Arquivos Diários: 18 março, 2011

Mas e aí? Basta ser mulher?

Luka Franca

E passou o 8 de março, passou mostrando novamente que as mulheres do mundo ainda tem muita luta para fazer!


Não apenas pelos seus direitos, mas até mesmo para convencer seus próprios companheiros de que uma real revolução somente será feita com a participação das mulheres trabalhadoras, e que na pauta sejam garantidos nossos direitos. É inegável a retomada das mobilizações nos países árabes e a importância das mulheres trabalhadoras nestas mobilizações, apontando reflexo nas próprias mobilizações do 8 de março pelo mundo.

No maior símbolo de esperança para a mudança social, vimos acontecer uma das mais lamentáveis cenas do Dia Internacional de Luta das Mulheres deste ano: a Praça Tahrir. A manifestação das mulheres egípcias foi marcada para o epicentro da revolução. No Egito, foi recebida por diversos setores como uma tentativa de cindir o movimento revolucionário, mulheres estas que lutaram ao lado dos homens pela derrubada de Mubarak, porém não tiveram suas pautas contempladas pelo governo provisório, – até por que o último comitê formado para escrever uma nova constituição egípcia é formado apenas por homens.

Há muita luta no Egito pela emancipação da mulher, até por que, como já disse, nas instâncias que hoje podem realmente mudar algo na realidade egípcia as mulheres de lá não estão presentes. Diferente, por exemplo, do Brasil o qual passou pelo primeiro 8 de março tendo uma presidenta da república, e este fato inovador teve páginas e minutos de sobra na grande mídia e também na mídia alternativa. No Egito, as mulheres lutam para conquistar direitos que nós já temos. No Brasil, lutamos para não retroceder e poder avançar.

Sim, vivemos no Brasil uma conjuntura de pressão conservadora em cima dos direitos que conquistamos enorme, – tanto que a primeira presidenta do nosso país foi eleita em uma conjuntura de retrocesso para o movimento de mulheres, e isso precisa ficar muito claro para todas nós. As eleições brasileiras conseguiram coroar um processo que já vinha se mostrando há tempos com a tentativa de instaurar a CPI do Aborto, assinatura do Acordo Brasil-Vaticano, recuo de pontos polêmicos do PNDH-3 e tudo isso ainda no governo Lula.

Foi após este vergonhoso cenário que fomos às ruas do centro de São Paulo no dia 12 de março, -não é mais governo Lula, agora é governo Dilma -, e novamente se ouve no movimento feminista que o governo não pode fazer nada sozinho; que é preciso estar na rua e fazer o debate nas nossas bases. Mas, como apontar a necessidade do feminismo na ordem do dia se temos receio em falar que, apesar de estar apenas há 100 dias governando o Brasil, a presidenta da república corta o orçamento em setores importantíssimos para a vida das mulheres brasileiras? Dizem os economistas que foram cortes no orçamento de setores não fundamentais, porém ali encontramos o corte de quase 1/3 na Previdência Social atingindo diretamente pensões e aposentadorias que em grande parte são das mulheres.

É, o machismo não sumiu do país com a eleição de Dilma Rousseff, muito menos o feminismo avançou. Na verdade, entramos na seara da contradição: de um lado a base do governo brada pelo combate a violência contra a mulher e a própria presidenta pede a população que denunciea violência sexista, em contrapartida tem-se o tacão do corte no orçamento – promovido por esta mesma pessoa -, a qual deturpa 22% da verba destinada ao principal programa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Pacto de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. O mesmo Pacto que Serra assinou como governador, e não implementou no estado de São Paulo, denunciado e pressionado pelas governistas por aqui.

Desculpem, mas pra mim tal corte em programa tão importante do governo não é superficialidade, pois o Brasil elegeu uma presidenta, quando neste país a cada 15 minutos uma mulher é espancada; 10 mulheres morrem por dia; e 40% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica. Honrar as mulheres é honrar a garantia de nossas vidas, e não os 40% do orçamento para pagar a dívida interna.

Temos escancarada, aqui e agora, a contradição de termos uma mulher no poder, entretanto uma mulher comprometida em não enviar ao congresso projetos de lei que debatam a legalização do aborto ou o casamento civil igualitário. Ora, sabemos muito bem que um projeto apoiado pelo Executivo tem outro peso ao passar pelo legislativo. Dilma já mostrou muito bem quem não intercederá pelos direitos das mulheres ou da classe trabalhadora.

