FAN, o Festival de Arte Negra


Abertura para a discussão Comunidade está convidada a participar dos debates sobre conteúdo e forma do FAN, o Festival de Arte Negra, que chega à sexta edição. Encontro será no Cine Santa Tereza
Por:Carolina Braga

Com um certo atraso no cronograma, o Festival Internacional de Arte Negra de Belo Horizonte dará o ar de sua graça ainda em 2011, mas não da forma como sempre foi. Na próxima sexta-feira, uma aula espetáculo de Chico César vai abrir a temporada de reformulação do FAN, previsto para se realizar integralmente somente em maio de 2012. É, a próxima edição será assim: debatida primeiro e só depois executada.

“A cada edição, o que se percebe é que existem expectativas muito diferenciadas em relação ao festival”, justifica Rodrigo Barroso, diretor de ação cultural da Fundação Municipal de Cultura. “É que chegou o momento de repensar o FAN na cidade”, completa Gil Amâncio. Ao lado de Ricardo Aleixo, Celina Albano, Ibrahima Gaye e Leda Martins, Amâncio compõe a comissão organizadora. Eles são responsáveis por ouvir o setor e levar à Fundação a resposta à seguinte pergunta: “Que FAN queremos?”.

Trajetória Criado em 1995, o FAN surgiu em um momento em que a comunidade negra em Belo Horizonte ainda se reconhecia. “O festival se configurou como uma catarse coletiva na época em que a comunidade pôde ir para a rua. Foi um ato político de reconstrução de identidade”, afirma Barroso. Agora, o momento é outro, os territórios da arte negra já são definidos e variados. “O FAN hoje é um grande movimento. Como ele não é um festival especializado em uma linguagem artística, quando a Fundação convida determinados curadores as críticas são feitas pela forma como as escolhas são feitas”, continua Rodrigo Barroso. Por isso o debate entre poder público e a sociedade civil é importante para repensar o evento.
Em junho, artistas interessados se reuniram com a Fundação Municipal da Cultura, identificando quatro eixos fundamentais. Com base neles serão realizados encontros em janeiro e fevereiro, quando serão definidas as estratégias. As ações marcadas para este primeiro período, de sexta-feira a domingo, no Cine Santa Tereza, são apenas introdutórias.

Tanto Rodrigo Barroso como Gil Amâncio destacam a importância do período de discussões para a definição não apenas da programação artística do FAN, mas também para o delineamento de políticas públicas. “Hoje a gente não pode mais falar que precisa instigar a cidade artisticamente. Estamos pensando em criar novos editais, que vão desembocar no FAN. Apresentaremos as produções inscritas nos editais”, detalha Amâncio.

Assim como foi feito para a programação de shows do FIT, o Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte, a Fundação Municipal de Cultura planeja lançar um edital de Movimentos Urbanos. “O Festival de Arte Negra é catalisador. Existe em torno dele uma expectativa muito maior do que meramente um espaço de expressão artística”, ressalta Barroso.

Destaques Nesta sexta, depois da cerimônia de abertura, o cantor e compositor paraibano Chico César dará a aula espetáculo Da Mama África à Mama Mundi.
Depois, as cantoras líricas Inaicyra Falcão, Elizeth Gomes e o griot senegalês Zal Idrissa Sissokho farão o concerto Loas da travessia da Calunga Grande.

Entre os destaques do fim de semana estão a performance multimídia em homenagem ao ativista social Abdias do Nascimento, morto em 24 de maio, aos 97 anos, com Benjamin Abras, Elisa Larkin, Elisa Lucinda, Grace Passô, Léa Garcia, Renato Negrão, Rui Moreira e Waldemar Euzébio e o show de encerramento com Carla Gomes, Zaika, Mariella Santiago, Sérgio Pererê, Lokua Kanza e discotecagem da DJ Black Josie.

Chico César fará a aula espetáculo Da Mama África à Mama Mundi (Marcos Hermes/Divulgação )
Chico César fará a aula espetáculo Da Mama África à Mama Mundi

6º Festival Internacional de Arte Negra de Belo Horizonte – FAN
De sexta-feira a domingo, no Cine Santa Tereza (Rua Estrela do Sul, 69, Praça Duque de Caxias). Entrada franca. .Informações: http://www.pbh.gov.br/cultura e (31) 3277-4643.

PROGRAMAçãO
» Sexta-feira
• 19h30 – Da Mama África à Mama Mundi, aula espetáculo com Chico César
• 21h – Loas da travessia da Calunga Grande: com as cantoras líricas Inaicyra Falcão, Elizeth Gomes e o griot senegalês Zal Idrissa Sissokho

» Sábado
• 15h – Políticas públicas para as culturas negras – debate com representantes da Fundação Municipal de Cultura, Fundação Cultural Palmares e Funarte, entre outros
• 17h30 – Encontro com Gil Amâncio, Ibrahima Gaye, Leda Martins e Ricardo Aleixo, integrantes da Comissão Organizadora da 6ª edição do FAN
• 21h – Abdias do Nascimento: rito de recordação – performance com Benjamin Abras, Elisa Larkin, Elisa Lucinda, Grace Passô, Léa Garcia, Renato Negrão, Rui Moreira e Waldemar Euzébio

» Domingo
• 16h – Acrobata da dor – video-poesia de Ricardo Aleixo em homenagem aos 150 anos de nascimento do poeta Cruz e Sousa
• 16h20 – Afrografias: escrever as diferenças – debate com o professor e ensaísta Eduardo Assis Duarte e a escritora Ana Maria Gonçalves
• 18h – Sambeabá: o samba que não se aprende na escola – aula espetáculo com Nei Lopes.
• 19h30 – Show de encerramento com Carla Gomes, Zaika e convidados, Mariella Santiago, Sérgio Pererê, Lokua Kanza e discotecagem da DJ Black Josie.
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