POLÍTICOS BANDIDOS


Estou vendo diversas fotos de políticos, prefeitos, empresários, técnicos etc. que este ano foram presos em diversas ações da Polícia Federal contra as quadrilhas que roubam o dinheiro público.

Olho as fotos repetidamente — e não consigo ver nenhum dos suspeitos com cara de anjo. De repente, todos me parecem ter semblante de malfeitor, cara de bandido.

Deve acontecer algum fenômeno estranho, em que o verdadeiro espírito de malandro, de ave de rapina, se externaliza, sai do íntimo e vai para a superfície do indivíduo. Que nem pele, esse “espírito” baixa ou se adere ao corpo e muda a “facies” desses, por exemplo, prefeitos e outros presos, transformando-a em rosto de bandido, cara de bandido, jeito de bandido.

Impressionante isso. Alguém já disse que a política ou o poder não mudam as pessoas — apenas revelam o que no fundo, em essência, elas já são. Ou seja: se o homem ou a mulher que chega ao poder (Executivo, Legislativo, Judiciário) tem na verdade intenções de enriquecimento, intenções desonestas, de serem os “tais” e quererem tudo, a chegada ao Poder demarraria, faria soltar esse processo, liberaria o verdadeiro malandro ou a real malandra que, como alter ego, se esconde nos cus da alma.

Como diz a letra de uma dessas músicas de forró moderno: cachorro, safado, sem-vergonha… (Não é bem essa a ordem, mas isso não altera em nada o currículo). Pois bem: É preciso ser mesmo um sem-vergonha para chegar ao comando de uma prefeitura ou, como parlamentar, estar próximo ao Poder e trabalhar de todas as maneiras, artimanhosamente, para obter mais e mais dinheiro, patrimônio material e coisa e tal.

Para quem é chegado às coisas e causas bíblicas, lembre-se o que está no livro primeiro de Timóteo: O amor pelo dinheiro é a raiz de todos os males. Todas as malandragens, todas as bandidagens, todos os assaltos e roubos e fraudes e tudo de mal que os políticos bandidos fazem é em benefício de um ou dois ou meia dúzia e em prejuízo de milhões de miseráveis… dos quais também, de algum modo, saem os impostos que formam o enorme, macio e confortável colchão de recursos financeiros posto à disposição de milhares de bandidos travestidos de políticos, empresários, técnicos e outras atividades e funções — na verdade, apenas eufemismos profissionais para encobrir o que realmente são: maus-caracteres, ladrões. É impressionante a cara de santo com que, quando candidatos, desfilam em época de campanha e, quando eleitos, tentam se justificar quando pegos em suas falcatruas.

O único dinheiro que um prefeito ou outro político deveria levar para casa é o seu salário, com os devidos descontos.

Como têm dinheiro, como são membros de instituições, como são amigos (amigos ou comparsas?) de uma rede quadrilheira com ramificações em tudo quanto é canto, aí aparecem repentinamente, à moda dos pop-ups nos sites na Internet, defensores esgrimindo um mundo de argumentos, todos lastrados em sacrossantos artigos da Magna Constituição. (Essa mesma Constituição à qual não se apela para fazer valer a aplicação dos recursos públicos com qualidade e transparência e honestidade. Essa mesma Constituição à qual entidades e profissionais liberais não apelam para reduzir as desgraças da falta de Saúde, de Segurança, de Educação, de Emprego, de Cultura, de Comida, de vergonha na cara…). É preferível ser advogado do político a ser advogado do povo. É preferível cumprir a lei a fazer-se Justiça. É preferível soltar um pilhador de riquezas públicas a soltar as amarras da miséria que prendem e tornam subgente milhões de brasileiros vítimas vivas da roubalheira desses políticos absolutamente desonestos.

Às vezes, olhando as fotos das ações da Polícia Federal e encarando os presos, às vezes dá vontade de concordar com alguma coisa de Cesare Lombroso: bandidos têm mesmo uma cara… têm uns traços característicos… A “santidade” que estava à superfície antes da descoberta dos assaltos aos cofres públicos foi repentinamente substituída por uma expressão diabólica e de culpa.

