Grafiteiro de SP leva sua arte para sertão nordestino


Conhecido por pintar arabescos azuis nas margens cinzentas do rio Tietê e nas galerias escuras dos subterrâneos paulistanos, o grafiteiro Zezão, apelido de José Amaro Capela, 39, levou sua arte para o sertão do Nordeste, bem distante das zonas urbanas onde cresceu.

A convite do projeto itinerante “Cinema no Balanço das Águas”, que faz oficinas de arte, foto e vídeo com moradores das margens do rio São Francisco, Zezão fez no último dia 9 de setembro seis grafites na Ilha do Ferro, no município alagoano de Pão de Açúcar (226 km de Maceió).

O batismo nas águas do São Francisco revelou ao grafiteiro uma nova visão do país e um novo significado para sua arte –quer levá-la agora para os lugares mais remotos do Brasil, onde a população não conhece a tinta spray nem as paredes grafitadas.

Para Zezão, a experiência mostrou que o grafite, caracterizado como uma arte urbana, pode sim ocupar outros espaços fora das cidades.

“Aquele ‘azulzinho’ lá no sertão é um símbolo da água, da paz, da prosperidade, para esse povo um pouco sofrido”, disse por telefone à Folha.

“Não me considero só um artista plástico, acho que vim com essa missão, sei lá, como um Robin Hood. Faz mais sentido fazer esse trabalho social, com um apelo ao meio ambiente, do que pintar na [avenida] 23 de Maio, onde todo mundo possa ver.”

Segundo Zezão, que como a dupla Osgemeos, é um dos grafiteiros brasileiros mais conhecidos lá fora, a margem do São Francisco foi o lugar mais bonito que já pintou em 17 anos de carreira. Um reconhecimento de quem não pintou apenas em bueiros e esgotos paulistanos, mas em Paris e Rio de Janeiro.

A ideia de levar os grafites de Zezão para o São Francisco partiu da artista plástica Maria Amélia Vieira, uma das coordenadora do projeto. Abrigado em um barco, que navega sempre que há recursos, o projeto terminou sua terceira viagem de navegação na semana retrasada, com cerca de 200 participantes em dois povoados.

“Convidamos o Zezão pela relação que ele tem com o rio Tietê, em São Paulo. Pensamos em fazer um link entre um rio de uma metrópole e o rio de integração nacional, que é o São Francisco”, disse Maria Amélia.

Segundo ela, as oficinas de arte e as intervenções de Zezão agitaram o cotidiano das cidades. “A vida pacata dos povoados recebeu uma carga muito grande de informações e de contatos urbanos”, disse a artista.

O próprio barco do projeto ganhou um grafite próximo à proa.

Zezão planeja voltar ao São Francisco entre o final de novembro e início de dezembro. Quer passar uma semana por lá. Antes disso, vai a Nova York, onde tem uma exposição marcada.

O barco também volta aos povoados no final do ano para apresentar a produção já editada das oficinas de vídeo.
Veja as Fotos


SILVIA FREIRE
DE SÃO PAULO
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