Em momento tão adverso, é tarefa do movimento feminista brasileiro se levantar e dizer que não aceitaremos os cortes no orçamento, pois a esmagadora maioria nos atinge diretamente. Denunciar o aumento abusivo que os deputados e senadores votaram para si mesmos de mais de 60%, enquanto aprovavam uma política vergonhosa de reajuste do salário mínimo de 6%, – e que não irá debater o valor do mesmo nos próximos 4 anos-, é nosso dever. Sem esquecer a sempre polêmica do Haiti: o novo governo tanto falou de ajudar a reconstrução do Haiti no começo do ano, mas nada disse sobre respeito aos direitos humanos e as denúncias de violência sexual sofrida por mulheres, em acampamentos sob a proteção da missão da ONU – chefiada pelo Brasil. É tarefa difícil esta, principalmente se continuarmos enevoadas com a isca de que ter uma mulher no poder basta. O que precisamos mesmo para avançar na nossa luta é independência política e autonomia frente ao governo, sem ilusões e com disposição de fazer o debate de forma global, sem escamotear quem são os atores da política que atingem as mulheres diretamente.

Ainda há muito pelo que lutar. No Egito, por conta da não participação das mulheres nas instâncias que mudariam substancialmente a sua situação. Aqui, por termos como presidenta alguém que mostra dia após dia que veio para aplicar políticas e mais políticas que nos atacam, ajudando a corroborar com o estereótipo de mulher mãe da nação… E, com isso o tempo urge…

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MCs invadem o asfalto em BH

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Barbara Dutra - Divulgação

“Skatista, boy, patricinha, doidinha, punk, músico e produtor, dá de tudo”. É assim que o DJ Jahnú, da festa Original Sundays, define o público que frequenta o Arcadium, onde rola o evento – aos domingos, obviamente. Na Original tem música da Jamaica. De ska a reggae, soul a funk anos 70, e muito rap. Segundo Jahnú, sons inseparáveis, que interagem, se completam e trocam influências: “Veio tudo da África. Não lembra da música ‘Punk Reggae Party’ do Bob Marley? Ele fez quando acompanhou uma turnê do Sex Pistols. Não para cantar, a convite do Sid Vicious, mesmo”.

Tudo junto e misturado. É assim que os MCs invadem o asfalto e que maninho Zona Sul também manda rima. “As visões, em termos de festa, são diferentes. Na periferia, hip hop tem mais essência e vontade. Na Zona Sul, o propósito é mais de festa”, palpita o DJ Xeréu, sócio do Jahnú na Original: “Mas a música é a mesma. Na periferia tem mais gente fazendo. Mas conheço gente da zona sul que rima e faz tão bem quanto o cara da periferia”, conclui.

O hip hop, não se esqueça, é um movimento definido por quatro elementos: bboy, grafite, DJ e MC. O MC Dusares – que é do centro de BH – lembra: “Tenho que pagar um produtor, um DJ, um estúdio para gravar um CD. Nem todo o movimento que acontece no hip hop tem recurso financeiro e se a galera está consumindo, ajuda a levantar a grana para investir na produção”. Mas, afinal, Dusares, porque a Zona Sul está indo para a balada de rap? “A galera que está colando deve estar em busca de um lugar mais alternativo. E tem a batida, que é mais frenética. É uma parada tipo gringa, que nem dos americanos, que botam um batidão e geral vai dançando”, analisa Dusares.

E a pergunta que fica é: se rola a mistura de classes, onde fica a função social da letra do MC, do protesto? “O rap é, justamente, uma forma de protesto. Então, já que tem uma mistura de classes. é bom que todos fiquem sabendo o que pega”, define Dusares. Outro MC, que também é produtor, Gurila Mangani engrossa o coro: “Depende do MC. Eu tento passar, na minha música, muito o lado espiritual. Acredito que a revolução vem de dentro”. Gurila, que é de Santa Luzia e cola com caras como Gutierrez e De Leve garante que a festa é diferente, de acordo com a locação: “Já toquei em balada de favela, festa de traficante e na Zona Sul. O público da Zona Sul está lá mais pela animação. Na favela, o público está pelo hip hop mesmo, é mais sério”, esclarece.

Marcelo Sant'Anna - Estado de Minas

Agora, saiba mais

Com a palavra, a galera que organiza as festas e o rei do rap pop mineiro, Renegado:

Major Groove

Ramiro Maia, proprietário do Major Lock, garante que a onda está rolando e não é só em BH. O hip hop já anda balançando as pistas do Rio de Janeiro e da gringa “Estava em Paris há pouco tempo e toda festa bacana que eu ia, a galera escutava hip hop”, garante.

