Estudo da Unicef alerta sobre desigualdades entre jovens


Em média, 11 adolescentes entre 12 a 17 anos são assassinados por dia no Brasil.
“O Brasil não será um país de oportunidade se um adolescente negro continuar a conviver com a desigualdade que faz com que ele tenha quatro vezes mais possibilidades de ser assassinado do que um adolescente branco”

Políticas inovadoras voltadas para adolescentes no Brasil não alcançam populações vulneráveis, são descontinuadas e feitas de forma tal que mais se assemelham a projetos-piloto, avalia relatório do Fundo das Nações para Criança (Unicef). O documento lançado nesta quarta-feira em Brasília, observa que, apesar dos avanços alcançados pelo país, há ainda muito o que fazer para se enfrentar as diferenças existentes nesta população. “O Brasil não será um país de oportunidade se um adolescente negro continuar a conviver com a desigualdade que faz com que ele tenha quatro vezes mais possibilidades de ser assassinado do que um adolescente branco”, defende o trabalho.

Intitulado “O Direito de Ser Adolescente – Oportunidade para reduzir vulnerabilidades e superar desigualdades”, o relatório reúne dados de áreas da educação, saúde, violência e trabalho para demonstrar as barreiras enfrentadas por boa parte de meninos e meninas de 12 a 18 anos. Adolescentes são, por exemplo o grupo etário mais pobre da população, depois das crianças. A pobreza extrema, que vem se reduzindo na população em geral, nesse grupo aumentou de 16,3% para 17,6% entre 2004 e 2006.

O homicídio, por sua vez, é a primeira causa de morte nesta fase da vida. Em média, 11 adolescentes entre 12 a 17 anos são assassinados por dia no Brasil. As lacunas de proteção também estão estampadas nas estatísticas domiciliares. Em uma década, o número de lares chefiados por crianças e adolescentes de 10 a 19 anos mais do que dobrou. Dados recentes mostram que 132 mil domicílios têm meninos e meninas como responsáveis.

Essa maior vulnerabilidade não afeta os 21 milhões de adolescentes – o equivalente a 11% da população brasileira – da mesma forma. O impacto muda de acordo com o sexo, a cor da pele, a condição pessoal e onde se vive. A maior parte dos 500 mil adolescentes analfabetos é composta por meninos: 68,4%. No Nordeste, 32% de meninos e meninas entre 12 a 18 anos vivem em extrema pobreza, porcentual bem maior do que a média nacional para esse grupo, que é de 17,6%.

Apesar dos problemas, o levantamento constata que oito de 10 indicadores analisados tiveram entre 2004 e 2009 uma expressiva melhora, como a redução do analfabetismo e do número de adolescentes que trabalham. Na área da educação, por exemplo, o Unicef avalia que o País tem apresentado respostas integradas e inovadoras. “Nesse campo, o desafio, mais do que a aceleração, é de universalização”, constata.

Mas o trabalho identifica ainda pontos críticos, como a violência. Para o Unicef, é preciso colocar em prática no País políticas que garantam direitos dos adolescentes, assim como ocorreu nos últimos anos em relação `a universalização dos direitos das crianças. Caso contrário, avisa, a agenda permanecerá inacabada e todo avanço realizado nos primeiros 10 anos de vida, como vacinação e acesso ao ensino fundamental corre o risco de se diluir.

O relatório defende, no entanto, que medidas sejam implementadas em parceria com os próprios adolescentes e que barreiras sejam quebradas para que programas inovadores e ações básicas cheguem a todos pontos do País e de forma contínua.

O documento avalia ser importante o Brasil aproveitar esse momento, de bônus demográfico, com enorme contingente de adolescentes, para fortalecer políticas voltadas para essa população. Ao fim do trabalho, o Unicef propõe a adoção de 8 medidas para acabar com as violações dos direitos desse grupo. Entre elas estão a execução do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo e a inclusão de uma abordagem específica para adolescente do Plano Integrado de Enfrentamento de Crack e Outras Drogas.
Fonte:Agência Estado
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