Leishmaniose: O lixo e a saúde do cão


Em meio à polêmica sobre o que fazer com o animal afetado pela leishmaniose, a prevenção ainda é a melhor solução
Por: Roberta Dias Rodrigues Rocha – Professora do curso de farmácia do Centro Universitário Newton Paiva
A leishmaniose é um grave problema da saúde pública em Belo Horizonte, em outras cidades da grande BH e no interior de Minas. No período de 1994 a abril de 2012 foram confirmados 1.446 casos da doença. Em 2011, segundo dados da Secretaria de Saúde da capital, 93 pessoas foram infectadas, resultando em 13 óbitos. Até abril, foram registrados quatro casos, com um óbito.

É uma doença causada por um protozoário, a Leishmania chagasi. Se não for tratada, evolui para o óbito em torno de 90% dos casos. O transmissor é o mosquito palha, inseto bem pequeno, de cor clara, que gosta de ambientes escuros, úmidos e com acúmulo de lixo orgânico. As fêmeas se alimentam de sangue e gostam de fazer isso ao fim da tarde. O cão é considerado o principal elo na cadeia de transmissão de leishmaniose visceral. O mosquito suga o sangue do cão infectado e transmite o parasito ao picar o homem. De acordo com o Ministério da Saúde, desde 1963, cães que apresentem exames soropositivos para leishmaniose visceral canina devem ser sacrificados. Porém, essa medida gera muita polêmica.
Há veterinários que defendem o tratamento do cão infectado. Os tratamentos são bem variados, podendo ser utilizada a combinação de diferentes medicamentos. Entretanto, no Brasil, o tratamento de cães com a utilização de fármacos da terapêutica humana ou fármacos não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está proibido conforme a Portaria Interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008, do Ministério da Saúde (MS). A justificativa é que drogas utilizadas em humanos poderiam criar a resistência dos protozoários aos medicamentos.

Além disso, não há comprovação científica que demonstre a cura total dos cães. Eles podem até não apresentar os sintomas, mas continuam sendo reservatórios para a transmissão. Por isso, o controle da doença ainda implica o sacrifício dos cães infectados, o que esbarra na resistência dos donos. A vacina é outra polêmica. Por meio de uma pesquisa nacional foi lançada a segunda vacina contra leishmaniose, Leishtec, do laboratório mineiro Hertap, que vem se somar à já existente vacina Leishmune, produzida desde 1994 pelo laboratório Fort Dodge Saúde Animal. Algo de novo na vacina mais recente é que, segundo o fabricante, os animais vacinados permanecem soronegativos frente aos exames sorológicos de rotina oficiais do Mapa, o que é de grande importância, já que os cães sorologicamente positivos identificados pelo Centro de Controle de Zoonose poderiam ser sacrificados.

Essas vacinas foram aprovadas pelo Ministério da Agricultura, por cumprirem os requisitos técnicos de eficácia, vigentes no momento da concessão dos registros ( 2003 e 2006). Entretanto, o MS ainda não recomenda o seu uso em saúde pública, pois estão sendo realizados estudos para avaliar o uso destes produtos para esse fim. Com tantas discussões, o melhor mesmo é prevenir que o seu cão seja picado, já que ver seu melhor amigo sendo consumido pela doença não é nada agradável.
Nesse sentido, a prevenção e controle da leishmaniose visceral canina envolve o manejo do ambiente, do vetor e do animal. As medidas são: evitar acúmulos de lixo de casa e destinar o lixo adequadamente; manter o ambiente do cão, quintal ou varanda, sempre limpo, livre de fezes e acúmulo de restos de alimentos, frutas e folhagens; manter a grama e o mato sempre cortados, com retirada de entulhos, lixo e fezes animais, evitando a formação de fonte de umidade e de matéria orgânica em decomposição – o que evita proliferação dos insetos. Como forma repelente ao inseto, utilizar spray de saneantes desinfetantes (inseticidas) ou cultivar plantas repelentes como a citronela ou neem.
Outra medida seria o uso de coleiras impregnadas com deltametrina a 4% (trocar a cada seis meses); evitar passeios com o seu cão no fim da tarde e início da noite. Segundo dados do MS, essas coleiras demonstram grande efetividade em estudos realizados no Brasil. Enfim, a prevenção ainda é o melhor caminho para não cair no dilema. O que você faria caso seu cachorro fosse diagnosticado com leishmaniose?

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