No Major Lock, casa que bomba há anos na zona sul de BH, aos sábados, rola o Major Groove, há três anos, com o surf music como prata da casa. A pitadinha de hip hop sempre existiu, mas agora, tá mais na cara. No último sábado, rolou show com os rappers De Leve, Speed Freaks e Thales Dusares, além de um live com o trio Butijão Funk filter.

Para Ramiro, uma possível explicação da invasão geral do hip hop é a batida: “Apesar de ser uma música de protesto, teve um pouco essa evolução, de falar mais de cotidiano, de mulher… E a própria batida parece que é um pouco mesclada com o eletrônico. Teve uma mistura do hip hop puro com um pouco de eletrônico que a galera assimilou com força”, define. E ele não está sozinho nessa idéia.

Michelle Soares - Divulgação

Escoladuz

DJ Nel, que também é produtor, engrossa o coro de Ramiro apostando na batida: “Os produtores, quem faz a base e o instrumental, está procurando uma coisa mais dançante. E isso cai em boate, em festa”. Nel se juntou ao MC Papo e Alexandre Maia para fazer o sucesso do YouTube, Escoladuz.

O negócio virou sucesso em BH e no RJ e já tem até comunidade no Orkut e perfil no MySpace. E se você escutar vai rir. De protesto de MC, os Escoladuz não têm nada.

Aliás, talvez esteja mesmo na hora de deixar de lado o preconceito em cair na boca da galera: “Está acabando isso de o cara que é do rap dizer que nunca vai fazer Faustão. O rap também está ficando um pouco pop para poder sobreviver. Não dá para ficar só no underground. Ser mais pop abre a porta pra conhecer o trabalho”, garante Nel.

Renegado

Sair do underground é coisa que Renegado faz com mestria, inclusive ajudando a abrir as portas pra galera. O rapper mineiro acaba de voltar de uma turnê no Nordeste, com direito a shows em Aracaju, João Pessoa, Recife, Porto de Galinhas e Salvador, com o Pelourinho lotado. Agora, em março, o cara vai para o Sul com shows já confirmados em Curitiba e Florianópolis. Para conversar com a Ragga, ele falou de um celular no Rio de Janeiro, onde têm feito diversos shows. Se isso não é invadir a zona sul, então, pode chamar de tomar conta do país. Aliás, país é pouco pro cara que alcançou um feito inédito para os mineiros: um prêmio no Hutuz. Um não, dois. O que é raríssimo na história da premiação. Renegado faturou “revelação do ano” e “melhor site”.

Acesse a página de Renegado no MySpace

É com essa bagagem que o cara garante que as coisas não estão rolando por acaso: “O fato de o rap entrar hoje na zona sul não é coincidência. Não estão consumindo porque caiu no povo. Tem uma nova concepção de fazer com que o rap se torne parte da cultura do povo brasileiro. Por isso a gente está levando o trabalho também para a zona sul, mas não só lá. Tem o público das comunidades também. A idéia é o que sempre falo, de quebrar a fronteira entre o morro e o asfalto. A música, seja num baile ou durante um show, tem a função de aproximar as pessoas”, explica.

Renegado também concorda com DJ Nel: “No Brasil, o rap é mais uma música de protesto e reivindicação. Por isso, as pessoas dão ao rap uma cara que não dão mais para o samba hoje, nem para o rock. Ele acaba sendo pré-julgado. Mas hoje, a periferia está emancipada e o rap não pode ficar estagnado no tempo”.

Não pode e, se depender do Renegado, não vai: “O rap tem essa sacada de o pessoal estar se renovando e ocupando outros espaços. Tem uma musicalidade maior, as bases são mais dançantes, mais bem produzidas. Hoje, temos um discurso aliado à música bem feita, bem concebida, com uma verdade forte, ocupando outros espaços”, explica e evoca a galera: “Antes, no rádio, só tocava rap gringo, norte americano. Agora, os meios estão se abrindo para o rap nacional e, cabe a gente, fazer entrar. A mídia e os meios estão aqui pra serem nossos parceiros. Vamos nos aliar para fazer com que os movimentos e tendência tomem corpo e proporções”. Vambora, Renegado.

Michelle Soares - Divulgação

Clube hip hop

Mas também, não é por isso que a galera agora vai ouvir só o batidão da periferia (ou das letras engraçadinhas). O projeto Clube Hip Hop, que é organizado por Henrique Chaves – produtor de eventos e um dos proprietários da SW entretenimento – mescla elementos da música eletrônica e convida DJs internacionais, na festa que rola toda primeira sexta-feira do mês, na boate NaSala, em BH.

