Arquivos Mensais: fevereiro \27\UTC 2009

INAUGURAÇÃO DA FESTA QUARTEIRÃO

INAUGURAÇÃO DA FESTA QUARTEIRÃO

Estarei produzindo esta festa semanalmente que ira acontecer na casa noturna Jive Club todas as quartas-feiras de março em São Paulo capital!

ATENÇÃO!CONVOCO A PRESENÇA DE TODOS OS AMIGOS!

FAVOR RETORNA ESSE EMAIL COM NOME COMPLETO PARA LISTA AMIGA DE R$10!

Fiquem à-vontade se quiserem passar essas informações para outros amigos!

Vamos nos comunicando!

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4 DE MARÇO DE 2009 – QUARTA-FEIRA (INAUGURAÇÃO DA FESTA)

SHOW:
· Pentágono – (Lançamento do CD Natural)www.myspace.com/pentagono5

DISCOTECAGEM
· DJ Marco (Céu)
· DJ Kefing (Lua)www.myspace.com/djkefing
DJ Nando

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11 DE MARÇO DE 2009 – QUARTA-FEIRA

SHOW:
Flora Matoswww.myspace.com/cslindaflor

DISCOTECAGEM
DJ Marco (Céu)
DJ FZerowww.myspace.com/fzerocutz

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18 DE MARÇO DE 2009 – QUARTA-FEIRA

SHOW:
MC Marechal (RJ)www.myspace.com/mcmarechal

DISCOTECAGEM
DJ Kefing (Lua)www.myspace.com/djkefing
DJ Natowww.myspace.com/djnatopk

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25 DE MARÇO DE 2009 – QUARTA-FEIRA

SHOW:
P
ace on e Mr Green (Atração Internacional) www.myspace.com/paceandgreen

DISCOTECAGEM
DJ Kingwww.djking.com.br
DJ Nando

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Serviços:

Horario: A partir das 22:30

Rua: Alameda Barros, N°:376 Bairro:Higienópolis Cidade: São Paulo

Infojive 11 3663-2684

Web site da casa: www.jiveclub.com.br

Myspace da festa: http://www.myspace.com/quarteirao

Nome na lista de desconto: Quarteirao2009@gmail.com

Valores: H = R$ 25,00 de entrada ou R$ 50,00 de cons.

H Lista = R$ 20,00 de entrada ou opção por R$ 40,0 de cons.

M = R$ 20,00 entrada ou opção por R$ 40,00 de consumação

M Lista = R$ 15,00 de entrada ou opção por R$ 30 de consumação

Estacionamento

Aceitamos cartões de crédito e débito visa e mastercard

Não Aceitamos Cheques

Ar Condicionado


Jaime ‘Diko’ Lopes

Cel 55 11 8192 6297
MSN: diko_bocadaforte@hotmail.com

MYSPACE: www.myspace.com/dikobfbrasil
Portal de Hip-Hop Brasileiro – www.bocadaforte.com.br
São Paulo – SP

Hip hop no Fórum Social Mundial

Grupo mostrou como pensa a mulher periférica paraense e denunciou a prostituicão infantil e o machismo.

Gildean Silva Panikinho

Há alguns dias que antecederam o Fórum Social Mundial, grupos ligados ao hip-hop movimentaram as periferias de Belém do Pará.

O grupo paraense Conexão Feminina abriu a participação do hip hop na agenda de atividades político-culturais se apresentando no palco de um dos cartões postais da cidade conhecido como “Palco das águas”. Mostrando como pensa a mulher periférica paraense e com muita responsabilidade, inteligência e garra fizeram denúncias contra a prostituicão infantil e o machismo em forma de rimas.

O mesmo recado mandado aos participantes do FSM, elas também deram à periferia, em uma comunidade que, além de ficar às margens do centro, também ficou fora das possibilidades de participacão nas atividades do Fórum. Mesmo assim legitimou a importância de expressar em forma de arte a indignação de conviver em uma sociedade injusta, desigual, racista, machista que desrespeita o meio ambiente e o direito das crianças e adolescentes.


Hip Hop paraense flagra madeireiros em atividades ilegais


Em atividade pré Fórum, organizada pelo Hip Hop paraense em várias comunidades, guerreiras e guerreiros do movimento flagram a ousadia dos madeireiros transportando árvores.

Gildean Silva Panikinho

Dias antes do início do Fórum Social Mundial, as periferias, de Belém já estavam a mil por hora em atividades de sensibilização acerca da importância do evento e das discussões a serem promovidas nas Universidades Federais, Rural e UFPA através de do movimento Hip Hop local. As atividades além de contemplarem as quatro expressões do Hip Hop como: Graffiti, Rap, Discotecagem e a Dança de Rua, também contava com a Capoeira, o Basquete de Rua e muita intervenção audiovisual de comunicação alternativa e compartilhada para o registro de toda a movimentação.

Mas como nem tudo na vida é um show, o Hip Hop presenciou o que a Força Nacional não viu, pois enquanto todo o aparato bélico deles estavam apontados para as cabeças dos jovens moradores do Guamá e Terra Firme com a justificativa de garantir a segurança dos participantes do Fórum, que não só também poderiam ser, como deveria ser participantes os membros dessas comunidades, que ficaram privados de seus direitos de ir e vir nos espaços público da Universidades, por não terem tido as mesmas condições de pagarem o valor exigido para suas inscrições no Fórum.

Os madeireiros e desmatadores ilegais da tão querida Amazônia passavam livremente com suas cargas. No exato momento da passagem da carga ilegal, de fronte ao Centro Comunitário João Nunes, situado no bairro do 40 horas onde rolava o evento, um grupo de mcs que disputavam uma batalha de Freestyle, não tiveram dúvidas de encherem o peito de ar, e dispararem toda a indignação pela ousadia feita, e tudo isso em forma de Rimas, com muita arte e inteligêngia, lição e postura absolvida de imediato pelas crianças presentes. pois é, esse é o Hip Hop da Floresta, comprometido com sua causa mais nobre: a preservação da floresta amazônica.

Questões como essas e outras implicaram e comprometeram esses jovens guerreiros homens e mulheres, nas discussões da Cidade Hip Hop, espaço que foi legitimado para esse segmento no Acampamento Intercontinental da Juventude localizada na UFRA.


Flyer da atividade Pré-Fórum
Bairro do 40 Horas baixada de Belém do Pará

O Graffiti
Enquanto o graffiti se expressa nos muros, o basquete rola solto na quadra

Basquete de Rua pra molecada.

Centro Comunitário João Nunes
Bairro 40 Horas da Baixada

Conexão Feminina
Mana Josy, solta a voz e manda mais uma vz o recado das mulheres paraenses.

Djs e Mcs na Sintonia

Meninas de responsa!!!
Conexão Feminina

Freestyle Denuncia!!!
mcs mandando um recado para os madeireiros ilegais

Enquanto isso!!!
na cara de pau!!!

É mole!!!

E onde estava a Força Nacional?
No bairro da Terra Firme exercendo todo o seu abuso poder.

Mas a Luta continua!!!
a voz do Hip Hop não parou mesmo assim.

Um mundo sem racismo é possível

Movimento negro brasileiro e organizações africanas discutem estratégias para combater o racismo.

Suelma Inês Alves de Deus , Gevanilda Santos

O FSM contou com a participação de várias organizações do Movimento Social Negro Brasileiro e algumas organizações de países africanos, cada uma dentro da sua área de intervenção, debateram e refletiram com os participantes os problemas que dizem respeito às relações raciais brasileiras e conflitos internacionais que a cada dia ganham maior visibilidade. Pessoas das mais variadas áreas de atuação e origem étnica demonstraram interesse em compreender a construção ideológica do racismo e os problemas decorrentes da discriminação racial, preconceitos e todas as formas de intolerância. Questões de gênero, educação, saúde, trabalho, criança e juventude, foram alguns dos pontos discutidos nas oficinas.

SOWETO ORGANIZAÇÃO NEGRA FALA SOBRE A EDUCAÇÃO POPULAR NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL. BELÉM (PA)

Em roda de conversa realizada dia 29 de janeiro como atividade no FSM, a Soweto Organização Negra, dialogou com os participantes sobre a importância da educação popular na intervenção política de combate ao racismo e todas as formas de discriminação.

Foi relatado que em 2005 a Soweto se aproximou dos pressupostos teóricos metodológicos de Paulo Freire, a partir da perspectiva de trabalhar com a formação de jovens destacando a continuidade da resistência intergeracional de combate ao racismo.

Para a Soweto os pressupostos teóricos auxiliam no entendimento e identificação de como o racismo é percebido por cada grupo ou pessoa e potencializa a ação política conscientizadora já desenvolvida no interior do Movimento Negro, porém, às vezes, não reconhecido como tal. Alguns elementos já utilizados como estratégia de resistência no Movimento Negro foram identificados, como a resistência histórica, a oralidade, a ancestralidade, a dinâmica intergeracional das vivências comunitárias.

Na atividade, os participantes puderam vivenciar como a organização atua em sua metodologia de ação política. O diálogo foi horizontal, os participantes expuseram seu ponto de vista, algumas histórias de vida e a visão de mundo. Ao termino da atividade os impasses e desafios foram encaminhados coletivamente.

Para a Soweto, o importante em sua ação política é discutir, a partir da educação popular, as estratégias para enfrentar o racismo, fortalecer os segmentos sociais que estão em vulnerabilidade por não conseguirem identificar como o racismo age e como enfrentá-lo.

ASSEMBLÉIA DO CONGRESSO DE NEGRAS E NEGROS DO BRASIL (CONNEB)

O Congresso de negras e negros brasileiros marcou presença no Fórum Social Mundial. Depois de visitar a cidade de Belo Horizonte para realizar sua primeira assembléia e a capital de São Paulo na sua segunda assembléia.

O CONNEB visitou a cidade de Belém do Pará com sua terceira assembléia realizada no auditório do Teatro Gasômetro, centro de Belém. O objetivo do CONNEB é construir um projeto político do povo negro para o Brasil.

A coordenação nacional do Conneb é formada por entidades negras de âmbito nacional, como Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Movimento Negro Unificado (MNU), UNEGRO, Fórum Nacional de Mulheres Negras, Agentes de Pastoral Negros (APN’s), Círculo Palmarino e outras organizações que compuseram a da coordenação do Pará como o Cedenpa e o Mocambo.

A passeata contra a Intolerância Religiosa abriu a assembléia e contou com a presença de autoridades locais e representantes de movimentos sociais presentes no fórum social mundial de Belém.

Os temas debatidos na assembléia foram o projeto políticos que queremos; soberania nacional e resistência da amazônia negra; regularização fundiária e a questão quilombola e o genocídio da juventude negra.

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos esteve na assembléia do Conneb, e ouviu as reivindicações das organizações presentes na assembléia. Entre as diversas reivindicações consta a atenção e agilidade na demarcação e titulação das terras quilombolas, maior empenho na aprovação do Estatuto da Igualdade racial e PL73/99, agilidade na aprovação dos projetos enviados à SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial).

A assembléia de negras e negros de Belém recebeu a visita do Comitê africano do FSM e foi reafirmado a unidade entre os povos Afrodescendentes na diáspora entorno do movimento pela reparação.

A CONEM afirmou que reparação social e política para negras e negros do Brasil por 500 anos de exploração e opressão deve estar comprometida com o projeto político que queremos, um projeto político capaz de superar a opressão de raça, classe e gênero.

Ao final da assembléia foi anunciada uma unidade de ação entre organizações do movimento negro e alianças com os demais movimentos sociais capaz de fortalecer o projeto político que queremos. A próxima assembléia do CONNEB será em Porto Alegre/ RS.

Mulher Mídia e Controle Social



Roda de conversa, realizada pelo Observatório da Mulher, no dia 30 na UFPA, debateu a mercantilização da imagem da mulher na mídia, sobretudo na televisão, e a necessidade de controle social num dos monopólios estratégicos para o capitalismo.

Terezinha Ferreira

Foto: Gastão Guedes/Ciranda

Mercadoria. Exploração. Irresponsabilidade. Preconceito. Exclusão. Objeto. Mercado. Agressão. Utilitária. Produto. Lucro. Falta de respeito. Violência. Mercadoria. Imagem deturpada. Lastimável. Sexo. Exploração. Produto. Horror. Estereótipo. Coisificação. Inclusão deformadora. Opressão. Consumo. Mercadoria. Corpo. Ditadura. Objeto. Desvalorização. Objeto. Violência. Banalização. Desigualdade. Discriminação glamourizada. Violência. Mercadoria.

Com estas palavras as participantes da Roda de Conversa Mulher Mídia e Controle Social, realizada pelo Observatório da Mulher no FSM 2009, definiram a relação mídia e mulher, ao se apresentarem ao grupo. A sala da UFPA ficou lotada – e muit@s interessad@s ficaram de fora – de pessoas de vários estados e de alguns países, para discutir a imagem da mulher na mídia.

Vera Gasparetto, da Escola da CUT em Florianópolis, iniciou a conversa, colocando a comunicação como “direito fundamental para todos e para toda a vida. Por isso, é importante o controle social porque não existe, existe apenas o monopólio da comunicação. A mídia é o único setor onde nada foi feito por este governo, queremos políticas públicas para o controle social”.

Defendendo que a cultura se sustenta no tripé capitalismo, patriarcado e racismo, Vera falou sobre o desinteresse dos grupos do poder em regulamentar a mídia. “O preconceito reforça a exclusão social para que existam os que mandam e os que são vassalos e os meios de comunicação reforçam e vendem isto o tempo todo”. Daí a necessidade de políticas públicas que venham da base social, explicou a educadora da CUT, “para romper com a idéia de pensamento único, incentivar a pluralidade, a produção de conteúdos locais, recuperar a autoestima”.

“Para que queremos a mídia em nossa mão”, perguntou Vera, respondendo e lançando um desafio. “Para disseminar valores e conteúdos que nos interessam. Mas qual ética e estética queremos?”

Mulheres de amanhã

Isabela Henriques, do Instituto Alana, voltado para o tema criança e consumo, falou contra a publicidade voltada para o público infantil. Relatou diversos exemplos de ações desenvolvidas pelo Instituto contra propagandas abusivas em relação às crianças. “A publicidade passa valores questionáveis, como uma erotização precoce, na infância já se começa a tratar a mulher assim (referindo-se às palavras da abertura). Valores passados desde a infância levam as mulheres a serem anestesiadas”.

Além da questão do consumo, incentivado pela mídia, onde “mais de 50% da publicidade infantil é de alimentos, a maioria não saudável”, mostra Isabela, citando consequências, como obesidade, bulimia, anorexia. “A criança recebe essa imagem o tempo todo, desvalorizando a alimentação saudável. Você será feliz se consumir estes produtos”.

Mulher invisível

Com frases ouvidas dos “donos” da mídia no Brasil, Rachel Moreno, presidenta do Observatório da Mulher, observa como os poderosos se apropriam dos direitos, distorcendo-os completamente. “Cabe aos pais controlar seus filhos” ou “Vocês estão mexendo na liberdade de comunicação, que é um direito”.

