Arquivos Mensais: maio \31\UTC 2011

Um rapper mineiro em Londres

Londres. Com seu primeiro trabalho, “Do Oiapoque a Nova Iorque”, o rapper mineiro Renegado vai além e chega fazendo barulho no velho continente. Continuar Lendo →

Dinheiro não embranquece


Pesquisa com negros de classe média desconstrói mito da democracia racial

Por: Lia Brum


Muitas vezes ouvimos dizer que, no Brasil, não há racismo, mas sim preconceito contra classes econômicas mais baixas. Contudo, uma tese de doutorado defendida na Universidade de São Paulo indica que o abismo colossal entre ricos e pobres existente no país não explica completamente a discriminação social. A pesquisa mostra negros que conquistaram uma ascensão em seu poder aquisitivo, mas que não deixaram de ser julgados negativamente por sua aparência.

O antropólogo Reinaldo Soares entrevistou, entre 2001 e 2003, 24 afrodescendentes na faixa etária média dos 50 anos. Em sua maioria, eles haviam cursado o ensino superior completo, tinham casa própria e trabalhavam como profissionais liberais ou funcionários públicos. Apesar de levarem estilos de vida confortáveis, descreveram ocasiões em que foram discriminados por causa da cor de sua pele e disseram que não têm os mesmos privilégios que os brancos. Ainda contaram que não haviam estabelecido relações de amizade com brancos de classe média, tampouco com negros mais pobres.

Os negros de classe média entrevistados foram localizados em duas associações representativas desse segmento na cidade de São Paulo: um clube fundado exclusivamente para o lazer da classe média negra e uma organização não-governamental criada para o desenvolvimento social, cultural e educacional da comunidade de afrodescendentes brasileiros. Além dessas entidades, os entrevistados disseram que não participavam de nenhuma instituição negra, nem eram adeptos de religiões afro-brasileiras.

A grande maioria dos entrevistados se auto-identificou como negra e pertencente à classe média. Eles relataram trajetórias de estudo, trabalho e luta a fim de superar uma origem em patamares sociais inferiores ao atual. Também defenderam o esforço individual e a educação como instrumentos para alcançar o sucesso.

Esse ideal de progresso, entretanto, pode ser visto na classe média em geral. Portanto, o que diferenciaria essas pessoas como “classe média negra” é o seu crescente potencial como novo nicho de mercado. A veiculação de propagandas com negros, o lançamento de produtos étnicos e revistas voltadas para esse público acentuaram o interesse do autor da tese, que já havia estudado a temática da classe média negra em sua dissertação de mestrado.

Ao longo de sua pesquisa de doutoramento, Reinaldo Soares tentou definir um perfil desses consumidores. Os dados coletados mostraram, por exemplo, que 79% dos entrevistados compravam produtos étnicos. “Ao consumir esses produtos, os entrevistados estão fazendo menção a uma das formas como sua identidade social é construída, reconhecendo-se como negros que pertencem a um estrato específico que conseguiu a mobilidade social durante sua trajetória de vida”, analisa Soares. 

Lia Brum

A descriminalização do aborto, uma bandeira histórica do movimento feminista nacional


A descriminalização do aborto, uma bandeira histórica do movimento feminista nacional, encontrou nova e perversa tradução de política pública na voz do governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O governador defende a legalização do aborto como forma de prevenção e contenção da violência, por considerar que a fertilidade das mulheres das favelas cariocas as torna “fábrica de produzir marginais”.
Uma reivindicação histórica dos movimentos de mulheres de efetivação dos direitos reprodutivos das mulheres e de reconhecimento do aborto como questão de saúde pública sobre a qual o Estado não pode se omitir é pervertida em proposta de política pública eivada de ideologia eugenista destinada à interrupção do nascimento de seres humanos considerados como potenciais marginais. No lugar do respeito ao direito das mulheres de decidir sobre a própria concepção, coloca-se como diferença radical de perspectiva a indução ao aborto, pelo Estado, como “linha auxiliar” no combate à violência.
São teses que aparecem com recorrência no debate público e que, embora com nuances, mantêm o mesmo sentido. Uma das mais célebres foi dada anteriormente no governo de Paulo Maluf, em São Paulo, no qual o GAP (Grupo de Assessoria e Participação do Governo do Estado) elaborou o documento “Sobre o Censo Demográfico de 1980 e suas curiosidades e preocupações”. Nele, é apresentada a proposta de esterilização massiva de mulheres pretas e pardas com base nos seguintes argumentos: “De 1970 a 1980, a população branca reduziu-se de 61% para 55% e a população parda aumentou de 29% para 38%. Enquanto a população branca praticamente já se conscientizou da necessidade de se controlar a natalidade (…), a população negra e parda eleva seus índices de expansão, em 10 anos, de 28% para 38%. Assim, teremos 65 milhões de brancos, 45 milhões de pardos e 1 milhão de negros. A se manter essa tendência, no ano 2000 a população parda e negra será da ordem de 60%, por conseguinte muito superior à branca; e, eleitoralmente, poderá mandar na política brasileira e dominar todos os postos-chaves — a não ser que façamos como em Washington, capital dos Estados Unidos, onde, devido ao fato de a população negra ser da ordem de 63%, não há eleições”.
O documento se tornou público graças a denúncia feita na Assembléia Legislativa de São Paulo pelo então deputado Luis Carlos Santos, do PMDB-SP, em 5.8.1982. Trouxe à luz essa concepção de instrumentalização da esterilização como política de controle de natalidade dos negros denunciada internacionalmente pelo Relator Especial sobre Racismo da ONU, após sua visita ao Brasil em 1995.
Se o governador Sérgio Cabral ocupou-se em explicitar que as mulheres das favelas devem ser objeto de uma política eficaz de controle da natalidade via facilitação do aborto pelo Estado, o seu secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, tratou de estabelecer a diferença do valor de cada vida humana no Rio de Janeiro, o que provavelmente estabelece nessa lógica nefasta quem pode viver e quem deve morrer, ou nem mesmo chegar a viver. Em comentário sobre o fato de que os traficantes das favelas das zonas Oeste e Norte do Rio estariam se deslocando para as favelas da Zona Sul como reação às ações que vêm sendo realizadas pela polícia naquelas áreas, o secretário vê, nesse deslocamento dos traficantes, dificuldade adicional para o seu combate. Segundo ele, “é difícil a polícia ali entrar, porque um tiro em Copacabana é uma coisa. Um tiro na [favela da] Coréia, no complexo do Alemão [nas zonas Oeste e Norte, respectivamente], é outra (…). Uma ação policial em Copacabana tem uma repercussão muito grande, porque as favelas e os comandos estão a metros das janelas da classe média”.
Ora, se nas zonas Oeste e Norte, as favelas e os “comandos” estão em janelas frentes umas às outras, ou lado a lado, isso pode significar que são partes integrantes de um mesmo todo e o favelado civil e o traficante seriam indistinguíveis para efeito da repressão e violência policial. Tanto bandidos como policias sabem o que o civil favelado — nem policial nem traficante — vale: nada! Pode ser abatido como mosca por ambos os lados. Ir para a Zona Sul como estratégia de sobrevivência ou redução da letalidade dos confrontos entre bandidos e policiais é uma prerrogativa que apenas o bandido tem. O favelado civil, ao contrário, não tem para onde ir, está condenado a ser o “efeito colateral” dessa guerra insana.

Michel Foucault demonstrou que o direito de “fazer viver e deixar morrer” é uma das dimensões do poder de soberania dos Estados modernos e que esse direito de vida e de morte “só se exerce de uma forma desequilibrada, e sempre do lado da morte”. É esse poder que permite à sociedade livrar-se de seus seres indesejáveis. A essa estratégia Michel Foucault nomeou de biopoder, que permite ao Estado decidir quem deve morrer e quem deve viver. E o racismo seria, de acordo com Foucault, um elemento essencial para se fazer essa escolha. É essa política de extermínio que cada vez mais se instala no Brasil, pelo Estado, com a conivência de grande parte da sociedade.


Sulei Carneiro

Sueli Carneiro
Doutora em Filosofia da Educação pela USP, é diretora do Geledés (Instituto da Mulher Negra)

Bispo do Rosário volta a ocupar espaço de artista contemporâneo

Com a presença anunciada na Bienal de Lyon, em setembro, em mostras na Bélgica e na Espanha, também em 2011, e um dos principais destaques da 30ª Bienal de São Paulo, no próximo ano, Arthur Bispo do Rosário parece ocupar o espaço que lhe reivindicavam: o de um artista contemporâneo. Continuar Lendo →

28 de Maio: Na efesa da Saúde Integral da Mulher

ULF – Mortalidade materna, aborto inseguro, abandono de recém nascidos e mulheres em prisão são a tônica no Brasil
A Campanha 28 de Maio – Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher – desenvolvida pela Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe – RSMLAC, com apoio da Rede Feminista de Saúde, tem como meta, neste ano, ser uma ação permanente de defesa da saúde integral e direitos reprodutivos das mulheres em todas as fases da vida. No Brasil, a data historicamente marcada pela busca da redução contra a mortalidade materna, se traduz no fim das mortes por abortos inseguros, cerca de 200 ao ano no país, e pelo crescente abandono de recém-nascidos e pela violação ao direito à saúde nas prisões femininas, revelada em relatório especial.
Na ênfase para a mortalidade materna, a campanha denuncia como evitáveis em 98% dos casos (OMS, OPAS), sendo um problema de saúde pública a ser abordado em toda sua dimensão. Para o movimento de mulheres, este é um indicador de cidadania feminina, que evidencia a articulação entre a má qualidade da atenção e dificuldades de acesso, com as desigualdades sociais, de gênero e raça, que exige abordagem integral.
Estudos de importantes pesquisadoras como Alaerte Leandro Martins,Doutora e Saúde Pública (USP) e coordenadora-adjunta da Regional da RFS do Paraná, revelam o maior risco de morrer de mulheres negras, por serem também as mais pobres, assim como seus efeitos na sua “quase morte” pelas mesmas razões. As mortes evitáveis de mulheres relacionam-se com abortos inseguros realizados por jovens e mulheres adultas que não conseguem planejá-los, engravidam por violência sexual ou não podem ou desejam levar a gestação em frente, encontrando barreiras legais, sociais, culturais, religiosas e do sistema de saúde para sua interrupção A falta de acesso a medicamentos como o Misoprostol em função de barreiras sanitárias, tem levado milhares de brasileiras a percorrer mercados paralelos para sua aquisição, assim como a frequentarem clínicas clandestinas onde se expõem aos riscos da má prática ou de prisões.
Além destas mortes evitáveis, a Rede Feminista, em ações de parcerias com outras articulações, vem reunindo evidências da violação dos direitos humanos das mulheres, caracterizados pelas condições em que determinados grupos sociais, como mulheres no sistema prisional, vivem e são tratadas pelo estado.
As recentes notícias sobre o abandono de bebês recém-nascidos vem revelando, por outro lado, precárias condições de saúde física e mental de mulheres jovens que se vêm sem condições sociais de assumir a maternidade. Ao contrário do olhar julgador sobre elas, a Rede Feminista propõe que o estado brasileiro assuma sua responsabilidade quanto a ofertar atenção integral à saúde das mulheres, evitando assim que gestações indesejadas se concretizem, prosperem, e que bebês também paguem com sua vida as omissões e as violações de direitos humanos A Campanha 28 de Maio exige dos governos as condições necessárias para que os direitos reprodutivos sejam exercidos em sua totalidade, sendo um instrumento de ação e de promoção do ativismo. Em 2011, o Chamado à Ação é voltado para o direito das mulheres terem acesso à saúde integral ao longo de seu ciclo vital.
O Manifesto da RSMLAC para esta data salienta que os Governos devem desenvolver estratégias para erradicar os estereótipos de gênero em todas as esferas de vida social e promover a igualdade de gênero na esfera política e de tomada de decisões. Diz que a igualdade de gênero não poderá ser alcançada sem a promoção e a proteção do direito das mulheres de usufruírem dos padrões adequados de saúde física e mental, inclusive saúde sexual e reprodutiva recomendados nos Programas de Ação das Conferências do Cairo, Beijing e nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio.
Mortalidade Materna – O Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna surgiu com o intuito de mostrar ao país que ainda é grande o número de mulheres que morrem por problemas ocorridos durante a gravidez, o parto e o pós-parto, ou por complicações de um aborto inseguro. E neste contexto devem ser considerados aspectos e fatores responsáveis pela má qualidade de vida das famílias, principalmente da população negra: a violência doméstica, o analfabetismo e a baixa renda, indicadores que se relacionam diretamente com a desigualdade social e de gênero.
A Rede Feminista de Saúde desde sua fundação em 1991 aponta o fim das mortes maternas evitáveis como prioridade da sua agenda, e entre outras estratégias ajudou a criar o Pacto Nacional de Redução da Morte Materna, com vistas a reduzir em 75% a mortalidade materna até 2015.
Suas ações, entretanto, não obtiveram o sucesso desejado em razão do não enfrentamento concreto dos inúmeros desafios, tais como efetivar o acesso de todas as mulheres a uma atenção de saúde de qualidade, antes e depois da gestação, assegurar os métodos contraceptivos adequados a todas as mulheres, já que cerca de 40% das brasileiras ainda não o utilizam adequadamente (PNSM, 2006) desarticular as pressões religiosas sobre as políticas públicas, ampliando as possibilidades de interromper a gravidez com segurança.
Segundo a Secretária Executiva da RFS, Telia Negrão, “Se não for adotada uma política muito séria de educação para a sexualidade, assegurado o planejamento reprodutivo, a melhoria do atendimento durante a gestação, a efetiva humanização do parto e trabalho com evidências científicas, o cuidado antecipado à gestação e alongado com puerpério e a legalização do aborto, certamente não conseguiremos reduzir as mortes maternas no país e atingir as metas estabelecidas pela ONU”.
Faça download dos PDFs sobre as violações dos direitos humanos das mulheres nas penitenciárias femininas dos estados da Bahia, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Sul
Acesse: http://www.redesaude.org.br/portal/home/conteudo/biblioteca/biblioteca/textos-diversos/001.pdf

Câncer de Boca Causado por Sexo Oral Avança no Brasil

CLÁUDIA COLLUCCIDE
Em uma década, dispararam no país os casos de câncer de boca e orofaringe relacionados à infecção por HPV (papilomavírus humano), transmitidos por sexo oral.
O índice de tumores provocados pelo vírus é três vezes superior ao registrado no fim da década de 1990. Não há um aumento do número total de casos, mas sim uma mudança no perfil da doença.
Antes, cânceres de boca e da orofaringe (região atrás da língua, o palato e as amígdalas) afetavam homens acima de 50 anos, tabagistas e/ou alcoólatras.
Hoje, atingem os mais jovens (entre 30 e 45 anos), que não fumam e nem bebem em excesso, mas praticam sexo oral desprotegido.
Uma recente análise publicada no periódico “International Journal of Epidemiology” mostra que, quanto maior o número de parceiras com as quais pratica sexo oral e quanto mais precoce for o início da vida sexual, mais risco o homem terá de desenvolver câncer causado pelo HPV.
MAIS CASOS
No Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, 80% dos tumores de orofaringe têm associação com o papilomavírus. Há dez anos, essa associação existia em 25% dos casos.
O HPV já está presente em 32% dos tumores de boca em pacientes abaixo dos 45 anos “”antes, o índice era de 5%. Por ano, o hospital atende 160 casos desses tumores.
“O aumento dos tumores por HPV é real, e não porque houve melhora do diagnóstico. Os casos relacionados ao tabaco vêm caindo, mas o HPV está ocupando o lugar”, diz o cirurgião Luiz Paulo Kowalski, do A.C. Camargo.
No Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), 60% dos 96 casos de câncer de orofaringe atendidos em 2010 tinham relação com o HPV. As mulheres respondem por 20% dos casos.
“Começa-se a notar um maior número de mulheres com esse câncer, por causa do sexo oral desprotegido”, diz o oncologista Gilberto de Castro Júnior, do Icesp.
No Hospital de Câncer de Barretos, no interior paulista, casos ligados ao HPV respondem por 30% dos cânceres da orofaringe, um aumento de 50% em relação à década passada, segundo o cirurgião André Lopes Carvalho.
“A maioria dos nossos pacientes tem o perfil clássico, de homens mais velhos que bebem e fumam. Mas estamos percebendo uma virada.” O Inca (Instituto Nacional de Câncer) desenvolve seu primeiro estudo sobre o impacto do HPV nos tumores orais. Segundo o cirurgião Fernando Dias, coordenador da área de cabeça e pescoço do instituto, o HPV de subtipo 16 é o que mais provoca câncer da orofaringe.
“O HPV está criando um novo grupo de pacientes. Por isso, é preciso reforçar a necessidade de fazer sexo oral com preservativo.” O Inca estima que, por ano, o país registre 14 mil novos casos de câncer de boca.
Segundo os especialistas, a boa notícia é que os tumores de orofaringe relacionados ao HPV têm um melhor prognóstico em relação àqueles provocados pelo fumo.Paulo Kowalski afirma que eles respondem melhor à quimioterapia e à radioterapia e, muitas vezes, não há necessidade de cirurgia.
VACINA
A vacina contra o HPV não é aprovada para homens no Brasil. Nos EUA, onde foi liberada, a imunização masculina não protege contra o HPV 16, o tipo que mais causa câncer de boca e de orofaringe.
No Brasil, só mulheres entre 9 e 26 anos têm indicação para a vacina contra quatro tipos de HPV, entre eles o 16. Mas a imunização só existe na rede privada, ao custo médio de R$ 900.