Talvez essa expressão criminosa não esteja nas faces dos suspeitos, acusados, presos, trancafiados, detidos, enrolados ou outro nome que venham a ter os gatunos políticos. Talvez essa expressão esteja no olhar de quem olha, no nojo de quem vê, no asco que causa a atitude vil, na repugnância à personalidade (isto é, à máscara) gosmenta com que alguns ludibriaram tantos apenas para ter mais poder e dinheiro, dinheiro e poder.

Os políticos bandidos, os prefeitos desonestos, os governantes ladrões, os parlamentares (vereadores, deputados, senadores) sem caráter (ou de caráter bandoleiro) sabem que eles formam a “tropa de elite”, a elite da tropa, o maior grupo de assalto e extermínio de uma comunidade, de um estado, de um país. Bilhões em reais e em dólares são desviados para contas, colchões, cofres e até cuecas e garrafas particulares, enquanto milhões de pessoas são submetidos a todo instante à fome, ao desemprego, à violência, à insalubridade urbana, às doenças, à desassistência e, finalmente, à morte. Como são pessoas sem destaque, como são pessoas comuns, podem morrer aos montes, podem ir fruindo sua subvida sem provocar nenhuma culpa na consciência (!) desses políticos desonestos.

É assim que eles, políticos desonestos, formam o pelotão que submete ao paredón e fuzila nossos coestaduanos maranhenses, nossos conterrâneos brasileiros, nossos concidadãos planetários e cósmicos.

O político bandido sabe que ele é um matador, um assassino, um homicida. O resultado de seu mau-caratismo está nos buracos das ruas, nos esgotos a céu aberto das cidades, na ausência de atendimento médico de qualidade e na falta de remédios de qualquer qualidade…

O prefeito bandido está na alma dos mendigos, está na falta de educação, de cultura, de conhecimento do estudante que, mesmo formado, continua mal informado e despreparado e não sabe fazer as quatro operações nem muito menos uma redação simples.

Governantes e parlamentares bandidos são traficantes de influência e de recursos, distribuindo ópio e ócio para o povo enquanto se refestelam em mansões, com uísques importados e corpos fêmeos e não-fêmeos que não se importam…

A gente sabe que há corrupção há muito tempo neste estado e em todo o país. Mas, assim como me preocupam de mais de perto, como me incomodam mais os maus modos de meus irmãos do que os dos irmãos de outras pessoas, assim também deve nos preocupar o mal que ocorre e que é descoberto nas nossas cidades e estado, mais próximos de nós. Até porque, digamos assim, os crimes dos políticos desonestos derramam diretamente sobre nossos munícipes e municípios seus subprodutos de não-obras e não-serviços, de não-exemplo, de não-ética, de não-moral.

Quando estava saindo da quarentena de jejum e sofrimento a que foi submetido pelo Espírito Santo (livros de Mateus e Lucas), Cristo foi tentado pelo Capeta. Ardiloso, o Coisa-Ruim disse que daria tudo, reinos e glória, se Cristo, prostrado, o adorasse. O Filho de Deus resistiu, e deixou sua lição aos homens – tão mal-aprendida… Por muito menos que um reino (ou buscando um), políticos bandidos se prostram e adoram quem quer e o que quer que seja, desde que isso lhes leve dinheiro e poder, poder e dinheiro.

Essa cobiça crescente pelas coisas e causas materiais parece não ter fim. Não importam Polícia Federal, Ministério Público, Controladoria da União, um ou outro Tribunal de Justiça ou de Contas decente… Não importa. O que importa mesmo, no final, é a farra, a esbórnia, a pândega, a bandalha, a rambóia, a locupletação…

O mal, pelo visto, vencerá. Venha logo o apocalipse. Enquanto isso…

…Que se danem os fracos!

…Que se lasquem os oprimidos!

…Viva a bandidagem!
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