Entusiasmando a roda, Rachel foi mostrando como “a mulher fica invisível quando é para mostrar sua inteligência, suas demandas, suas batalhas”. Não existe a falta de creche para a mulher trabalhadora, não existe discussão séria da sexualidade; mas existem valores passados emocionalmente, sobretudo pelas novelas, autoestima rebaixada para que as mulheres aceitem qualquer coisa, competição entre nós estimulada com a venda não do produto, mas da felicidade, segundo Rachel.

“Querem nos controlar pela televisão, principal fonte de lazer e informação”, concluiu. “A mídia é um dos meios de nos controlar. Não adianta a TV fazer uma campanha de vez em quando e martelar os mesmos valores o ano todo. As TVs são concessões públicas, precisamos controlar a imagem que fazem de nós”.

Acalorado debate

E a roda girou em torno de diversas opiniões com sotaques diversos, passando pela feminização da pobreza, a questão do envelhecimento, da realidade deturpada pelos telejornais, pelos estereótipos nas novelas, pela nossa responsabilidade. Vamos destacar algumas idéias.

“É preciso chegar à mulherada da classe trabalhadora. Elas acham normal a erotização precoce, o estereótipo. Os meninos devem aparecer brincando de boneca. A mulher, cujo corpo vira garrafa de cerveja, é visível, mas a carga ideológica passa invisível” GasPA, poeta ativista do RJ

“Programas como o do Raul Gil, onde as meninas ficam se insinuando, pior é a mãe que prepara a filha para ser assim”. Joana, Belém (PA)

“Não podemos esperar políticas públicas, nós somos responsáveis para mudar o mundo”. Luziele, professora, AC

“A realidade é muito cruel em nossa região, rota de tráfico de drogas e de pessoas, de prostituição. E o Conselho Tutelar e outros fazem vista ‘grossa’ para concursos de crianças na festa do Boi, transformadas em mercadoria e erotizadas. Como combater o turismo sexual?”

“As mães são massificadas. Para desconstruir esse imaginário e esses valores fomentados pela mídia necessita um olhar para dentro e para fora, para as contradições que temos”. Fátima, Parintins (AM)

DVD Cartão Postal Bomba – GOG

Salve Todos e Todas,
aqui é Nelson Maca – Blackitude.Ba – daquele jeito:
em campo, pra pedir forças e reforços para mais uma batalha de vida da negritude e das periferias todas: da cidade, da mídia, do mercado, etc e tal…
Mais explicitamente, pedindo atenção para o lançamento do DVD do Rapper GOG de Brasília, para que vingue, para que circule, para que emocione o maior número de pessoas possíveis sem precisar ser subserviente ou entreguista. A saúde do projeto depende de nossa adesão, antes de tudo, estratégica!
Primeira ação:
colaborar na pré-venda já!

Na compra e na divulgação já!

Estratégia Quilombola
Depois de oito CDs, GOG, rapper de Brasília, lança em março seu primeiro DVD.
Tudo muito bem cuidado, mantendo aquilo que o consagrou como um dos principais representantes do rap consciente do país:
– postura ideológica inequívoca atrelada à alta tensão lítero-musical. Quem já o conhece dispensa comentários.
Aos demais faço um convite a descobrir esta obra e esta pessoa que tive o privilégio de conhecer e me aproximar, migrando de admirador e fã explícito a parceiro, meio-biógrafo, divulgador convicto e amigo sem sombras de dúvida.
Este DVD que chega é mais um nosso gancho e pretexto para ampliarmos a corrente crítica na música e ativismo brasileiro.
O conceito independente aplicado ao GOG vai além do fato de não fazer música comercial ou produzir estética de vanguarda. Nele a independência, ampliando esses elementos, representa também a herança da contrapartida oficial dedicada a todos os artistas e ativistas que ousam enfrentar o status quo. Aos que se deslocam nos subterrâneos das linguagens. Ou seja, é o preço pago por sua ousadia artística e política. Mas não deixa de ser a sua orgulhosa opção política de continuar entre nós.
Então, nós, os auto-declarados divergentes, estamos também com ele, já que é nós por nós numa corrente de rebeldia que amplia e fortalece nosso mercado negro, que dribla as armadilhas das estruturas oficiais e permanece viva e combativa.
Então, vamos ouvir o recado do irmão e colar nesta corrente, adquirindo o DVD na pré-venda, visitando o site, baixando músicas, etc e etc…

Detalhes e informações gerais e meios para conhecer e adquirir as obras anteriores e o DVD:
http://www.gograpnacional.com.br
http://www.gramaticadaira.blogspot.com

Como ouvi lá mais de uma vez no jogral bélico da Cooperifa,: “Nóis é ponte e atravessa qualquer rio!!”

GOG CONVOCA:

Dia 7 de março foi a data escolhida para o lançamento do DVD de hip hop mais esperado do País.
Falo isso sem mínima vaidade, muito concentrado, e antenado nos termômetros da Periferia e do Movimento Social brasileiro e mundial. Admito que esse momento é um dos mais importantes da minha vida, e que eu só poderia receber um presente de maior quilate que este no dia 09/03, data do meu aniversário:
– A restauração da saúde da minha amada mãe.
Agora, depois de um longo trabalho, e apoiado pelo QG da Revolução, o desafio é o de proporcionar 10 apresentações, como se fossem presentes, na qualidade que nosso povo merece.
A princípio acontecem em Brasília, várias delas ao ar livre, sem cobrança de ingressos, e a intenção é viajar por todo território nacional.
A falta de teatros, e locais direcionados ao lazer e entretenimento nas Cidades Satélites foi logo percebida, mas a resistência continua, e a vontade de reunir amigos nesta grande confraternização é insuperável!
Mais que nunca sua contribuição é importante:
adquirindo ingressos antecipados, comprando o DVD na pré venda do site, fazendo sua doação, simplesmente baixando as músicas, divulgando as boas novas aos amigos e amigas…
É isso…
Deveras emocionado, só tenho a dizer mais uma frase:
– Foi feito com muito amor, e para vocês!

Com o respeito de sempre, GOG!
( Fonte: site Gog / http://www.gograpnacional.com.br ).

Bebê de 11 dias morre depois de contrair herpes da mãe

Vírus da herpes

Jennifer teve falência dos orgãos depois de contrair vírus da herpes

Uma menina de 11 dias de idade morreu depois de ter contraído herpes da mãe, segundo concluiu um inquérito em Lancashire, na Inglaterra.

Jennifer Schofield teve falência dos órgãos vitais depois de contrair o vírus, em 2006, provavelmente por um beijo da mãe ou durante a amamentação.

A mãe da menina, Ruth, de 35 anos, pediu ao governo que faça mais para informar as grávidas sobre os riscos.

O juiz investigador do caso, James Adeley, determinou que ninguém foi responsável por não ter identificado o vírus na bebê.

A infecção pelo vírus da herpes simplex (VHS), neste caso, foi do tipo que se transmite através de uma ferida na boca.

Devastada

Segundo o juiz, a mãe provavelmente contraiu o VSH nas últimas semanas da gravidez depois de apresentar sintomas semelhantes aos de gripe dias antes de dar à luz.

A bebê começou a se sentir mal e morreu no Lancaster Royal Infirmary em dezembro de 2006.

Desde perder a filha, Ruth Schofield começou uma campanha para chamar a atenção para a doença, que, segundo estimativas, causa a morte de seis bebês a cada ano no Reino Unido.

Schofield já escreveu para o primeiro-ministro, pedindo que clínicas e hospitais passem a disponibilizar mais informações sobre a doença.

“Eu fiquei totalmente devastada e com o coração partido com a morte de Jennifer. A dor não diminuiu”, disse ela.

“É preciso ser feito mais, já que isso pode acontecer com qualquer um sem que eles saibam.”

Educação como um direito humano

Sérgio Haddad

Foto: Divulgação

Por que considerar a Educação como um Direito Humano?


Porque, a capacidade de ensinar e aprender é uma das características inerentes aos seres humanos. Imagine alguém incapacitada para aprender? Uma pessoa que está vegetando, como é costume se dizer. Está em uma condição desumana.

Diferentemente dos outros seres vivos, só o ser humano é capaz de se transformar e transformar o ambiente onde vive, graças a sua capacidade de pensar e aprender. E aprendemos porque somos estimulados pelo mundo que nos cerca e porque outras pessoas nos ensinam. Ensinando e aprendendo vamos vivendo, desde o nascimento até a morte. Já nos primeiros contatos com adultos, na procura pelo alimento, na busca do seio da mãe, na troca de olhares, em todos estes momentos estamos aprendendo. E assim seguimos até que fechamos os olhos para sempre.

E é ensinando que as pessoas mais velhas transmitem às novas gerações tudo aquilo que foi acumulado em termos de conhecimento. E é no contato com as novas gerações que as pessoas mais velhas vão aprendendo a relativizar seus conhecimentos. E é assim que valores, normas e comportamentos vão sendo apreendidos, reelaborados, modificados. Se não houvesse ensino, transmissão de conhecimentos, aprendizagens, não haveria história. Tudo seria como sempre foi, nada se modificaria.

Então, o dom de ensinar e aprender traz muitas responsabilidades, pois é através dele que podemos construir um mundo melhor ou pior, escrevendo a nossa história pessoal e da humanidade.

Quando se fala em ensinar e aprender, logo pensamos na escola. Mas não é só lá que este fenômeno ocorre; em todos os espaços da vida estamos aprendendo e ensinando. Quando ralhamos com uma criança que engatinha com seu dedo apontado para uma tomada, quando vamos a uma exposição, quando participamos de uma reunião, em todos estes momentos, consciente ou inconscientemente, estamos aprendendo e ensinando.

Uma pessoa que chegar aos 65 anos terá vivido aproximadamente 570 mil horas. Se trabalhar durante 40 anos, 40 horas por semana, terá dedicado ao trabalho 83 mil horas. Se dormir em média 8 horas por dia, somaria cerca de 190 mil horas. Isso significa que restariam quase 300 mil horas para empregar em outras atividades que não o trabalho propriamente dito. Somente uma parte delas, de 12 a 20 mil horas, será gasta com processos escolares; outro tanto utilizaremos em transporte, lazer e afazeres domésticos. No final, uma grande quantidade de horas pode ser aproveitada para processos não escolares de ensinar e aprender.


E é bom lembrar que as pessoas estão vivendo mais anos com os avanços na medicina e com a melhoria das condições de vida. No Brasil, por exemplo, a esperança de vida para uma pessoa que nascia em 1940 era de 45,5 anos; em 2008, menos de cinqüenta anos depois, passou para 72,7 anos. Estamos tendo mais tempo na nossa vida, depois dos anos de trabalho, para poder aproveitá-la.

“Ela [a educação] é condição para usufruir e defender outros direitos. Uma pessoa com mais conhecimentos está mais preparada para enfrentar a vida.”

Mas há um outro motivo para considerar a Educação como um Direito Humano. Ela é condição para usufruir e defender outros direitos. Uma pessoa com mais conhecimentos está mais preparada para enfrentar a vida. São muitos os estudos que mostram que uma pessoa com mais conhecimentos tem melhores condições de saúde, tem melhores empregos, tem condições de se defender melhor em um mundo tão cheio de dificuldades. A educação é, portanto, uma questão chave para a garantia de outros direitos humanos.

Negar o direito à educação é negar a própria humanidade, é violar a natureza do ser humano. E é por isso que as nações reconheceram a educação como um direito humano no artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no artigo 13 do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos Sociais e Culturais e nos artigos 28 e 29 da Convenção sobre os Direitos da Criança. E é por isso que a sociedade brasileira consagrou a Educação como um Direito Humano na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, na Lei de Diretrizes e Bases de 1996 e no Plano Nacional de Educação de 2001.

Inscrever este direito em leis foi um passo importante, mas é insuficiente. Ainda falta um longo caminho a ser percorrido para a sua concretização como direito humano, o que requer: a universalidade na oferta deste direito; a plenitude de sua realização – com a garantia do acesso, qualidade e adequação desta oferta às necessidades e interesses da população –; e a interdependência em relação aos outros direitos, pois não pode haver educação de qualidade sem saúde, moradia, liberdade de expressão, etc. –, possibilitando assim vida digna a todas as pessoas, no Brasil e no mundo.

Polêmica: ataque a João Paulo II foi planejado no Vaticano



O atentado contra o papa João Paulo II cometido na Praça São Pedro, em Roma, no dia 13 de maio de 1981 pelo turco Ali Agca, teria sido ordenado de dentro do Vaticano, com a colaboração de expoentes da máfia.



A afirmação é feita pela agência de notícias búlgara Blitz, que publica uma entrevista exclusiva com Assen Marcevski, intérprete do processo contra o búlgaro Serghey Antonov, acusado por Agca de ser um dos mentores do ataque.


Em 1986 Antonov, que morreu no ano passado em Sófia, foi considerado pela justiça italiana inocente por falta de provas.


Na entrevista, Marcevski antecipa algumas revelações que irá fazer em seu livro sobre o atentado. A obra deve ser lançada no segundo semestre do ano.


Segundo ele, João Paulo II pretendia “colocar ordem na casa”, canalizar a influência de grupos maçons no Vaticano e, principalmente, a do monsenhor Paul Casimir Marcinkus, diretor do Instituto para as Obras Religiosas (IOR), o banco da Santa Sé.


Segundo o estudioso, Marcinkus lavava o dinheiro da máfia ítalo-americana proveniente da venda de drogas.


As intenções de Karol Wojtyla, as mesmas de seu antecessor João Paulo I, que morrera de forma inesperada um mês após assumir o Pontificado, fizeram com que determinados círculos do Vaticano, junto à máfia, organizassem o atentado.


Também segundo o escritor búlgaro, Ali Agca foi escolhido pelo grupo para cometer o crime por ter manifestado publicamente sua intenção de assassinar o então papa por razões religiosas.


O atentado contra João Paulo II foi cometido durante a audiência geral do Vaticano realizada às quartas-feiras. Wojtyla teve ferimentos no estômago, na mão esquerda e no cotovelo. Desde então, ele sofreu diversos problemas de saúde.


Em 1992, teve um tumor no intestino; um ano depois, deslocou o ombro ao cair de uma escada. Em 1994, após uma nova queda, teve que colocar uma prótese no fêmur. Embora não reconhecido oficialmente pelo Vaticano, o papa sofria também do mal de Parkinson, o que agravou ainda mais seu estado, até sua morte em abril de 2005.


Ansa Latina

Brasil envia 19 mil toneladas de solidariedade a Cuba



O Governo Lula doou a Cuba 19 mil toneladas de arroz para enfrentar os graves problemas causados pela passagem de três furacões que devastaram a ilha em outubro passado, o Ike, o Gustav e o Hannah. Uma expressão de solidariedade deste porte não pode passar sem merecer reflexões amplas, especialmente num momento em que o mundo registra principalmente é movimentação de armas. Enquanto Brasil doa arroz, os EUA seguem com o contínuo abastecimento de armas para Israel.


Por Beto Almeida, jornalista*



O carregamento de arroz — o equivalente a 718 caminhões — saiu do porto gaúcho de Rio Grande no dia 10 de Fevereiro e está por aportar em Havana por estes dias, levado por 3 navios cedidos pela Espanha, que, com isto, também participa desta operação de solidariedade a Cuba.


