Consciência Negra: preconceito e pré-conceito


Adoro ter qualquer motivo para feriado, e pelo visto o Brasil também. Não que eu ache o Dia da Consciência Negra um assunto supérfluo e não digno de um feriado. Na verdade, eu acredito mesmo que os negros são os mais prejudicados, quando o assunto é preconceito, e é assim em todos os lugares do mundo. Por mais que o mundo não seja dividido apenas entre brancos e negros (temos os asiáticos “amarelos” e também os “pele-vermelhas”, mais para a região do México), e por mais que também exista um preconceito sobre as outras diferentes cores de pele, sem sombra de dúvida os negros são os primeiros na lista de vítimas do preconceito racial.

Desde sempre, africanos foram tirados de seus países e vendidos como escravos. O reflexo disso nos dias atuais, é a exclusão, rebaixamento. Nos Estados Unidos isso é descaradamente mostrado. Há bairros somente de negros, e até mesmo séries de TV somente com atores negros. É nítida essa segregação racial e quase natural entre eles (por isso muito me espantou a vitória de Barack Obama, como eu disse semanas atrás, que pra mim é quase como um símbolo de que algo está diferente). No Brasil, apesar de brancos e negros conviverem muito mais harmonicamente, também acontece o preconceito de “preto favelado”, “preto ladrão”, e outras coisas do gênero, como se a cor de pele de uma pessoa pudesse mostrar seu caráter.

Por esses motivos, acho sim interessante ter o Dia da Consciência Negra, que poderia ser de fato útil para as pessoas tomarem consciência de que cor de pele não significa nada e nem te faz mais, nem menos que outras pessoas. Apesar de que eu acredito que a consciência deveria ser contra o preconceito num geral. Mesmo os asiáticos também sofrem discriminação (apesar de que eu devo dizer que, na minha opinião, a exclusão deles da sociedade acontece por conta deles mesmos, num xenofobismo intrínseco conhecido como “colônia”. Enfim.), e a conscientização deveria ser geral.

Dia da consciência negra (Foto por Bruno Mancinelle)

Agora para mim, há uma linha muito tênue entre o que é uma luta contra preconceito e o que é um preconceito disfarçado de luta. Por exemplo, a cota de vagas nas universidades para negros. Alguém pode me explicar, por que diabos existe uma taxa para negros?

Quando eu estava na faculdade, tendo uma aula de Ética, o assunto “cota para negros” entrou na discussão. Meu professor disse que essa cota era quase como um presente para os negros, um pedido de desculpas por todo o sofrimento causado pela época da escravidão. E também porque muitos negros têm muitas dificuldades financeiras, e nada mais justo que ajudá-los a entrar numa faculdade renomada.

Eu achei isso um absurdo. Mas que baboseira é essa? Só por ser negro, você pressupõe que a pessoa tem dificuldades financeiras e não tem capacidade de entrar em uma faculdade importante?

Quer dizer, você fala que é um presente, mas na verdade você está colocando a raça negra num patamar inferior aos brancos, pois eles precisam “de ajuda para entrar na faculdade”, ou seja, são menos capazes que os brancos, é isso? Eu concordo que muitos negros moram nas favelas, muitos negros de fato apenas frequentam escolas públicas de péssimo nivel, ou às vezes não frequentam nenhuma escola. Mas se é assim, se a cota de vagas é para privilegiar pessoas com mais dificuldade, o correto não seria dar os 20% de vagas para moradores de favela? Para a parte pobre da população?

Ninguém parou para pensar que também há brancos na favela? Ninguém parou para pensar que também há negros RICOS? Que estudaram nos melhores colégios e que ainda assim têm vagas reservadas especialmente para eles? Acho que há uma falha imensa nesse “pedido de desculpas” chamado cota. Para mim, soa mais como um “vamos dar vagas para negros incapacitados”, porque ninguém é mais ou menos inteligente por causa de cor (não, nem os japoneses).

Pior ainda, pra mim, é ver os negros que são a favor dessa cota mesmo. Parece quase que estão abusando de sua condição. Aí entra naquele clichê: Se um negro usa camiseta de 100% negro, tudo bem. Se um branco usa camiseta de 100% branco, ele é nazista.

Por isso, eu acho que importante mesmo é apenas a consciência. A consciência de que não devemos subestimar ou superestimar alguém por causa de cor. Pele é só pele. E aproveitemos o feriado para ver como é bonita a mistura de culturas por aí.

E também para dormir, porque ninguém é de ferro.
Por: David Denis Lobão
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2 Respostas

  1. Alex Júnio Veloso Fonseca | Resposta

    É isso ai, falou toda verdade.

  2. adorei essas coisas falando sobri o preconceito..

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