Henrique sabe bem o que agrada aos ouvidos da galera: “O rap com apelo social, nada de comercial, não funciona na pista. Mas há exceções. O Rapin Hood, por exemplo, gravou o Rap du bom com o Caetano Veloso e eu já entrei em carro de amiga minha onde rolava esse som no CD”.

Tanto sabe, que já mandou avisar: a day party Get Loose, que rola todo ano, em 2009, promete hip hop.

Álcool: a droga da morte


(Crédito imagem: http://problemasnaadolescencia12a.blogspot.com)

Qual a droga que mais mata no Brasil? O crack, a maconha, a heroína ou o êxtase? Não. O que mais mata no Brasil é o álcool. Segundo o Ministério da Saúde, as maiores causas de morte são problemas cardiovasculares e o câncer, duas doenças relacionadas ao álcool. Mas a perda de vidas não está associada somente às doenças relacionadas ao vício. Metade das mortes no trânsito (em número absolutos, cerca de 17 mil vítimas anuais) envolve motoristas embriagados. Mesmo em pequenas doses, o álcool prejudica a percepção de velocidade e distância; pode causar dupla visão e incapacidade de coordenação. Resultado: milhares de vidas ceifadas no trânsito.


O consumo de álcool no Brasil é quase 50% superior à média mundial e o comportamento de risco no país já supera o padrão da Rússia (considerado um país onde se bebe muito). Levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que os brasileiros com mais de 15 anos bebem o equivalente a 10 litros de álcool puro por ano – a média no mundo é de 6,1 litros. Entre os homens que bebem, a taxa é de 24,4 litros de álcool por ano e entre as mulheres, de 10 litros. O álcool é responsável por 7,2% das mortes – índice quase duas vezes superior à média mundial. Cerca de 30% da população que admite beber frequentemente afirma que se embriaga pelo menos uma vez por semana. Nos EUA, a taxa é de 13%, contra 12%, na Itália. Mesmo na Rússia, o índice daqueles que exageram na bebida é inferior ao do Brasil: 21%. A cerveja é responsável por 54% do consumo de álcool no Brasil. Mas os destilados representam 40%, uma taxa considerada alta. O vinho corresponde a cerca de 5%. Se somarmos as mortes no trânsito derivadas do consumo de álcool àquelas por motivações fúteis, pertinentes a esse vício, e às relacionadas a doenças associadas ao alcoolismo (cardiovasculares e cânceres), teremos o álcool, além de a principal causa de óbitos, também como o maior motivador da violência no país.


Pesquisa realizada pelo sociólogo Guaracy Mingardi, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), em 14 delegacias dos bairros mais violentos da Zona Sul paulistana, constatou que o álcool é o agente detonador de, pelo menos, 41% dos homicídios. Outra, feita pelo Instituto Médico Legal paulista em 2005, revelou que as 2.007 vítimas de homicídio no estado de São Paulo, 863 tinham consumido álcool, sendo que 785 delas tinham mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. Os dados estão no trabalho “Uso de álcool por vítimas de homicídio no município de São Paulo”, do pesquisador Gabriel Andreuccetti, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), premiado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) em 2007. Outra pesquisa premiada pela Senad, Políticas municipais relacionadas ao álcool: análise da lei de fechamento de bares e outras estratégias comunitárias em Diadema (SP), do médico Sérgio Duailibi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra a forte correlação entre álcool e violência nas mortes por motivos fúteis.


Mas por que no Brasil as políticas de controle e redução das mortes provocadas pelo álcool são quase inexistentes? Porque a indústria do álcool (como a das armas) é poderosíssima: tem bancada nos parlamentos, controla altíssimas verbas publicitárias na mídia e, recentemente, é responsável pela promoção de grandes eventos, inscritos, entre outros, naquilo que se denominou chamar de “paixão popular”. Ademais, com uma propaganda constante e subliminar (que inclusive associa álcool, sexo e prazer), a indústria do álcool captura com facilidade milhões de jovens, que serão reféns desse vício por longos anos (provocando enormes custos de tratamento no sistema de saúde) ou constarão, em breve, das estatísticas das mortes em nosso país.

Qual a sua opinião sobre os efeitos do álcool na vida das pessoas, das famílias e da sociedade?

Adaptar, mas Sem Perder a Identidade.

Eus-R*

O preconceito se exprime sempre que alguém afirma não ter preconceito. E isso ocorrem em tudo, até no meio dos animais. Já parou para reparar que há mais cães que gatos nas casas dos brasileiros? Continuar Lendo →