Gravidez precoce e o monopólio dos alimentos: um crime escondido




A explosão de casos de gravidez precoce nos últimos tempos, em meninas e adolescentes do mundo inteiro, inclusive dos países ricos, tem sido definida como epidemia. Este, porém, é um termo nebuloso que propositalmente dificulta a compreensão das massas sobre a questão. O correto seria chamá-la de crime.

Rosana Bond para “A Nova Democracia”

Durante esses anos de aflição para milhões de jovens, nunca ou quase nunca apontou-se claramente os culpados (possivelmente os maiores) por essa situação de prejuízo extremo individual e coletivo que é a maternidade antecipada: o monopólio dos alimentos.

O monopólio dos meios de comunicação, comprometido até a medula na propagação do erotismo para crianças (ver box), tratou de divulgar explicações diversionistas. Transformando o povo em vilão, a vítima em réu, não cansou de afirmar que as meninas estavam engravidando “por falta de orientação dos pais”, ou porque “os adolescentes são rebeldes”.

Ou ainda, numa manipulação execrável, diz que os jovens não estão sabendo lidar com a “liberdade” dentro de uma sociedade que “evoluiu” e

Os hormônios e outras substâncias usadas nos últimos anos nos alimentos pelos monopólios, para obter mais lucros, não têm provocado somente puberdade/ gravidez precoce, está afetando gravemente também pessoas mais maduras, de 30 e 40 anos, que num efeito contrário, estão perdendo a fertilidade mais cedo.

que hoje apóia, sem preconceitos, o sexo antes do casamento. Risível, porque sexo pré-casamento ou até sem casamento é coisa velha. Só que antes nunca houve um estouro mundial na estatística de mães adolescentes. Por que só agora?

Numerosos estudos surgiram. Mas não houve estímulo a pesquisas científicas profundas e descompromissadas com o capital, que desvendassem os reais motivos pelos quais estão ocorrendo tão altos índices de puberdade precoce já a partir dos 8 anos (primeira menstruação, capacidade de gestação, aumento dos seios, pelos pubianos, etc) que trazem, como consequência, a elevação da maternidade juvenil.

Nunca há dinheiro para estudos sérios. Eis o que disse um boletim da Cimac do México (Comunicação e Informação da Mulher) de 2002:

“Sem orçamento para pesquisas amplas, empresas e instituições continuarão negando os impactos dos alimentos com modificações químicas e genéticas na saúde reprodutiva.

Cada menina com puberdade precoce relacionada com a ingestão de frangos artificialmente engordados, cada mulher com infecções vaginais por produtos lácteos com antibióticos, etc, estão longe de ser ‘evidência contundente’.

Com um ano e meio de idade, uma criança desta cidade (México, DF) apresentou um incipiente crescimento de pelos púbicos. A anomalia parou quando deixaram de alimentá-la com frango. Em apenas um ano, a pediatra Isabel Zurbia Flores Soltero observou dois casos de puberdade precoce em uma menina de seis e outra de 10 anos de idade, também vinculados ao consumo de frangos criados com hormônios sintéticos”.

A médica entrevistada, Zurbia, tem uma década de trabalho num hospital infantil mexicano e lamenta que “são escassos os estudos para chegar a evidências conclusivas sobre transgênicos, hormônios e outros aditivos em alimentos”. Mas sua experiência clínica diária apresenta indícios que a enchem de preocupação.

Foi também acompanhando o dia-a-dia em consultórios pediátricos franceses que o médico e professor Charles Sultan decidiu escrever o livro Ginecologia pediátrica e adolescente: evidências baseadas na prática clínica. Ele, que é da Unidade de Endocrinologia e Ginecologia Pediátrica da Universidade de Montpellier, França, afirmou agora em 2008 num seminário na Europa, que a puberdade precoce se deve ao uso de hormônios sintéticos, pesticidas, detergentes e outros produtos.

O ginecologista e obstetra mexicano Felipe Lazar Júnior igualmente diz que os alimentos estão interferindo, sim, na menstruação precoce. Declarou ele à repórter Victoria Bensaude: “Em geral, boa parte dos alimentos possuem conservantes que têm efeito hormonal. Recentemente, um pesquisador de meio ambiente fez um estudo em uma represa e constatou que as amostras de água colhidas continham níveis elevados de hormônio feminino, o que com certeza estão associados à menarca precoce, e também ao aumento da incidência de câncer nas mulheres e ginecomastia nos homens (crescimento anormal da glândula mamária)”.

