O fracasso do ensino médio


Número de reprovações aumenta 13,1% no país e bate recorde
As consequências da fuga vão além dos muros da escola. Alvo dos empresários do crime, jovens fora do sistema tornam-se presa fácil de traficantes e contraventores.
Os números do ensino médio não surpreendem. Mas aumentam a preocupação de pais, empresários e autoridades. Divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as taxas de reprovação mostram que o Brasil anda para trás. Em 2011, bateu o recorde dos últimos 13 anos. Nada menos que 13,1% dos estudantes tiraram nota vermelha. Em 2010, o percentual ficou em 12,5%. Minas até que pode se orgulhar de desempenho bem melhor do que a média e favoravelmente distante dos mais mal colocados, entre eles estados de bom nível de desenvolvimento econômico. Em Minas, mesmo considerando apenas as escolas públicas, o índice de reprovação foi de 7,3%, atrás apenas de Mato Grosso (3,6%), Santa Catarina (4,4%) e São Paulo (4,9%). O Rio Grande do Sul encabeçou a lista dos piores. A quinta parte dos alunos (20,7%) ficou no caminho. O Rio de Janeiro e o Distrito Federal figuraram em segundo lugar, com o vergonhoso índice de 18,4% de incapazes de passar de ano. O Espírito Santo, com 18,4%, e Mato Grosso, com 18,2%, quase empataram na inglória disputa do terceiro lugar.
Apesar de antigos, os problemas do ensino médio se mantêm — currículos desatualizados, material didático de duvidosa qualidade, carga horária sobrecarregada com conteúdos adjetivos e sem sintonia com o avanço da ciência, da tecnologia e da cultura. Mais: os três anos sanduíches funcionam como ponte. Parecem ter por única meta possibilitar ao jovem passar do fundamental para o superior. Não formam. Apenas informam — mal. Não se imagine que o nível intermediário de ensino constitui uma ilha no arquipélago da educação. Trata-se de mais do mesmo. Exames de avaliação mostram o enorme hiato existente entre o ideal e o real. Estudantes concluem o fundamental com conhecimentos apenas do básico. A defasagem cobra preço alto. Incapazes de ler com desenvoltura, entender textos complexos e transitar com intimidade no universo da matemática, rapazes e moças não conseguem acompanhar os conteúdos que lhes são oferecidos. Além da reprovação, preocupa o número dos que abandonam o barco no caminho. Embora tenham sofrido ligeira melhora, os indicadores continuam a inquietar. Em 2011, 9,6% dos matriculados nas redes pública e privada engrossaram as estatísticas dos evasores. Vale a comparação: em 2010, a taxa atingiu 10,38%; em 2009, 11,5%; em 2008, 12,8%.

As consequências da fuga vão além dos muros da escola. Alvo dos empresários do crime, jovens fora do sistema tornam-se presa fácil de traficantes e contraventores. Os números do ensino — do fundamental ao superior — atestam o desafio que o país tem pela frente. No século 21, a educação não acompanhou os avanços exigidos pela sociedade da informação no mundo globalizado. Janelas de oportunidades se abrem, mas os brasileiros ficam à margem por falta de qualificação. Impõe-se apressar o passo. Há muito ultrapassamos o desafio da quantidade. Mas a excelência ficou para trás. O atraso frustra o sonho de entrar no clube dos países centrais. Nenhuma nação, vale lembrar, conseguiu atingir o desenvolvimento com educação subdesenvolvida.

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