Sarau da Cooperifa faz dez anos em momento de alta da poesia


Em outubro de 2001, os poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão organizaram, num bar de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, o primeiro Sarau da Cooperifa.

Quase ninguém soube, quase ninguém viu –e durante um bom tempo foi assim. Dez anos depois, e desde 2003 em outro endereço, um boteco no Jardim Guarujá, zona sul da capital, o encontro poético é um acontecimento da periferia paulistana.

Fundador da Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia), Vaz, sete livros publicados, criou filhotes do sarau.

Fez a Semana de Arte Moderna da Periferia, a Mostra Cultural da Cooperifa, a Poesia no Ar (balões soltos com versos), a Chuva de Livros, o Cinema na Laje, o Ajoelhaço (em que homens pedem perdão às mulheres) etc.

E o sarau irradiou poesia pelas bordas da cidade.

Há pelo menos 50 encontros do tipo em São Paulo, a maior parte na periferia. Dos saraus surgiram escritores elogiados –como o próprio Vaz, Binho e Sacolinha– e um nicho editorial.
Marlene Bergamo/Folhapress
Sérgio Vaz (centro) e Cocão (de boné) no Sarau da Cooperifa
Sérgio Vaz (centro) e Cocão (de boné) no Sarau da Cooperifa

Saíram da periferia iniciativas como as Edições Toró, de Allan da Rosa, e o Selo Povo, de Ferréz –que não faz sarau, mas os elogia e vai a muitos lançar seus livros. Até uma editora tradicional, a Global, criou um selo de literatura periférica.

O movimento das franjas ganhou o respeito do centro, “do outro lado da ponte”.

“Estamos no meio de uma revolução. A poesia, que até o século passado era vista como arte de elite, está mudando de dono e de classe social, indo para a periferia. É a coisa mais importante da literatura brasileira hoje”, diz o poeta Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas, que abriga saraus na avenida Paulista, organizados com o auxílio de Marco Pezão.

A professora da UFRJ Heloisa Buarque de Hollanda vê essa cena como um renascimento “dos velhos saraus de salão do século 19” transfigurados, um “rito de passagem entre o privado e o público”.

A onda poética periférica se junta a um bom momento para a poesia no mercado editorial. Novas coleções são lançadas e poetas inéditos chegam ao país.

Esta edição voltada ao verso destaca ainda o novo livro de Francisco Alvim, novas expressões poéticas em meios não impressos e a obra do crítico americano David Orr, que discute o significado de ler poesia hoje.
Por:FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO
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