Os furacões também arrasaram o Haiti e Honduras, países que também receberão doações brasileiras, logo a seguir. Houve escassa divulgação sobre esta doação do governo brasileiro, apenas discretos registros na imprensa do sul, mas, no total ela representará 44,4 mil toneladas de arroz. Além disso, serão enviadas aos três países, em um terceiro carregamento ainda sem data prevista, 1.105 toneladas de leite em pó e 4,5 toneladas de sementes de frutas, verduras e legumes, produzidos pela agricultura familiar.


Fidel: como um ataque nuclear


Segundo o Itamaraty , somente no Haiti, as tempestades deixaram pelo menos 800 mortos e 800 mil desabrigados. Em Cuba, foram sete mortes e perdas calculadas em US$ 10 bilhões, com meio milhão de casas danificadas ou destruídas e centenas de milhares de hectares de plantações arrasados. O ex-líder cubano Fidel Castro chegou a comparar as imagens de destruição na ilha às que testemunhou na cidade japonesa de Hiroshima após a detonação da bomba nuclear.


É aqui exatamente onde se faz mais necessária uma reflexão bem atenta sobre o significado desta ajuda, retirada dos estoques públicos geridos pela Companhia Brasileira de Abastecimento e que conta com expressiva produção de responsabilidade da agricultura familiar.


Os jornalistas que acompanham há mais tempo as passagens constantes de furacões sobre o Caribe, podem observar uma diferença sobre o comportamento da sociedade cubana, de sua defesa civil, a unitária e disciplinada mobilização de seu povo. Com toda a lamentável destruição que ocorre, sobretudo em habitações, na agricultura e também no setor elétrico, é possível verificar que o caráter socialista da sociedade cubana permite sim minimização das perdas humanas. Pode-se alegar que em se tratando de furacões é difícil comparar as perdas cubanas, as 7 mortes em Cuba, com os mais de 800 que morreram no Haiti, país que vive um crise humanitária, uma tragédia social densa, além de estar sob a presença de Tropas da ONU, cuja permanência foi solicitada pelo presidente René Preval logo após sua eleição com expressivo apoio popular, superior a 73 por cento dos votos.


O que vale registrar é que em Cuba, diante da ameaça de uma catástrofe natural, todos os instrumentos do estado e da sociedade se mobilizam de modo integrado, sobretudo os meios de comunicação, atuando em sintonia completa com a Defesa Civil, com o intuito de salvar vidas. Lá não há mídia privada que não pode suspender sua programação para difundir diretrizes de evacuação de regiões que serão mais afetadas pelos furacões. Aqui só mudam a programação para explorar o sensacionalismo mórbido como na tragédia da adolescente Eloá, sempre na linha do vale-tudo pela audiência. Quem manda na programação é o departamento comercial. Em Cuba não há mídia privada, salvar vidas é obrigação, é a pauta fundamental.


Assim, com este esforço unitário que inclui órgãos do Estado, as Forças Armadas Revolucionárias, a Defesa Civil, os sindicatos, os meios de comunicação, os Comitês de Defesa da Revolução, o sistema de saúde, é possível em poucas horas evacuar contingentes de um milhão e meio de cubanos. Só isto já é uma façanha, pois estamos falando de mais de 10 por cento da população cubana aproximadamente, que hoje alcança pouco mais de 11 milhões de habitantes. Imaginemos o esforço que deveria ser feito, a magnitude da logística requerida se necessário fosse evacuar, em poucas horas, diante de uma ameaça climática, a 10 por cento do povo brasileiro, ou seja, algo como 19 milhões de seres humanos. Sabemos que sequer conseguimos resolver a contento ainda operações muito mais simples como a da documentação dos cidadãos, a do registro das crianças recém-nascidas, estamos sendo obrigados a dispensar boa parte dos recrutas pela impossibilidade de oferecer-lhe a refeição adequada nos quartéis.


Jornalismo de desintegração


Sim, o Brasil ainda não resolveu muitos problemas de séculos atrás, como diz o próprio presidente Lula, mas foi capaz de ter a sensibilidade social de enviar 19 mil toneladas de solidariedade para a Cuba que tanto merece amor. Seria necessário divulgar muito mais o que está ocorrendo de fato junto com o envio dessas toneladas de arroz-solidário. Era até mesmo necessário que a TV Brasil estivesse nos navios espanhóis que fazem o transporte para contar esta história de integração que caminha, mas que nem é compreendida adequadamente, seja porque a comunicação não opera, seja porque há a atuação do jornalismo da desintegração. Refiro-me aquela certa mídia que afirma que integração é pura retórica itamarateca.


Antes das 19 mil toneladas de arroz solidário, já haviam ido para a Ilha rebelde o braço da Embrapa, da Petrobrás. Multiplicam-se os acordos de cooperação, os volumes de comércio, os laços culturais. Há quem não queira ver.

Sangue brasileiro em solo cubano


Mas, entre Cuba e Brasil os laços de solidariedade — ternura entre os povos — são muito mais antigos, sempre mal divulgados. Lutaram no Exército de Libertação Nacional de José Marti dois brasileiros, dois cariocas. Essas 19 mil toneladas de arroz aportam em solo irrigado pelo sangue de dois brasileiros que atenderam ao chamado revolucionário de Marti para a luta de libertação de Nuestra América. Solo fértil. Lá ficaram, junto com José Marti, também abatido em combate. Já havíamos doado sangue ao povo cubano.


Em outros momentos, brasileiros e cubanos também estiveram de alguma forma juntos, como, por exemplo, na luta de libertação de Angola. Trezentos e cinqüenta mil cidadãos cubanos, homens e mulheres, incluindo a filha do Che, tomaram em armas e foram para Angola lutar contra o exército sul-africano que invadia a terra do poeta Agostinho Neto, que pessoalmente solicitou ajuda a Fidel Castro. A sanguinária democracia dos EUA apoiando o exército do Apartheid de um lado e Cuba lutando ombro a ombro com os angolanos do outro. O Movimento Negro brasileiro não mandou uma aspirina em solidariedade aos angolanos. Na Batalha de Cuito Cuanavale, 1988, os nazis do apartheid da África do Sul foram finalmente derrotados, levando Mandela a declarar: “a Batalha de Cuito Cuanavale foi o começo do fim do Apartheid!!!” O Brasil tinha sido o primeiro país a reconhecer a independência da República Popular de Angola, o que levou Henry Kissinger, então secretário de estado dos EUA, a vir ao Brasil para reclamar de Ernesto Geisel , afirmando que o Brasil estava fazendo o jogo dos comunistas, estava junto com Cuba, etc. Geisel respondeu apenas: “a política externa brasileira não está em discussão com o senhor!” Houve um tempo em que chanceleres brasileiros tiravam o sapato diante de ordens desaforadas de qualquer guardinha de alfândega….


Furando bloqueios


Hoje o Brasil envia 19 mil toneladas de arroz para Cuba e dá uma banana para a tal lei Helms-Burton, fura o bloqueio com solidariedade, para lá envia a Embrapa e a Petrobrás. Com o apoio da Espanha de Zapatero. Antes, a Espanha de Aznar, mandava tropas para o Iraque, operava no Golpe de Abril de 2002 contra Chávez…


Por quem merece amor….


Solidariedade não se discute a quem, mas esta é matéria que Cuba pode dar aulas de sobra. Existem hoje profissionais de saúde cubanos em mais de 70 país. Apenas na Venezuela trabalham 23 mil médicos cubanos. No Timor Leste também encontram-se 350 médicos cubanos em missão de solidariedade. O presidente timorense, o jornalista e poeta Ramos-Horta, contou-me que o embaixador dos EUA tentou pressionar para que Timor rejeitasse a ajuda cubana. Ramos, com a sabedoria humilde dos timorenses, apenas perguntou ao embaixador norte-americano quantos médicos seu país havia enviado para aquela ilha que antes foi um Vietnã Silencioso, dado seu heroísmo e dignidade, escondidos de modo vil pela mídia controlada pela indústria bélica e pela ditadura petroleira internacionais. O gringo vestiu a carapuça. Há mais médicos e professores cubanos em todos os continentes do que profissionais de todos os países ricos de idêntica especialização , somados. Mas, se a continha fosse de soldados…


A Venezuela já foi declarada pela Unesco “Território Livre de Analfabetismo”, e lá estavam os professores e pedagogos cubanos para assegurar esta conquista. Ser livre é ser culto, diz Marti. Da mesma maneira, quando em dezembro último a mesma Unesco – mais acostumada nos últimos tempos a contabilizar a devastação da educação pública no mundo – declarou oficialmente a Bolívia como “Território Livre do Analfabetismo”, lá estavam os professores cubanos, com o seu método de alfabetização “Yo si puedo”, prestando sua solidariedade para tirar o povo boliviano das trevas da ignorância neoliberal.


Doando médicos, professores, pedagogia


Aliás, este método de alfabetização também foi adaptado por pedagogos cubanos para aplicação via rádio no Haiti, em dialeto creole. A observação é simples: um país que já extirpou a praga do analfabetismo há mais de 48 anos coloca agora seus profissionais a serviço de outros povos buscando soluções para problemas sociais que já não existem mais ali entre cubanos. De certo modo, lá no Haiti brasileiros e cubanos também encontram-se novamente juntos. Seus esforços de algum modo coordenam-se favoravelmente. A integração se dá. Os 500 médicos cubanos que estão no Haiti são, na prática, a espinha dorsal do que resta do serviço de saúde pública daquele país em colapso e o Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro lá está a construir fossas, pavimentar ruas e estradas, obras de saneamento. O tema provoca polêmicas, inclusive por vários movimentos sociais, mesmo assim é central considerar declaração do Comandante Fidel Castro em 2006: “eu prefiro tropas brasileiras do que mariners dos EUA no Haiti”. Revelando a com quê concepção geopolítica, portanto com quê visão estratégica ampla avalia a questão.

Do mesmo modo, cabe registrar que este mesmo método de alfabetização cubano está sendo adaptado e aplicado entre indígenas na nova Zelândia e em inúmeros Assentamentos da Reforma Agrária do MST aqui no Brasil sempre combinando o uso do livro e da televisão, incluindo a participação, no caso brasileiro, de alguns artistas de telenovela, igualmente solidários com os mais necessitados.

Cuba, Katrina e Tsunami

O desastre do furacão Katrina nos Eua foi duplo: a catástrofe natural ceifou muitas vidas, mas foi agravada pela catástrofe da criminosa negligência dos administradores públicos que deixaram a população de Nova Orleans no deus-dará e dizendo-lhes apenas, “virem-se”. Quê diferença da mobilização disciplinada para evacuação de milhões de cidadãos em Cuba em poucas horas!!! Citemos os números: em Cuba, mais de 500 mil residências destruídas, porém, apenas 7 mortes. Uma vida perdida é sempre uma vida perdida, mas o aqui o valor da consciência, da solidariedade, do sentimento coletivo é o eixo central pois nestas evacuações, os médicos de família acompanham seus pacientes, cuidando inclusive que os animais domésticos também sejam evacuados coordenadamente, especialmente pelo efeito emocional positivo que têm sobre as crianças. É o modo como uma sociedade socialista trata seus animais. A solidariedade , por meio de políticas públicas, chega até estes.


Cuba imediatamente ofereceu aos EUA um total de 1200 médicos para cuidar da população flagelada pelo Katrina, ajuda prontamente rejeitada pelo então presidente Bush, mais preocupado em enviar soldados para o Iraque que em receber médicos cubanos. Como é possível que a poucas horas da passagem devastadora do furacão em Nova Orleans haja a oferta de 1200 médicos prontos para embarcar para os EUA? Já estão sempre preparados para ajudar outros povos! E como é possível que o país mais rico do mundo não tenha tido a capacidade, até hoje, de reconstruir o que foi destruído pelo furacão, deixando patente, sobretudo, o desprezo pelas populações negras que perderam suas casas, seus móveis etc.?


Eis aí um aspecto que diferencia fundamentalmente as sociedades: algumas são capazes de cuidar dos seus, mas também cuidar dos mais necessitados, mesmo que estejam em outro país, a civilizada capacidade de oferecer solidariedade. Por isso, é também importante registrar que a Venezuela continua doando para as populações pobres dos EUA óleo combustível a ser usado para a calefação neste período de frio. Sim, é comum a morte por frio entre os pobres nos EUA. E lembrando que em Cuba encontram-se hoje 500 jovens dos EUA, pobres e negros moradores do Harlen, a estudar gratuitamente na Escola Latino-Americana de Medicina.


Até os elefantes se salvaram…


Da mesma forma que no Katrina, também no Tsunami também ficou demonstrado o desprezo pelo salvamento de vidas. Quando os aparelhos eletrônicos dos EUA detectaram os tremores no fundo do mar, imediatamente foi possível calcular seus possíveis efeitos, o maremoto arrasador. Tanto é assim que rapidamente as embaixadas dos EUA na região foram orientadas sobre o que poderia vir. As aeronaves da base naval norte-americana da Ilha de Diego Garcia foram colocadas em área protegida. Sabia-se o que estava por vir em algumas horas. Horas suficientes para serem utilizadas na informação preventiva, mobilizadora, para organizar um operação de evacuação gigantesca. Tanto é que elefantes que percebem os tremores subterrâneos captaram a mensagem da natureza e fugiram para lugar seguro. Os elefantes escaparam!


Mas, a magnífica parafernália de comunicação hoje em mãos da humanidade para integrar bancos, bolsas de valores, esquadras navais, satélites, internet, para operações com capitais especulativos, não foi usada para salvar vidas! Se fosse um colapso bancário, em segundos todos os países do mundo estariam informados. Mas, era um maremoto que estava se formando a partir das súbitas mudanças das placas tectônicas no fundo do mar, não era mudança de capital. Havia o espaço de tempo necessário para salvar vidas se todos os meios de comunicação, os satélites, as rádios e televisões, trabalhassem com o sentido humanitário, com o espírito de missão pública, com a consciência de que se pode sim salvar vidas, como se faz em Cuba quando vêm chegando os furacões. A tecnologia, sem consciência solidária, de nada vale quando se trata de salvar vidas, apenas isto.


Assim, aprendamos todos com esta página de solidariedade que está sendo escrita agora pelo Brasil, coerente com uma política de integração, que precisa ainda desenhar-se, expandir-se, superar os que do lado de lá patrocinam não apenas o jornalismo de desintegração, mas a própria desintegração latino-americana. Com a crise do capitalismo mundial, temos uma avenida. Militares brasileiros da Aeronautica participaram de operações de salvamento de flagelados quando das devastadoras inundações na Bolívia há alguns meses. Participaram também, recentemente, indicados pelas Farc, mas com a concordância do governo da Colômbia, da operação de resgate humanitário dos reféns coordenada pela Cruz Vermelha nas selvas do país vizinho. São algumas ações apenas, mas apontam um caminho com a criação da Universidade da Integração Latino-Americana, em Foz do Iguaçu aponta. Mas, esta página tem muitos antecedentes, sobretudo inúmeras páginas nobres que Cuba já escreveu na história da solidariedade internacional dividindo generosamente seus escassos meios com outros povos mais necessitados.


Assim, o arroz solidário brasileiro vai para quem merece amor, como na canção de Silvio Rodriguez.