Editoria de Arte/Folhapress

Leis não inibem ações de pichadores em BH

Vândalos emporcalham alguns dos cartões postais da capital, como o viaduto de Santa Tereza Continuar Lendo →

Veja o Artista do Grafit Passo a Passo

Durante a festa do 1º Aniversário do portal http://www.rapmineiro.com/, entre outras atividades tivemos intervenções de Grafits durante o evento. E por falar em aniversário do Portal, aguardem, este ano temos mais novidades. Um Abração.
Veja as fotos de Aline Continuar Lendo →

Conexão Vivo cheio de atrações no parque

Projeto chega à já tradicional etapa realizada no Parque Municipal, com shows de hoje a domingo Continuar Lendo →

Duo 6emeia reflete com humor bueiros de São Paulo

Os grafiteiros Anderson Augusto (o SÃO) e Leonardo Delafuente (Delafuente) formaram o projeto 6emeia e criaram uma nova forma de interferir no espaço urbano. Eles fazem grafites em bueiros, mostrando uma nova visão bem humorada para o buraco que leva a sujeira das ruas para o esgoto da cidade.

Moradores da Barra Funda, bairro da região central de São Paulo, a dupla do 6emeia tem grafitado bueiros e muros de outros bairros das redondezas como Bom Retiro, Santa Cecília, Higienópolis, Pacaembu e Campo Limpo.

Por Beth Ferreira
Veja galeria de fotos e vídeo que mostra entrevista com o 6emeia: Continuar Lendo →

Dia Mundial de Combate a Violência contra pessoa Idosa!!


No próximo dia 15 de junho de 2011 vamos fazer com que profissionais na área da saúde e a sociedade em geral façam cumprir o direito dos idosos como manda o estatuto do idoso, temos que tratar com todo carinho, pois este grupo social se encontra excluído perante nossa sociedade.
Estou postando bem antes da data para justamente alertar que podemos sim mudar esta situação de abandono que se encontra o idoso, não só no Brasil, mas no Mundo todo.
Espero poder contar com todas as comunidades que estão me ajudando, para que divulguem esta data e que possamos mostrar que o idoso não se encontra sozinho.
Amigos dos grupos do Brasil e do mundo, peço que me ajudem a mudar esta situação, a internet é um meio rápido de difundir a notícia para cada pessoa em todos os continentes.
Espero que jovens tenham a consciência que um dia irão chegar lá e que vão querer um mínimo de respeito e dignidade que um idoso merece.
Agradeço novamente a Amigos pelo Mundo que estão me ajudando nesta campanha de lutar contra a violência aos idosos.
Peço a todos que divulguem este link
http://maustratosaoidosodenuncie.blogspot.com

Hip hop vira expressão de cidadania no Bairro Ribeiro de Abreu

Glória Tupinambás – Estado de Minas
A arte e a cultura das periferias desenham um novo cenário nas escolas de Belo Horizonte. Continuar Lendo →

Conexão Vivo apresenta Cidade Hip Hop

O evento conta com debates, apresentações artísticas e exposição de graffiti
O Conexão Vivo é um dos eventos culturais que mais movimentam a capital mineira. Com shows, festivais independentes, oficinas e seminários, o Conexão rola até o dia 29 de maio, em vários lugares espalhados por Belo Horizonte. Continuar Lendo →

O campeão brasileiro de trotes contra a Polícia



(Archimedes Marques)

A Polícia Militar que trabalha de forma ostensiva e busca a preservação da ordem pública, atua com rondas pelas cidades, abordagens, blitz e ainda com atendimentos de ocorrências via 190. Em média, 70% das ocorrências são via denuncias, mas nem sempre elas são verdadeiras, são os chamados trotes, que além de prover perda de tempo aos policiais e prejuízo ao erário público, pode deixar de salvar vidas ou de se prender perigosos bandidos.

Um trote pode ocupar de 1 a 3 minutos do atendente e se uma viatura for encaminhada a essa ocorrência inexistente, serão perdidos entre 10 e 20 minutos. Esse tempo é precioso para quem realmente está precisando da ajuda policial.

O problema do trote contra a Polícia que também fora tratado no programa televisivo FANTÁSTICO da Rede Globo, em 22//04/2011, mostrou essa situação criminosa em vários estados do nosso país com índices superiores a 30% das ligações ao 190 e destacou o maior passador de trotes do Brasil, o campeão em trotes contra a Polícia, um sergipano.

Tal caso inusitado refere-se ao cidadão Jose Uilson dos Santos, cujo Inquérito Policial estava sob a minha responsabilidade, mas já fora encaminhado à Justiça. Consta da documentação acostada aos autos que o suspeito teria efetuado 206.449 ligações para o 190 da PM, no período aproximado de um ano. É bem verdade que tal número exorbitante, apesar de ser oficial e fornecido pelo CIOSP não é de todo composto de trote, vez que, em boa percentagem, os atendentes aos reconhecerem a voz do criminoso, desligavam o telefone sem lhes dar atenção, mas, contudo tais ligações eram contabilizadas como sendo trotes. Assim, com certeza, esse número pode ser abatido em mais de 60% para ser mais exato, o que não deixa de ser um recorde de trotes efetuado por uma só pessoa em citado tempo.

A sua detenção somente ocorreu no dia em que o suspeito deixou de usar o telefone celular para ligar de um aparelho público e, ao efetuar 22 ligações para o 190 fora rastreado, localizado e preso em flagrante delito pela Polícia Militar, em 03 de março de 2011.

Depois da sua prisão e soltura, ocorridos no mesmo dia, em entendimento e decisão do Delegado plantonista, em virtude de ser o crime tipificado como de menor potencial ofensivo, o suspeito ficou alguns dias sem dar um trote sequer. Entretanto, a partir de 25 de março passado, voltou a delinqüir no mesmo crime, desta feita em menor intensidade, ligando de aparelhos de telefonia celular pré-paga ou de telefones públicos diversos.

O delinquente, quando detido, confessou e confirmou a sua autoria delitiva, inclusive na imprensa, discorrendo que começou a passar trotes para a Polícia a partir de março de 2010, a título de brincadeira e que sentia prazer em ouvir os atendentes do CIOSP sempre o alertar para o problema que TROTE ERA CRIME. Alegou que o seu objetivo principal com os milhares de trotes efetuados era fazer o maior número de ligações possíveis para mostrar aos seus colegas que poderia atingir o recorde de 80.000 telefonemas falsos, recorde esse, que certamente fora atingido e até ultrapassado, levando-se em conta os 40% das 206.449 ligações como sendo efetivamente consideradas trotes, conforme expliquei anteriormente.

Assim, o citado cidadão responde pelo crime capitulado no artigo 340 do Código Penal que trata, especificamente, da comunicação que é falsamente levada ao conhecimento da autoridade que seria competente para apurar o delito ou a contravenção penal se fossem verdadeiros, cuja pena ao seu transgressor é de detenção de 1 a 6 meses, ou multa.

Objetiva o tipo penal, manter o bom andamento da administração da justiça, no sentido de garantir-lhe seja suas diligências desenvolvidas somente no que realmente for necessário, asseverando a eficiência dos trabalhos e mantendo o prestígio relativo aos serviços prestados, não perdendo tempo com investigações ou diligencias inúteis em função de fatos irreais.

É de fácil entendimento que o passador de trotes também praticou o crime continuado capitulado no artigo 71 do Código Penal o que lhe dá um aumento de pena de um sexto a dois terços, vez que, configura-se tal conduta, quando o agente pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, mediante ação ou omissão, animado pelas condições de tempo, espaço, circunstâncias, modos de execução, que o estimulam a reiterar a mesma ilicitude, de maneira a constituir todas elas um só conjunto delitivo. No caso em tela o suspeito praticou milhares de crimes da mesma espécie comprovando o entendimento do legislador.

Da lição do esdrúxulo sergipano campeão de trotes que trás, acima de tudo, grave prejuízo para a própria sociedade, resta comprovada, que campanhas educativas e preventivas no sentido de evitar esse crime contra a administração da Justiça, devem ser constantes em todo o Brasil, pois além de tudo, demonstrou o delinquente com sua reprovável ação, não ter consideração alguma com a força pública ou leis do nosso país, mas total desprezo.

Autor: Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedes-marques@bol.com.br

Óxi: ameaça oculta

Polícia no Estado pode ter apreendido a droga, mas ainda não tem condições de identificar

A Gazeta


foto: Arquivo
Dependente químico consumindo droga
Risco extremo. Além de ter uma quantidade bem maior de cocaína, o óxi é formado por substâncias extremamente tóxicas, responsáveis por aproximar ainda mais o usuário da morte

Frederico Goulart
fgoulart@redegazeta.com.br

À pasta base de cocaína soma-se certa quantidade de querosene e algum punhado de cal. Com ingredientes baratos e acessíveis, essa mistura destruidora é responsável pelo surgimento do óxi, droga que neste ano deixou os limites da Região Norte do país – onde está sua porta de entrada no Brasil – para fazer vítimas em outros Estados, inclusive no Espírito Santo.

Crack x Óxi

Embora não haja apreensão confirmada no Estado, sua presença por aqui é certa entre especialistas. No entanto, a dificuldade de diferenciá-la do crack, com o qual a similaridade termina na aparência, já que os efeitos são ainda mais destruidores, ainda fazem com que sua ação permaneça oculta.

O exemplo vem do distrito de Pequiá, em Iúna, na Região do Caparaó. Lá, há menos de uma semana, a Polícia Militar encontrou 200 gramas de uma substância semelhante à nova droga, mas que ainda segue à espera de confirmação.

Diferenciação

Custo

R$ 0,50 o trago – Esse é o valor estimado do preço do trago em um cigarro feito com óxi na Cracolândia, em São Paulo, onde o primeiro registro da presença da droga aconteceu no início deste ano. O Rio de Janeiro ainda aguarda resultado de perícia técnica para confirmar a presença da droga.

Um dos que confirmam a possibilidade de o Estado ter virado palco para a disseminação do óxi é o responsável pela Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten), Diego Yamashita. “É possível que já tenhamos feito apreensões. O problema é que o exame pericial só esclarece seu princípio ativo, a cocaína, e não os demais componentes”, diz. Assim, a única forma de diferenciação acabam sendo as características físicas. Tarefa difícil, pois são drogas semelhantes.

O problema, prossegue Yamashita, faz com que o óxi que já pode ter sido apreendido aqui, tenha sido qualificado como crack de baixa qualidade. “O foco não é o que é acrescentado à mistura, mas sim a cocaína. Por isso, não é preciso reforço para acompanhar esse avanço. O traficante é o mesmo do crack, e o efeito é tão devastador quanto”, minimiza.

Pesquisa

30% de mortesEsse foi o número de mortes registradas durante o período de um ano em que cem usuários de óxi do Acre – porta de entrada da droga – foram acompanhados. Os dados são do Departamento Estadual de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) de São Paulo.

Efeito devastador

Especialistas, no entanto, discordam. Além de ter uma quantidade bem maior de cocaína, a nova droga é formada por substâncias extremamente tóxicas, responsáveis por aproximar ainda mais o usuário da morte.

O médico psiquiatra e especialista em dependência química, João Chequer Bou-Habib, lembra que nas últimas duas semanas deram início a tratamento em seu consultório três pacientes com características claras de dependência de óxi. “Diferente dos outros, eles apresentam sintomas como tosse, náuseas, vômitos, irritação nos olhos, engasgo”.

Essas características são fruto da combinação da querosene com o cal. No crack, as substâncias misturadas – bicarbonato de sódio e amoníaco – são menos agressivas.

“A queima dessas substâncias pode provocar irritação nos olhos, cegueira, fibrose pulmonar grave, insuficiência respiratória e hepática e câncer no fígado”, lembra.

O psicanalista e também especialista em dependência química Francisco Veloso é outro que também começou a lidar com esse tipo de usuário em seu trabalho diário. “São dois pacientes. O relato é muito comum entre eles: o pavor que o calor – causado pela queima do querosene – emite”, diz.

Veloso alerta que em menos de um ano a droga pode levar o dependente à morte, pois suas substâncias contribuem para a falência renal e deixam o pulmão comprometido.

Associação de Paneleiras de Goiabeiras (APG) ganha certificado da ONU

Apesar do título, as reais homenageadas não sabiam que haviam sido contempladas

ERIK OAKES – GAZETA ONLINE

A Associação de Paneleiras de Goiabeiras (APG) ganhou reconhecimento internacional. Agora, o grupo possui o certificado 2010 Best Practices – Dubai International Award for Best Practices to Improve the Living Environment (2010 Melhores Práticas – Prêmio Internacional de Dubai para Melhores Práticas para Melhoria das Condições de Vida), distribuído pelo Município de Dubai, dos Emirados Árabes Unidos, e a Organização das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-HABITAT).



O trabalho realizado pela Associação, que tem o apoio da Secretaria de Cultura de Vitória, foi classificado nas categorias Engajamento Cívico e Vitalidade Cultural, Respeito à Diversidade Cultural, Redução da Pobreza, Geração de Trabalho e Renda, Geração de emprego, Igualdade de Gênero e Inclusão Social, Poderes de decisão para as Mulheres.

foto: Gildo Loyola
Paneleiras
Apesar do título, as reais homenageadas não sabiam que haviam sido contempladas

Apesar do título, as reais homenageadas não sabiam que haviam sido contempladas. “Nós ficamos sabendo dessa notícia através da imprensa. Não havia chegado nada para a gente aqui. Mas gostei muito da informação e já passei para os meus clientes, que também ficaram empolgados e falaram da importância do nosso trabalho”, contou Jecilene Correa Fernandes, paneleira há 24 anos e faz parte da Associação.

A iniciativa foi incluída num banco de dados internacional e, junto com outras, está acessível à pesquisa. As implicações políticas e lições de Melhores Práticas são, ainda, incluídas no guia Estado das Cidades no Mundo – Relatório Cidades e no Relatório Global sobre Assentamentos Humanos.

Além disso, um selo de qualidade foi estabelecido para os utensílios de barro. Os resultados incluem aumento da produção e maior renda para famílias, com maior valorização deste ofício pela sociedade, e o reconhecimento e valorização da sua auto-estima entre esses ceramistas.

As paneleiras
A APG foi criada em 1987 no bairro de Goiabeiras, que é um dos mais densamente povoados de Vitória. Seus principais objetivos são afirmar o ofício de oleiro, refletindo uma tradição indígena que se estende por quatro séculos entre os Tupi-Guarani e Una, tribos indígenas, promovendo o desenvolvimento econômico local e preservando a identidade cultural da região.

Atualmente 120 membros fazem parte da Associação, dos quais 80% são mulheres. O grupo existe para proteger estes trabalhadores, defender seus interesses e proporcionando-lhes condições de trabalho exigidas pelo seu ofício: fazer panelas de barro à mão, ao ar livre e coloridas com tanino, utilizando os recursos naturais de forma sustentável através de técnicas adequadas extrativistas que preservam o meio ambiente.

Um programa de educação ambiental focado na coleta sustentável do tanino e a aquisição de direitos de extração de argila no Vale do Mulembá também estão ajudando a preservar o ecossistema local.

Em 2002, esta prática foi registrada no Livro do Conhecimento – Ofício Paneleiras como parte do Patrimônio Cultural do Brasil, e agraciada com o Prêmio Top 100 de Artesanato, em 2006, pelo Sebrae.

