Meninas de Sinhá: Cantigas da vida


Meninas de Sinhá lançam Na roda da vida, álbum duplo com composições próprias
Por: Ailton Magioli

Depois de apresentações em asilos, creches, escolas públicas, hospitais e penitenciárias, as Meninas de Sinha, enfim, chegam a um grande teatro. Atração da noite de hoje do Sesc Palladium, o grupo formado por 32 mulheres da comunidade do Alto Vera Cruz, na Região Leste de Belo Horizonte, lança o segundo disco de carreira, com o qual começam a dar voz às próprias integrantes.

“Temos de acreditar no nosso sonho”, defende dona Ephigênia Lopes, de 71 anos, que assina 14 composições do álbum duplo Na roda da vida. Quando foi convidada a integrar o grupo, ela não acreditou que aquela história desse certo. “Tem de ter fibra”, garante ela, mãe de seis filhos, com 14 netos e oito bisnetos. “As Meninas de Sinhá formam um grupo muito autêntico. Depois de começar com cantigas de roda, elas chegam a repertório próprio, em que, no fundo, continuam fazendo a mesma coisa: contar sua história por meio da música”, avalia Tatá Sympa, o diretor musical do CD.

Acompanhadas de Tatá Sympa (teclado e acordeom), Carlinhos Ferreira, Gal Duvalle (percussão) e Luiz Henrique (violões e cavaquinho), elas ainda vão receber convidados, como os violeiros Chico Lobo e Pereira da Viola, além do cantor Rubinho do Vale, que divide com dona Mariinha a interpretação de Saia verde. Alvimar Liberato (violão 7 cordas) e Léo Barcelos (violino) também estarão no show, cujo repertório vai da cantiga de roda à ciranda, passando por baião, xote, afoxé, congado e samba, entre outros ritmos. Presença ilustre no projeto, o baiano Carlinhos Brown prometeu e cumpriu: marcou presença no CD Na roda da vida, abrindo mão do cachê na faixa Rainha do morro, de Gal Duvalle. Maurício Tizumba também comparece.

Compositora desde os 32 anos, dona Ephigênia Lopes diz que a primeira vez que se aventurou na área foi para louvar Jesus. “Estava lavando roupa, triste da vida, e me deu vontade de escrever uma letra de música no papel de pão”, recorda. Filha de violonista e compositor, aos poucos ela começou a fazer melodias e letras com as quais, na maioria das vezes, conta histórias de vida. “Como o Tatá entende dos ritmos, ele acaba ajeitando tudo”, conta ela, que fez Lamento e alegria especialmente para um negro sofredor, com direito inclusive a citação da obra do mestre Dorival Caymmi. Em Mãe preta, dona Ephigênia homenageia a amiga e coordenadora do grupo, dona Valdete.

Em 15 anos de existência, as Meninas de Sinhá contribuíram para propagar a cultura como principal fonte propulsora da transformação pessoal e social da comunidade. Até então dependentes de remédios controlados, para amenizar a depressão, graças à música as senhoras, cuja média de idade é de 70 anos, reencontraram a alegria de viver.

MENINAS DE SINHÁ
Hoje, 21h, Teatro Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3214-5350.

Por:Ailton Magioli
Veja também Vídeo.
Está Caindo Flor – Flávio Renegado e Meninas de Sinhá.


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Uma resposta

  1. amei esse trabalho com as senhora,isso mostra q pra musica ñ tem idade

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