*Beto Almeida é diretor de Telesur


Da redação

Com a palavra: Dexter

Data: 12/02/2009
Bocada – Forte ::: Entrevista



As penitenciárias sempre foram consideradas depósitos de gente. Apesar do discurso de recuperação do preso, a punição e o afastamento sempre foi prioridade do Estado e aceito sem questionamento por grande parte da sociedade. Sendo assim, tudo que ocorre do lado de dentro das muralhas tem que ser ocultado. Quanto menos se sabe da vida do presidiário, mais fácil será sua dominação. O cotidiano carcerário, nas relações entre detentos e funcionários que não têm noção do que é cidadania, acaba por causar abusos e crimes num espaço longe das câmeras de TV. Somente rebeliões e massacres chegam aos ouvidos de grande parte da sociedade.
Dexter
O sofrimento da família, as estratégias de sobrevivência dos presos em meio a formação de facções e a corrupção policial, para que esse sistema apodrecido funcione, precisam ser omitidos. O Rap nacional deu voz ao preso e, através do trabalho de artistas como Dexter, muitos jovens passaram a conhecer o que por muito tempo ficou escondido. Outro estilo musical poderia fazer algo semelhante? Creio que sim, mas não com a mesma intensidade.

No dia 4 de janeiro de 2009, num domingo ensolarado, Dexter, em período de indulto (“saidinha”), concedeu entrevista ao Bocada Forte durante almoço com amigos e a família, no bairro da Casa Verde.

Trajetória e música

“Até agora eu me sinto um vencedor, mas eu tenho mais planos. Me considero um cara batalhador, perseverante, sou lutador, um guerreiro. Gravei 3 CDs, me mantive vivo na prisão, parei de usar droga lá dentro, graças a Deus. Conheci minha esposa, essa mulher maravilhosa que me acompanha há quase 7 anos. Se for olhar as coisas dessa forma, sou um cara vitorioso, mas eu entendo que tenho muita coisa pra conquistar. É bom saber que mesmo de lá de dentro da prisão, a gente conquistou o respeito da rapaziada com as músicas e tal. Minha música é isso mesmo, falar de sofrimento e da realidade, não consigo fazer ficção. Preciso falar a realidade mesmo, acho que é assim que a gente convence.”

O apoio das pessoas do lado de fora

“Todo ser humano precisa dessas paradas, todas as pessoas precisam de apoio. Na questão jurídica eu tive que correr pra conquistar, nada vem de graça. No longo do percurso apareceram algumas pessoas querendo ajudar, mas acabou ficando só na intenção. Algumas me ajudaram em várias coisas, outras receberam pra me auxiliar, mas aí, eu já não posso considerar ajuda, foi um serviço prestado. O apoio afetivo e psicológico veio da minha família, do Claudinho, do Mano Brown. O apoio também veio dos irmão que sempre mandam um salve pra mim, isso tem relevância, um salve já ajuda muito.”

Composição artística atrás das grades

“A música tem que estar no sangue mesmo irmão. Lá dentro eu não posso ouvir som, com exceção de uma cadeia que eu passei, ali eu tive condição de ouvir música. Foi justamente a cadeia que eu fiz o disco “Exilado Sim. Preso Não”. Meu Rap é assim: eu vou escrevendo, vou fazendo minhas levadas. Na hora de produzir eu ouço a base e tento encaixar minha letra no som. Não sou um cara que fica vendo a temática dos outros rappers. Eu não sei fazer Rap assim, simplesmente escrevo, ouço a base. Tem horas que escrevo já imaginando certo instrumental. Quando chega a hora de gravar, já era, vou e coloco a voz. Não sou um cara de fazer laboratório, sabe? Mesmo porque, eu não tenho esse espaço. Onde eu me encontro, não tenho esse espaço pra fazer pesquisa, nem a 105 FM eu escuto. Dependendo de onde eu fico, não pega a 105. Sou mais coração mesmo, vou que vou. É a vontade, é o sangue mesmo.”

Sobre os rappers que preferem retratar apenas o lado violento da periferia

“Talvez isso aconteça porque eles não estiveram presos, porém, mesmo quando eu estava fora dos presídios, eu já fazia música falando de esperança e fé. Eu acho que o Rap é uma música que veio pra mudar. O Rap mudou a minha vida, realmente salvou a minha vida. Todo jovem que foi e é envolvido com o Rap, estou falando de Brown, GOG, Bill, estou falando de quem faz Rap agora. Falo de quem teve sua vida mudada pelo Rap. Se não fosse o Rap, o que muitos deles seriam? O que o Dexter seria se não fosse o Rap?

Se eu tenho isso como exemplo, eu preciso falar disso mesmo. Qual o intuito da minha música? Pra mim, é salvar as pessoas também… Ou da droga, ou da rua, não sei. A idéia é ajudar positivamente. Eu vejo rappers com músicas que infelizmente não contribuem positivamente com a juventude carente, sem educação e cultura. A música fala na alma. Se o cara tem uma tendência a trilhar um caminho mais fácil que é imposto pra ele. Uma música com conteúdo negativo pode influenciar a decisão do cara… Entendeu?

Todo cara que ser herói na quebrada, mas quando você escuta o verdadeiro Rap, você pensa: ser herói desse jeito não é pra mim não. Minhas letras mostram que sou um cara comum, apenas um ser humano. É bom ver que sou importante pras pessoas por isso. Minha música sempre vai falar disso, meu som é esperança, é fé.”

O Rap e o pancadão nas quebradas

“Tudo que é atrativo, é mais fácil de corromper. O Rap não é só um atrativo, o Rap é uma cultura. Perdemos um pouco do espaço que tínhamos com a juventude, pois o Rap trata de uma realidade dura. Ao passar do tempo, as pessoas já não querem mais ouvir falar dessa realidade, mas é necessário falar. O Rap não morreu, a cultura não está morta, isso é importante. É o seguinte, a peneira sempre vai existir, os ouvintes serão mais seletivos. É óbvio, com o passar do tempo, certos discursos cansam. Eu acho que se a gente perdeu alguma coisa, foi mínima, pois a cultura está viva. O Rap fala lá no nordeste, também lá no sul, de maneira forte. A gente não está ligado. Muita gente mede as coisas por São Paulo, aqui podemos estar passando por uma crise, mas acho que temos que analisar como um todo, olhar o Rap no Brasil.

O funk pra mim é um atrativo, entretenimento. Não menosprezo, cada um faz a sua cara, só que eu prefro continuar com a minha cultura. A moda passa, o que é raiz não passa. Você pode alisar seu cabelo, você pode sair da favela, mas você nunca vai deixar de ser preto. Você não pode se enganar. O Rap continua forte, é claro que muita coisa mudou, são 20 anos de Hip-Hop. Talvez a gente tenha perdido o tempo das coisas, mas vai melhorar. O Rap não está morto.”

Profissionalização e dinheiro

“Temos que profissionalizar o Rap! Colocar a rapaziada pra fazer show. Fazer letras inteligentes. Quem sobreviveu até hoje, vai continuar na cena e vai lucrar. Pra você sobreviver nessa batalha tem que ser forte, mas são poucos. Tem uma rapaziada vindo com outra pegada. Esses não vão passar mesmo, sem levar as coisas a sério e sem trabalhar duro, só farão música, mas não vão sobreviver. Eu estava falando com o Brown, nós estamos até preocupados. Porém, nós vamos continuar fazendo Rap, temos que continuar firme e forte. Temos que organizar shows nervosos, pela cultura, pelo movimento e por dinheiro também. Ninguém vive de amor, está na hora de meter o dinheiro no bolso. Como eu vou pagar meu aluguel? Como eu terei minha casa própria? O país é capitalista! Os gringos estão em outro patamar por que? Porque os caras foram pra cima mesmo, conquistaram espaço e dinheiro. Run DMC fez contrato com a Adidas, uma empresa alemã, numa época em que o Rap estava apenas começando aqui no Brasil. A Nike está procurando algumas coisas, eles querem negociar. Por que não se aliar?

Tem algumas questões dentro da empresa Nike que são complicadas. A gente tem que analisar esses pontos. As pessoas questionam uma transação do Rap com a Nike no Brasil, afirmam que ideologicamente não seria possível. Dizem que os caras utilizam trabalho sub-humano e infantil em países asiáticos onde a constituição é falha e permite este tipo de coisa. Então vamos discutir isso, vamos arrumar nossa casa primeiro. Como eu posso querer arrumar a casa dos outros se a minha casa é uma bagunça. É o seguinte, o negócio que a gente vai fazer com a Nike não é pra gente ficar rico, é pra empregar o que agente está ganhando dentro da cultura e reverter ações para a favela, para a periferia. Vou adiantando, eu estou dentro desse projeto, não tenho um trabalho ainda, mas já estou nessa negociação com a Nike. Chegou a hora de a gente dar o bum no nosso Rap. Precisamos reformular as idéias. Os irmãos do Rap e da favela sempre usaram tênis da Nike, na periferia os jovens matavam para ter um Nike no pé. Nunca recebemos um centavo dessa empresa. Chegou a hora de tomar o que a gente tem condições através do nosso trabalho, sem perder o foco. O Rap é uma indústria que bota comida na minha casa e na de muitos. Está na hora da gente buscar o que é nosso. Negociar é uma fita, se vender é outra. Dentro dessa negociação podemos colocar nossa concepção, uma contrapartida social pode entrar numa cláusula de contrato. Não podemos perder esse foco, tipo: ´Vocês querem o Dexter… É o seguinte façam centros tecnológicos em tal comunidade.´”

Futebol e Rap

“A ligação entre Rap e futebol deveria se muito maior. Muita gente do esporte gringo vai em show de Rap. A ligação tem que ser maior que as palavras aqui no Brasil. A gente deveria ter uma integração legal entre futebol e Rap. Fico aqui pensando, falta consciência pros caras do futebol, temos que procurar e se relacionar com jogadores que são “pé no chão”. O Ronaldinho conversa com o Jackson, o Denílson é meu amigo, O Brown fala com a rapaziada do Santos. Temos que viver mais juntos. O Rap é pesado, poucos querem ter uma ligação com o Rap, muitos querem tapar o sol com a peneira e fazem o que o novo mundo da elite exige. Mas os jogadores são jovens, se dedicam totalmente ao futebol, param de estudar. É difícil desenvolver uma consciência desse jeito. Temos que nos conhecer, trocar idéias. As idéias mudam, é a revolução através das palavras.”

Convivência no presídio

“Em qualquer repartição você vai contar com algumas pessoas, algumas tem inveja de você. Posso contar com pessoas firmeza que convive comigo. É claro que se você fizer um Rap, ser um escritor, as pessoas passam a admirar você. No caso dos agentes penitenciários, é importante ter educação, respeitar e tratar bem as pessoas. O agente não está lá porque quer, quem sabe ele não teve condições de estudar para ser outro profissional. Ele faz a cara dele eu faço a minha. Teve agente que já falou que eu mereço estar na rua, que sou um cara educado e que não dou trabalho pra eles lá dentro. Você tem que saber quem é, tem que saber como agir. Vivo entre o certo e o errado, fui prejudicado em alguns momentos, ajudado em outros, tenho que ter jogo de cintura. Dois dos meus três projetos foram gravados dentro da prisão.”

Jovens das classes média e alta correndo pelo Rap

“É natural, a música é boa. A música da juventude é o Rap. Muito cara da classe média e da classe rica se identifica com o Rap. Se os caras pudessem falar com a gente, eles colavam. Eles admiram o nosso som. Eles vão curtir e fazer o Rap também. Vão andar como a gente anda, se vestir como a gente se veste. Nossa vida é muito mais loca que a deles, o dinheiro na nossa vida falta, mas nós não vivemos enclausurados com medo.

Cada um faz o Rap que acha que deve fazer, mas tem que fazer bem feito. O Rap é a música da liberdade. Se a idéia deles vai me convencer ou não, isso eu que vou decidir. O Rap pode falar de qualquer coisa. Quem sou eu pra censurar? Só que tem que ter atitude. Tem gente que acredita que Rap é mudança, outros dizem que Rap é atrativo e entretenimento. Eu acredito que Rap é mudança, então farei meu Rap dessa forma.”

Planos futuros e andamento do processo

“Estou com nove músicas prontas para o meu próximo CD, estou preparando um livro. Quero fazer shows. Muito se ouviu falar do Dexter, mas pouco se viu. Também tenho um trabalho voltado ao presídio, não posso esquecer disso. Meu processo está sendo agilizado, estamos finalizando, graças a Deus ganhei uma carga na cadeia, dei uma saidinha agora e, se até março eu não sair em regime aberto, pelo menos terei mais uma saidinha. Tem um lance mais complicado, temos que entrar com um pedido para baixar mais o tempo de cadeia, mas estamos indo bem, estamos conseguindo montar esse quebra-cabeça.”

Por: DJ Cortecertu

http://bocadaforte.uol.com.br/site/

Médicos identificam problema de pele associado a videogames

Videogame

Médicos de um hospital de Genebra, na Suíça, identificaram um novo problema de pele, chamado “hidrosadenite palmar de PlayStation”, que eles acreditam que é causado por jogar videogames demais.

Em um artigo na publicação científica British Journal of Dermatology, os especialistas descreveram o caso de uma menina de 12 anos atendida no hospital com lesões muito dolorosas nas palmas das mãos.

A menina, que usava videogames regularmente, se recuperou completamente depois de dez dias sem jogar.

A princípio, os médicos acreditavam que ela sofria de um problema chamado hidradenite idiopática palmar exócrina – sendo que idiopático significa “de causa desconhecida”.

O problema tinha sido relatado anteriormente nas solas dos pés de crianças que participavam de atividades físicas mais pesadas, como corrida, e acredita-se que esteja ligado a suor intenso.

Mas o aparecimento das lesões é incomum nas palmas das mãos, o que chamou a atenção dos especialistas.

A paciente não tinha participado de qualquer esporte ou atividade física recentemente e não se lembrava de nenhum trauma recente envolvendo suas mãos.

Mas os pais da menina contaram que recentemente ela havia começado a jogar PlayStation durante várias horas, diariamente, e que continuou a jogar mesmo depois do aparecimento das lesões.

“O diagnóstico final de nossa paciente foi hidrosadenite idiopática palmar exócrina. Porém, nós propusemos que a variante nesta paciente seja chamada mais especificamente de hidrosadenite palmar de PlayStation”, disse um dos autores do estudo, Behrooz Kasraee.

Tensão do jogo

Os médicos em Genebra acreditam que o problema foi causado pelo fato de a criança agarrar com força os controles manuais do videogame, junto com o suor causado pela tensão gerada pelo jogo.

Os pesquisadores afirmaram que casos de vício em videogame já foram relatados, mas acreditava-se que os sintomas eram apenas psicológicos.

Alguns sintomas físicos, como tendinite aguda, começaram a aparecer. Segundo os médicos, agora a “hidradenite palmar de PlayStation” pode ser adicionada à lista de sintomas.

O porta-voz da Sony Computer Entertainment Europe Ltd., que fabrica o PlayStation, recomendou “bom senso”.

“Acreditamos que o videogame é um divertimento legítimo como assistir filmes, ouvir música ou ler livros”, afirmou.

“Assim como com qualquer forma de lazer existem possíveis consequências quando não se segue o bom senso, conselhos de saúde e instruções, que podem ser encontradas em nossos manuais de instrução.”

“O PlayStation foi lançado em 1995 e vendeu centenas de milhões de consoles nos últimos 13 anos.”

“Não queremos depreciar esta pesquisa e vamos estudar as descobertas com interesse. Esta é a primeira vez que ouvimos uma reclamação desta natureza”, acrescentou.