Anabolizantes no frango

Em julho do ano passado, uma comissão da Câmara dos Deputados brasileira soltou uma recomendação de proibição do uso de hormônios na avicultura.

Afirmava que tais produtos estavam sendo utilizados pela indústria do frango para acelerar o crescimento e a engorda dos animais, mas que resíduos dos produtos permanecem na carne e nos ovos. Segundo os deputados, o consumo de alimentos com esses resíduos pode ocasionar disfunções no aparelho reprodutor. Além de câncer, distúrbios no sistema imunológico, entre outras doenças. “Os efeitos indesejáveis dos resíduos de hormônios anabolizantes são mais maléficos em crianças e jovens”, disse o relator.

Ao que se sabe, foram palavras ao vento. Nada mudou.

Os hormônios e outras substâncias usadas nos últimos anos nos alimentos pelos monopólios, para obter mais lucros, não têm provocado somente puberdade/ gravidez precoce, está afetando gravemente também pessoas mais maduras, de 30 e 40 anos, que num efeito contrário, estão perdendo a fertilidade mais cedo.

“Está havendo um climatério feminino e masculino precoce”, advertiu o Dr. Arturo Zárate Treviño, do Hospital de Especialidades do Centro Médico Nacional Século XXI, do México. “E esta modificação não se trata de uma evolução natural da espécie humana, mas sim a fatores como o uso de substâncias químicas na agricultura e nos alimentos, além da obesidade e do sedentarismo”.

Complementou que “os fertilizantes e pesticidas que são utilizados na agricultura, assim como os alimentos industrializados, que contêm conservantes, saborizantes, colorantes e muitos elementos artificiais, atuam como estrógenos ou antiestrógenos”.

Atualmente, no México, um em cada seis casais tem problema para obter gravidez, pois de acordo com Treviño, “o padrão hormonal em homens e mulheres sofreu uma mudança e agora, entre a terceira e a quarta década de vida, eles produzem menos testosterona e elas menos estrógeno”.

Infertilidade nos meninos

O consumo de carne bovina tratada com hormônios, além de diversos outros problemas, está causando infertilidade em meninos de pouca idade.

Um estudo da Universidade de Rochester, no USA, publicado na  Human Reproduction, relacionou o uso de substâncias hormonais a danos no espermatozóide humano, ao constatar que os filhos de mulheres que consumiram carne diariamente têm uma possibilidade três vezes maior de ter uma contagem de espermatozóides tão baixa que podem ser classificados como subférteis.

Para ludibriar o povo e as críticas, o USA proibiu alguns produtos no gado em 1979, porém outros, tais como os hormônios sexuais testosterona e progesterona continuaram liberados para uso na pecuária.

A equipe da Rochester descobriu que entre os filhos de mulheres que comiam carne todos os dias, 17,7% tinha uma concentração de espermatozóides abaixo dos 20 milhões por mililitro, o que é considerado subfertilidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A porcentagem entre filhos de mulheres que comiam menos carne foi de 5,7%.

Allan Pacey, especialista em Andrologia da Universidade de Sheffield, Grã-Bretanha, considerou os resultados da pesquisa “alarmantes”. Informou que, além da carne, “há anos os cientistas estão preocupados que substâncias que imitam o estrógeno, presentes em caixas d’água, plásticos ou maquiagem possam estar afetando as etapas críticas do desenvolvimento do testículos de meninos pequenos.”

As transnacionais e o leite

Por outro lado, o hormônio BST, aplicado pela indústria para aumentar a produção de leite, foi proibido na Europa, mas continua liberado no Brasil, desde 1990, pelas gerências coniventes e irresponsáveis do Palácio do Planalto e seus ministérios.

O BST (somatotropina) é um hormônio de crescimento natural secretado por alguns animais. No começo da década de 1980, ainda no nascedouro das experiências transgênicas, cientistas conseguiram produzi-la em laboratório. O “medicamento” começou a ser vendido para produtores para ser injetado em vacas, que passaram a produzir mais leite.

Seu uso prejudica o sistema imunológico humano e também causa câncer.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostram que em 2005 os produtores de leite brasileiros compraram 745 mil doses de BST.

No Brasil, a venda do produto foi liberada em 1990, pela gerência Collor. O laboratório Eli Lilly, do qual a Elanco é a divisão para produtos animais, foi autorizado a vender o Lactotropin, hormônio produzido pela Monsanto, a gigante mundial na área de transgênicos. E o Schering Plough Saúde Animal conseguiu licença para comercializar o Boostin, o BST produzido pelo sul-coreano LG.


______________________________ Fonte: www.jornalorebate.com.br


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