Com informações da Secretaria Municipal de Cultura de Vitória.

1870- Dia das mães cativas

D. Pedro II alforria 70 filhos de escravas da fazenda imperial. As mães permanecem cativas.

Óleo de Antonio Ferrigno

Católicas fazem teatro de rua pela legalização do aborto!





210511_teatro-catolicas-abortoULF – ONG usa a arte para sensibilizar população paulistana sobre os direitos das mulheres e a questão do aborto


A ONG feminista Católicas pelo Direito de Decidir tem usado a arte para sensibilizar a população sobre os direitos das mulheres. Em 2010, a organização desenvolveu projetos para informar as pessoas sobre questões acerca da violência contra as mulheres. Em 2011, com apoio do Fundo Social Elas, Católicas pretende usar recursos artísticos para incentivar a reflexão e o debate público sobre o aborto.

O tema, ainda polêmico, é considerado pelas autoridades da área da saúde e pelo Governo Federal como um problema de saúde pública no país que precisa ser acompanhado, estudado e tratado com seriedade. Apesar de importante, o tema é pouco debatido, o que gera dúvidas, insegurança e preconceito entre as pessoas.

Para tratar do assunto de forma educativa, a ONG fará intervenções teatrais em ruas da capital e da Grande São Paulo ao longo do ano, sendo que as primeiras apresentações acontecerão no dia 30 de Maio de 2011. As demais estão previstas para ocorrer em junho e setembro próximos. As performances, encenadas pelos atores do grupo teatral Impávida Troupe, abordarão questões do cotidiano relacionadas ao aborto legal ou inseguro como gravidez, maternidade, paternidade e acessos aos serviços de saúde.

Além de marcar presença nas ruas de São Paulo por meio da arte, a ONG mantém o blog ‘Sede de Quê?’ no qual são publicadas informações, notícias e artigos sobre o aborto no Brasil.

Por que falar sobre o aborto?

Nas últimas duas décadas, foram realizados muitos estudos e pesquisas sobre o aborto no Brasil. A mais recente delas é a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), realizada em 2010, com mulheres entre 18 e 39 anos em áreas urbanas de todo o país. A pesquisa revela que mais de uma em cada cinco mulheres brasileiras já fez aborto (http://www.scielo.br/pdf/csc/v15s1/002.pdf), sejam elas católicas, protestantes, evangélicas ou de outras religiões. O estudo foi realizado pela Anis (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero – http://www.anis.org.br/) e pela UnB (Universidade de Brasília – http://www.unb.br/) e financiado pelo Fundo Nacional de Saúde (http://www.fns.saude.gov.br/). Tal estimativa pode ser ainda maior se considerarmos que a pesquisa coletou dados somente no espaço urbano.

Vale lembrar que, de acordo com o Ministério da Saúde, uma mulher morre a cada dois dias em decorrência do aborto inseguro, que é a terceira causa de mortalidade de mulheres no Brasil, afetando principalmente as que são pobres, negras e jovens. Em algumas cidades como Salvador, o aborto inseguro é a primeira causa de mortalidade materna.

Embora os números sejam alarmantes, a população ainda é pouco informada sobre o tema e o debate é marcado por ideias e argumentos morais e religiosos que não contribuem para a garantia dos direitos das mulheres e a melhoria das políticas de saúde sexual e reprodutiva. Não à toa, tramitam no Congresso dois projetos de lei que, se aprovados, influirão negativamente na vida das brasileiras. Um deles é o Estatuto do Nascituro que impedirá a realização de abortos até em casos de estupro, oferecendo pensão alimentícia à criança; e outro é o projeto que defende a obrigatoriedade do cadastramento de gestante no diagnóstico da gravidez, obrigando-a a ter sua vida reprodutiva vigiada.

A ONG

Católicas pelo Direito de Decidir é uma organização não governamental feminista, criada em 1993, que busca justiça social, o diálogo inter-religioso e a mudança de padrões culturais e religiosos no Brasil que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente no exercício da sexualidade e da reprodução. A ONG desenvolve projetos pautados nos direitos das mulheres, na garantia da cidadania e autonomia feminina e na igualdade nas relações de gênero em nossa sociedade.

Serviço:

Quando:Segunda-feira, dia 30 de Maio de 2011.
Onde: as apresentações acontecerão em diversos locais na capital e Grande São Paulo.

Assessoria de Imprensa:
Alexandra Peixoto
E-mail: cddbr.alexandra@uol.com.br

Links de referência:

Blog Sede de Quê: http://sededeque.com.br/
Guia sobre aborto para jornalistas: http://abortoemdebate.com.br/arquivos/Aborto_Guia_comunicacao.pdf
ONG Católicas pelo Direito de Decidir: http://www.catolicasonline.org.br/
Patrocínio de Fundo Elas: http://www.fundosocialelas.org/
Pesquisa Nacional de Aborto: http://www.scielo.br/pdf/csc/v15s1/002.pdf
20 anos de pesquisa sobre aborto no Brasil: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/livreto.pdf

Redes Sociais:

http://twitter.com/sededq
http://www.facebook.com/sededeque

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Aborto: um tema que precisa ser discutido

O aborto é crime no Brasil, só não punido se a gravidez oferecer risco à vida da gestante ou for resultado de estupro. Uma em cada sete mulheres brasileiras em idade de ter filhos já fez aborto, mas as mulheres pobres são as que sofrem as piores consequências da criminalização dessa prática. Cerca de um milhão de abortos clandestinos são realizados todos os anos no Brasil, causando*:

– 602 internações diárias por infecção
– 25% dos casos de esterilidade
– 9% dos óbitos maternos
– A terceira maior causa para morte materna no Brasil
– A primeira causa de morte materna em Salvador

Criminalizar não resolve! Prender as mulheres ou deixá-las morrer com certeza não é a solução do problema. Precisamos modificar a legislação para salvar a vida a dignidade de tantas mulheres!

Prender ou cuidar das mulheres que abortam?

A nossa sociedade trata as mulheres como se elas fossem as únicas responsáveis pela gravidez e pelo cuidado dos filhos. É até bastante comum que um homem que não deseja ser pai abandone a mulher que ele engravidou, deixando-a arcar sozinha com as consequências do que os dois fizeram juntos. Isso parece justo?

As mulheres que querem continuar uma gravidez devem ter direito a fazer pré-natal e à licença maternidade. E as que querem interromper a gravidez deveriam ter direito a fazê-lo com segurança e sem serem maltratadas. Por isso é que o aborto deve ser legalizado. E, claro, todas as mulheres devem ter acesso a meios de evitar a gravidez, à educação e a emprego decente. Você conhece alguma mulher que já fez aborto? Você acha que ela deve ser presa? Pense nisso!

CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR
APOIO: FUNDO ELAS

Saiba mais: www.sededeque.com.br e http://www.catolicasonline.org.br/


A história de vida dos brasileiros que lutam contra preconceitos

No ABCD em revista, produzido pela TVT, você vai conhecer histórias emocionantes de brasileiros que lutam para vencer o preconceito. Kiusam de Oliveira, hoje doutora em Educação, fala das humilhações que sofreu quando criança por ser negra. Meire Rose Morais, bacharel em Direito, conta como foi perseguida por uma colega de aula devido a sua classe social. Já Pierre Freitaz sofreu agressões físicas por ser homossexual. Saiba com eles o que fazer para superar os preconceitos. Click Continuar Lendo →

Filme: Bróder impressiona com retrato complexo da periferia

A câmara persegue desesperadamente três garotos que correm por entre as vielas e corredores estreitos do Capão Redondo. Continuar Lendo →

MV Bill no Palco Hip Hop – SHOW GRATUITO

Neste domingo, dia 22, o rapper MV Bill se apresenta no Palco Hip Hop, um festival focado nas manifestações desse estilo musical Continuar Lendo →

O Brasil que se vê nas telas


100511_TropaDeElite08RNW – ‘Cidade de Deus’, ‘Carandiru’, ‘Ônibus 174’ e ‘Tropa de Elite’ 1 e 2. Cinco filmes que foram produzidos a partir de 2002, e que ganharam reconhecimento internacional em diferentes proporções. Em comum, as cinco produções têm o tema: a violência e a vida nas favelas brasileiras.


‘Tropa de Elite’ 1 e 2, os mais recentes sucessos do gênero, serão exibidos na próxima semana em Utrecht, na Holanda, como parte da programação do LAFF, o Festival de Cinema Latino Americano. Além dos filmes de José Padilha, o festival ainda apresenta os brasileiros ‘As melhores coisas do mundo’, ‘Sonhos roubados’, ‘Tempo de criança’ e ‘Estômago’. Os interessados por cinema brasileiro terão também a oportunidade de participar de duas masterclasses que irão discutir temas do Brasil contemporâneo.

O holandês Kees Koonings, professor das Universidades de Utrecht e Amsterdã, vai apresentar em uma destas masterclasses as mudanças políticas brasileiras, da ditadura militar à restauração da democracia, focando principalmente nos anos do governo Lula. O professor, especialista em América Latina, afirma que há um interesse cada vez maior pelo país. Antes exótico e distante, o Brasil é hoje visto como pólo econômico, político e diplomático.

Mudanças sociais e políticas

O maior interesse no Brasil também significa um maior interesse no cinema brasileiro. Segundo Kees Koonings, a produção nacional tem chamado atenção não pelo exotismo, mas por tratar criticamente a realidade brasileira e refletir as mudanças sociais e políticas que aconteceram nas últimas décadas.

“O cinema brasileiro tem produzido filmes muito importantes e interessantes não só dos pontos de vista artístico e estético, mas também por colocar temas sociais, econômicos e políticos na mesa. Um dos gêneros que conheço um pouco mais e que está sendo muito popular no mundo é a violência. Nos últimos dez anos houve uma sucessão de filmes sobre favela, polícia e crime que são muito realistas. Eles chamam a atenção por terem uma capacidade forte de autocrítica e de autoinspeção, e por não hesitarem em tratar de temas problemáticos que existem”, afirma Koonings.

Preconceito

Questionado sobre qual imagem do Brasil é construída no exterior através destas produções, o professor afirma que apesar de ajudar a fortalecer preconceitos, estes filmes são realistas e retratam uma situação existente. No entanto, o que será produzido após a era Lula e depois da implementação das UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora, poderá ser bem diferente do que foi o cinema brasileiro da última década.

“No caso de ‘Tropa de Elite 1’, o preconceito que pode ser fortalecido é de que a polícia é totalmente corrupta e violenta, que na favela só tem quadrilha, e que as únicas pessoas que defendem os favelados são os estudantes da classe média alta que de forma ingênua cuidam dos direitos humanos e, ao mesmo tempo, traficam a cocaína nas faculdades. Em geral, eu acho que esses filmes passam uma ideia razoavelmente realista. Agora falta ver o tipo de cinema que será feito nos próximos anos, depois dos esforços de transformar a situação da violência nas favelas, se no futuro um elemento mais equilibrado entraria nos filmes sobre o tema”, provoca.

A masterclass ‘Políticas de esquerda de Lula e a democracia no Brasil’, ministrada por Kees Koonings, acontece no dia 11 de maio e será seguida imediatamente pelo filme ‘Tropa de Elite’. A programação completa do LAFF pode ser encontrada na página http://www.laff.nl


Palco Hip Hop

A Periferia em Movimento com o Hip Hop, traz grandes atrações que vão movimentar o Barreiro Domingo próximo dia 22 de Maio a partir das 14Hs. Veja detalhes clicar em =» Continuar Lendo →

Quatro em cada 10 crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai



Agência Brasil


Uma pesquisa realizada no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP) revela que o combate e a prevenção de abusos sexuais a crianças precisam ser feitos, principalmente, dentro de casa. Segundo o estudo, quatro de cada 10 crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai e outras três, pelo padrasto.

Os resultados foram obtidos após a análise de 205 casos de abusos a crianças ocorridos de 2005 a 2009. As vítimas dessas agressões receberam acompanhamento psicológico no HC e tiveram seu perfil analisado pelo Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense (Nufor) do hospital.

Segundo Antonio de Pádua Serafim, psicólogo e coordenador da pesquisa sobre as agressões, em 88% dos casos de abuso infantil, o agressor faz parte do círculo de convivência da criança.

O pai (38% dos casos) é o agressor mais comum, seguido do padrasto (29%). O tio (15%) é o terceiro agressor mais comum, antes de algum primo (6%). Os vizinhos são 9% dos agressores e os desconhecidos são a minoria, representando 3% dos casos. “É gritante o fato de o pai ser o maior agressor. Ele é justamente quem deveria proteger”, afirmou Serafim, sobre os dados da pesquisa, que ainda serão publicados na Revista de Psiquiatria Clínica da Faculdade de Medicina da USP. “As crianças são vítimas dentro de casa.”

A pesquisa coordenada pelo psicólogo mostra também que 63,4% das vítimas de abuso são meninas. Na maioria dos casos, a criança abusada, independentemente do sexo, tem menos de 10 anos de idade.

Para Serafim, até pela pouca idade das vítimas, o monitoramento das mães é fundamental para prevenção dos abusos. Muitas crianças agredidas não denunciam os agressores.

Elas, porém, dão sinais de abusos em seu comportamento, segundo Serafim. Por isso, as mães devem estar atentas às mudanças de humor das crianças. “Uma mudança brusca é a maior sinalização de abuso”, disse.

Festival vai reunir artistas de vários estilos em praças de BH

Mistura musical e descentralização é a proposta do Festival Natura Musical Minas Gerais, que vai ocupar quatro praças públicas de Belo Horizonte em 12 de junho. Continuar Lendo →

Todo Sabado tem QUARTEIRÃO DO SOUL

Todo Sabado tem QUARTEIRÃO DO SOUL e é sempre dia de festa. Continuar Lendo →

Anúncio para um festival de animação na Roménia

Festival Internacional de Animação, a Romênia, veja o Clip e quem sabe, você se inscreva para participar. Para ver o Clip click : Continuar Lendo →

Pré-natal: exame obrigatório garante saúde de mãe e bebê

Éverton Oliveira – Redação Saúde Plena

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Orientação dos hábitos de vida e quanto ao uso de medicamentos e medidas que prejudicam o bebê; assistência psicológica; preparação para a maternidade; tratamento dos pequenos distúrbios habituais na gestação e diagnóstico e tratamento das doenças próprias da gravidez. Essas são algumas das vantagens que gestantes e os esperados bebês podem obter a partir do exame do pré-natal, que mesmo sendo obrigatório, dada sua eficácia na detecção e solução de problemas gerados na gravidez, não é realizado por todas as gestantes.

O pré-natal bem feito garante a execução de duas tarefas de fundamental importância no momento da gestação: orientação e acompanhamento psicológico; e tratamento e prevenção de doenças. Sua principal função é selecionar as chamadas gestações de alto risco, onde mães e bebês teriam que ter uma assistência maior. Dessa forma, a grávida passa a fazer uma série de exames mais específicos, buscando fazer com que as condições de perigo sejam minimizadas, melhorando a vida da mãe e do feto.

Este exame se vale das conquistas e desenvolvimento observados nas últimas décadas na obstetrícia, ramo da medicina que estuda a reprodução na mulher. Novos conceitos e procedimentos transformaram o segmento. Hoje, o especialista conta com ampla informação sobre os momentos que antecedem a concepção, desde a fecundação até o parto. Desta forma, a assistência pré-natal não é somente avaliação das condições de saúde do bebê, como muitas pessoas acreditam. O obstetra é capaz de reconhecer e antecipar todas as doenças relacionadas à mãe e filho.

Inicialmente, o pré-natal consiste em consultas mensais, passando a intervalos menores, dependendo de cada caso e da evolução da gravidez. No início do pré-natal são feitos alguns exames básicos, como fezes, urina, hemograma, grupo sanguíneo, pesquisa de toxoplasmose, glicemia, rubéola, sífilis.

Alguns exames ainda podem ser feitos para diagnosticar algumas doenças genéticas, como por exemplo, biópsia vilo corial para detecção principalmente da Síndrome de Down.

Filhos da Ilusão

Documentário ficcional que conta a história de um jovem que se envolveu no tráfico. A história é dividida em três partes, a vida do personagem quando criança a vida do personagem quando criança; a glória de se viver no tráfico e o resultado dessa vida. Baseado em fatos reais.

Este vídeo foi realizado pelos alunos da Oficina Itinerante de Vídeo Tela Brasil, em Salvador, com o apoio do Museu de Arte Moderna de Salvador, realização da Buriti Filmes e Associação Tela Brasil, co-produção Corte Seco.