Para Nina Goad, da Associação Britânica de Dermatologistas, a descoberta é “interessante e os pesquisadores querem dividir com outros dermatologistas, caso estes se deparem com sintomas parecidos e sem explicação em outros pacientes”.

“Se a pessoa se preocupa com lesões em suas mãos quando joga videogames, seria uma atitude inteligente dar um tempo para suas mãos de vez em quando e não jogar em excesso se suas mãos têm tendência ao suor excessivo”, disse.

Maus tratos na infância podem reprogramar gene, diz estudo

Criança

Maus tratos na infância teriam efeitos de longo prazo.

Sofrer maus tratos durante a infância pode provocar a reprogramação de alguns genes, deixando a vítima mais vulnerável a doenças mentais e suicídio, sugere um estudo canadense publicado na revista especializada Nature Neuroscience.

Análises de tecido do cérebro de adultos que se suicidaram revelaram mudanças genéticas fundamentais entre os que tinham sofrido maus tratos quando crianças.

De acordo com os cientistas, o estudo reforça o resultado de pesquisas anteriores, que mostraram que maus tratos durante a infância estão associados a uma reação mais intensa em situações de estresse.

Mas ainda não se sabe exatamente como fatores externos interagem com os genes e contribuem para a depressão e outros problemas mentais na fase adulta.

A equipe de pesquisadores da Universidade McGill, em Montreal, examinou o gene para o receptor glicocorticóide – que ajuda a controlar a resposta ao estresse – em uma região cerebral específica de 24 vítimas de suicídio, sendo que metade deles havia sofrido maus tratos quando criança.

Neste grupo, os cientistas encontraram alterações químicas que reduziram a atividade do gene. A redução levou a produção de menos receptores glicocorticóides, o que levaria a uma resposta de intensidade acima do normal ao estresse, segundo o estudo.

Longo prazo

A pesquisa sugere que as experiências durante a infância, quando o cérebro está se desenvolvendo, podem ter um impacto de longo prazo sobre a resposta de alguém a situações estressantes.

Mas o chefe da equipe, Michael Meaney, disse acreditar que estes efeitos bioquímicos também podem ocorrer em fases mais avançadas da vida.

Para Meaney, o resultado mostra o que qualquer psicólogo infantil ou trabalhador no setor de saúde pública já sabe.

“Mas até você comprovar o processo biológico, muitas pessoas no governo e responsáveis pelas políticas na área permanecem relutantes em acreditar que é verdade.”

“Além disso, você pode se perguntar se um remédio seria capaz de reverter estes efeitos e isto é uma possibilidade”, afirmou Meaney.

Jonathan Mill, do Instituto de Psiquiatria do Kings College London concorda: “O mais empolgante sobre alterações epigenéticas (em que o meio ambiente controla a atividade genética) é que elas são potencialmente reversíveis e portanto seriam talvez um futuro alvo para intervenção terapêutica.”

Por : Ag BBC

Brasil, um país de mal educados




Escrito por Waldemar Rossi

A frase que dá nome a este texto não está sendo escrita no sentido pejorativo. Está apenas querendo mostrar que nosso sistema educacional vai de mal a pior.

O Diário de S. Paulo 18 de fevereiro traz mais uma péssima notícia para as nossas famílias. Sua manchete é bem sugestiva: “Desempenho em português cai entre alunos da 4ª série”. Trata-se de avaliação do aprendizado de crianças em escolas públicas do Ensino Fundamental do município de São Paulo, cidade conhecida como motriz da economia e da cultura (?) nacional. “A avaliação foi feita pelo Movimento Todos Pela Educação, com base em dados da Prova Brasil, avaliação aplicada pelo governo federal”, diz a matéria. Pela avaliação de entidade federal, as crianças do ensino público paulistano deixam muito a desejar em termos de aprendizado da nossa própria língua.

Apenas 26,9% dessas crianças atingem a média necessária para serem consideradas satisfatoriamente alfabetizadas. É bom que se diga que a média esperada deveria atingir apenas 31% das crianças. Média baixíssima para que essas crianças possam ter um desempenho escolar seguinte com bom aproveitamento. Medíocre se queremos que nossas escolas preparem nossos filhos para a vida de trabalho, social e de cultura, para que “tenham vida em plenitude”, como nos revelou o mestre Jesus Cristo.

A matéria vai além ao afirmar que “São Paulo teve um desempenho dentro do padrão Brasil. Nossa expectativa era de que fosse melhor, por causa dos recursos e da estrutura existente na cidade”. São palavras de Mozart Ramos, presidente executivo do Todos Pela Educação.

Ora, se apenas 26 alunos entre 100 atingem um conhecimento de nossa língua razoavelmente adequado, o que podemos esperar do futuro dessa geração? Que capacidade terão esses futuros jovens para ler jornais e revistas e se informar? Que possibilidade terão de entrar no mundo das leituras que se fazem necessárias para compreender os graves problemas econômicos, sociais e culturais do mundo atual, especialmente do Brasil?

Avançando, a matéria revela ainda que na oitava série (fim do ensino fundamental) a matemática foi a grande vilã com apenas – pasmem – 7 crianças entre 100 atingindo um índice de aprendizado satisfatório. Vendo por outro lado, de cada 100 crianças 93 não fizeram o aprendizado mínimo na disciplina.

Se a estrutura escolar permitia prever melhor desempenho, ainda que medíocre, que nível de estrutura educacional é esta? Que quantidade de recursos vem sendo aplicada para a formação de nossa infância e juventude? Se compararmos o montante de dinheiro público que vem sendo jogado para o colo dos banqueiros agiotas – muitas centenas de bilhões de reais em apenas alguns anos –, veremos o grau do crime político e social que esses governantes (municipais, estaduais e federal) vêm cometendo contra todo o povo brasileiro.

Ficam algumas perguntas: onde estão os profissionais da educação que se calam ante essa barbárie? Como podem aceitar calados que sejam responsáveis por aplicar essa nefasta política educacional que vem sendo imposta pelos governantes inescrupulosos? Será que não pensam que estão construindo um mundo piorado para as futuras gerações, incluídos aí seus filhos, filhas, netas e netos? Onde estão os dirigentes de sindicatos e associações de professores que se contentam em disputar eleições e imprimir alguns jornais sem propostas de mobilização nacional? Com quem estão comprometidos? Com a qualidade de vida do nosso povo ou com aqueles que estão no poder?

A última pergunta vai para pais e mães: por que não aderir de corpo e alma aos movimentos que defendem a implantação de um sistema de educação que ajude a formar seus filhos para a vida, e para a vida com qualidade, em vez de vida vegetativa e de carneiros que tudo aceitam passivamente? Afinal, somos ou não responsáveis pelos filhos que colocamos no mundo?

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

A questão da natalidade



por Eduardo Bomfim*

O Brasil, ao longo dos últimos anos, vem alcançando um estágio mais elevado de crescimento econômico, apesar de algumas décadas serem consideradas como perdidas e efetivamente o foram.



Para quem não observa o mundo e o seu país simplesmente através de uma espécie de presente contínuo, é possível enxergar que houve mudanças quantitativas e qualitativas nas realidades dos mundos rurais e urbanos das várias regiões da nação.

Tem sido um caminho sinuoso, cheio de avanços e recuos, mas tem prevalecido, pela vontade dos brasileiros, dos segmentos progressistas e patrióticos, a necessidade histórica do país atingir um patamar civilizatório condizente às suas potencialidades naturais e larga extensão continental.

Há ainda, a singular miscigenação decorrente da cultura africana, indígena, e quanto aos portugueses, também de um caldeirão de inúmeros povos fruto de sucessivas invasões, dos godos, visigodos, do império romano aos mouros, só como exemplos.
De tudo isso, no que já foi denominado como a América portuguesa, vem sendo forjada uma nova civilização tropical, constituída por cento e oitenta e cinco milhões de habitantes. Uma população, diga-se de passagem, muito aquém das imperiosas necessidades de povoamento de um imenso espaço continental extremamente cobiçado por inúmeras nações do chamado primeiro mundo.

E nesse caso há um intenso debate sobre o controle da natalidade no Brasil, uma polêmica que muitas das vezes adquire um caráter unilateral. Porque é fundamental considerar o inquestionável direito dos casais em planejar as suas proles, ao lado da absoluta necessidade do povo brasileiro em preencher as vastas imensidões do território nacional.

Essa é uma das questões determinantes para a manutenção da integridade do território brasileiro, relativa à defesa nacional. Por outro lado, é falsa a tese de que se combate a pobreza através do controle da natalidade.

Ela não será reduzida pela esterilização dos pobres, mas através da distribuição da riqueza nacional, da consolidação de um poderoso mercado de trabalho e o aumento persistente da renda do trabalhador.

Na modernização, em escala bem mais avançada, das relações de produção e trabalho no grande Brasil rural, dos Grandes Sertões e Veredas de Guimarães Rosa.
Com muitos sofrimentos, uma vocação extraordinária para a felicidade, o povo brasileiro vai povoando o seu país e construindo o seu futuro.




*Eduardo Bomfim, Advogado


Exame de DNA em investigações de paternidade

Tal exame vem sendo corriqueiramente utilizado pelo Judiciário a pedido daqueles que desejam ter sua paternidade reconhecida, sendo também utilizado por aqueles que querem se livrar de uma acusação falsa de paternidade ou de um reconhecimento feito de filho que não é seu. Portanto, o exame de DNA não serve apenas para obrigar pais desnaturados a reconhecerem a sua prole, serve também para livrar aqueles que têm certeza da sua inocência na geração da criança de acusações levianas, protegendo, assim, a sua honra subjetiva e o seu respeito perante a família e a sociedade, também conhecido como honra objetiva

Leandro Henrique Simões Goulart
Advogado, especialista em Processo Civil, professor da Newton Paiva

Certo dia, estava aguardando nos corredores do Fórum Lafayete, em Belo Horizonte, uma audiência que seria realizada em uma das varas de Família. Perto de onde eu estava havia dois senhores conversando, sendo que um deles estava comentando sobre um processo em que era réu e que foi designado exame de DNA. Concluí que se tratava de uma ação de investigação de paternidade.

Segundo aquele senhor, a mãe da criança nunca iria conseguir um resultado positivo e consequentemente a fixação de pensão alimentícia, pois ele não iria comparecer para nenhum exame e ninguém poderia obrigá-lo a fazer teste de DNA.

Entretanto, para nós que somos operadores do direito e conhecedores da norma, sabemos que esse comportamento não é protegido pelo nosso ordenamento jurídico.

Antes de tudo, necessário dizer que os casos vindos à Justiça e até mesmo fora dela, quando há comum acordo entre as partes, envolvendo dúvida sobre a paternidade e em menor proporção sobre a maternidade, estão sendo resolvidos com a utilização da mais moderna técnica científica existente para esses casos, conhecida como teste do DNA.

Tal exame vem sendo corriqueiramente utilizado pelo Judiciário a pedido daqueles que desejam ter sua paternidade reconhecida, sendo também utilizado por aqueles que querem se livrar de uma acusação falsa de paternidade ou de um reconhecimento feito de filho que não é seu.

Portanto, o exame de DNA não serve apenas para obrigar pais desnaturados a reconhecerem a sua prole. Serve também para livrar aqueles que têm certeza da sua inocência na geração da criança de acusações levianas, protegendo, assim, a sua honra subjetiva e o seu respeito perante a família e a sociedade, também conhecido como honra objetiva.

PROTEÇÃO Pois bem, temos na nossa legislação civil duas previsões legais que possibilitam proteger os interesses da criança diante de recusa injustificada do suposto pai em realizar o exame de DNA: os artigos 231 e 232, dispondo textualmente que aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa. E essa atitude em realizar exame médico ordenado pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com a perícia.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) cristalizou em súmula o entendimento de que a recusa do investigado em submeter-se ao exame de DNA constitui prova desfavorável ao réu, pela presunção de que o resultado, se fosse realizado o teste, seria positivo em relação aos fatos narrados na inicial, já que temido pelo alegado pai, a quem compete a prova em contrário.

Por outro lado, tal presunção não viola os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da intimidade, em razão de que a recusa em submeter à realização do exame de DNA apenas confere força probatória contra o suposto pai, sendo que ao juiz caberá a análise de todas as provas produzidas no processo, inclusive testemunhal, para que ao final possa valorizá-las e dizer se realmente ficou comprovada a paternidade.

Com isso, ficam protegidos os direitos da criança nas ações de investigação de paternidade, pois, caso o réu se recuse de maneira injustificada a submeter-se ao exame de DNA designado, a prova da paternidade será presumida. Mas, nesses casos, é necessário que o réu seja intimado pessoalmente do dia, horário e local da realização do exame, sob pena de nulidade do processo.

Os direitos do embrião

Reginaldo Gonçalves Vianna
9º período de Direito da Faculdade Arnaldo Janssen

Em princípio aos nossos estudos, façamos três perguntas: O embrião humano teria direito sucessório? Em que ordem hereditária os embriões in vitro caberiam? Seriam eles descendentes por serem embriões do próprio de cujus? Essas são perguntas que, em análise ao Código Civil (CC) vigente, teremos uma complicada atividade de raciocínio para levantar respostas.

No sistema implantado pelo CC, há um grande problema a ser resolvido em relação à sucessão post mortem, pois o artigo 1.798 nos explica que: “Legitima-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão”. O artigo 1.799, I, ainda especifica que: “Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I – os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir a sucessão”. Mas o artigo 1.597, III, do CC explica que serão concebidos os filhos “havidos por fecundação artificial homóloga mesmo que falecido o marido”, isto é, mesmo sendo fruto de técnica de reprodução assistida post mortem, terá direito à sucessão como qualquer outro filho, havendo nesse caso uma grande polêmica. O Código Civil não apresenta uma solução para a gravidade da questão e tampouco nos deixa uma luz no fim do túnel.

José Roberto Moreira Filho (mestre em direito privado pela PUC Minas, especialista em bioética, professor de direito de família e sucessões da PUC Minas e da Faculdade Arnaldo Janssen), autor do livro Ser ou não ser – O direito sucessório do embrião humano, faz uma ótima análise para observação e reflexão aos doutrinadores que acreditam na possibilidade de sucessão hereditária aos embriões in vitro: “O objetivo de atuação da bioética, portanto, surge com a tomada de consciência da humanidade de que ela é parte integrante e atuante do meio em que vive. Dessa forma, as intervenções humanas no meio ambiente em que se inserem devem ser pensadas e refletidas para que a sociedade humana não seja vítima de suas próprias ações.”

Excelente essa afirmação, pois o próprio legislador que aprovar uma determinada lei poderá ser prejudicado, ou até mesmo causar danos aos seus sucessores. Determinadas decisões fazem com que o direito sucessório se torne um pouco abstrato em relação aos herdeiros que em vida terão direito.

O mesmo autor explica que, de acordo com as normas legais, o feto que nascer com vida terá direitos sucessórios, mas o que for natimorto não os terá. Nesse ponto de vista, observa-se o nascimento com vida, mas o embrião ainda nem foi implantado no útero, portanto não poderá haver esse direito, pois não é considerado pessoa. Poderá haver a petição de herança, mas se os embriões nascerem com vida e forem registrados como filhos do falecido.

