Rapper contesta polícia


CRÍTICAS À PM » Rapper contesta polícia Detido sob acusação de desacato, Emicida diz que não assinou o boletim em delegacia porque documento distorce frase que usou em apresentação na noite de domingo, no Barreiro

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FRASES DIFERENTES
“Antes de mais nada, somos todos Eliana Silva, certo? Levanta o seu dedo do meio para a polícia que desocupa as famílias mais humildes, levanta o seu dedo do meio para os políticos que não respeitam a população e vem com ‘noiz’ nessa aqui, ó. Mandando todos eles se f*, certo, BH? A rua é ‘noiz’

O QUE O RAPPER AFIRMA NO VÍDEO
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“Eu apoio a invasão do terreno Eliana Silva, Região do Barreiro. Tem que invadir mesmo. Levantem o dedo do meio para cima e direcionem aos policiais, pois todos eles tem que se f*”.

BOLETIM DE OCORRÊNCIA DA PM
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Levado a uma delegacia da Polícia Civil na noite de domingo sob acusação de desacato a militares e liberado duas horas depois, o rapper paulista Emicida garantiu ontem que não assinou o boletim de ocorrência na delegacia porque ele distorce a frase que usou durante a apresentação do festival Palco Hip-Hop, na Avenida Afonso Vaz de Melo, no Barreiro, em Belo Horizonte. Pouco antes de começar a cantar a música Dedo na ferida, Emicida criticou a desocupação do acampamento de sem-teto conhecido como Eliana Silva, na Vila Santa Rita, na vizinha Vila Santa Rita, que ocorreu sábado com forte aparato policial, e gritou aos fãs que levantassem “o dedo do meio à polícia que desocupa as famílias mais humildes e ao político que não respeita a população”. Em seu blog oficial, o rapper explica que não assinou o documento, o que é um direito de qualquer cidadão, por causa dessa diferença, e posta um vídeo com o início da apresentação.

Emicida se apresentará novamente em BH no Festival Natura Musical, em 23 e 24 de junho e já tem data para retornar à capital e explicar à Justiça seu posicionamento: a audiência no Juizado Especial Criminal foi marcada para fevereiro de 2013. Ontem, o rapper voltou para São Paulo. Acompanhado do irmão e empresário Evandro Fioti, ele não quis comentar o caso. Ainda no aeroporto, Evandro disse que os policiais mentiram no boletim de ocorrência. “Foi um ataque à liberdade de expressão. Os policiais se sentiram atingidos, mas não precisavam ter levado a esse ponto. Eles mentiram para eles mesmos”, disse o empresário.

Segundo o advogado Élcio Pacheco, a PM interpretou de forma arbitrária a opinião do rapper. “Vivemos em um país democrático em que podemos emitir opiniões. Emicida criticou a instituição pelo aparato de guerra que usaram para retirar criancas e idosos com truculência do terreno invadido e eles ficaram melindrados. Se provassem a materialidade, não passaria do pagamento de uma cesta básica, mas os vídeos mostram que não foi isso o que ele disse”, afirmou o advogado, que levou o cantor à delegacia em seu carro, escoltado por uma viatura.

OFENSA Havia 60 militares no evento, segundo o comandante do 41º BPM, tenente-coronel José Geraldo Rodrigues. Muitos fazem parte do setor administrativo da unidade e reforçavam em escala extra o policiamento no show. O comandante explicou que os policiais se sentiram constrangidos e, como prevê a lei, conduziram a ocorrência de desacato.

“A interpretação jurídica mais simplória molda a conduta como desacato. Foi um ataque descabido. Suas músicas têm tom crítico, mas ele não precisa ofender as pessoas. Ele se dirigiu aos policiais ali presentes, insuflando o público a fazer gestos obscenos. É um direito dele se manifestar, mas em sociedade a gente precisa se colocar no lugar do outro. A PM tinha ordem judicial a cumprir. Acompanhei as negociações para a desocupação, que ocorreu sem afronta à dignidade humana. Ele pode até discordar da desocupação, mas não pode atacar ninguém com gestos obscenos, o que foi abominável. Por trás das fardas existem pessoas, pais de família ”, afirmou o comandante.

O termo circunstancial de ocorrência da delegacia ainda não chegou ao Ministério Público, que pode oferecer denúncia. A pena prevista em caso de condenação é de seis meses a dois anos de reclusão e pagamento de multa, que pode ser convertida em serviço comunitário. O MP não vai comentar o caso até que o processo seja distribuído.
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