Alunos Realizadores: Alexandre Filgueiras, Josivaldo Santos, Juracy Neto, Kleber Barbosa, Lucas Lacerda, Marina Lima, Paulo Costa, Warlas Caldas.
Veja o vídeo clicando em : Continuar Lendo →

Vídeo: Publicidade Infantil, NÃO!

Veja o vídeo e veja como agir contra mais esse ataque contra as crianças. Comente e indique o Vídeo para seus amigos também. Clique em-» Mais e veja o Vídeo.

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Oxi, uma droga ainda pior


O oxi – uma pedra tóxica feita com cal, gasolina e pasta de cocaína – se espalha pelo país e assusta as autoridades mais que o crack
Humberto Maia Junior, com Rodrigo Turrer
Patricia Stavis/ÉPOCA

LONGE DEMAIS
Pedro, de 27 anos, numa clínica para dependentes em São Paulo. Usuário de crack, ao provar oxi sentiu que sua vida estava em risco

Pedro tinha 8 anos quando começou a fumar maconha. Aos 14, experimentou cocaína. Com 19, foi apresentado ao crack. “Eu fumava cinco pedras e bebia até 12 copos de pinga.” Em janeiro deste ano, seu fornecedor de drogas, em Brasília, passou a oferecer pedras diferentes, com cheiro de querosene e consistência mais mole. Pedro estranhou. “Dizia a ele que a pedra estava batizada, que não era boa. O cara me dizia que era o que tinha e ainda me daria umas (pedras) a mais.” Não demorou para Pedro notar a diferença no efeito. A nova pedra era mais viciante. Para não sofrer com crises de abstinência, dobrou o consumo para até dez pedras por dia. Descobriu então que, em vez de crack, estava fumando uma droga chamada oxi. “Quando soube, vi que estava botando um veneno ainda maior no meu corpo. Fiquei com medo de morrer.” Aos 27 anos, depois de quase duas décadas de dependência química, Pedro sentiu que tinha ido longe demais. Internou-se numa clínica.

A história de Pedro (nome fictício) ilustra o terror provocado pelo oxi, droga que está se espalhando rapidamente pelo Brasil. O oxi está sendo tratado pelos médicos como algo mais letal que o crack, considerado até agora a mais devastadora das drogas. Mas é consumido por pessoas que não sabem disso, porque é vendido em bocas de fumo como se fosse crack. “O oxi invadiu os postos de venda tradicionais. Isso preocupa”, diz o delegado Reinaldo Correa, titular da Divisão de Prevenção e Educação do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil de São Paulo.

A primeira apreensão confirmada do oxi em São Paulo ocorreu quase por acaso. Em março, a polícia apreendeu 60 quilos de algo que foi classificado como crack. O equívoco foi corrigido quando esse carregamento foi usado numa demonstração para novos policiais. “Queimamos algumas pedras e, pelos resíduos, concluímos que era oxi”, afirma Correa. Quase diariamente, a polícia de algum Estado do Brasil anuncia ter apreendido a droga pela primeira vez (leia o mapa abaixo) . Em alguns casos, como em Minas Gerais, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul, as primeiras apreensões foram feitas na semana passada. Não é que o oxi surgiu em tantos lugares em tão pouco tempo. Ele já havia se espalhado sem ser notado.

Como o crack, o oxi é vendido em pedras que, quando queimadas, liberam uma fumaça. Inalada, em poucos segundos vai para o cérebro, provocando euforia e bem-estar. “Visualmente, são quase idênticas”, diz Correa. A diferenciação pode ser feita pela fumaça, que no caso do crack é mais branca, ou pelos resíduos: o crack deixa cinzas, enquanto o oxi libera uma substância oleosa. Por causa da dificuldade em distinguir uma droga da outra, é impossível ter exata noção da penetração do oxi entre os usuários. “Sabemos apenas que ele está aqui há algum tempo”, afirma Correa.

Recente nos Estados mais ao sul do país, o oxi é velho conhecido dos viciados da Região Norte. Acredita-se que a droga entrou no Brasil ainda na década de 1980, a partir de Brasileia e Epitaciolândia, cidades do Acre que fazem fronteira com a Bolívia. O consumo da substância foi registrado por pesquisadores em 2003, quando Álvaro Mendes, vice-presidente da Associação Brasileira de Redução de Danos (Aborda), pesquisava o uso de merla, outro derivado da cocaína, entre os acrianos. “No primeiro momento, o oxi era usado pelas classes sociais mais baixas e por místicos que iam ao Acre atrás da ayahuasca (chá alucinógeno usado em cerimônias do Santo Daime)”, diz Mendes. A droga chegou à capital, Rio Branco, de onde se espalhou para outros Estados da região. “Hoje, é consumida em todas as classes sociais”, diz Mendes.

Yvonne Hemsey/Getty Images e Polícia Civil da Bahia

A dentista Sandra Crivello se lembra de quando viu o primeiro caso de dependência por oxi em São Paulo. Foi no fim do ano passado, quando recebeu uma ligação de uma Organização Não Governamental (ONG) que faz atendimento a jovens viciados em drogas. Queriam que ela atendesse um rapaz com problemas na boca. Encontrou o paciente na porta da ONG. A imagem do rapaz chocou Sandra, que há mais de 20 anos atende meninos de rua viciados. Loiro, pele branca e aparentando 20 anos, chocava pela magreza e pelo cheiro quase insuportável de vômito e fezes. “Ele estava em condição de torpor, parecia viver em outro mundo.”

– Foi você que veio me ver? Olha, está doendo muito – disse o rapaz, chorando, antes de puxar os lábios com força exagerada. Sandra não se esquece do que viu. “Tinha até osso necrosado.” Perguntou ao rapaz:

– O que você usou? Não vem me dizer que é crack que eu sei que não é.

– Eu bebi.

– Bebida não é. O que você usou?

– Foi oxi.

Sandra, que já tinha ouvido falar do oxi, diz que respirou fundo. “Agora que essa porcaria chegou aqui, não falta mais nada. Só pedi que Deus nos ajudasse.” Como Sandra, vários profissionais que têm contato com o mundo das drogas temem que o oxi tome o lugar do crack. Motivos não faltam, da facilidade de fabricação ao preço baixo. O crack é feito com pasta-base de cocaína, misturada com bicarbonato de sódio e um solvente, que pode ser éter ou amoníaco. É difícil obter grandes quantidades dessas substâncias, porque a venda é controlada pela Polícia Federal. Já o oxi é feito com pasta-base de coca misturada a cal virgem e a gasolina ou a querosene. “O refinamento do crack demanda uma cozinha e um processo laboratorial mais complexo”, diz Ronaldo Laranjeira, coordenador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Para fabricar o oxi, basta misturar a pasta-base com um derivado de petróleo em qualquer panela. Pode ser feito no fundo de um quintal.” O resultado é que os traficantes podem cobrar preço menor. Se uma pedra de crack custa ao viciado entre R$ 7 e R$ 10 na “cracolândia”, região central de São Paulo onde usuários e traficantes circulam livremente dia e noite, a pedra de oxi sai por cerca de R$ 2. Esse valor torna a droga acessível a um público muito maior. “Dependentes buscam o que é mais barato”, diz Luiz Alberto Chaves de Oliveira, chefe da Coordenadoria de Atenção às Drogas da Prefeitura de São Paulo. Também procuram o que tem efeito mais forte e mais rápido. O oxi, ao que parece, atende a essas necessidades. E tem tanto ou mais poder de viciar que o crack. “O oxi parece gerar ainda mais dependência. É potencialmente mais forte que o crack, que já é muito destrutivo”, diz Cláudio Alexandre, psicólogo do Grupo Viva, que atende dependentes de drogas.

O agente penitenciário André (nome fictício), de 34 anos, morador de Rio Branco, no Acre, conhece bem os efeitos do oxi. “Quem usa chama de veneno”, diz. Como todo veneno, é traiçoeiro. André descreve o gosto da fumaça como algo “gostoso”. “Pega mais, dá uma viagem.” Não demora e surgem os efeitos adversos – dor de cabeça, vômitos e diarreias. E paranoia. André diz que ouvia vozes. “Era o demônio falando no meu ouvido.” Os efeitos também são físicos. “Via muitos usuários sujos de vômito e diarreia.” Mesmo assim, André não conseguia abandonar o uso. Vendeu o que tinha para comprar pedras. “Pedia aos boqueiros (quem trabalha nas bocas de fumo) que passassem na minha casa e pegassem tudo.” Geladeira, fogão, DVD, um a um, todos os móveis e eletrodomésticos foram trocados por pedras brancas. “Só não troquei a vida”, diz André, que está internado numa clínica ligada a uma ONG em Rio Branco. Ele afirma que só buscou tratamento porque, desempregado, não tinha mais dinheiro para abastecer o vício.

Na última semana, as polícias de quatro Estados anunciaram as primeiras apreensões de oxi

Paulina Duarte, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), diz que o governo federal está avaliando o impacto do oxi. Junto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Senad está finalizando uma pesquisa sobre o uso de derivados de cocaína no país. O estudo incompleto sugere que, pela facilidade com que é produzido, o oxi pode subverter a lógica usual do tráfico. “Não há um fornecedor fixo que distribui um só produto”, diz Paulina. “A droga é produzida em casa, de forma primitiva e artesanal.” Uma nova organização do tráfico poderia exigir uma mudança na forma de repressão policial. “Para combater o oxi, não temos de caçar apenas grandes traficantes”, afirma Paulina. “Precisaremos de uma polícia ativa, que atue diretamente nos pontos urbanos.”

Também é preciso que o serviço de saúde tenha exata noção das substâncias que compõem o oxi, a fim de entender seus efeitos e propor tratamento adequado. Por enquanto, faltam estudos laboratoriais que atestem a composição da substância. Na década de 1980, a Alemanha queria montar uma política para diminuir as mortes provocadas por overdose de heroína. Descobriu-se que o que estava matando era uma versão da droga com aditivos. Somente a partir dessa constatação o serviço de saúde organizou a melhor forma de tratamento. O Brasil suspeita, mas não tem certeza, do que é feito o oxi. Saber é o primeiro passo de uma longa batalha contra a nova droga.

Ilustração: Rodrigo Cunha
   Reprodução

Saiba mais

Droga de várias cores invade cracolândia


Folha de S.Paulo

Enquanto a polícia faz apreensões cada vez maiores de óxi, na cracolândia –reduto de usuários de drogas no centro de São Paulo– não há distinção entre o crack e o seu genérico, anunciado como mais potente e mais barato.

Em alta na área está o “hulk”: uma pedra de crack verde, que teria pureza maior e efeito mais duradouro. O nome se refere ao herói dos quadrinhos que ganha superpoderes ao virar um gigante verde, o Incrível Hulk.

Faz sucesso também a pedra vermelha, a “Capitão América”. Para a polícia, o crack colorido é uma forma de o traficante enganar os usuários e aumentar o preço.

Apesar da propaganda, a pedra tem preço tabelado, não importa a mistura: R$ 10. Nêga, apelido da mulata de corpo musculoso, puxa papo: “Esse óxi não tá com nada. Bom mesmo é o ‘hulk'”.

“Esse é bagulho bom”, confirma Cabral, chamado de Velho, sobre a pedra verde.

No mês passado, foram apreendidos 50 kg de crack rosa na Baixada Santista. “O traficante precisa encontrar um diferencial. Mudando a cor da pedra, ele convence o usuário de que seu produto é mais puro ou mais forte do que o do concorrente”, afirma o delegado Reinaldo Correa, do Denarc (departamento de narcóticos).

Já o óxi é da mesma cor da pedra tradicional, entre o marrom e o amarelado. Feito da pasta base de cocaína acrescida de solventes como querosene e gasolina, o “bagulho novo” só é diferenciado por entendidos.

É o caso de Jennifer, travesti de 24 anos, oito deles entre idas e vindas na cracolândia. “Tive o privilégio de usar o óxi, porque os irmãos [traficantes] abriram para mim”, relata. “Bate uma adrenalina mais forte, mas o efeito vai embora rápido.”

13 de Maio: Uma reflexão necessária


Esquerda Marxista – [José Carlos Miranda] Ao mesmo tempo que existe o racismo no Brasil, podemos dizer que o Brasil é um país racista? E a abolição da escravatura? Aconteceu de fato? Foi um ato de bondade da Princesa Isabel ou foi resultado da luta viva do povo brasileiro?


Foi no ano de 1888 – 2 anos depois da execução dos mártires de Chicago que lutavam por uma jornada de 8 horas diárias que incendiou a cidade – que a Princesa Isabel assinou a chamada Lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil. Não é o objetivo deste pequeno artigo relatar os fatos históricos e que muitas vezes foram distorcidos ou omitidos da história oficial, mas sim ajudar os militantes socialistas a refletirem sobre os acontecimentos e os atuais detratores da luta de classes neste período histórico e quais os métodos mais eficazes para, nas condições atuais, dar continuidade à luta contra a opressão e a exploração e uma de suas mais odiosas ideologias: o racismo.

A abolição da escravatura não foi um raio em céu azul. Foi fruto de muitas lutas e em todo o território brasileiro. Dos jangadeiros do Ceará que se recusavam a transportar os escravos dos navios negreiros até as praias passando pelos ferroviários que auxiliavam na fida e refúgio, da criação e resistência dos quilombos que vinham de longe, das revoltas dos escravos que muitas vezes se generalizaram em lutas épicas de todo o povo explorado e oprimido contra o regime monárquico (Cabanagem, Sabinada, Balaiada, Malês, Farrapos etc.), chegando aos tipógrafos e jovens intelectuais das cidades inspirados nos ideais da Revolução Francesa.

Diferente da versão romântica que contava a história da princesa boazinha que libertou os escravos, esta lei foi fruto de décadas de lutas do povo brasileiro. A abolição da escravatura foi fruto da situação internacional, ou seja, das necessidades do jovem capitalismo e fundamentalmente da luta de classes. Na verdade, foi o que podemos chamar da primeira luta nacional do país.

Já se passaram 123 anos e os brasileiros descendentes dos escravos ainda são os mais pobres e mais explorados da população – quanto a este fato não temos dúvidas. Mas por essa constatação seria o Brasil um país racista?

Antes de uma resposta, proponho algumas reflexões…

Logo após 13 de maio de 1888, os escravos foram expulsos das fazendas e trabalhar a terra era o único conhecimento da esmagadora maioria dos ex-escravos, com exceção dos chamados escravos de ganho (com profissão ou artífices que eram mais numerosos nas capitais, como em Salvador e Rio de Janeiro). Criou-se uma enorme massa de homens, mulheres e crianças que se transformaram em empregados domésticos e executores de serviços braçais e de pouca qualificação. Num período (final do século XIX e início do século XX) em que a crença na existência de “raças humanas” era uma realidade, o racismo era comum e até apoiado por teses pseudocientíficas. Mas o que também era comum era a integração lenta, porém contínua, dos nossos ancestrais no jovem e insipiente proletariado brasileiro. Apesar de todas as leis contra os ex-escravos, cada vez mais a miscigenação e a incorporação destas massas impedem a segregação racial, na contra mão do caminho trilhado após a guerra civil dos EUA, por exemplo. Desde a instauração da República no Brasil, nenhuma lei de segregação foi aprovada no país.

Apesar das dimensões continentais do Brasil, a presença da miscigenação cultural em nosso país é algo incontestável: em praticamente todas as manifestações folclóricas e culturais estão presentes os elementos deste desenvolvimento cultural, na língua, na música, na alimentação e mesmo no rosto da maioria do povo brasileiro. Não é por acaso que o samba e o carnaval são os maiores símbolos da cultura brasileira.

O desenvolvimento da cultura e de uma identidade nacional e a rejeição de leis segregadoras com base na cor da pele impediram a formação de guetos e divisão do proletariado brasileiro, como aconteceu em outros países, constituindo um obstáculo adicional na luta pela unidade do povo explorado e oprimido. A herança da escravatura, a incapacidade de implantar uma reforma agrária e finalmente o enorme abismo entre as classes sociais, mantêm viva a velha e carcomida crença em “raças humanas”. O racismo existe e se manifesta especialmente na burocracia estatal e nos agentes de repressão do Estado, os ógãos mais reacionários da sociedade burguesa. É por isso que deve ser combatido cotidianamente com energia e firmeza, em todos os âmbitos – das declarações racistas do deputado Bolsonaro (PP- RJ) às mortes dos motoqueiros em São Paulo.