De acordo com os dados acima analisados, concluímos que, para que possam ser solucionados os problemas em relação à sucessão dos embriões in vitro, o CC terá que ser alterado, incluindo regras objetivas em relação à partilha dos bens, quem deverá se incumbir da tarefa em determinada data limite da gestação do embrião.

Depois do nascimento da criança, essa pessoa incumbida da gestação do embrião seria responsável pela conservação do patrimônio deixado pelo pai da criança até que essa se torne adulto e, assim, aceite a herança. A criança deverá ser citada como herdeira hereditária no testamento. Depois dessa data limite, os embriões seriam descartados pelo desuso ou utilizados em pesquisas científicas.

Quanto às perguntas no início do texto, depois das alterações no Código Civil explico que os embriões teriam direito sucessório somente se foram fecundados em determinada data limite e se constasse em testamento. Quanto à ordem hereditária, seria observado no momento da abertura do inventário. O embrião seria considerado como descendente, pelo motivo de constar em testamento como herdeiro legítimo. Não havendo essas alterações, estaríamos burlando o que em parte a legislação nos permite, e prejudicando os que por lei têm direitos.

O crime organizado no Brasil

Marcelo Cunha de Araújo
Promotor de Justiça, mestre e doutor em Direito, professor da PUC Minas

O fenômeno do crime organizado está sempre entre as conversas dos brasileiros. Uma constatação interessante disso, que pode ser comprovada em qualquer ocasião, consiste na perquirição a respeito de quem seriam as pessoas responsáveis pela criminalidade organizada no Brasil. Conveniente perceber que as manifestações produzidas a partir desse estímulo quase sempre tomarão o rumo de algo que gira em torno dos traficantes de drogas (servindo como estereótipo o bandido armado, dono das bocas-de-fumo das favelas do Rio de Janeiro), de grupos que agem de dentro das penitenciárias (como o PCC de São Paulo) ou de quadrilhas armadas especializadas em roubos a bancos e sequestros.

Muito poucas pessoas se lembram sem uma provocação direta, do verdadeiro crime organizado que serve como suporte a todas essas manifestações: o intrincado sistema de relações entre o aparato estatal, o capital e as atividades criminosas explícitas. O mais interessante de se apontar inicialmente é que, focalizando-se especificamente o imaginário coletivo em uma fenomenologia das aparências, tem-se que os culpados pelas mazelas da segurança pública brasileira seriam, então, o “traficante do morro”, “o presidiário” ou o “criminoso violento”. Torna-se importante, pois, buscar algo além da passividade (e impassividade) de nossos sentidos para embasarmos mais profundamente nossas opiniões.

Uma boa forma de se vislumbrar a ideia exposta pode ser verificada no excelente documentário Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Salles e Kátia Lund (1999), que retrata, a partir de diversos depoimentos, a construção pessoal dos envolvidos diretamente na questão das drogas: os policiais, os traficantes e os moradores das favelas do Rio de Janeiro. Em determinado momento da obra cinematográfica, o então chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Hélio Luz, expõe uma verdade evidente apenas para um conhecedor interno: o fato, quase que manifesto, de os chamados “donos dos morros” não constituírem uma organização criminosa verdadeiramente operacional. Tal não significa que não possuam um mínimo de coordenação entre as atividades financeiras, de comércio, de proteção armada, de combate, de “apoio comunitário” etc. Entretanto, como disse o então delegado de Polícia, eles não têm conhecimento ou contatos suficientes para movimentar milhões de dólares ou participar do jogo de poder e dinheiro que caracteriza o relacionamento com as altas cúpulas do Estado constituído.

Isso, porém, não significa que não existam ligações entre o tráfico (e aí podemos acrescentar as máfias do bicho, dos caça-níqueis, dos bingos, da prostituição etc.) e o crime organizado. O que ocorre é que tal conexão não se dá nos morros (ou nos presídios), e sim em um nível hierárquico-organizacional acima. Para cada dono de boca-de-fumo existe alguém, certamente mais sofisticado e poderoso, que consegue financiar a atividade sem “sujar as mãos” com a violência da guerra na favela.

A partir desse raciocínio quase que evidente por si só, já se consegue ver o problema e o motivo de sua não-resolução: esse alguém mais sofisticado e poderoso tem íntimas ligações com o Estado institucionalizado e, com certeza, é pessoa que, de dentro do sistema, opera de forma a impossibilitar sua mudança. Trata-se do financiador oculto de campanhas eleitorais, do empreiteiro que misteriosamente vence licitações, do lobista que consegue verbas no orçamento, do intermediário que facilita a obtenção de sentenças em determinado sentido, entre outras atividades de sua alçada. Mas, apesar de o problema se caracterizar pela multiplicidade de ligações ocultas e protegidas pelo próprio sistema, todos os vínculos têm algo em comum na medida em que, em última instância, remontam à superestrutura econômica.

Desta feita, caso queiramos enfrentar seriamente o crime organizado brasileiro, teremos de pensar além dos jargões já desgastados do combate explícito e midiático consistentes em “ocupar favelas pela Polícia Militar”, “instalar bloqueadores de celular nas penitenciárias” ou “aumentar as penas dos crimes hediondos”. Um enfrentamento real e perene do problema exigiria a criação de um aparato material e legislativo institucionalizado de combate aos crimes do colarinho branco (como a lavagem de dinheiro, crimes tributários, fraudes à licitação, corrupção, peculato etc.) e à improbidade administrativa. Para tanto, não há mistério. Trata-se de uma escolha eminentemente política no sentido de se alargar e aprimorar o aparato preventivo e repressivo desses crimes. Da investigação à efetiva punição.

Essa escolha política é sectária em relação à nossa responsabilização por todos os fenômenos da dinâmica criminosa. Afinal, como se dizer (o óbvio) que o problema criminal do Brasil é relativo à falta de estrutura social disponibilizada aos menos favorecidos sem problematizar o fato de que, a cada R$ 100 retirados do caixa governamental, apenas R$1 chega efetivamente a seus destinatários? Como se permitir que corruptos de colarinho branco, muitas vezes funcionários públicos, escudem-se em direitos fundamentais para que não tenham de prestar contas à sociedade?

Nesse momento, chega-se ao âmago do problema. A triste constatação de que, para haver um efetivo combate ao crime organizado no Brasil, é necessária uma mudança premente nas estruturas do Estado, sendo certo ainda que os maiores interessados em que essa mudança não ocorra são justamente os detentores das rédeas da decisão. Assim, fica evidente que as ausências geradas pelos mortos da “guerra particular” travada entre as classes (pobres) dos policiais e dos traficantes têm alguns beneficiários em particular. Resta-nos perguntar se somos um deles.

Governo dará curso antirracismo a PMs

Aulas serão obrigatórias para policiais dos municípios que firmarem convênio com a União; verba prevista é de R$ 5 mi

Neste ano, programa será implementado em quatro Estados; para coordenador de movimento negro, medida é apenas paliativa

EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ao admitir que existe preconceito racial nas abordagens policiais, o governo federal lançará em março um polêmico plano que prevê o treinamento de policiais militares e agentes penitenciários para lidar com negros, tanto numa abordagem policial como numa conversa com um jovem infrator.

Um exemplo que motivou o plano, parceria do Ministério da Justiça com a Secretaria da Igualdade Racial da Presidência, foi o assassinato do dentista negro Flávio Ferreira Sant’Ana, em 2004, em São Paulo. Ele foi morto por policiais militares após ter sido supostamente confundido com um assaltante.

“O fato de ser negro já é motivo para que ele seja abordado hoje pelos policiais. A abordagem tem que ocorrer por conta de um flagrante ou de uma suspeita de fato, não com o critério do racismo, como tem ocorrido”, diz Giovanni Harvey, subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas da secretaria da Presidência.

A ideia do governo é que o curso seja obrigatório para os PMs nos locais que firmarem convênios com a União. A intenção é também estender o curso para promotores.

Nos cursos, serão abordados temas de sociologia, antropologia, história e direito, como introdução aos direitos humanos, diversidade étnica nacional, o que é racismo, preconceito e dados sobre o número de negros no país. Segundo o Ministério da Justiça, os negros (pretos e pardos) representam 57% das pessoas presas hoje no país.

Para Joselito Lago, secretário-geral da Associação de Cabos e Soldados da PM da Bahia, os cursos são necessários por conta do racismo real nas abordagens. “Ainda há muito preconceito. É preciso dar condições para evitar novos casos. Se o policial for informado do objetivo do programa, com certeza não haverá resistência.”

Já para Marcus Alessandro Mawusí, coordenador nacional do MNU (Movimento Negro Unificado), ações como essa são “paliativas” e “não adiantam”, diante da falta de mudanças estruturais no modelo nacional de segurança.

“É preciso, para começar, que as corregedorias de polícia sejam mais transparentes, com a participação da sociedade”, afirma Mawusí. “Essa ação somente terá relevância caso tenha continuidade”, completa o professor Nelson Inocêncio, coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da UnB (Universidade de Brasília).

Em 2009, o programa será implementado em quatro Estados (SP, RJ, BA e RS), com R$ 5 milhões disponíveis para convênios. A ideia é estendê-lo aos demais Estados em 2010. Para Fermino Fecchio, ouvidor-geral da Cidadania da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência, os policiais não foram treinados para evitar certas abordagens. “Isso está documentado. A história mostra isso. Há problema na abordagem de negros, pessoas com deficiência, idosos.”

Segundo ele, antes da aplicação desses cursos, é preciso apontar aos policiais que eles também possuem direitos. “Como ele vai respeitar o direito dos outros, se não se vê como um sujeito com direitos?”

O programa oferecerá ações de capacitação para jovens negros infratores de 15 a 29 anos.

Dentista negro foi morto em 2004 por PMs

DA REDAÇÃO

Em fevereiro de 2004, o dentista Flávio Ferreira Sant’Ana, 28, negro, foi morto, em São Paulo, por PMs após ser confundido com um ladrão. O equívoco começou com a declaração de um comerciante que, com seis PMs, apontou Sant’Ana como responsável pelo assalto.

Segundo os PMs, o dentista reagiu à abordagem a tiros e foi morto. Ao ver o corpo, porém, o comerciante percebeu o engano. O BO foi registrado como resistência seguida de morte. Dias depois, o comerciante voltou e contou a verdade. Três PMs foram condenados: dois deles a 17 anos e meio de prisão pela morte de Sant’Ana.

Blog Mulheres de Axé!

MULHERES DE AXÉ
A Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde trabalha na perspectiva de construção de políticas públicas para a saúde do povo de terreiro e tem como missão a luta pelo direito humano à saúde com ênfase nas questões de gênero e raça . Mulheres de Axé é um GT da Rede voltado para as questões de gênero, memória e tradição das Mulheres de Terreiro.

Vilma Piedade- Edição/Gestão do Blog
GT de comunicação

Acesse os endereços http://mulheresdeaxe.blogspot.com
http://religrafosaude.blogspot.com – Endereço do Blog da Rede

Para promotor, Fórum Social reúne ‘terroristas e marginais’



Gilberto Thums, um reacionário promotor do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, classificou o Fórum Social Mundial (FSM) como encontro de “terroristas e marginais”. As declarações foram dadas à edição de janeiro da revista Expansão.



O promotor também critica os intelectuais e os próprios colegas do ministério na entrevista. Mas a opinião de Thums está longe de surpreender. Ele foi um dos promotores do MP gaúcho a pedir a extinção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Com o Fórum, para onde vieram terroristas e marginais de tudo que é espécie pagos com dinheiro público, veio também o pessoal das Farcs, da Colômbia, para mostrar aos brasileiros que a forma de reivindicação não era a que estava sendo utilizada”, declarou Thums.

O Fórum Social Mundial é organizado desde 2001 por inúmeras entidades e movimentos sociais de todo mundo. A nona edição do FSM ocorreu em janeiro em Belém, no Pará, reunindo mais de 150 mil pessoas. Entre os “terroristas e marginais” participantes, estavam cinco chefes de Estado sul-americanos.

“A intelectualidade é toda de esquerda”, prossegue o ultraconservador Thums, na entrevista. “É muito fácil ganhar R$ 20 mil por mês e ser de esquerda. No próprio Ministério Público temos procuradores da justiça ganhando R$ 21 mil. E são vermelhos, esquerdistas, são do PCdoB, por exemplo”, afirma Thums, à maneira Jarbas Vasconcelos — sem dar nomes aos bois nem apresentar provas.

No dia 10 de fevereiro, o governo do Rio Grande do Sul e o MPE voltaram a criminalizar o MST, ao decretaram o fechamento de todas as escolas itinerantes em acampamentos gaúchos. A medida interrompeu as aulas de 300 crianças em um acampamento em Sarandi, no norte do estado. A previsão é de que outras escolas sejam fechadas ainda este mês.

Segundo o Ministério Público, a decisão foi tomada com base em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado pela instituição e pelo governo Yeda sem conhecimento ou a participação dos outros entes interessados — pais, educandos e a escola-base, onde as crianças estão matriculadas. O TAC também ignora e desrespeita as Diretrizes Operacionais para Escolas do Campo, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação em 2002, baseada na Lei de Diretrizes Básicas da Educação/LDB de 1996.

O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado do Brasil a reconhecer e regulamentar as Escolas Itinerantes, através de parecer do Conselho Estadual de Educação em 19 de novembro de 1996. A experiência gaúcha permitiu a instalação de escolas em acampamentos em diversos estados, como Sergipe, Paraná, Bahia, entre outros.

A decisão do MPE e da governadora Yeda Crusius retoma a decisão do Ministério Público, publicada em ata em dezembro de 2007, em “extinguir” o MST. O fechamento das escolas era uma das medidas previstas pela ata do MPE. No ano passado, com a denúncia pública da ata, o MPE alterou duas vezes o conteúdo da decisão e declararam rever a decisão.

O MST teme que o governo do estado e o MPE reiniciem as ações ilegais de criminalização elaboradas pelas duas instituições. Entre essas ações, os dois órgãos lutam para impedir que os trabalhadores rurais possuam título de eleitor ou realizarem reuniões ou manifestações.

Da Redação, com informações do site do MST


Rádios comunitárias: à meia voz



O envio pelo Executivo ao Congresso Nacional do Projeto de Lei (nº 4573/08) que dispõe sobre as penalidades que incidirão sobre a atividade de radiodifusão comunitária revela as contradições internas do governo, que não encontrou um caminho para enfrentar o debate da democratização das comunicações.

Pela proposta encaminhada, a operação de rádio comunitária sem licença deixa de ser crime passível de reclusão, mas continua sendo atividade ilegal tipificada como infração gravíssima, que resulta em multas elevadas, apreensão de equipamentos e suspensão do processo de autorização da rádio. Além disso, fica vetada a participação em novas habilitações até que o pagamento da multa tenha sido efetivado.

Se, por um lado, a descriminalização é algo a ser comemorado, por outro permanece a perseguição contra os radiodifusores comunitários com medidas econômicas e administrativas que excluem a comunidade do direito à serem agentes ativos no processo de comunicação.

Permanecem e se ampliam – pelo mesmo projeto que ‘descriminaliza’ as rádios comunitárias – as penas contra as emissoras acusadas de causar interferência nas comunicações aéreas, de segurança, e serviços de saúde, que passam de um a três anos de reclusão em regime semiaberto para três a cinco anos em regime fechado. Outra novidade é que neste quesito passam a ser alvo das punições, também, as rádios e TV´s comerciais.

