Ataque bilionário ao crack


Avanço do consumo da droga leva governo federal a anunciar plano de ações com recursos de R$ 4,4 bilhões até 2014. Em Minas Gerais, déficit no atendimento a usuários chega a 80%

A cada cinco viciados em crack, apenas um consegue tratamento na rede pública em Minas Gerais. O dado do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas reforça a gravidade da epidemia que se alastra por quase 80% dos municípios mineiros, segundo recente pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Para tentar o avanço da pedra no país, o governo federal anunciou ontem investimentos de R$ 4,4 bilhões no Plano Nacional de Combate ao Crack e Outras Drogas até 2014, com o desafio de controlar esse problema sistêmico com tratamento adequado a dependentes, passando por políticas de prevenção e repressão à circulação de drogas.

Minas precisaria aumentar muito o número de vagas, levando-se em conta a “demanda latente” de viciados que ainda conseguem de alguma forma manter a vida produtiva, na avaliação do presidente do conselho, Aloísio Andrade. Segundo ele, o estado tem déficit de 80% no atendimento aos dependentes. Só em BH, o Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) atendeu até 22 de novembro, 1.009 novos casos de dependência química. Desse total, 444 era usuários de crack (44%), número maior do que o de viciados em álcool e outras drogas.

“Há um grupo de dependentes que está fora do convívio social e produtivo e aquele que está na iminência de precisar de atendimento. A Organização Mundial da Saúde trabalha com o dado de que 10% da população está acometida por dependência química. Se trouxermos esse dado para Minas, no que a gente chama de cálculo arquétipo, só atendemos um quinto do desejado”, afirma.

O plano nacional tem como lema “Crack, é possível vencer” e o conjunto de ações envolve esforços dos Ministérios da Saúde e da Justiça. Estados e municípios terão de se inscrever no programa e pleitear recursos e projetos. No que diz respeito ao tratamento, toda a rede passará a ter serviços 24 horas por dia. Haverá abertura de novos “consultórios de rua” para atendimento da população viciada e exposta aos riscos, criação de leitos, enfermarias especializadas e unidades para crianças e adolescentes, além da implantação do programa Tele-Saúde para troca de experiências em tempo real.

A proposta também determina a ampliação dos centros de atendimento psicossocial – álcool e drogas (Caps-AD). Em Minas, segundo a Secretaria de Saúde, são apenas 13 unidades. Para o ano que vem, há expectativa de inauguração de 20.

No primeiro semestre deste ano, de acordo com o Centro de Referência Estadual em Álcool e Drogas (Cread), porta de entrada para o tratamento público, 8.459 pessoas foram atendidas. Neste mesmo período foram contabilizados 668 retornos. Entre janeiro e junho de 2010, foram 4.687 atendimentos e 397 retornos.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os quatro centros de referência em saúde mental, Álcool e Droga de Belo Horizonte (Cersam-AD) atendem 70 usuários em sistema de permanência por dia. No único setor infantil, são 17 por dia. A secretaria diz que não faltam vagas e que as duas equipes de consultórios de rua abordam cerca de 100 dependentes por dia.

TRÁFICO Para a segurança, o Ministério da Justiça vai contar com integração e inteligência para enfrentamento das organizações criminosas e traficantes de drogas. Há planejamento para aplicação de policiamento ostensivo e de proximidade em cracolândias, instalação de bases móveis com câmeras e monitoramento de criminosos. O ministro José Eduardo Cardozo afirmou que vai ampliar o efetivo da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal e definir ações específicas e sigilosas para as rotas de tráfico, mapeadas pelo número de apreensões. Há ainda capacitação e programas de prevenção voltados às escolas.

Durante o lançamento do plano, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff assinou projeto de lei para acelerar a destruição de entorpecentes apreendidos pelas polícias e agilizar o leilão de bens de traficantes. O PL também trata de modificações na lei de enfrentamento ao crime organizado e lavagem de dinheiro. Em outra mensagem ao Congresso Nacional, a presidente cria o Sistema Nacional de Estatística e Análise de Segurança Pública. “Não posso traçar políticas públicas e metas na área de segurança com dados de três anos atrás. O próprio mapa da violência é feito com dados do Sistema Único de Saúde de 2008. Por incrível que pareça, ainda não existe um sistema integrado com informações de todos os estados”, criticou o ministro.
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