O Brasil não é um país racista. É um país com enormes desigualdades sociais, o caldo de cultura ideal para o racismo: quanto mais igualdade menos racismo. As reacionárias políticas de ações afirmativas, em especial as cotas raciais, não são a solução e nem mesmo o remédio para alcançar igualdade social, pois elas mantêm o funil do vestibular que por sua vez mantém todas as desigualdades existentes na sociedade capitalista, a falta de escola e serviços públicos para a maioria do povo trabalhador.

O 13 de Maio é uma data importante para o povo trabalhador brasileiro porque é a confirmação da vitória do povo explorado e oprimido e não deve ser esquecido. Também não podemos permitir o conto de fadas da princesa boazinha ou as outras histórias que dizem que a abolição da escravatura foi uma farsa – ambas versões escondem a luta de classes do povo brasileiro.

A opressão e a exploração da sociedade de classes só poderá ser superada quando os grandes meios de produção estiverem sob o controle democrático de toda a sociedade, quando a economia for planificada com o objetivo da satisfação das necessidades humanas e não do lucro capitalista. Combater o racismo, todos os dias, todas as horas e em todos os momentos da luta de classes é dever de todos que lutam por igualdade e pelo socialismo. Por isso levantamos bem alto:

  • 13 de Maio: dia de luta contra o racismo!

  • Trabalho igual, salário igual!

  • Mais verbas para a construção de serviços públicos gratuitos e de qualidade!

  • Lutar por igualdade! Lutar contra o racismo! Lutar pelo Socialismo!

* José Carlos Miranda é da coordenação nacional do Movimento Negro Socialista (MNS) e dirigente da Esquerda Marxista

Entre a Senzala e a Ante-Sala

Não podemos pensar que investindo quantias absurdas em policiamento estaremos garantindo segurança à sociedade.

Por Denis Denilto Laurindo*

Somos praticamente a metade da população brasileira, ou seja, pretos e pardos são 96 milhões de pessoas nesse país. Evidente que o número da população não tem representatividade proporcional nas instituições de poder e de gestão da sociedade civil. Não estamos nas TVs, não estamos nos jornais, não estamos nos comerciais nem como queríamos, nem como devemos. Neste sentido é nosso dever gritar para que definitivamente se faça a justiça que realmente coloque nosso país no caminho do desenvolvimento humano.

Insistimos que, falar do negro, falar da negra não é um falar isolado na política brasileira. Não estamos reivindicando somente direitos e deveres que nos foram historicamente negados. Estamos atentando para que a sociedade brasileira perceba que não promovendo o que é de direito à maioria da população, jamais construiremos um mundo democrático pleno de riqueza e segurança neste país.

Não podemos pensar que investindo quantias absurdas em policiamento estaremos garantindo segurança à sociedade. Não podemos pensar que investindo em estrutura garantiremos melhor condições de vida a nossa população. Não podemos conceber em uma sociedade democrática a falsa ideia de que somos iguais, quando somos diferentes em concepção, visão e organização social. E por isso somos a diferença necessária para a formação da brasilidade a tanto profetizada nos anais academicistas. Queremos investimentos em ações afirmativas que cercam o racismo, a homofobia, o sexismo e o preconceito religioso. Isto porque em nossa “casa grande” tem sempre lugar pra mais um. Mais um no sofá, no chão com colchão ou mesmo na cama dividindo espaço, não importa! Em nossa panela por menor que seja, além do arroz e do feijão, cabe o amor que une e reúne em torno da mesa, diferentes cores, formas e mundos. Em nossa “casa grande” não há senzala. Embora a vejamos além da porta, no lado de fora, lá: na rua, na praça, no shopping onde nos rotulam, nos estigmatizam e nos desprezam. Há sempre uma Senzala nos querendo aprisionar e há sempre um navio nos afastando do nosso modo de existir. Mas nós sabemos dizer não. Não concordamos! Quanto ao seu não ele só nós faz resistir. Não! Nós nos reconhecemos. Não! Nós nos empoderamos e a cada seu não, nós nos organizamos.

Os quilombos sempre foram lugares onde a partilha fora o fulcro, ou se melhor, fora o centro e estrutura da comunidade resistente. A maneira mais fiel de fazermos justiça social é a de resgatarmos as sociedades de quilombos. Onde a utopia se fazia presente em sua forma de organização. Onde o agora já, de uma sociedade ideal, se fazia presente mesmo nas relações comerciais entre negros, índios, ciganos e brancos. Pensemos em igualdade de condições como nas comunidades quilombolas.

Se somos filhos de Zumbi! Devemos buscar sempre a justiça, a sabedoria para que ela possa transmitir aos que não entendem, o real sentido de Pertencimento. Se somos filhos de Zumbi! Devemos ensinar o significado e a força de nossa ancestralidade e como ela nos faz viver e resistir. Sim, somos filhos de Zumbi! Por isso nós: do movimento negro, da nação quilombola, da religiosidade de matriz africana, da população negra deste Estado, deste país. Devemos nos revoltar sempre, devemos gritar constantemente, devemos lutar eternamente para que seja feita a justiça conforme está prescrita nos cânones da constituição que fora construção ideal de uma nação sofredora.

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

*Denis Denilto Laurindo é professor de filosofia, coordenador Geral da Unegro/PR, membro do Diretório Estadual do PCdoB do Paraná.

O pai do hip-hop brasileiro como ele é


Por Tatiane Ribeiro

Sem glamour nem holofotes, a mensagem é clara. “Se alguém disser que hip-hop é moda, então eu digo que é a moda mais longa do mundo, porque desde o início dos anos 80 o hip-hop já estava nas ruas”, dispara Nelson Triunfo.

Caminho pelas ruas e vielas do bairro da Penha, em São Paulo, em companhia de um dos precursores do hip-hop no país. Mas Nelson Gonçalves Campos Filho, 56, faz questão de frisar que não se sente a vontade com o título. “Eu sempre vi isso, de viver de arte, como ser guerreiro.”

Nelsão, como é conhecido, nasceu na cidade de Triunfo, no sertão de Pernambuco. No meio do baião de Luiz Gonzaga, ouviu também a batida forte das músicas de James Brown, através das ondas do rádio. Mesmo sem saber que estilo era aquele, deixou o cabelo crescer e começou a ler sobre Toni Tornado, que chegava do exterior com um novo jeito de dançar.

Com tanta personalidade, o homem que já viajou com a família em um pau de arara, durante 15 dias, para chegar ao Rio de Janeiro, persistiu no gosto e se tornou o “pai do hip-hop brasileiro”. Passou dificuldades na vida, apanhou da polícia e resistiu. Em 2006, representou o país na Copa da Cultura 2006, em Berlim, na Alemanha.

Atualmente, Nelsão coordena a Casa de Hip Hop de Diadema e ainda encontra fôlego para ter aulas de inglês. “Quero aprender mais outros dois idiomas.”

São tantas as suas histórias que o jornalista Gilberto Yoshinaga está escrevendo, desde 2009, sua biografia. “Nelson Triunfo – Do Sertão ao Hip-Hop”, produzido de forma independente com o apoio da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), não tem data para ser lançado.

Enquanto o livro não sai, Nelsão conta um pouco da sua história para o Mural.

(Confesso: a conversa foi tão boa, que foi difícil cortar.)

Como foi o começo?

Costumo dizer que eu “sai me criando”. Na juventude, eu e meus amigos éramos considerados rebeldes por ouvir as músicas “gringas”. Havia muito preconceito. Gozavam do nosso cabelo grande, mas não dávamos atenção. Éramos o calo no sapato mesmo. Minha cabeça estava 20 ou 30 anos à frente daquela geração. Com 16 anos eu fui para Paulo Afonso, na Bahia, e lá ouvi pela primeira vez o vinil do Toni Tornado. Montei, com mais dois amigos, o primeiro grupo de dança soul, do nordeste brasileiro. Mas durou apenas dois anos, porque me mudei para Brasília, para estudar. Lembro de um professor que na frente dos outros 45 alunos disse que me daria um emprego de gerente se eu cortasse o cabelo. Eu agradeci, mas disse que não poderia ficar porque partiria para São Paulo. Eu tinha certeza absoluta que precisava ir.

O que aconteceu quando chegou a São Paulo?

Era a época do militarismo. Conheci Toni Tornado e outros artistas, mas tinha problemas com a lei por causa do cabelo “black Power”. Dançava na rua 24 de maio, no centro da cidade. Os policiais chegavam e batiam. Sentia raiva e vontade de fazer mais. Muita gente chegou a dizer que dançava por diversão e eu respondia que quem conhecia resistência devia saber o que significava. Porque apanhar e depois voltar para fazer a mesma coisa, não tem nada a ver com curtição. O que eles diziam ser vagabundagem, eu queria provar que era arte. E, em um país onde nem os bailarinos clássicos conseguiam sobreviver do seu trabalho, tudo era muito difícil. Pelo menos os bailarinos eram respeitados. Nós éramos chamados de palhaços. Mas enquanto pensavam que éramos apenas um monte de doidos reunidos, com cabelão e roupa colorida, nós articulávamos as ações.

Qual o motivo de tanto preconceito?

Toda sociedade reflete a sua educação. A nossa é uma educação europeia que foi muito boa para os europeus, mas agora nem para eles funciona mais. Fizeram acreditar que só pessoas de família nobre poderiam ter destaque na sociedade. Muitos nordestinos diziam para mim que nunca conseguiriam mudar de vida, porque eram negros. Conformaram-se com esse método, de forma inconsciente. Por exemplo, verbos como a palavra “denegrir” são preconceituosos e estão enraizados no vocabulário brasileiro. Tratavam tudo que vinha do povo de forma pejorativa. E como o hip-hop veio associado às favelas, quem estava em suas casas de luxo não queria saber o que estava acontecendo naquela realidade. Chamavam os artistas de drogados, que só sabiam falar mal da polícia. E, na verdade, fomos nós que levantamos questões hoje muito presentes, como a milícia no Rio de Janeiro. O hip-hop fez nos últimos anos o papel questionador que a MPB fez na ditadura.

Mudou muito atualmente?

Melhoramos bastante. Temos vários jovens que sobrevivem de oficinas culturais, que são microempresários, muitos que não conheciam nem o centro de São Paulo e hoje vivem viajando para Berlin, Copenhagen, Paris, Lisboa, Madri e até a Finlândia. Foi por meio da linguagem do hip-hop que conseguimos fazer uma educação paralela dentro dos bairros. A contribuição foi muito grande. Agora, na casa do hip-hop, tem até mães que levam seus filhos e ficam lá esperando eles dançarem.

Como é ser precursor do hip-hop?

Eu senti pesar os meus pés somente em um show no Sesc Itaquera, em 1999, quando o meu filho me perguntou o que eu sentia ao ver aquele lugar tão cheio. Mas eu fujo de títulos, porque vivo no presente, de forma simples. Penso em algo e faço tudo para dar certo. E depois parto para outra. Não me acomodei com as porradas que levei.

Como o hip-hop faz o trabalho de inserção social?

Atraímos os jovens pelo que eles mais gostam de fazer. Muitos chegam lá doidos para grafitar, dançar. Damos a oportunidade de fazer o que quiserem, mas mostramos que é preciso conhecer outras coisas. Funciona com uma troca: você abriu um espaço para ele e ele vai abrir o coração para você. Para quem quer pintar, pedimos para estudar sobre Picasso, Van Gogh. Para quem quer fazer rima, mostramos a embolada, questionamos o que entendem das letras de Jackson do Pandeiro. Fizemos um evento sobre Lima Barreto, Machado de Assis, Cruz e Souza e Luiz Gonzaga.

O hip-hop é contestador?

Sim, mas também é divertido, porque é alegre e dançante. Claro que a politização vem em primeiro lugar, mas não deixamos de fazer humor dentro disso. Com o hip-hop nasceu dentro da concepção do coletivo, ele é a favor da diversidade. Tem a letra do cara que nunca saiu da favela. Ele não vai falar de Romeu e Julieta ou da guerra em Bagdá, vai contar a realidade dele ali. Tem outro que mora na quebrada, mas já viajou por diversas capitais e vai misturar as referências. Tem o que desencanou desse mundo e acha que a religião é a saída, então fará uma letra gospel. Dentro da dança, tem o b-boy de Pernambuco que vai misturar o frevo, o da Bahia que prefere incluir os movimentos da capoeira. Estar aberto a outras manifestações é muito importante contra a alienação.

O que o hip-hop traz de bom para o jovem?

Primeiro é a sociabilização. Dentro de um espaço de hip-hop com cunho social, as pessoas se tratam como iguais. O jovem passa a se sentir inserido a partir do momento que os outros começam a se interessar pelo que ele faz. E não é a música ou a dança que são os pontos fortes, mas a conscientização. A partir dela, passam a ser politizados e isso é muito importante para que não ninguém seja feito de fantoche. A juventude sempre foi a mudança de um país. Quando alguém pensa que está tudo bem, isso é muito perigoso, porque assim começam a ser inseridos numa cultura de massa que não agrega nada.

Para acompanhar os bastidores da biografia em produção:

http://biografiadenelsontriunfo.blogspot.com/

O pai do hip-hop brasileiro como ele é

Por Tatiane Ribeiro

Sem glamour nem holofotes, a mensagem é clara. “Se alguém disser que hip-hop é moda, então eu digo que é a moda mais longa do mundo, porque desde o início dos anos 80 o hip-hop já estava nas ruas”, dispara Nelson Triunfo. Continuar Lendo →

As mulheres do hip-hop

Por Priscilla Vierros 

As mulheres não estão fora deste cenário de luta e conscientização que é o hip-hop. Há MC’s, DJ’s, B’girls e grafiteiras discutindo assuntos que vão além de questões sociais e refletiam o papel da mulher na sociedade.

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Manifestação contra mortes de negros provoca tumulto em SP

DE SÃO PAULO

Uma manifestação de integrantes do movimento negro provocou tumulto na tarde desta sexta-feira na região central de São Paulo.


De acordo com a ONG Uneafro, o protesto foi convocado no aniversário da Lei Áurea, sancionada em 13 de maio de 1888, para alertar sobre o que consideram um elevado número de mortes de negros pela polícia e grupos de extermínio. Também foi defendida a manutenção das cotas para negros nas universidades e a ampliação da política para todas as instituições públicas estaduais e federais.

Foram convocados artistas e exibidas faixas de protesto na praça Ramos, numa programação que deve se estender até a noite, com uma passeata pelas ruas do centro. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 80 pessoas participavam do ato por volta das 15h.

Segundo a PM, o tumulto começou quando “foram exibidas caricaturas que ofendem a instituição policial militar”. Duas faixas foram apreendidas pela polícia, o que provocou protestos –os manifestantes dizem ter sido agredidos.

A PM afirma que não houve confronto e que ninguém foi detido, mas o material foi encaminhado ao 3º DP (Campos Elíseos).

Reprodução
Cartaz da manifestação que acontece hoje no centro de SP
Cartaz da manifestação que acontece hoje no centro de SP


O pai do hip-hop brasileiro como ele é

Por Tatiane Ribeiro

Sem glamour nem holofotes, a mensagem é clara. “Se alguém disser que hip-hop é moda, então eu digo que é a moda mais longa do mundo, porque desde o início dos anos 80 o hip-hop já estava nas ruas”, dispara Nelson Triunfo.

Caminho pelas ruas e vielas do bairro da Penha, em São Paulo, em companhia de um dos precursores do hip-hop no país. Mas Nelson Gonçalves Campos Filho, 56, faz questão de frisar que não se sente a vontade com o título. “Eu sempre vi isso, de viver de arte, como ser guerreiro.”

Nelsão, como é conhecido, nasceu na cidade de Triunfo, no sertão de Pernambuco. No meio do baião de Luiz Gonzaga, ouviu também a batida forte das músicas de James Brown, através das ondas do rádio. Mesmo sem saber que estilo era aquele, deixou o cabelo crescer e começou a ler sobre Toni Tornado, que chegava do exterior com um novo jeito de dançar.

Com tanta personalidade, o homem que já viajou com a família em um pau de arara, durante 15 dias, para chegar ao Rio de Janeiro, persistiu no gosto e se tornou o “pai do hip-hop brasileiro”. Passou dificuldades na vida, apanhou da polícia e resistiu. Em 2006, representou o país na Copa da Cultura 2006, em Berlim, na Alemanha.

Atualmente, Nelsão coordena a Casa de Hip Hop de Diadema e ainda encontra fôlego para ter aulas de inglês. “Quero aprender mais outros dois idiomas.”