O projeto endurece o cerco contra a atividade de radiodifusão e dá retaguarda para a Polícia Federal continuar a ofensiva contra as comunidades. Com essa iniciativa o governo se apropria do discurso de que deixou de criminalizar, mas evita o debate acerca do que é vital para o processo democrático: o reconhecimento de que a radiodifusão comunitária é um direito previsto na Constituição.

Parte das irregularidades no setor, que são inclusive reconhecidas pelas suas entidades como a Abraço, são oriundas do fechamento das delegacias regionais do Ministério da Comunicação pelo governo Fernando Henrique no ano de 2002, centralizando no Ministério todos os processos de outorga, num emaranhado burocrático cuja lentidão na apreciação dos processos não é uma conseqüência apenas administrativa, mas também uma diretiva política, já que está no próprio Ministério da Comunicação o principal obstáculo à radiodifusão comunitária – o ministro Hélio Costa.

Aliás, ele mesmo declarou recentemente, que considera o projeto enviado pelo governo um incentivo à criminalidade no setor. ”Eu considero não só crime como um abuso colocar uma rádio sem autorização no ar”, disse.

Fatiar o debate das mudanças nas diversas legislações existentes que dizem respeito às comunicações tem sido a opção do Executivo e do Legislativo, que cedem às pressões das empresas que dominam o setor. O PL 4573/08 é exemplo disso. Daí a luta dos movimentos sociais pela realização da Conferência Nacional de Comunicação.

Apesar das inúmeras tentativas, até o momento bem-sucedidas, do ministro Hélio Costa para boicotar sua convocação, no final de janeiro o presidente Lula declarou que a 1ª Conferência Nacional de Comunicação será realizada neste ano. Mas o decreto que a convoca ainda não foi publicado, o que exige mais mobilização das entidades comprometidas com a democratização das comunicações.

E é no curso dos debates da Conferência – que vai reunir na mesma sala movimentos sociais e a comunidade, governo e parlamentares, e os empresários – que se deve enfrentar a discussão de um novo marco regulatório para as comunicações no país, incluindo o debate sobre a radiodifusão comunitária.

Show Carnaval Hip-Hop: Eua, Bahia e Ceará

A banda Simples Rap’ortagem, uma das precursoras do Movimento Hip-Hop organizado na Bahia, protagoniza o maior show de rap na história do carnaval de Salvador. No dia 22 de fevereiro, as 19h na Praça Tereza Batista, Pelourinho, o público baiano e demais turistas e visitantes da cidade, além do show inédito da Simples Rap’ortagem que abrirá temporada de eventos em comemoração dos seus 15 anos, poderão desfrutar da discotecagem do DJ Afrika Bambaataa (Nova York – Estados Unidos) considerado um dos grandes precursores do Hip-Hop mundial e do show da maior revelação do rap nacional, o MC Rapadura (Ceará – Brasil).

Encontro pela internet acaba em estupro

Ricardo Beghini
A mãe de uma estudante de 16 anos relatou à PM de Juiz de Fora, na Zona da Mata, que a filha foi vítima de estupro depois de marcar um encontro pela internet. A jovem, que é moradora da Zona Norte, conheceu o criminoso em um site de relacionamento. A mãe revelou que ambos combinaram de se encontrar no Parque Halfeld, no Centro, às 18h de terça-feira. A garota só retornou para casa seis horas depois.

Segundo a mãe, a estudante chegou com as roupas rasgadas, arranhões pelo corpo, manchas de sangue e apresentando sonolência. A jovem foi levada por familiares para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS), onde foi constatado o estupro. A vítima chegou a ficar internada em observação, mas foi liberada pelos médicos. De acordo com as informações repassadas à PM, o suspeito seria conhecido como Mateus, morador do município vizinho de Lima Duarte.

O delegado titular da 5ª Delegacia Distrital de Juiz de Fora, Rodolfo Rolli, acredita que as informações podem ser falsas, uma vez que os criminosos virtuais, em geral, usam este artifício para cometer delitos pela rede mundial de computadores. Ainda de acordo com Rolli, a investigação terá se desdobrar em duas frentes. Uma para apurar o crime em si e a outra virtual, buscando dados que levem ao criminoso. “Teremos de quebrar o IP (protocolo de internet) do computador para descobrir de onde partiu a comunicação”, explicou o delegado. Segundo ele, o trabalho da polícia será mais difícil se o estuprador tiver usado uma conexão pública, disponível em empresas de acesso à internet, como as lan houses.

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Volto Ao Assunto Outra Vez

Por : Eustáquio Rocha – Eus-R

É isto que acontece quando se esconde a verdade, seja você menina ou menino, não importa o sexo pois o perigo de relacionamentos na rede virtual atinge a todos.
Não esconda nada de seus pais, e desconfiem sempre neste tipo de relacionamento o que parece bonzinho nem sempre é o mesmo fisicamente, e depois do acontecido não tem como voltar.
Peço a vocês que sigam as dicas de segurança que os Sites dão, e é simples de seguir.
Agora peço aos pais que se inteiram e observem com mais cuidado o que seus filhos andam fazendo da rede, toda prevenção é valida, todos temos que estar atentos.

Eus-R
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Família e sociedade

Os pais falham na perda da autoridade ante os filhos
Maria Amélia Bracks Duarte – Procuradora do Trabalho em Minas Gerais
Lamentáveis notícias de agressão e violência no trote de duas faculdades do país, além da prisão de jovens de classe média envolvidos com tráfico de drogas, nos levam à reflexão de como anda a família no Brasil e no mundo e seus reflexos sociais. As operações Nocaute e Trilha, desencadeadas pela Polícia Federal, desbarataram um esquema que contava com frequentadores de academias, lutadores e surfistas que enviavam cocaína para o exterior e de lá traziam ecstasy e LSD para o Brasil. Todos eles rapazes de classe média, universitários, moradores da Zona Sul do Rio de Janeiro. Na mesma semana, uma aluna do curso de pedagogia jogou solvente misturado com gasolina e creolina numa grávida ferida em trote. Cenas chocantes de jovens submetidos a lama e pontapés revelaram também a violência no trote de alunos da Faculdade Anhanguera, em São Paulo. Essas imagens de crueldade nos remetem ao índio incendiado, a prostitutas violentadas e a tantos mendigos molestados por jovens que poderiam ser nossos filhos ou de vizinhos.

O Estado falhou em não prever políticas de fixação do homem no campo; em não investir na escola e na competência dos professores; em não garantir uma universidade que forme cidadãos, em vez de doutores; em não criar espaços de lazer, principalmente na periferia das grandes cidades; e em subtrair dos subúrbios as condições mínimas de dignidade e sustentabilidade, distribuindo educação e saúde. O Estado se omite em não combater a corrupção de suas próprias bases; em não punir com leis severas os traficantes, os fraudadores, os marginais que trazem insegurança aos cidadãos; em não criar subsídios para a construção de habitação das famílias de baixa renda, desviando recursos para campanhas políticas ou para salvar empresários falidos que enviam dinheiro para paraísos fiscais.

Mas a família também falhou na perda da autoridade dos pais; na permissividade dos costumes, no estímulo a bens materiais, na ausência da espiritualidade e de um Deus vigilante; na falta da oração que protege a hora de dormir; na substituição da boa leitura pela imagem promíscua da televisão; e no tempo de aconchego da conversa entre filhos e pais, nas brincadeiras lúdicas, no respeito aos mais velhos e suas tradições. A sociedade precisa de interdição e do resgate ao bem-estar familiar, em que a figura da mula-sem-cabeça volte a ser o único assombro que assuste crianças e jovens em noites de Lua cheia.

Rádios Piratas???

Não podemos dizer que ver estampado nas páginas dos jornais mais uma manchete contra as rádios comunitárias, como foi o caso das manchetes de hoje (10/02), tenha sido uma surpresa. Afinal, quem acompanha as lutas pela democratização da comunicação já cansou de ver esse tipo de notícia.

Também não dá para achar surpreendente a maneira como os “jornalistas comprometidos com a ética e a verdade” descreveram a operação realizada na Cidade de Deus.

Será que devemos achar espantosa a montagem das fotos e o jogo de palavras tentando vincular as emissoras não autorizadas ao crime organizado?

E a ausência do contraditório, princípio básico do jornalismo, não respeitado na matéria, o que pensar?

Infelizmente, neste caso, não há nenhuma novidade.

A “novidade” nessa historia toda foi a presença do BOPE. Aliás, o que fazia a tropa de elite da Polícia Militar do nosso estado numa operação da ANATEL para fechamento de rádios comunitárias? Será que não tinham coisa mais importante para fazer do que fechar rádios não autorizadas? Não autorizadas não porque não querem ter autorização. Pois, 99% das rádios que estão operando sem autorização estão por total ineficiência do poder público, do ministério das comunicações que recebeu mais de 18 mil pedidos e, em 11 anos de regulamentação da lei 9.612, só autorizou definitivamente pouco mais de 3 mil emissoras.

Será que os policiais “mais bem preparados” do nosso estado não tinham outras demandas mais urgentes como, por exemplo, achar o bandido que fugiu pela porta da frente do presídio de alta segurança, passando despreocupadamente por agentes penitenciários e policiais?

Será que não tinham nenhum traficante ou miliciano que aterrorizam dia e noite cidadãos e cidadãs do nosso estado que merecessem mais atenção do que uma rádio comunitária?

O que será que está por trás de tudo isso, que perigo oferece as rádios comunitárias?

Já sei, dizem, descaradamente, como na matéria, que rádio comunitária pode derrubar avião. O próprio representante dos empresários de emissoras comerciais afirma que são 15 mil rádios comunitárias no ar. Não é razoável achar que se elas derrubassem avião os países em guerra teriam um estoque delas ao invés das modernas armas antiaéreas?

Historicamente as rádios comunitárias são discriminadas. No fundo não são as rádios, são as pessoas que as fazem, onde estão operando, a quem estão servindo. É a favela, a periferia, o povo expropriado. A discriminação é bem maior!

E, apesar de toda repressão e discriminação elas estão aí, falando para toda a comunidade, ganhando audiência e credibilidade, prestando os serviços jamais prestados pelas concessionárias comerciais. São elas que ajudam o povo a se organizar, levando a informação de maior interesse da comunidade, mobilizando a sociedade para ações locais, resolvendo problemas que, muitas vezes, deveriam ser resolvidos pelo estado.

São tratadas como coisa criminosa, mas são as mais procuradas pelos órgãos públicos para que prestem serviços gratuitos, o que fazem, com prazer. São, constantemente, visitadas por governantes e, principalmente por políticos em época de campanha. Todos querem tirar uma casquinha das “clandestinas”: presidente, governador, prefeito, deputado, todo mundo que ficar bem na foto na hora da campanha, depois…

É para sentir vergonha de uma imprensa e de governos que se prestam a isso, não?

Tião Santos

Radialista e ex-presidente da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária

Conflitos na melhor idade

Kellen Caroline Santos
Aluna do 6º período do curso de jornalismo do Centro Universitário Newton Paiva
A turma dos 45 aos 65 anos recebeu novo título um tanto sugestivo: envelhescente. A palavra ainda não se encontra no dicionário, mas define bem o que acontece com pessoas que estão entre a maturidade e a velhice. Assim como o termo adolescente significa uma preparação para entrar na maturidade, o envelhescente é nada menos que para entrar na velhice. O autor do termo é o escritor Mário Prata, que já fez de tudo um pouco: jornalismo, cinema, televisão, teatro e literatura.

Está cada vez mais comum jovens namorarem pessoas mais velhas, pois ambos dividem extensos interesses. Mas os envelhescentes adoram se sentir jovens e, para isso, enfrentam qualquer parada. Cirurgias plásticas, academias, carrões e roupas na moda. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Vermont e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, descobriu que as pessoas com mais de 60 anos de idade se tornam mais liberais, e mais rapidamente liberais quando comparadas com pessoas mais jovens. Quando surge aquele dito popular de que avô e avó estragam neto, pode ter certeza que com os filhos não foram bem assim.

Não deve ser fácil envelhecer – quando adolescentes, ficamos loucos para completar 18 anos para entrar na boate sem falsificar a identidade. Agora, enfrentar fila de INSS não deve ser nada prazeroso, como ficar numa para não pagar a entrada dos 100 primeiros numa festa. Dizem que a vida começa depois dos 40 anos, quando você se encontra realizado. Mas a vida começa desde o dia em que você deixou de ser um espermatozoide. O autor Gabriel García Márquez descreveu em Memórias de minhas putas tristes o primeiro amor de um homem que surge em seu aniversário de 90 anos. Um primeiro amor como todos são, inseguro, apaixonado, angustiado. Um homem que achou que ia acordar morto no dia em que se tornasse um nonagenário e acabou renascendo num amor pueril, cheio de contradições.

Para os apaixonados, a idade é um pequeno detalhe, quase que imperceptível. Quando jovens fazemos inúmeros planos e costumamos viver na expectativa do que pode acontecer. Na envelhescência as preocupações são apenas com o presente: para que fazer planos se já fizeram tantos? O que vale é aproveitar todos os momentos, sem se importar com o que os outros esperam ou pensam de você. Só não vale prejudicar alguém, mas, se isso não acontece: que venham os eternos envelhescentes!

Limites da responsabilidade civil no mundo virtual

O mundo virtual é campo fértil para a prática dos mais variados ilícitos. As dificuldades surgem a partir do fato verificado de que muitas vezes o ofensor se mantém no anonimato. Em outras situações, a responsabilidade surge pelo mau uso das novas ferramentas virtuais
Flávia de Almeida Viveiros de Castro, juíza de Direito no Rio de Janeiro, doutora pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e mestre pela PUC – Rio, autora dos livros Interpretação constitucional e prestação jurisdicional e Poder Judiciário na virada do século
A internet, esse admirável mundo novo inaugurado como um projeto de comunicação de bases militares nos EUA na década de 60, e rapidamente desenvolvido e expandido para todas as demais nações na forma de uma poderosa rede de informações, utilizada para o bem e para o mal, surge para o universo do direito, muitas vezes vinculada a questões de responsabilidade civil. Isso faz com que o Judiciário brasileiro analise situações que há pouco mais de uma década não seriam sequer imaginadas.

Quinho

Do ponto de vista jurídico, essa realidade faz com que magistrados e demais atores dos processos que envolvem questões ligadas ao mundo virtual estejam ainda construindo suas interpretações, consolidando cautelosamente seus entendimentos, burilando seus argumentos, inaugurando uma nova forma de litigar e julgar sobre a fenomenologia dos fatos virtuais.

No rico campo da responsabilidade civil, a situação se delineia complexa. Constata-se que o mundo virtual é campo fértil para a prática dos mais variados ilícitos. As dificuldades surgem a partir do fato verificado de que muitas vezes o ofensor se mantém no anonimato. Em outras situações, a responsabilidade surge pelo mau uso das novas ferramentas virtuais. Para citar apenas os injustos mais comuns nas lides forenses: velocidades distintas das contratadas em serviços de conexão à internet, cancelamento de ofertas de vendas virtuais por falhas sistêmicas, uso indevido de software alheio, fraudes em acessos eletrônicos aos serviços bancários.

