A longa luta contra o vício


A última viagem pelo mundo das drogas durou os 380 quilômetros entre João Pinheiro, no Noroeste do estado, e B H. Com cachimbo e pedras de crack na bagagem, o recepcionista J.J., de 27 anos, procurou ajuda na capital e foi internado em uma comunidade terapêutica. Desde 13 de julho de 2007, J. busca uma nova vida e cada conquista é incentivo para afastar-se da dependência. O rapaz começou a fumar cigarro com 12 anos e logo descobriu a maconha. A evolução “inevitável” do vício o levou à cocaína e ao crack. Hoje, trabalha no lugar onde se recuperou e cursa serviço social, mas não esquece de onde veio e o que nunca mais quer para sua vida.

“Eu ia chorando até a boca de fumo, porque não queria fumar crack, mas não conseguia ficar sem. Fumava diariamente e depois em curtos espaços, até que a compulsão aumentou e passei a fumar de 10 em 10 minutos”, J., EX-DEPENDENTE

“Eu me envolvi com as drogas por curiosidade, queria viver coisas diferentes, ser mais maduro precocemente e andar com as pessoas mais velhas. No início, conseguia manter minha vida social, mas com a cocaína e o crack perdi minha estabilidade e me excluí. Essa é a droga do isolamento, que gera medo a quem usa. Fiquei longe da família, parei de estudar, furtava coisas em casa e logo estava roubando na rua. Foi muito marcante o dia em que saí de casa e passei a dormir na rua, o que com o tempo já nem me incomodava mais. Eu ia chorando até a boca de fumo, porque não queria fumar crack, mas não conseguia ficar sem. Fumava diariamente e depois em curtos espaços, até que a compulsão aumentou e passei a fumar de 10 em 10 minutos”, lembra o jovem, que sonha em casar e ter filhos.

Na comunidade terapêutica Terra da Sobriedade, no Bairro São João Batista, Região de Venda Nova, J. recebeu cuidados médicos e apoio. “Com a evolução da minha doença, minha família percebeu, mas eu continuava a me esquivar. Era o autoengano, a ilusão de que conseguiria sair quando quisesse. Mas perdi o controle e muito dinheiro com o vício, mas, sobretudo, perdi a construção da minha vida. Eu praticamente não sabia como era viver sem drogas. Foi difícil, sentia muita angústia, tive depressão, passei a ter um vazio no peito e na cabeça. Às vezes sinto falta, mas nunca tive recaída e sei que não conquistaria o que tenho hoje se ainda vivesse daquele jeito. É a vida nova que me impulsiona”, afirma J., orgulhoso.

Cracolândia O pior medo de J. era terminar na rua, num lugar desolado e degradante como a cracolândia. Apesar de menos visível, depois da duplicação da Avenida Antônio Carlos, a área de intenso consumo de crack da Lagoinha, na Região Noroeste de BH, resiste ainda sob os viadutos, pilares, nos jardins e nas estruturas de concreto da obra. Ontem, EM flagrou usuários reunidos para fumar a pedra. De acordo com subsecretário de Políticas Antidrogas de Minas, Cloves Benevides, o problema está sendo acompanhado. “O fenômeno da migração dos usuários de crack é conhecido e o acompanhamos para inibir e tratar. Sabemos da existência de outras áreas de consumo em Venda Nova e no Barreiro e vamos agir para combatê-las”, afirma.

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