Juventude ameaçada


Sociedade está perto de perder a guerra do crack

Avisos não faltaram. Barato e de efeito rápido e ilusório, o crack não esperou muito ir muito além das cracolândias das capitais e grandes centros urbanos. Como uma nuvem de fumaça persistente e que se autoalimenta, a droga mais perigosa surgida nos últimos tempos já é tem contornos de calamidade e não pode mais ser tratada apenas como mais um vício do mundo moderno, ou uma bengala na qual se apoiariam tão somente os desajustados. Pesquisa divulgada ontem pelo Observatório do Crack, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) demonstra que aquilo que era apenas uma desconfiança, já é uma realidade chocante. Dos 4.430 municípios pesquisados, nada menos do que 4.114, segundo depoimento dos próprios prefeitos, convivem com o consumo do crack. O número representa a desconcertante proporção de 92,5% das cidades brasileiras, de todos os portes.

Minas não está nada bem nessa foto. Os dados coletados pela CNM revelam que pelo menos 70% dos municípios mineiros consomem crack em níveis médio e alto. De fato, a geografia da droga em Minas acompanha o dramático quadro nacional. Dos 752 municípios pesquisados no estado, nada menos do que 717, ou seja, 95,3% registra o uso de drogas em geral e em 531 cidades, representando 70,6% do total pesquisado no estado, estão na faixa de consumo médio e alto de crack. O número elevado de municípios já conquistados pelos que estão enriquecendo coma venda das pedras produzidas com restos de cocaína e outros produtos altamente tóxicos confirma outra realidade: o mal não escolhe mais o tamanho ou estágio de desenvolvimento sociocultural das cidades.

Mas se o crack não escolhe mais em que cidade, vila ou povoado vai vitimar especialmente os jovens e adolescentes, o levantamento também joga luz sobre a evolução dessa droga em direção todos os níveis da sociedade. Por ser barata – é possível comprar uma pedra de crack por apenas R$ 5 – a droga vinha se limitando a viciar os usuários mais pobres. Não é mais assim. A todo momento são encontrados jovens de classes mais altas envolvidos pelo mesmo e destruidor vício. Especialistas explicam que concentração do crack no sangue se dá em minutos, que tornar usuário em dependente muito rápido. Tão de pressa, que parece não ter dado tempo às autoridades de perceber o tamanho e a gravidade do problema. Ao permitir o avanço do crack nas proporções medidas pela CNM, a sociedade terá muito trabalho para debelar ou, pelo menos, diminuir os efeitos disseminação do mal. Para começar, praticamente não há estruturas para receber e tratar os que forem recolhidos com vida desse mar de perigos. Esse quadro de deficiências é especialmente crítico nas regiões mais pobres, em que faltam até médicos, preparados ou não para enfrentar os efeitos do crack. E, acima de tudo, é urgente levar para muito além das grandes cidades uma campanha de esclarecimentos às famílias mais humildes, de cuja fragilidade e desinformação têm se aproveitado os espertalhões do tráfico. É trabalho para todos, durante décadas. Mas o que está em jogo vale a pena.
Por: Editorial Jornal Estado de Minas – BH – MG.
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