísticas da violência no país e é um sobrevivente de uma guerrilha urbana.

Morador do Aglomerado da Serra, envolveu-se com a criminalidade nos anos 90 e foi um dos protagonistas do conflito entre gangues, que vitimou dezenas de jovens. Sofreu quatro tentativas de homicídio, até que descobriu nos movimentos sociais um novo caminho.

Ainda criança, Hudson fugiu para rua, onde conheceu uma nova realidade. “Pegava traseira de ônibus e cometia delitos”, revela.

Na vida solta, o jovem frequentou hospitais e cadeia. “Queria dominar o morro, mas acabei criando inimizades”. As consequências foram os quatro atentados sofridos. Hudson perdeu a vista do olho esquerdo, um pouco da mobilidade do braço direito e da perna esquerda.

Um dos sonhos de Hudson era ser piloto de avião. Mas, o que ele conseguiu com a vida desregrada foi ser aviãozinho de boca de fumo. “Tive a ´fuzelagem´ toda furada. Estava no lixo, sem espaço na sociedade, tendo apoio apenas da minha família”.

Aos 18 anos, o rapper conheceu a música de Ademir Lemos, Reatrato Radical e Racionais e se refugiou na Rádio Favela FM. Sua voz tornou-se um exemplo e um alerta. “Contribui para a sociedade, pedindo que não roubassem, que não se envolvessem em violência, que respeitassem mais as pessoas”.

A rádio trouxe o tão almejado reconhecimento para Hudson. O ápice foi com a participação no filme “Uma onda no ar”, de Helvécio Raton, interpretando um árbitro de futebol. “Foi um orgulho ver meu nome na tela do cinema. Conheci outro mundo e ampliei meu espaço”, revela orgulhoso.

Educador
Em 1998, Hudson começou a dar palestras em escolas municipais da capital com a intenção de minimizar a violência e os conflitos. Foi assim que surgiu o projeto Hip Hop – Educação pela vida, viabilizado com os benefícios da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. “A ideia era levar histórias, shows e muita música para esses jovens”. Hudson fica triste ao constatar que as escolas estão cada vez mais nas páginas policiais dos jornais. “A escola é como um baú do tesouro”.

Em 2009 e 2010, o projeto atendeu 20 escolas, o que representa mais de seis mil crianças. Este ano, 20 instituições serão beneficiadas a partir de agosto. “É difícil, mas, com arte e educação, superamos muita coisa nessa vida”.

O caminho escolhido por Hudson é motivo de muito orgulho para sua esposa, Janaína Cunha de Melo, de 37 anos, e para o filho do casal, Hudson Cunha de Melo, de 6 anos. “Como cidadã, é um orgulho ter uma pessoa conosco que encontrou nele um caminho muito mais generoso do que lhe foi oferecido”. Para Janaína, a vida do marido é uma afronta à desigualdade, injustiça e corrupção. “Ele poderia ter se tornado diversos monstros. No entanto, constituiu família e é um exemplo para o filho”.

Hudson afirma que sempre foi um ‘moleque’ sonhador. “Tudo que eu conquistei eu sonhei”.Hoje, o grande sonho do rapper é ver a ampliação do projeto Hip Hop – Educação para a vida para cada regional de Belo Horizonte. “Também sonho com uma rádio para tocar o nosso som e um programa de TV”.

Nesta batalha da vida, Husdson perdeu muitos amigos, mas não se acomoda com as perdas e desafios. “A vida nos oferece desafios a todo momento. Nunca estamos prontos para enfrenta-los, mas aprendemos como fazer”.

Contatos
http://www.hiphopeducacaoparaavida.blogspot.com.br
http://www.myspace.com/iceband
Tel.: 8684-9052

Sobreviventes
Hudson considera que, além da música, o esporte também o ajudou a se manter firme na vida. Todas as sextas, das 18 às 20h, o rapper se junta a jovens e adolescentes, de 12 a 22 anos, para jogar futebol na quadra do Criança Esperança, no Aglomerado da Serra. “Com o projeto ‘Sobreviventes’ quero mostrar que a vida não é só sorrisos. Um dia perdemos, no outro ganhamos. Mas, o importante é não desistir de marcar um gol pela vida, contra a violência”.

Joanderson Andrade de Souza, de 19 anos, conta que a iniciativa ajuda muito a comunidade. “Muitos meninos que estão de bobeira na rua ou no tráfico de drogas mudam seu rumo participando do projeto”. O adolescente faz questão de ressaltar a alegria e o respeito sempre presentes em Hudson. “Espero continuar, por muito tempo, no projeto, e que o Ice Band tenha sempre muita força para seguir em frente”.

Rafael Gomes de Jesus, de 21 anos, acompanha Hudson desde criança. O instalador de acessórios de carros é muito grato pelos incentivos do rapper e amigo. “Todo mundo gosta e respeita o Ice Band, e eu sou muito grato pela força que ele me deu para crescer na vida”.
Vidéos Clips:

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Uma resposta

  1. salve salve mestre eusr..agradecendo o post………

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