São tantas as suas histórias que o jornalista Gilberto Yoshinaga está escrevendo, desde 2009, sua biografia. “Nelson Triunfo – Do Sertão ao Hip-Hop”, produzido de forma independente com o apoio da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), não tem data para ser lançado.

Enquanto o livro não sai, Nelsão conta um pouco da sua história para o Mural.

(Confesso: a conversa foi tão boa, que foi difícil cortar.)

Como foi o começo?

Costumo dizer que eu “sai me criando”. Na juventude, eu e meus amigos éramos considerados rebeldes por ouvir as músicas “gringas”. Havia muito preconceito. Gozavam do nosso cabelo grande, mas não dávamos atenção. Éramos o calo no sapato mesmo. Minha cabeça estava 20 ou 30 anos à frente daquela geração. Com 16 anos eu fui para Paulo Afonso, na Bahia, e lá ouvi pela primeira vez o vinil do Toni Tornado. Montei, com mais dois amigos, o primeiro grupo de dança soul, do nordeste brasileiro. Mas durou apenas dois anos, porque me mudei para Brasília, para estudar. Lembro de um professor que na frente dos outros 45 alunos disse que me daria um emprego de gerente se eu cortasse o cabelo. Eu agradeci, mas disse que não poderia ficar porque partiria para São Paulo. Eu tinha certeza absoluta que precisava ir.

O que aconteceu quando chegou a São Paulo?

Era a época do militarismo. Conheci Toni Tornado e outros artistas, mas tinha problemas com a lei por causa do cabelo “black Power”. Dançava na rua 24 de maio, no centro da cidade. Os policiais chegavam e batiam. Sentia raiva e vontade de fazer mais. Muita gente chegou a dizer que dançava por diversão e eu respondia que quem conhecia resistência devia saber o que significava. Porque apanhar e depois voltar para fazer a mesma coisa, não tem nada a ver com curtição. O que eles diziam ser vagabundagem, eu queria provar que era arte. E, em um país onde nem os bailarinos clássicos conseguiam sobreviver do seu trabalho, tudo era muito difícil. Pelo menos os bailarinos eram respeitados. Nós éramos chamados de palhaços. Mas enquanto pensavam que éramos apenas um monte de doidos reunidos, com cabelão e roupa colorida, nós articulávamos as ações.

Qual o motivo de tanto preconceito?

Toda sociedade reflete a sua educação. A nossa é uma educação europeia que foi muito boa para os europeus, mas agora nem para eles funciona mais. Fizeram acreditar que só pessoas de família nobre poderiam ter destaque na sociedade. Muitos nordestinos diziam para mim que nunca conseguiriam mudar de vida, porque eram negros. Conformaram-se com esse método, de forma inconsciente. Por exemplo, verbos como a palavra “denegrir” são preconceituosos e estão enraizados no vocabulário brasileiro. Tratavam tudo que vinha do povo de forma pejorativa. E como o hip-hop veio associado às favelas, quem estava em suas casas de luxo não queria saber o que estava acontecendo naquela realidade. Chamavam os artistas de drogados, que só sabiam falar mal da polícia. E, na verdade, fomos nós que levantamos questões hoje muito presentes, como a milícia no Rio de Janeiro. O hip-hop fez nos últimos anos o papel questionador que a MPB fez na ditadura.

Mudou muito atualmente?

Melhoramos bastante. Temos vários jovens que sobrevivem de oficinas culturais, que são microempresários, muitos que não conheciam nem o centro de São Paulo e hoje vivem viajando para Berlin, Copenhagen, Paris, Lisboa, Madri e até a Finlândia. Foi por meio da linguagem do hip-hop que conseguimos fazer uma educação paralela dentro dos bairros. A contribuição foi muito grande. Agora, na casa do hip-hop, tem até mães que levam seus filhos e ficam lá esperando eles dançarem.

Como é ser precursor do hip-hop?

Eu senti pesar os meus pés somente em um show no Sesc Itaquera, em 1999, quando o meu filho me perguntou o que eu sentia ao ver aquele lugar tão cheio. Mas eu fujo de títulos, porque vivo no presente, de forma simples. Penso em algo e faço tudo para dar certo. E depois parto para outra. Não me acomodei com as porradas que levei.

Como o hip-hop faz o trabalho de inserção social?

Atraímos os jovens pelo que eles mais gostam de fazer. Muitos chegam lá doidos para grafitar, dançar. Damos a oportunidade de fazer o que quiserem, mas mostramos que é preciso conhecer outras coisas. Funciona com uma troca: você abriu um espaço para ele e ele vai abrir o coração para você. Para quem quer pintar, pedimos para estudar sobre Picasso, Van Gogh. Para quem quer fazer rima, mostramos a embolada, questionamos o que entendem das letras de Jackson do Pandeiro. Fizemos um evento sobre Lima Barreto, Machado de Assis, Cruz e Souza e Luiz Gonzaga.

O hip-hop é contestador?

Sim, mas também é divertido, porque é alegre e dançante. Claro que a politização vem em primeiro lugar, mas não deixamos de fazer humor dentro disso. Com o hip-hop nasceu dentro da concepção do coletivo, ele é a favor da diversidade. Tem a letra do cara que nunca saiu da favela. Ele não vai falar de Romeu e Julieta ou da guerra em Bagdá, vai contar a realidade dele ali. Tem outro que mora na quebrada, mas já viajou por diversas capitais e vai misturar as referências. Tem o que desencanou desse mundo e acha que a religião é a saída, então fará uma letra gospel. Dentro da dança, tem o b-boy de Pernambuco que vai misturar o frevo, o da Bahia que prefere incluir os movimentos da capoeira. Estar aberto a outras manifestações é muito importante contra a alienação.

O que o hip-hop traz de bom para o jovem?

Primeiro é a sociabilização. Dentro de um espaço de hip-hop com cunho social, as pessoas se tratam como iguais. O jovem passa a se sentir inserido a partir do momento que os outros começam a se interessar pelo que ele faz. E não é a música ou a dança que são os pontos fortes, mas a conscientização. A partir dela, passam a ser politizados e isso é muito importante para que não ninguém seja feito de fantoche. A juventude sempre foi a mudança de um país. Quando alguém pensa que está tudo bem, isso é muito perigoso, porque assim começam a ser inseridos numa cultura de massa que não agrega nada.

Para acompanhar os bastidores da biografia em produção:

http://biografiadenelsontriunfo.blogspot.com/

Tatiane Ribeiro, 25, é correspondente comunitária da Bela Vista.
@TaTyaa
tatiribeiro.mural@gmail.com


Saiba mais sobre a ‘Oxi’, a droga mais poderosa que o crack

FALANDO A VERDADE

As marcas deixadas pelo oxi nos corpos dos usuários são visíveis. Assim como as reações no comportamento — os dependentes permanecem sempre nervosos e agitados durante e após o consumo da droga —, os efeitos em órgãos vitais como rim, pulmão e fígado são considerados devastadores, revela reportagem de Carolina Benevides e Marcelo Remígio, publicada neste domingo pelo GLOBO. Os usuários de oxi, logo nos primeiros dias de consumo, apresentam problemas no aparelho digestivo e complicações renais. As dores de cabeça e as náuseas passam a ser constantes, diárias, e há crises crônicas de vômito e diarreia, um quadro comum enfrentado por quem faz uso da droga.


Grupo de usuários de oxi fazem uso da droga em Rio Branco, no Acre - Crédito: Regiclay Alves Saady / O GLOBO Os usuários também apresentam dificuldade para respirar, e a pele passa a ter uma cor amarelada. Em poucas semanas, o dependente perde muito peso e tem início um rápido processo de envelhecimento. A morte por complicações de saúde pode chegar em prazos inferiores a dois anos. As reações do oxi nos usuários são semelhantes às do crack. No entanto, em função de o efeito da droga passar mais rapidamente, a vontade de consumir novamente é imediata.

— O efeito do oxi é muito rápido, a droga chega ao cérebro em poucos segundos. Seu efeito também passa mais rápido, por isso a necessidade de consumir cada vez mais e mais. É uma reação avassaladora. Diferentemente do crack, o usuário ainda sente a necessidade forte de mesclar o oxi com outras drogas, principalmente a própria cocaína em pó e o álcool — explica a psicóloga Maria Stella Cordovil Casotti, que trabalha há 14 anos com a recuperação de usuários de drogas e atua hoje no estado do Acre.

Perito criminal da Polícia Federal em Rio Branco, Ronaldo Carneiro da Silva Júnior explica que a característica do oxi de viciar mais rápido que o crack e as demais drogas está em sua composição. Enquanto a cocaína em pó, que é inalada, possui cerca de 10% de substância cocaína, o crack possui 40%. Já o oxi supera ambas as drogas. A substância cocaína chega a 80%, apesar de a pureza da droga ser baixa, decorrente da mistura de derivados de petróleo, cal, permanganato de potássio e solução líquida usada em bateria de carro.

RIO BRANCO – As ruas de Rio Branco são hoje um retrato da degradação provocada por uma nova droga, mais letal do que o crack, que está se espalhando pelo Brasil: o oxi, um subproduto da cocaína. A droga chegou ao país pelo Acre. Na capital, ao redor do Rio Acre, perto de prédios públicos, no Centro da cidade, nas periferias e em bairros de classe média alta, viciados em oxi perambulam pelas ruas e afirmam: “Não tem bairro onde não se encontre a pedra”.

O oxi, abreviação de oxidado, é uma mistura de base livre de cocaína, querosene – ou gasolina, diesel e até solução de bateria -, cal e permanganato de potássio. Como o crack, o oxi é uma pedra, só que branca, e é fumado num cachimbo. A diferença é que é mais barato e mata mais rápido.

A pedra tem 80% de cocaína, enquanto o crack não passa de 40%. O oxi veio da Bolívia e do Peru e entrou no país pelo Acre, a partir dos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia. Hoje está em todos os estados da Região Norte, em Goiânia e em Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal, em alguns estados do Nordeste e acaba de chegar a São Paulo. No Rio, os primeiros relatos de que a pedra pode ser encontrada na capital também já começaram a aparecer. Mas a polícia ainda não registrou apreensões.

Estado que faz fronteira com o Peru e a Bolívia – os maiores produtores de cocaína do mundo – e ainda próximo à Colômbia, o Acre há tempos virou rota do tráfico internacional. De uns anos para cá, a facilidade com que a base livre de cocaína cruza as fronteiras fez com que o oxi tomasse conta da capital e de pequenos municípios. A pedra age rápido: viciados dizem que não leva 20 segundos para sentir um “barato” e que em cinco minutos a pessoa já está com vontade de usar de novo. Fumado, geralmente em latas de bebida ou em cachimbos como os que servem para o crack, o oxi tem potencial para viciar logo na primeira vez e é uma droga barata: é vendida em média por R$ 5 e até R$ 2.

– Quando a Bolívia se tornou produtora, o preço caiu e a cocaína se difundiu no Acre. A realidade é que o oxi é barato, está espalhado por Rio Branco e tem potencial para se espalhar por todo o Brasil, já que a base livre de cocaína está em todos os estados do país e já foi apreendida em todos os lugares. O oxi não precisa de laboratório para ser produzido, e isso facilita a expansão – diz Maurício Moscardi, delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal no Acre, que em 2010 apreendeu no estado quase 300 quilos de base livre de cocaína.

X., de 14 anos, encosta num poste para se segurar em pé. Tem um cachimbo preso ao elástico da bermuda, está descalço, sujo e mal consegue balbuciar algumas palavras. Duas horas depois, um pouco mais composto, aborda um casal de senhores e pede dinheiro. Ganha um pacote de biscoito, mas não o abre. Usa o produto como escambo para ter direito a um trago do que ele nem sabe mais o que é. X. já ouviu falar do oxi, mas acredita que está viciado em crack. Ele não sabe a diferença, assim como os mais de 400 viciados que perambulam dia e noite pelas ruas quase abandonadas da cracolândia de São Paulo, na região central da cidade, uma das áreas onde a nova e devastadora droga pode estar sendo consumida sem que os usuários tenham a menor consciência disso.

O maior indício de que a droga já está circulando em São Paulo é o preço com que as supostas pedras de crack estão sendo vendidas ali. Aos berros, os traficantes oferecem o “crack” por R$ 2. No mercado do tráfico, porém, sabe-se que o preço dessa pedra é “tabelado” em R$ 10. Em dias de promoção, numa estratégia para arregimentar novos viciados, o valor pode cair um pouco, e chega a R$ 8. Abaixo desse valor, o que está chegando nas mãos do viciado muito provavelmente é o oxi.

– Essa pedra que eles vendem por R$ 2 não é crack. Já estamos ouvindo sobre esse oxi há muito tempo. Como é mais barato, provavelmente é o que já está circulando por aqui. Só que essas pessoas estão num estágio em que não têm condições psicológicas de diferenciar nada – diz um comerciante que $na região há 11 anos.

Oxi: nasce uma droga ainda mais barata e danosa que o crack

O grande receio dos especialistas é que haja a substituição das drogas

A matéria publicada na edição de ontem, 5a.feira (28/04) do O Povo tratando da circulação em algumas regiões do país de uma droga capaz de causar mais danos ao ser humano do que o crack é importante alerta às autoridades de saúde pública do Estado.

De acordo com a reportagem, o oxi, abreviação de oxidado, é a mistura de base de cocaína com querosene, cal e permanganato de potássio, que se inalada chega a atingir órgãos vitais como o pulmão.

As consequências seriam imediatas, com os consumidores apresentando os efeitos logo nos primeiros dias.

A droga estaria entrando no Brasil pelo Peru e pela Bolívia, já havendo relatos do seu uso em estados da Região Norte, além de Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Maranhão e Piauí.

Como o oxi é mais acessível do que o crack em termos de preço, e o potencial de vício maior e mais rápido, o grande receio de especialistas é que haja a substituição das drogas. Por conta disso as consequências seriam desastrosas, em vista do que acontece hoje em relação ao crack.

No Ceará, por enquanto, ainda não há registros da presença do oxi, como atesta a Delegacia de Narcóticos, o que não quer dizer que não esteja sendo consumido. E é justamente essa falta de informação que deve servir de alerta e aumentar a preocupação dos que lidam com a questão, pois muitas pessoas podem estar consumindo sem saber.

Segundo Osmar Diógenes, do Instituto Volta a Vida, a droga pode estar sendo vendida como crack, ou oferecida como se o fosse, sob a alegativa de que estaria faltando o primeiro produto no mercado.

Essa estratégia de substituição da droga não é nova e muitos usuários de maconha se tornaram dependentes do crack sob o argumento dos traficantes de falta da erva no mercado.

Infelizmente, se estamos vivendo uma epidemia do consumo de crack no País com seus efeitos desestabilizadores em vários níveis, é fundamental que não se perca a oportunidade de abordar esse risco nos fóruns que se apresentam.

Somente com a informação e a correta abordagem sobre os riscos será possível o combate efetivo.

Fonte: O Povo

Oxi é o crack pirateado

Droga não arrebatou usuários, é vendida como um falso crack, e mata muito mais rápido do que o produto original

Lívia Machado, iG São Paulo

Foto: Divulgação

O crack é uma das drogas mais agressivas ao organismo

Feito a base de cocaína, combustível e cal virgem, o Oxi – uma versão ainda mais corrosiva do crack – começa a circular no sudeste do País após seguidas apreensões da droga. Mercadoria recém chegada à cracolândia, maior pólo de usuários de droga do Brasil, no centro da capital paulista, o oxi é considerado por especialistas em dependência química como a versão pirata do crack.

Até agora, 1% da clientela atendida pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras drogas (Cratod), revelou ter consumido a droga sem consciência de que não usava a pedra tradicional, feita da mistura de pasta base de coca ou cocaína refinada com água e bicabornato de sódio.

Leia mais: O preço da vida: R$ 10

“Os usuários que atendemos acham que fumaram o oxi pelo gosto de gasolina que sentiram na boca após consumirem o que pensavam ser crack. Eles afirmam que foram enganados”, pontua Marta Ana Joezierski, diretora do Órgão.

A especialista explica que a droga não tem apelo ao consumidor do crack. Além de mais nocivo do que o produto ‘original’ o oxi queima a garganta e deixa como resquício o gosto de combustível muito forte na boca. Os efeitos alucinógenos são exatamente os mesmos provocados pelo crack. “Não é uma substância para consumo humano, é para máquinas”, assevera Marta.

