Elas apostaram no recomeço. E agora vão ser premiadas


Anny Giacomin
agiacomin@redegazeta.com.br

Vinte e seis empresas capixabas vão ser homenageadas, hoje, no Palácio Anchieta, em Vitória, por participarem ativamente da reintegração à sociedade de detentos e egressos do sistema prisional do Espírito Santo. Elas vão receber o selo “Ressocialização pelo Trabalho”, lançado em outubro do ano passado. Um reconhecimento por ofertarem oportunidades de trabalho, representando um ganho social e ajudando a diminuir os índices de reincidência criminal no Estado.

A iniciativa também é uma forma de incentivar a participação de novas empresas no programa da Secretaria de Justiça (Sejus). Atualmente, 146 empresas são conveniadas à Sejus e empregam 1.388 detentos, tanto dentro quanto fora das unidades prisionais capixabas.

Mudança

O secretário de Justiça, Ângelo Roncalli, explica que esse trabalho tem ajudado até a diminuir o índice de reincidência na criminalidade dos presos e egressos. “Um levantamento antigo do Ministério da Justiça mostrava que esse índice era de 85%. Hoje, já é bem menor, fica em torno de 60%. Ou seja, além de dar uma oportunidade a quem sai da cadeia já vítima de preconceito, a empresa ainda contribui para a sociedade”, ressaltou.

Roncalli frisou, ainda, que a nova legislação dá oportunidade ao preso de já tentar se inserir no mercado ainda dentro da prisão. “Quando o detento chega à cadeia, não tem experiência de trabalho, referência, coisas fundamentais para entrarem no mercado. A medida em que o preso vai ganhando a liberdade e já está trabalhando, ele passa a ser encarado como um trabalhador comum”, destacou.

O selo vai ser concedido anualmente às empresas. Um dos requisitos para o recebimento e manutenção dele é ter empregado, nos seis meses anteriores, no mínimo cinco presos condenados no regime semiaberto – e que podem trabalhar fora dos presídios – e/ou dez presos que trabalhem internamente.

O empresário Luiz Schiavon, da Tozzatto Inox, uma das empresas homenageadas, trabalha com reeducandos – como ele chama os detentos e egressos – desde janeiro de 2010. E só viu benefícios nessa parceria. “Hoje temos 35 reeducandos na empresa e estou muito satisfeito com o resultado. Os detentos precisam é de incentivo e eles valorizam isso sendo muito produtivos”, afirmou.

Benefícios ao contratar quem sai da prisão

As empresas que participam do programa de ressocialização, oferecendo oportunidades de emprego para detentos do sistema prisional capixaba também têm benefícios por darem essa chance de reinserção na sociedade aos presos. Elas ficam livres de pagarem os encargos financeiros sobre a contratação dos detentos, por exemplo. Já o egresso, segundo o secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, é tratado como um trabalhador comum. “Justamente uma forma de não fazer distinção entre ele e os outros funcionários”, ressaltou.
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foto Gabriel Lordêllo

O ex-detento que sonha ser empresário

Foi dentro do presídio que Wanderson Andrade Martins, 33 anos, conheceu a liberdade. Há sete anos, por telefone, marcou, com a ajuda de um amigo, um encontro com a atual mulher, dentro da cadeia. E foi justamente essa mulher e, hoje, o filho, que dão a ele força para trabalhar e se manter longe da criminalidade. Depois de 10 anos atrás das grades e de uma fuga, Wanderson foi solto, definitivamente, em 2008. “Já sair da prisão empregado foi muito bom. E nada paga a liberdade e um fim de semana com a família”. Na empresa em que ele trabalha, já fez de tudo: foi costureiro, motoboy, cortador e, hoje, é modelador. E também é tido como um exemplo pelos colegas. “Fica muito mais fácil sair da cadeia quando se tem o apoio da família. O Wanderson de antes não vivia, ele vegetava. Infelizmente tive que passar por isso para aprender”, diz. O sonho dele? Abrir sua própria empresa para dar emprego a ex-detentos. “Pelo menos 70% das pessoas que estão nas cadeias querem alguma coisa, mas faltam oportunidades. Quero ajudá-los”, contou.
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foto Gabriel Lordêllo

Trabalhando ele descobriu uma nova vida

O dia 18 de março de 2008 vai ficar marcado para sempre na vida de Michel de Jesus Dutra, de 22 anos. Foi nessa data ele foi preso, em casa, em Nova Venécia, no Norte do Estado. “Fiquei isolado nos três primeiros dias. Não acreditava que aquilo estava acontecendo comigo. Depois de passar pela penitenciária de Colatina e começar a trabalhar na lavanderia, por indicação da terapeuta, foi transferido para Vitória, em dezembro do ano passado. “Foi bom porque passei pro regime semi-aberto e hoje trabalho até fora do presídio. Mas triste porque estou longe da família. Mesmo assim posso juntar meu dinheiro para poder ir visitá-los”, disse. Michel chegou a passar o Natal em casa com a família, e viu a diferença. “Deu vontade de não voltar, mas quero ter um lar, uma família. Essa oportunidade de emprego tem me ajudado bastante”, comemorou.

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