Grafite tem maior retrospectiva da história em museu dos EUA




FERNANDA EZABELLA
DE LOS ANGELES

Um corredor escuro e grafitado, cheio de lixo amontoado e com barulho de trens, é uma das atrações de uma nova exposição que abriu no fim de semana em Los Angeles.

Tem também uma instalação com três manequins fazendo uma escadinha para pichar o alto de um muro, com destaque para a mão que segura a latinha de spray: ela se mexe, como aqueles bonecos de parque temático.

Apesar do clima Disneylândia às avessas, “Art in the Streets” (arte nas ruas, em livre tradução) quer ser uma exposição histórica, a maior do gênero já realizada por um museu americano. Fica em cartaz no Museum of Contemporary Art (Moca) até agosto e, a partir de março, abre no Brooklyn Museum, em Nova York.

Uma generosa linha do tempo, um tanto didática, dá conta das gangues pioneiras do grafite, desde o final dos anos 60, na Filadélfia, em Los Angeles e Nova York, com fotos dos Cornbread & Friend, Crips e Taki-183.

Até mesmo a origem da latinha de spray é decodificada: inventada em 1949, só passou a ser produzida em grande escala nos anos 60.

Revistas e jornais do começo dos anos 70 lembram que a discussão do status artístico do grafite vem de longe.

Bem como as campanhas contra, como uma da Filadélfia, de 1972, avisando que estavam sendo gastos mais de US$ 1 milhão na limpeza dos trens, alvos favoritos dos pichadores.

Fernanda Ezabella/Folhapress
Carro pintado por Keith Haring, em frente à tela de Chaz Bojórquez.
Carro pintado por Keith Haring, em frente à tela de Chaz Bojórquez.

NAFTALINA

“É o momento certo para uma retrospectiva. É provavelmente o movimento artístico mais popular atualmente”, disse à Folha Jeffrey Deitch, diretor do Moca. “Mas não é uma exposição definitiva, é o começo para entender a história. Ainda há muito para descobrir.”

Antes de assumir o Moca, em 2010, ele liderava a descolada galeria nova-iorquina Deitch Projects, representante de poderosos da “street art”, como Barry McGee, Swoon e os paulistanos Osgemeos, todos com grandes espaços na exposição.

Keith Haring (1958-1990), cujo espólio também era exibido pela Deitch, comparece com diversos trabalhos, incluindo um carro e alguns objetos que vendia a preços populares na sua Pop Shop, lojinha que abriu nos anos 80 no Soho, em Nova York.

Mais um sinal de que muito do que se discute hoje sobre “street art” –como a linha de roupas de Shepard Fairey– cheira a naftalina.

Apesar da boa faceta histórica, cansa a insistência de exibir sempre os mesmos artistas contemporâneos, que pulam de museu em museu há anos mostrando os mesmos tipos de trabalhos.

Sem dúvida, a parte mais visitada é onde estão as obras de Banksy, o britânico anônimo que vende milhões em leilões e foi recentemente indicado ao Oscar. Está lá uma de suas primeiras pinturas, “Riot Painting”.

“Foi a minha primeira tentativa de fazer uma pintura ‘apropriada'”, escreveu o artista num comunicado a jornalistas. “O que explica porque eu não tentei mais.”

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