O oxi contém múltiplos resíduos, é mais agressivo ao sistema respiratório, além de ser um veneno para o fígado e rins. Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudo sobre Álcool e Drogas (Abead) e psiquiatra da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, endossa o baixo interesse dos dependentes químicos na suposta nova droga.

“Não há diferenças no efeito, na reação que o usuário busca na droga, por isso é difícil reconhecer quem está usando. É apenas um produto mais barato, grosseiro e ainda mais agressivo. A gasolina inalada pode inutilizar rins e fígado rapidamente.”

Fim da linha

Apreensivo com a versão mais tosca do crack, Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Univesidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista no assunto, acredita que o efeito do oxi será ainda mais devastador nos usuários antigos, chamados de forma pejorativa de “craqueiros”.

“Nenhum usuário recente buscará pelo oxi. Ele é conhecido pelas pessoas que já estão bastante debilitadas pela droga original. Na falta do crack após uma longa noite de consumo, o oxi é a alternativa mais barata, e nem sempre uma escolha.”

Para Laranjeiras, a droga fresca no mercado, mesmo que não arrebate consumidores oficiais, retroalimentará a espiral de um problema crônico de saúde pública: o ineficaz programa do governo de combate às drogas.

“Precisamos de um tratamento estruturado, regionalizado. Eu defendo a idéia de não tolerar o uso público do crack. A repressão eliminaria a cracolândia, mas é preciso oferece um serviço eficaz de assistência social ao usuário, com internação, tratamento. Todos os países que permitiram o uso público se deram muito mal.”

Dados iniciais

Estima-se que a circulação do oxi no Brasil tenha começado em 2004, pelo norte do País. Índices isolados mostram que sua ação é ainda mais letal. Enquanto o usuário de crack vive de quatro a 15 anos, o oxi já matou 30 pessoas no Acre em apenas um ano de consumo.

“Talvez a gente tenha menos trabalho no atendimento, por que esses usuários morrerão antes de pedir ajuda”, prevê a diretora do Cratod.

Crack x Oxi

As duas drogas causam euforia, aumento da pressão arterial, elevam as chances de infarto e comprometem, a longo prazo, o sistema respiratório. O Oxi, por conter gasolina na composição, ainda é extreamente prejudicial ao fígado e rins, podendo provocar a falência de tais orgãos.

A coloração do crack é branca, enquanto o oxi pode ser encontrado nas versões amarela e roxa, conforme a concentração de gasolina e cal virgem, respectivamente.

“São drogas altamente destruidoras, principalmente por que os indivíduos fazem jornadas de uso sem hidratação ou alimentação. É uma exposição intensa e bombástica. Ficam emagrecidos, depauperados. Em muitos casos, o quadro é irreversível”, alerta Carlos Salgado, presidente da Abead.

Violência Contra as Mulheres.

Eus-R*

A população Brasileira é composta por sua maioria por mulheres. São mais ou menos Quatro milhões a mais delas do que eles. Continuar Lendo →

Comandante Negro das Matas

Paulo Fonteles Filho *

Dissera-me, certa vez, a castigada mulher de pés e mãos endurecidas pelo trabalho sol a sol com a mesma enxada de vários anos que, Osvaldão, havia, há muito, se transformado em lobo. E, mata adentro, uivando, buscava seus companheiros insurretos, esgueirando-se da onda de fogo dos fuzis inimigos.

Osvaldão adormece no fim da pista de pouso onde desciam os búfalos com generais, tropas, torturadores, funcionários das mineradoras e da CIA, em Xambioá. Há muitas lendas de como atuou, nas contendas araguaianas, o Comandante Negro das matas. Acerca de seu desaparecimento em meados de 1974 uma versão ganhou força ao longo dos anos: teria sido um sequaz do Major Curió, Arlindo Piauí?

Decerto que a versão oficial, celebrada pelas vozes da tortura, procurava dar a Arlindo Piauí os louros de matar a mais lendária figura da insubmissão araguaiana. Mas o Comandante Osvaldo fora morto por tiros de FAL, armamento utilizado apenas por militares de carreira. A versão Arlindo Piauí serviu para formar uma espécie de consciência de pistolagem que até os nossos dias continua em voga por todo o Sul do Pará.

O fato é que há muito, o famigerado Major Curió e seu círculo de pistoleiros fez crer, na região do Araguaia, que seu mais confiável bate-pau seria o responsável pelo tiro algoz em Osvaldão: credencial para a covardia do matador de dezenas de lavradores, na maioria composta por lideranças populares do Baixo – Araguaia.

O certo é que o Comandante Negro, filho da mais proletária de todas as raças lutou até apagar os olhos, com a Parabellum na mão, insubmisso, consciente da mata e dos caminhos da história.

Ocorreu em sua morte o mesmo ritual para quem, em regimes terroristas, defende e aspira a liberdade. O negro dos combates teve seu corpo içado por helicóptero e através de auto-falantes diziam ter “tirado a onça do pasto”.

Sabe-se que no dia de sua morte os paraquedistas fizeram uma paranóica festa que ocasionou em sessões de tortura contra um soldado que prestava guarda. Esse mesmo soldado, como penitência, ainda teve que vigiar o corpo insepulto do combatente comunista. Falo isso porque ex-soldados assim me relataram.

Como Tiradentes, ficou exposto sobre a legenda do triunfo dos vencedores.

Tido também por Mineirão, angariou em poucos anos a confiança e a admiração das gentes simples e humildes, da Gameleira à Faveira, de Santa Cruz até Xambioá, de São Geraldo até Apinagés, de São João à São Domingos das Latas.

Conheceu as pedras pontiagudas e esverdeadas do Araguaia, garimpou na Serra das Andorinhas e em Porto Franco. Apreciando os minerais na lua metálica foi profundo como a terra silenciosa.

Foi regatão respeitado por praticar preços justos.

Mata adentro, procurou desvendar os segredos da floresta, ajudou a fazer partos e de sua boca primeira ecoou a poética do “Romanceiro da Libertação”.

Educou o povo e pelo povo fora educado, como o personagem de Lautaro, no poema de Neruda. Fez casas e roças. Teceu belas manhãs com estórias do Partido Comunista.

Fez amigos e namoradas. Caçou, amou, exortou a liberdade, foi justiceiro com aqueles que espoliavam o povo. Fez discursos à hora do crepúsculo, ensinou a arte-militar.

Foi político, mariscador, castanheiro e garimpeiro.

Filho fez também; segundo dizem, dois. Um de seus filhos, o mais novo, fora sequestrado por um militar e levado à Brasilia. Não sabemos, ainda, seu paradeiro. Ainda.

Ao pé da Serra evoluiu como vento. Mergulhou nos banzeiros minerais dos Martírios. Dormiu nas redes e se fez povo, povo da mata.

Não matarão Osvaldão porque seu feito decorre do feito de sua gente e de sua época.

O povo que lhe deu farinha e esperança, hoje lhe dá a vida nos versos e romances camponeses. A plena vida que o coração do homem ilumina.

* Pesquisador da Guerrilha do Araguaia

PF apura recrutamento de universitários em BH para buscar drogas sintéticas na Europa



Paula Sarapu


Estudantes de classe média de Belo Horizonte estão sendo recrutados para buscar drogas sintéticas da Europa e 13 envolvidos com o tráfico internacional já foram presos. Um dos identificados pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal fez seis viagens seguidas. A venda é facilitada pelos contatos dos estudantes na internet.

Segundo a polícia, eles têm vida confortável em endereços nobres da capital, acesso à cultura e ao conhecimento em cursos do ensino superior, mas desafiam o risco de ser presos por tráfico internacional. O jovem que se envolve com este tipo de negócio, de acordo com a PF, costuma ser usuário de ecstasy e LSD e abusa das redes sociais na internet para ampliar seus contatos. Diante da prisão de 13 jovens que se envolveram com tráfico nos últimos seis meses, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes traçou um perfil dessa garotada. Para o delegado Bruno Zampier, responsável pelas investigações, o conceito de mula, apelido de quem faz transporte de drogas, está superado e virou quase uma profissão.

O delegado informa que, no Brasil, muitos se movimentam com cargas de cocaína, como é o caso da estudante mineira de 21 anos presa semana passada em Recife. Na quarta-feira, um jovem de Florianópolis foi detido ao desembarcar no aeroporto de Confins com 33 mil comprimidos de ecstasy, um recorde na apreensão. Ele vinha de Bruxelas, na Bélgica, produtor de drogas sintéticas, como a Holanda. De acordo com Zampier, o jovem que se oferece para transportar drogas vê no tráfico oportunidade de obter vantagem financeira e de conseguir manter o próprio consumo, já que parte do pagamento é feita com comprimidos de ecastasy ou pontos de LSD.

“O perfil é de jovens entre 20 e 30 anos, filhos da classe média ou de famílias tradicionais, cooptados com a promessa de receber entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por remessa de droga, o que na prática não ocorre. Como são usuários, eles têm acesso ao meio e muitos contatos, principalmente pela internet, nos sites de relacionamento e bate-papo. É a oportunidade de conseguir lucro fácil e drogas. Fazem por pura curtição, diferentemente do traficante do morro, que quer ascensão social e poder. Mula não é mais o coitadinho que se aventura para conseguir um dinheiro a mais. Os jovens que se envolvem fazem disso uma profissão. Chegam a fazer várias viagens como transportadores de drogas. Já identificamos um que fez seis viagens”, diz o delegado.

Haxixe

O delegado Bruno Zampier cita exemplos de jovens investigados que moravam nos bairros de Lourdes e Cidade Nova e no Conjunto Alphaville, em Itabirito. Um estudante de administração de 24 anos, do Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul, foi preso em janeiro, no aeroporto de Confins, com 14,8 mil pontos de LSD. Ele é acusado de ser o distribuidor da droga, que vinha de Bruxelas. Outra prisão feita pela DRE foi a de um rapaz que morava com os pais num apartamento de luxo na Rua Tomé de Souza, na Savassi, e distribuía haxixe. Toda negociação era feita na porta de casa.

“São pessoas novas, inteligentes, com bom nível de cultura e até empreendedoras, embora criem negócios ilícitos. São verdadeiros Johnnys (referência ao ex-traficante João Guilherme Estrella, de classe médica alta do Rio, preso pela PF na década de 1990 e cuja história virou filme)”, lembra.

Segundo o delegado, não existe mais a figura de um grande distribuidor, pois o jovem usuário, que tem uma grande rede de contatos na internet, descobre o fornecedor e passa a fazer a distribuição em seu próprio negócio. “Muitos viajam de férias e trazem para vender em festas, aos amigos e na faculdade. Outros ganham as passagens e ficam duas semanas na Europa com tudo pago pelo fornecedor, à espera do contato e da bagagem, que já vem pronta com a droga escondida. Eles têm conhecimento e mais meios de ludibriar o trabalho da polícia”, conta o delegado federal.

Redes sociais monitoradas

Para tentar identificar os mulas, policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes ensinaram técnicas de investigação aos funcionários da Receita Federal, o que resultou na enorme apreensão de ecstasy esta semana em Confins. Um grupo de agentes da delegacia trabalha exclusivamente no terminal, fazendo a triagem de passageiros. Cães farejadores são usados para fiscalizar bagagens. Há ainda policiais que se infiltram em festas e boates e monitoram redes sociais e sites de relacionamento em busca de informações sobre esses grupos.

“Observamos indícios e abordamos as pessoas. Na maioria das vezes, viajam sozinhas, compram passagens com dinheiro, pouco antes do embarque, saem por um aeroporto e voltam por outro e ficam nervosas diante dos agentes. Na rota do tráfico, que passa por todos os locais com voos internacionais, 100% do que chega é droga sintética; do que sai é cocaína.”

Zampier defende uma punição mais dura para o transportador da droga, a proibição das festas rave e ainda faz um alerta: “A sintética é a droga do momento. Vigora entre os jovens a falsa impressão de que o uso do produto não traz consequências para a saúde, o que é inverdade. Não causa dependência química, mas psíquica. A linha entre o traficante e o usuário é muito tênue”.

Estudiosa do assunto, a professora de pós-graduação do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) Regina Medeiros diz que o interesse dos jovens no tráfico está relacionado a uma característica especial da sociedade contemporânea: o desejo de consumo. Segundo ela, jovens de classe média, com mais instrução, são recrutados porque têm facilidades com outros idiomas e conhecem o funcionamento dos aeroportos. A especialista concorda que o acesso fácil à informação favorece as relações criadas na rede para este tipo de negócio.

“A classe alta quer ter mais dinheiro no banco, quer viajar mais e ter um carro melhor. E o público jovem, interessado na droga, acompanha o desejo de quanto mais se consome, mais ele acha que precisa. Isso é determinante para a escolha do caminho que seguem, mais arriscado e de ganho fácil. No campo das drogas, a internet garante ao sujeito confiabilidade para negociar com quem quiser. Ali, ele vende, compra, distribui. Não é um desvio de comportamento, é o estilo de vida da sociedade. O desvio está na ilegalidade da atividade. Acho que falta vontade política para discutir a questão e propor medidas”, avalia a professora.

Por dentro do hip hop


Por Mayara Penina

Ele tem sete livros publicados, é dono de uma livraria dedicada à literatura marginal, apresenta o quadro “Suburbano Convicto” no programa “Manos e Minas” da TV Cultura e dirigiu o filme “Profissão MC”. Ele é Alessandro Buzo, vindo diretamente do Itaim Paulista, e também é conhecido como Suburbano Convicto.

Seu trabalho mais recente foi lançado há pouco, o livro “Hip Hop: Dentro do Movimento”, integrante da Coleção Tramas Urbanas da editora Aeroplano.

O Mural bateu um papo com ele sobre o projeto. Confira abaixo.

O nascimento do livro

“Eu tive a ideia de escrever o livro porque, apesar de existirem várias teses sobre hip hop, vários livros, é muita teoria. Precisávamos de um espaço para as pessoas deixarem suas percepções, mostrar como é por dentro o movimento. É muita gente envolvida, há os pessimistas, os otimistas, o pessoal da nova geração, da velha escola e todos têm muito o que contribuir para documentar esse cenário”, explica.

Dentre os quase 50 depoimentos colhidos há nomes como GOG, Thaíde, Negra Li, Dexter, Nina Fidelis, Rappin Hood, Paula Lima e Nelson Triunfo. O livro foi produzido em apenas cinco meses e, para Buzo, só foi possível porque ele conhecia muitos dos entrevistados.

Nenhuma metodologia ou linha de estudo teórico foi usada pelo escritor, tudo foi escrito de maneira muito livre. “É uma conversa de mano, um papo de botequim.”

As entrevistas foram divididas em grandes temas como mulheres no hip hop, polêmicas, origem do hip hop, grafite e mídia.

História, grande mídia e polêmica.

Alguns entrevistados falam do início do hip hop no Brasil. Dário, dono da extinta loja Porte Ilegal na Galeria do Rock (onde hoje funciona a 1 da Sul), conta como o movimento começou a se expandir em São Paulo. “Aquela loja era uma faculdade de rap. Se você ficasse um tempo lá, você aprendia muita coisa, porque aparecia rapper, DJ, grafiteiro”, diz Buzo.

“Nelson Triunfo e Thaíde contam com bastante fundamento sobre história do hip hop”, complementa.

Sobre a cobertura da imprensa, Buzo afirma que “a grande mídia não sabe trabalhar o hip hop, às vezes eles acertam e às vezes erram, às vezes querem se aproximar e não conseguem. O hip hop veio da periferia, por isso quem entende essa linguagem são as pessoas da periferia e esse conhecimento as redações dos grandes jornais não tem. Há bons jornalistas, porém não sabem tratar o tema”.

Mas ressalta que também é importante estar nos grandes veículos: “Se não, vamos ficar falando para as mesmas pessoas. Só a rádio 105 FM vai tocar nossa música?”, questiona.

Segundo Buzo, estar nos grandes veículos possibilita atingir muitas pessoas, ainda que superficialmente. “Imagina você alcançar alguém que nunca nem ouviu falar de literatura marginal. Imagina como é receber ‘O Globo’ ou o ‘Estadão’ em casa e ver na primeira página do caderno de cultura um cara que escreve na periferia. É uma visibilidade que não pode ser desperdiçada”, explica.

Uma das entrevistas de maior repercussão foi a do produtor Celso Athayde. “Ele conta que entrou no hip hop pra ganhar dinheiro. Quem gosta de rap, mas só ouve Racionais MC e Rappin Hood, vai ler várias coisas surpreendentes e que vão mexer com a mente”, revela o autor.

