Juventude e ativismo no mundo atual


O que vemos nos noticiários de todo o mundo em relação à juventude tem um pouco a ver com a falta de políticas públicas para este segmento da sociedade, que tem como característica a rebeldia, a ação frente as desigualdades e uma franca forma de expressar do mundo a despeito dos regimes e ordens estabelecidas.

Grupo de hip hop Família de Rua: a cultura como agente de mobilização política e estética
Segundo o intelectual chinês Chen Duxiu “a juventude é como a primavera precoce, como o sol nascente, como as plantinhas e árvores brotando, como uma lâmina recém-afiada. É o período mais precioso da vida. O papel da juventude na sociedade é como o de uma célula nova e vital no corpo humano… Se o metabolismo de uma sociedade funcionar normalmente, ela prosperará; se os velhos elementos apodrecidos dominarem a sociedade, então ela cessará de viver”.

Apego-me as frases escritas por Duxiu em 1915, na China, para expressar, de certo modo, a importância que tem a juventude na constituição de uma sociedade ativa e consciente de seus rumos frente aos problemas da modernidade.
O que vemos nos noticiários de todo o mundo em relação à juventude tem um pouco a ver com a falta de políticas públicas para este segmento da sociedade, que tem como característica a rebeldia, a ação frente as desigualdades e uma franca forma de expressar do mundo a despeito dos regimes e ordens estabelecidas.

Movimentos juvenis estão se espalhando pelo mundo, iniciado pelas manifestações no mundo árabe, em prol da liberdade de expressão e melhores condições de ensino e educação, até as subsequentes marchas em Portugal e Espanha contra a corrupção e a falta de ética política entre representantes dos governos locais.

Jovens continuam se mobilizando pelas redes sociais para protestar contra condições precárias de trabalho e educação, e da falta de políticas específicas para o desenvolvimento humano e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

Os jovens do mundo atual não almejam somente melhorar a qualidade da educação em seus países como é o caso dos últimos acontecimentos no Chile, mas também transformar suas realidades em algo sustentável economicamente respeitando o meio ambiente, os direitos humanos e proporcionando a interação entre culturas de uma forma pacífica e igualitária.

Os incidentes ocorridos em Londres e no fatídico atentado contra jovens na Noruega, nos mostram que se não há uma ação dos governantes de maneira rápida e eficaz, no trato e no diálogo com estes jovens, algo ruim pode ocorrer. A violência não é necessariamente uma forma de expressão da juventude, mas um efeito colateral advindo da ingestão continua de falta de ação dos poderes públicos sobre uma geração que está sofrendo os males da globalização econômica e das exacerbadas desigualdades sociais.

Pensando no nosso caso específico, nunca a população jovem foi tão expressiva no Brasil como nos dias atuais. Trata-se de um tema estratégico para o país. Segundo a antropóloga Regina Novaes, especialista no tema, estudar a juventude é conhecer a sociedade e poder pensar, inclusive, em seus rumos. Dados do Censo 2000 apontam que a juventude já compreende um quarto da população brasileira, representando 50.241.785 de pessoas entre 18 a 34 anos (faixa etária utilizada em países como Espanha e Cuba).

Solidariedade Segundo a pesquisa Sonho brasileiro, realizada pelo Instituto Box 1824 com 2,9 mil jovens, essa nova geração já busca se afirmar no mundo a partir de práticas solidárias para transformar a realidade. Dos jovens entrevistados, 77% acreditam que seu bem-estar depende do bem-estar da sociedade onde vivem.

Basta verificar que elementos apontados como fortes campos de atuação solidária da juventude estão na área da cultura (31%), meio ambiente (29%), educação (26%) e esporte (25%). Ou seja, se considerarmos a cultura e o meio ambiente como áreas afins e interligadas diretamente, teremos 60% dos jovens brasileiros com desejo em atuar nos campos da cultura e meio ambiente como forma de transformar a realidade social e econômica do país.

Sabemos que a cultura é um instrumento fundamental para a transformação social dos jovens. Percebe-se que por meio da arte e do desenvolvimento profissional de jovens empreendedores no campo da cultura é possível não somente diminuir a violência nas favelas e em outras áreas de vulnerabilidade social, como também suprir carências no que tange aos direitos de todo cidadão.

Organizações não governamentais têm se dedicado a construir plataformas de intervenção social com a cultura não somente nas periferias, mas também junto a jovens de classe média, já que, muitas vezes, ambos sofrem com problemas parecidos quando se trata da falta de estímulo, perspectiva e referências políticas e ideológicas.

Nesse contexto, a juventude é um elemento fundamental para potencializar novos processos de transformação social, não somente pela mobilização da sociedade, mas também por meio de políticas públicas que compreendam o aspectos constitutivos de uma cidadania global, interligada a ações de valorização dos direitos humanos e meio ambiente como formas de ativismo juvenil e transformação da realidade brasileira e mundial.

Por: Helder Quiroga
Cineasta, produtor e coordenador da ONG Contato.
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