Culto à Nossa Senhora do Rosário


Homenagem a Nossa Senhora do Rosário.
Diversas guardas de congado da capital e do interior mantêm viva há 31 anos a tradição de cantar e dançar para reverenciar a santa, com muita fé, alegria e trajes típicos.


Uma manifestação de fé e cultura foi renovada ontem no Bairro Nova Cintra, na Região Oeste de Belo Horizonte. Oito guardas de congado da capital e do interior de Minas celebraram o reinado de Nossa Senhora do Rosário, tradição que tem origem africana e é mantida há 31 anos na região. Realizado sempre no quarto domingo de outubro, o evento reuniu cerca de 300 pessoas com vestimentas e adornos coloridos que dançaram e entoaram cantos em reverência à santa. Os festejos de ontem começaram pela manhã, às 6h, com queima de fogos na Praça Cardeal Arcoverde, e foram até a tarde, com a celebração de uma missa conga na Igreja de São Tarcísio. Além da guarda do Bairro Nova Cintra, também participaram da festa congadeiros do Nova Granada e João Pinheiro, além das cidades de Carmópolis de Minas, Itabira, Betim e Ubá.

A festa de ontem, como explica um dos integrantes do congado no Nova Cintra, Erick Candeias, de 21 anos, foi o fechamento das festividades do reinado de Nossa Senhora do Rosário, iniciado em 13 de maio, com a coroação da princesa Isabel, responsável pela abolição dos escravos. Há duas semanas, os congadeiros hastearam bandeiras na praça principal do bairro para avisar que as festividades tiveram início. Na sexta-feira foram rezadas missas em louvor a Santa Efigênia e São Benedito, padroeiros da festa, e no sábado uma grande coroa foi levantada junto às bandeiras na praça. Nesse dia, as crianças também puderam aproveitar a farra do boi, manifestação similar ao bumba meu boi, com danças típicas e distribuição de balas. Ontem, a partir das 14h, após almoço oferecido pelos moradores em suas próprias casas, os congadeiros e demais participantes da cerimônia saíram em procissão, dançando e cantando pelas ruas do bairro, em direção à Praça Cardeal Arcoverde.

“As festividades do domingo são as mais importantes. É o dia em que ocorre o encontro das guardas e que elas fazem suas saudações à princesa Isabel, fazem coroações a reis e rainhas das guardas e saem em cortejo até a igreja”, explica Candeias. Para ele, que na tradição é rei de Santa Efigênia, o congado é uma junção de fé, religião e cultura.

À frente do reinado de Nossa Senhora do Rosário no Nova Cintra, o padre Djalma Dâmaso fala do evento com alegria na voz e no olhar. Com os movimentos limitados pelos mais de 80 anos de vida, ele diz que o evento renova a tradição dos congados e integra a comunidade por meio da religião. “Não posso mais acompanhar a festa como fazia antes, mas participo da organização durante todo o ano. Ver esse cortejo sair mais um ano é uma satisfação muito grande para mim”, afirma. Afrodescendente, o padre Djalma é neto de rainha conga africana e sempre lutou para manter viva a cultura do congado no bairro.

Uma das missões do padre no processo de preparação da festa é a escolha da princesa de São Benedito, que neste ano foi representada pela estudante Victoria Niero, de 15. “Foi uma honra ser convidada. No início, fiquei um pouco nervosa, porque as guardas cantam e fazem orações para mim, mas depois a gente fica mais leve. É uma responsabilidade que nos faz renovar nossa fé, nossa devoção”, conta a estudante.

Para mostrar que o congado tem também uma raiz familiar, o pequeno Luid Otoni Ferreira, de 7anos, da guarda que veio de Ubá, mostrou na festa todos os passos que aprendeu desde os 3 anos, quando foi iniciado no movimento por intermédio da mãe e do avô. “Eu gosto do congado. Gosto da dança, das músicas”, contou. Vestida de Nossa Senhora Aparecida, a mãe dele, a dona de casa Cristina Ferreira, conta que na família, todos mantém viva a tradição. “Minha família inteira é devota de Nossa Senhora do Rosário, que para mim é sinônimo de fé, paz e alegria”, afirma.

Origem do Congado

De origem africana, o congado é uma manifestação cultural e religiosa que chegou ao Brasil com os escravos e passou a ser também uma manifestação católica. Conhecido como “congada” ou “congo”, o festejo popular religioso mescla elementos católicos, como orações, dança e cortejo com passos e cantos. Conforme a história, o início do congado em Minas Gerais foi marcado pela vinda do rei africano Chico Rei ao Brasil, na metade do século XVIII. Em 1747, ele teria organizado a primeira festa dos negros em Minas, como forma de agradecer uma benfeitoria a Nossa Senhora do Rosário. Hoje celebrado em várias regiões do país, o congado passou a fazer parte do calendário de festividades brasileiras.
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