E cadê o Mano Brown?

Alguns leitores sentiram falta de ícones do rap como Mano Brown, vocalista do Racionais MC, e questionaram o autor, que responde com o argumento que o livro está completo e tudo foi dito. “O Brown tem uma agenda muito cheia e não é muito acessível, então não o procurei. Eu cheguei em quem estava mais fácil.”

O papel social do hip hop

“Hip hop é vida. Quando um moleque dança break, por exemplo, ele é um grande beneficiado, mesmo não sendo famoso ou colecionador de prêmios, porque estando ali, ele fica longe do crime e das drogas. Eles têm uma postura diferente, são atletas e se preocupam com o corpo.

“O povo tem uma visão de que ‘os maluco é tudo doidão’, mas é todo mundo família. Hip hop é o que eu quero para o meu filho. E se eu quero para o meu filho, só pode ser bom.”

Mayara Penina, 20, é correspondente comunitária de Paraisópolis.
@emayara
mayarapenina.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 16h48

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05/04/2011

Além das memórias da Penha

Por Samantha Evangell

Lugar de manifestações culturais e religiosas, em uma pequenina e charmosa casa da década de 30, se encontra o Memorial Penha de França que mantém o acervo iconográfico do bairro mais antigo de São Paulo e encanta a qualquer pessoa que o visita.

O engenheiro Francisco Folco, que diz que não troca a Penha por nada, é quem administra, organiza o acervo e as visitações.

O memorial também é ponto de encontro entre pessoas que gostam de trocar idéias relacionadas a história, arte e entretenimento. Para quem quer aprender e ou aperfeiçoar seus talentos na área de fotografia e história da arte, no local também são ministrados alguns cursos livres muito acessíveis.

O memorial é estimado pela comunidade, tanto pelos mais novos moradores quanto pelos mais antigos. Promovendo ações de valorização do patrimônio histórico e cultural da Penha de França, o local não só guarda histórias, mas também constrói sua história na região.

Samantha Evangell, 23, é correspondente comunitária de Cidade Tiradentes.
@Sam_Evangell
Samantha.mural@gmail.com

Escrito por Blog Mural às 20h33

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04/04/2011

Dor crônica: não há heróis aqui

Por Leandro Machado

7h56: Cheguei cedo ao Hospital Regional de Ferraz Vasconcelos. Sei que, para ser atendido rapidamente no Sistema Único de Saúde (SUS), o melhor mesmo é ir antes das 10h. Tenho pedras nos rins: sinto dores de bomba atômica. Na entrada do hospital, pego a senha para preencher a ficha de pacientes. Para isso tenho de esperar até que meu número, o 439, seja anunciado no visor. O último paciente chamado quando cheguei era o 351. Há 88 pessoas à minha frente.

8h: Sento-me em uma das cadeiras da sala de espera. Não há muitas, aliás. Pelo menos não o bastante para que todos se acomodem. Por isso as pessoas mais velhas ou com mais dores são priorizadas. Como eu me encaixava no perfil, permaneci na cadeira. Vi uma mulher com conjuntivite (doença da moda!) se levantar para dar lugar a uma senhora com dores na barriga.

8h23: Uma mulher pede dinheiro aos outros pacientes. “Um real, por favor, não tenho dinheiro para comprar meu remédio”, diz ela. Ninguém dá (ou ninguém tem).

8h40: Sou chamado para preencher a ficha. A recepcionista me pergunta o nome, o endereço, o telefone etc. Em seguida sou encaminhado para o setor de triagem, onde medem minha pressão. Mas a coisa não é tão rápida: só entro na sala depois de enfrentar uma fila de 10 minutos.

9h10: Sinto que meus rins vão explodir. Tenho uma bomba dentro de mim e não sei bem o que fazer com ela. Chamo minhas pedras de “Rolling Stones”, pois elas migram de um rim ao outro. No ano passado, elas estavam no direito; agora, no esquerdo. Há pedras, mas não há caminho que não seja um Buscopan na veia.

9h30: Algumas pessoas se revoltam com o atendimento do hospital. Cria-se uma pequena confusão. Uma mulher diz que, mesmo chegando às 7h, ainda não tinha sido atendida, enquanto outros foram chamados em menos de 40 minutos. Um senhor reclama que sua ficha sumiu: chegou às 6h30. Pacientes e funcionários discutem em voz alta. Uma funcionária diz que as pessoas com conjuntivite serão priorizadas.

9h53: Depois da discussão, algumas mulheres vão à ouvidoria para reclamar. Apenas um médico faz o atendimento de, pelo menos, 150 pessoas. Para minimizar a demanda, o consultório permanece com as portas abertas. Realmente, abrir e fechar a porta toma muito o tempo do médico. Imagina, se ele fizer isso com todos os pacientes, a situação vai piorar: talvez todos morram de dor ou desespero.

10h12: A única coisa boa de hospital é descobrir que você não é o único doente do mundo. Há pessoas piores que você! Há dores piores que a sua. Olha essa gente morrendo nas cadeiras e você aqui reclamando de umas pedras no seu rim? Cadê a solidariedade, companheiro? Não se revolte, pense que o mundo está doente enquanto você exagera nessas páginas de bloquinho.

10h31: Levanto e vou ao banheiro. Qual é a surpresa? O banheiro está desativado. Se não há médicos, seria demais esperar que houvesse banheiro, né? Penso em explodir esse hospital com as bombas empedradas no meu rim. O José Alencar seria um herói se dependesse do SUS?

11h02: Sou chamado, três horas depois de chegar. Antes de entrar, enfrento mais um fila de pacientes. À minha frente, duas pessoas com a doença da moda. Meus olhos coçam ou será imaginação? Entro na sala e faço questão de fechar a porta. “Pode deixar aberta”, pede o médico. “Prefiro fechada”, digo. O atendimento dura três minutos, aproximadamente. Há um tempo a cumprir, uma papel a despachar… Não tem heróis aqui: vá embora e morra em casa, companheiro!

Ilustração: Daniela Araujo

Leandro Machado, 22, é correspondente comunitário de Ferraz de Vasconcelos.
@machadoleandro
lmachado.mural@gmail.com

Exclusiva com Emicida: da Cachoeira para a Califórnia


Por Indira Nascimento

“Os repórteres dizem que eu sou um fenômeno, eu amo! Mas as ruas sabem que sou só mais um mano…”

Fotos: JR Furlan

Leandro Roque Oliveira, 25, nasceu na Vila Zilda, zona norte de São Paulo, mas foi criado no bairro da Cachoeira. Ganhou fama nas disputadas batalhas de MCs São Paulo, onde permaneceu imbatível durante muito tempo. EMICIDA (que são as iniciais de “Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte”), como ficou popularmente conhecido, já tem duas mixtapes gravadas e mais de 10 mil cópias vendidas.

O ano de 2010 foi sem dúvida um ano especial para o rapper. Além de ter lançado o segundo trabalho, fez shows por quase todo país, participou dos programas de entrevistas na TV, foi indicado a prêmios, gravou com NX Zero e se tornou pai da pequena Estela. O que já estava bom, parece que vai ficar ainda melhor.

Neste ano, Emicida foi convidado para participar do Coachella Festival programado para acontecer em abril na Califórnia. E é também presença garantida na próxima edição do Rock in Rio, em setembro, em Jacarepaguá.

Seu ar de “bom moço” conquista ainda mais os fãs, que lotam os shows cantando fielmente todas as músicas, verso a verso. Sua popularidade nas redes sociais também é espantosa. Seu primeiro vídeo clip, “Triunfo”, já tem mais de novecentas e cinqüenta mil visualizações no Youtube.

Emicida também ataca de repórter do programa “Manos e Minas”, da TV Cultura, e administra com seus parceiros sua própria empresa, a Laboratório Fantasma, de onde comandam toda sua “operação musical”.

Abaixo, trechos da entrevista com Emicida.

Leandro, você é um grande contador de histórias. Tanto na primeira como na segunda mixtape a gente consegue perceber isso. Quando você tomou consciência da sua missão, ou da sua responsabilidade em ser um contador de histórias?

Desde a escola eu tinha o hábito de desenhar, fazia histórias em quadrinhos fanzines, e comecei aprender a fazer roteiros. Acho que vem daí essa parada de contar histórias, de sempre ter um começo, meio e fim… Mas é sempre do meu jeito. Às vezes não é tão linear, às vezes não é tão didática, às vezes é confuso pra caramba. Gosto de encher de referências e tentar passar alguma sensação para as pessoas _as sensações são muito mais importantes que as informações. Acredito que é isso que mexe com as pessoas.

Os convites para participar do Coachella e do Rock in Rio foram uma surpresa?

Uma das coisas que deixam a gente mais feliz é isso mesmo, a reação de surpresa das pessoas, do tipo, “caramba, os caras tão nas paradas”…

Quem são as mentes pensantes do Laboratório Fantasma?

Então, agora trabalham aqui eu, Fióti, Mundico, Alex, Tiagão e Dj Niack. São seis cabeças aqui dentro todo dia. Isso aqui é nosso trampo! Eu acho até “da hora” poder falar disso por que as pessoas ficam escondidas atrás de “as coisas não dão certo, as coisas não são possíveis”… Mas não existe esse bagulho de sorte. Existe você trampar até fazer a coisa andar. Eu lembro quando eu falei para vários caras do rap: vou lançar a primeira mixtape, vou fazer na mão, 25 músicas pra vender a 2 reais… Ninguém acreditou. Fiz, lancei, passaram seis meses e eu nunca tinha visto tanto dinheiro na minha vida (risos)…

E hoje, a renda de vocês já vem toda da música?

É, a gente fez o CD, vendeu à beça, conseguimos abrir nossa empresa. A gente trabalha nela diariamente, a gente viaja, a gente toca, a gente gerencia tudo isso. Fióti vai comprar até um carro… (risos) O Tiagão fica aqui exclusivamente pra cuidar das questões contratuais, Mundiko e Alex também ajudam muito.

E essas são as pessoas que estão com você desde o começo?

Sim. Eu não preciso aqui dos melhores do marketing ou das vendas. Esses caras vão vir com uma cabeça que não se encaixa à minha realidade. Tudo que a gente tem feito aqui é para um mercado muito novo. Essas pessoas não conseguiriam compreender como é trabalhar na venda de CD de rap, diretamente para o público e potencializar isso de uma forma que traga as pessoas de fora para consumir também. Então, minha filosofia é pegar as pessoas pelo amor que elas têm por isso, e pela disposição que elas têm em trabalhar…

E a sua família, o que pensam de tudo isso?

Minha mãe vai aos lugares e as pessoas falam com ela, ela acha ótimo. No inicio ela até acreditava, mas não botava muita fé, por que meu pai era DJ e teve muitos problemas com bebida, ele morreu disso. Ela tinha medo de a gente seguir no mesmo caminho. E ela fala na maior simplicidade “ agora vocês vão pra Califórnia, né?”… Como se fosse pra Praia Grande…

Como está a expectativa de tocar no Coachella?

Tocar num festival grande lá fora é demais! Vários nomes grandes e a gente indo tocar com os caras. Tocar fora do Brasil é começar do zero, né? E ainda tem o adicional que eles não entendem uma palavra do que a gente canta, então…

E quais os planos pro resto do ano?

Filmar mais vídeos, o clip da rua Augusta foi uma experiência inacreditável! A gente gosta muito de fazer clip, embora seja muito caro e dê muito trabalho. Quero gravar também mais dois discos, um com Macaco Bong, que já está confirmado, e outro sozinho. Quero estudar mais também esse ano, fazer conservatório.

Mais informações:

http://www.laboratoriofantasma.com

Twitter @Emicida

Indira Nascimento, 22, é correspondente comunitária da Casa Verde.
@SantosIndira
indira.mural@gmail.com

Grafite por toda a parte


Por Daniela Araujo

A cena do hip hop em São Paulo é forte, e vem conquistando um dialogo e respeito muito grande na cidade, saindo das periferias e conquistando seus espaços no centro. Dentro desse movimento, existem as militâncias, que são representadas por cada “personagem”, como o grafite, o break, o MC e o Dj.

Um dos berços do movimento foi a Casa do Hip Hop em Diadema, que foi criada pela necessidade dos jovens se organizarem para obter espaços para ensaios, encontros, oficinas e workshops específicos. Foi, portando, um espaço conquistado por meio da organização da população. Esse movimento se espalhou e hoje paulistanos são referência do grafite brasileiro, o que atrai muitos artistas de outras cidades e países em busca de um muro para deixar a sua marca nessa grande metrópole.

A arte se espalha pela cidade, e na zona leste chegou com força total. A Mostra de Cultura Urbana, que aconteceu em São Miguel Paulista em novembro, trouxe grafite, skate, b.boys (de “breaker boy”) e b.girls (de “breaker girl”) para a zona leste da cidade de São Paulo. “Nossa idéia é incluir a arte onde ela não existe”, justifica João Paulo Alencar, 26, ou Todyone, como é conhecido um dos artistas idealizadores da mostra.

Durante o evento, 180 artistas preencheram 2,5km de muro da CPTM na rua Papiro do Egito, em São Miguel Paulista. A Suvinil, por meio do artista Rui Amaral, um dos parceiros, doou 2.500 latas de sprays e 80 latas de 18 litros de látex. “O legal foi incluir a comunidade na pintura, ou seja, não precisava ser grafiteiro para pintar, você pegava a tinta, os pinceis, os sprays e os rolos e pintava”, conta Todyone.


Confira a entrevista ao Mural do b.boy e grafiteiro Todyone:

Como iniciou seu trabalho com grafite e artes visuais?

Eu já desenhava desde cedo. Mas quando comecei a ver o desenho de uma outra forma, procurei uma oficina de grafite em Diadema, na Casa do Hip Hop, onde fiz oficina com o Chorão, do AVcrew, e comecei a pintar.

E como virou b.boy?

Como eu já era capoeirista, peguei o bonde de fazer oficina de break em 1999, com a Banks Back spin crew, fiz algumas aulas e aí comecei a treinar break e a grafitar. Em 2001, um trabalho meu foi parar na revista “Rap Brasil” e, em 2002, entrei para o grupo Estilo de Rua Crew STILO DE RUA CREW, onde fomos campeões de destaque do break (Prêmio Hutús de hip hop promovido pela Central Única das Favelas (Cufa) e prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, em 2004 e 2007). Daí começaram os convites para participação em filmes, documentários e programas de TV.

E hoje, como você trabalha com esses dois elementos do hip hop, o break e o grafite?

Ministro oficinas dos dois, em vários locais da cidade. E sou professor de artes e break na ONG Centro Infanto Juvenil de Acolhida Santo Agostinho.

Daniela Araujo, 24, é correspondente comunitário de Interlagos.
@danidollskt
danielaaraujo.mural@gmail.com

Arte para morar


Por Mayara Penina

“Foram vendidas nove casinhas, o que já é quase suficiente para construirmos uma casa de verdade”, diz Mundano, grafiteiro e curador da exposição “Teto e Tinta, Pintando e Construindo Sonhos”. Aberta no início de novembro no bar Kabul, no bairro da Consolação (zona central de São Paulo), o evento é uma parceria entre a ONG “Um Teto para meu País” (UTPMP, presente em 15 países da América Latina) e artistas urbanos de São Paulo.

“É um verdadeiro exército de cidadãos que cansou de esperar as promessas de nossos governantes e quer colocar a mão na massa”, diz Mundano.

O objetivo da organização é mudar a situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas por meio da construção de casas emergenciais e execução de planos de habitação social para estruturação de comunidades sustentáveis. No Brasil, desde 2006, já foram construídas mais de 380 casas. Os “voluntários-arquitetos” são recrutados nas universidades da cidade de São Paulo. Os recursos para construção provêm de parcerias com organizações públicas e privadas.

A mostra “Teto e Tinta, Pintando e Construindo Sonhos”, que termina nesta semana, reúne miniaturas inspiradas nos modelos das casas construídas pela ONG. As casinhas foram customizadas para poderem ser usadas como cofrinho e são vendidas entre R$ 50 e R$ 1.000. Toda a renda obtida será revertida para a compra de materiais para futuras construções da organização.

Segundo Joana Ricci, da UTPMP, “o conceito é unir diferentes públicos que possuem o mesmo interesse de ajudar as famílias que vivem em condições precárias”.

Para saber mais sobre o trabalho, visite:

www.umtetoparameupais.org.br

http://www.youtube.com/user/canalTETO