Em consequência, quer da falta de identificação do usuário da web, quer da massificação das relações construídas na rede, quer da exploração econômica e lucrativa deste espaço de relacionamento interpessoal, observa-se a tendência em tornar sempre objetiva a responsabilidade em casos onde o ilícito é praticado no ambiente virtual, sendo conferido a esse, tratamento mais severo que o dos injustos ocorridos em meio físico.

Em mais de uma decisão, de tribunais de Justiça distintos, percebe-se que se exige das empresas que prestam serviços na e para a rede mundial de computadores maior diligência, cuidado e transparência.

Citem-se dois exemplos. Na apelação cível 70024308199, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, uma operadora de telefonia celular foi responsabilizada por danos morais causados por torpedos ofensivos recebidos pela cliente. A defesa da empresa menciona que o ofensor fora terceiro, que acessou o serviço de forma ilícita, não podendo ser identificado, vez que a empresa não mantém cadastro dos usuários do serviço torpedo por web.

Em seu voto, o desembargador relator, Jorge Luiz Lopes do Canto, afirmou que a conduta da empresa fora temerária, abusiva e ilícita, com potencial de risco elevado, já que não exigia a identificação do usuário do serviço, propiciando maiores chances de que esse fosse utilizado de forma indevida. As bases legais da condenação foram os artigos 186 e 927, ambos do Código Civil.

Por sua vez, na apelação cível 2008.001.18270 do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi imputada responsabilidade civil objetiva à empresa responsável por um site, em função de comentários ofensivos publicados em página de relacionamentos. A empresa se defendeu afirmando que não teria controle sobre as assertivas expostas no site, idealizado para aproximar pessoas, e que não teria tido qualquer culpa no incidente. Já o acórdão fundamenta a decisão condenatória no risco assumido pela empresa, ao permitir a veiculação, sem qualquer controle, no site de relacionamento, de comentários injuriosos, utilizando como base legal da condenação o parágrafo único do artigo 927 do Código Civil, que consigna haver obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos referidos em lei, ou quando a atividade desenvolvida, por sua natureza, implicar risco para os direitos de outrem.

Estes julgamentos apontam, como referido, uma tendência dos tribunais para que as empresas que exploram de uma forma ou de outra o meio virtual tenham maior cautela no desenvolvimento de suas atividades, visto que, havendo dano, serão responsabilizadas, mesmo se não forem as autoras intelectuais do ilícito.

O anonimato que a internet favorece pode ser, inclusive, o ponto fulcral para atrair tal responsabilidade civil objetiva, muito embora se saiba que as provedoras de acesso e hospedeiras de sites possam identificar, por meio de um endereço IP (Internet Protocol), quem foi o usuário da rede que a utilizou na prática de um ilícito. Ocorre que isso nem sempre é desejável pelas empresas, visto que o controle sobre seus usuários, a par de ter um custo significativo, afasta a idéia de liberdade que compõe o espírito da internet.

É cedo para prognosticar o desdobramento das relações na web e seus efeitos jurídicos. Sabe-se, contudo, e é desejável que assim seja, que os deveres de cuidado, cautela e diligência serão cobrados com rigor cada vez maior. A tecnologia, conclui-se, deve ser usada a favor e não contra a dignidade do homem.

Mantenha a individualidade virtual durante a paixão

“Transformar” o perfil pessoal de seu orkut, trocar senhas com o amado e permitir fotografias íntimas pode ser o início de um grande problema futuro

Redação

Você começou a namorar e, melhor ainda, está completamente apaixonada. É hora de espalhar pro mundo inteiro sua felicidade e estampar pelos quatro cantos seu amor e o fim de sua busca incessante pelo homem de sua vida.

Manter a serenidade e evitar mensagens melosas e fotos de todos os ângulos de seu amor no orkut e em blogs e fotologs pode parecer difícil. O problema pode ser mais grave quando senhas são compartilhadas e momentos íntimos são registrados por meio de fotos e vídeos.

Invasão de privacidade virtual

Carla Bueno, 26 anos, estaria em um momento perfeito se não fosse o fantasma do ex. “Eu estou noiva de um homem que me faz feliz. Terminei um relacionamento de forma traumática, pois ele havia se viciado em cocaína. Deixei que ele me filmasse e, hoje, ele está com raiva, pois encontrei outra pessoa”.

A administradora conta que o antigo namorado vive deixando mensagens de ameaça em seu orkut e preferiu sair da rede de relacionamentos. “Nós dividíamos tudo, inclusive senhas, e tínhamos a liberdade de mexer no celular do outro. Hoje, não quero mais repetir o erro e procuro ter uma vida independentemente de minha vida com meu noivo, pois sei que um dia tudo pode mudar”.

Segundo a psicóloga Cláudia Silva, é preciso ser racional nesta primeira etapa do namoro. “Não caia na tentação de achar que abrir sua intimidade é uma prova de amor. É saudável para a relação que cada um tenha o direito de trocar e-mail e receber ligação sem a supervisão do amado. Justificar todos os passos é cansativo e acaba desgastando uma relação”.

Daniela Carvalho, 22 anos, admite que seu Orkut virou motivo de chacota entre as amigas. “Todo mundo sabe quando estou namorando, pois não resisto e encho minha página de fotos e mensagens para meu namorado. Já dividi meu Orkut com um ex e, quando terminamos, fui obrigada a sair e abrir um novo. Tive que “encontrar” meus amigos novamente”.

A estudante de publicidade sabe que sua conduta não é exemplar, mas sempre faz “declarações”, apesar de prometer que vai agir de forma diferente em uma próxima vez.

Já a economista Fernanda Gomes, 30 anos, resolveu recuar depois de ter presenteado seu atual namorado com a chave de sua casa e senha de seu e-mail pessoal. “Tudo foi resolvido com muita conversa. Eu expliquei que estava me sentindo invadida, pois precisava de um tempo pra colocar o papo em dia com as amigas e falar bobagens. Eu não sabia mais se ele estava mal-humorado por causa do trabalho ou se havia escutado alguma brincadeira de amigos em minha secretária eletrônica”.

Veja alguns sinais de alerta pra saber se você está forçando a barra da intimidade:

– Seu MSN tem sempre uma declaração de amor no espaço reservado para uma mensagem pessoal;

– Ele deu todas as senhas pra você, com a desculpa de que não há nada pra esconder, e exigiu o mesmo (ou vice e versa);

– O casal tem e-mail, Myspace e Orkut conjunto;

– Você se intromete nos scraps de seu namorado no Orkut e não passa um dia sem checar as mensagens que deixam pra ele;

– Você tira inúmeras fotos de vocês em diversos momentos juntos (diariamente e quase sempre se beijando) e não vê a hora de disponibilizá-las em seu fotolog.

A cultura homofóbica

Preconceito em relação aos homossexuais é quase total no Brasil
Sylvia Mendonça do Amaral – Advogada especialista em direito de família do escritório Mendonça do Amaral

O preconceito em relação aos homossexuais no Brasil é pior do que se imagina. Pesquisa realizada pelas Fundações Perseu Abramo e pela alemã Rosa Luxemburg Stiftung revelou um quadro preocupante: 99% da população tem esse preconceito. A pesquisa fez um levantamento apurando aqueles que são assumidamente preconceituosos, aqueles que disfarçam seu preconceito e uma categoria denominada “outros”. Dos entrevistados, 16% afirmaram ter forte preconceito e consideram os homossexuais “doentes”, “safados” ou “sem caráter”. Os pesquisados que disfarçam seu preconceito, a princípio, negaram esse sentimento, mas, ao longo de uma hora de entrevistas, fizeram afirmações homofóbicas.

Foram 2.014 os entrevistados em várias regiões, maiores de 16 anos e de diversos níveis de escolaridade. A maior parte das respostas indicava que a homossexualidade é recriminável, pois “Deus criou o homem e a mulher, com sexos diferentes, para que tenham filhos”. Muitos outros a consideraram como “pecado” e que “a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada”.

Causa espanto saber que apenas 1% dos milhares de entrevistados disseram não ter preconceito. Para amenizar essa dramática questão que afeta segmento de nossa sociedade que deveria receber a proteção do Estado, é imprescindível a aprovação do Projeto de Lei 122. Já foi aprovado pela Câmara, apesar dos problemas e resistências enfrentados, e, no Senado, as dificuldades não vêm sendo menores. As bancadas religiosas, evangélicas e católicas mostram-se veementemente contrárias, inclusive com protestos públicos e tentativa de invasão do plenário quando se debatia o projeto.

O que se pretende com esse projeto é inserir como crime inafiançável o preconceito contra os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (GLBTT), assim como ocorre com o preconceito racial. Além da aprovação desse projeto, é fundamental orientar as crianças e os adolescentes, já que ainda estão em fase de formação de caráter, apesar de se demonstrarem duramente preconceituosos. É terreno fértil onde devemos semear a certeza da igualdade e da dignidade concedidas a todos os cidadãos de nossa sociedade, como determina a Constituição Federal.

Engrossando as estatísticas, foi divulgado na internet no mês passadpo, texto de autoria do procurador do Banco Central em Belo Horizonte, Paul Medeiros Krause, manifestando-se, de forma inconcebível, contra o projeto de lei, afirmando que sua aprovação seria conferir superdireitos aos homossexuais. Afirma que os defensores da emancipação homossexual são hábeis na arte da hiperdramatização. Fazem-se de vítimas e tentam o golpe capital de calar os que consideram as relações homoafetivas como imorais, inaturais e danosas sociedade, impondo cadeia a seus opositores. O título do artigo, `”A lei da mordaça gay”, já indica que seu autor, sem dúvida, engrossa os dramáticos resultados que revelaram que 99% da população nutre preconceitos em relação aos homossexuais.

Rappin Hood emergiu da periferia paulistana

Foto: Divulgação

“Sujeito homem” Antonio Luiz Júnior. Nome artístico: Rappin Hood, uma menção ao herói Robbin Hood, dos contos da Idade Média. Hoje, rapper famoso da capital paulista, mistura o som da batida da periferia, o rap, com outros ritmos, como o samba. Recentemente tornou-se repórter do programa Metrópolis, da TV Cultura, onde vai mostrar o que é que a periferia tem. Ele também apresenta, aos sábados – das 18h às 20h -, o programa Rap du Bom na rádio 105 FM.

Nascido no bairro do Lima, zona norte de São Paulo, teve origem humilde, uma infância simples, mas digna. Nas férias, freqüentava a cidade de Araraquara, terra natal da família, e lá ia à Igreja católica cantar no coral e ser coroinha. Viveu parte de sua história na favela de Heliópolis, uma das maiores da cidade de São Paulo, onde hoje desenvolve trabalho sociais com a garotada.

Aos 14 anos, descobriu os bailes e começou a compor as primeiras letras de rap. Um dia, em São Caetano do Sul, subiu ao palco pela primeira vez. E nunca mais parou. Dois de seus trabalho mais reconhecidos são os CDs Sujeito Homem, I e II, onde ele traz a mistura do rap com outros ritmos, como o samba. Ele já colaborou com participações em gravações de cantores como Leci Brandão, Zélia Duncan, Jair Rodrigues, entre outros.

Qual a sua mensagem? A de que a Terra pode ser um lugar muito melhor, de “diferentes vivendo numa igual atmosfera, sem preconceito, sem botar defeito, pois todos têm direito, cada qual do seu jeito”. Esse é o Rap Du Bom.

O Hip-Hop salva?


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Divulgação


Um grande salve a todos! Satisfação escrever mais uma vez! Hoje gostaria de falar sobre o movimento que vem abalando as estruturas da sociedade no Brasil e no mundo: o Hip-Hop. Até há bem pouco tempo, no começo da década de 80, jovens corriam da polícia em pleno centro de São Paulo – mais precisamente na estação São Bento do Metrô -, apenas por estarem cantando e dançando. Houve até o triste episódio em que um policial matou um jovem apenas porque ele cantou um rap dentro do vagão do metrô, mas o que é o Hip-Hop?

Resumindo, o Hip-Hop é um movimento sócio-político-cultural vindo das camadas ditas mais baixas da sociedade e possui cinco elementos. São eles:


– M.C. (Mestre de Cerimônia): o poeta, faz as rimas, é a palavra do Hip-Hop;

– D.J. (Disc-Jockey): o maestro, por intermédio do toca discos faz o som do Hip-Hop;

– Breaker (B.Boy ou B.Girl): os dançarinos que desenvolvem a dança no Hip-Hop;

– Grafite (Grafiteiro/a): os pintores, aqueles que desenvolvem artes plásticas no Hip-Hop;

– Conhecimento: o 5º elemento traz o estudo dos outros elementos, da história do nosso povo.

Muitos não sabem, mas este movimento já salvou muita gente por aí, em todas as periferias do País. Hoje, o Hip-Hop está em todos os cantos do Brasil. Do Parthenon, em Porto Alegre tchê, ao Alto José do Pinho em Recife, é rochedo. Das quebradas de Sampa, mano, aos morros do Rio de Janeiro, cumpadi, as oficinas se multiplicam, muitas vezes sem estrutura ou ajuda e, mesmo assim, os grupos se fazem ouvir por meio de rádios comunitárias, shows beneficentes, palestras e oficinas.

O Hip-Hop tem feito a diferença, e, em meu nome e de muitos que foram salvos assim como eu, afirmo aqui que realmente o Hip-Hop salva. Este movimento trouxe ao jovem da periferia uma auto-estima muito grande, principalmente ao jovem negro, e acabou virando o grande porta-voz da periferia.

“O Hip-Hop tem feito a diferença, e, em meu nome e de muitos que foram salvos assim como eu, afirmo aqui que realmente o Hip-Hop salva”

Há mais de 10 anos dedico parte do meu tempo a projetos sociais, desenvolvendo oficinas, conversando com os jovens sobre o conteúdo das letras e as mensagens existentes nelas. Percebo que essa filosofia de vida atinge plenamente os objetivos da educação e da cultura, pois por meio do lazer, veio o conhecimento e a conscientização. No Hip-Hop temos vários exemplos disso, mas eu gostaria de citar apenas um deles: SABOTAGE.

Um jovem que viveu no limite entre a paz e a guerra e que passou de traficante a um dos maiores rappers do Brasil. Infelizmente teve sua trajetória interrompida no auge da carreira. Como ele, outros vários podem surgir, não só fazendo rap, mas em qualquer posição do mercado de trabalho. Essa é a mensagem do Hip-Hop: mostrar aos jovens pobres e aos jovens negros que eles também podem ser vencedores. E é por isso que nos chamamos de guerreiros e guerreiras. Essa é a nossa luta: criar oportunidade para o nosso povo. Esse é nosso resgate. Foi a salvação para mim e pode ser para os outros. Graças a Deus! Até o mês que vem. Fui!!!

Paz a todos!

*Os textos publicados na área Colunistas são de responsabilidade dos autores e não exprimem necessariamente a visão do portal Pró-menino. Os comentários a respeito dos textos do colunista Rappin Hood serão, excepcionalmente, encaminhados diretamente ao autor, que responderá conforme disponibilidade pessoal.

Sociedade em envelhecimento

Impactos são esperados nas áreas sociais e de saúde
Miguel Arantes Normanha Filho – Coordenador de administração da UniBrasil
Toda a sociedade, sem exceção, será afetada pelo envelhecimento populacional, fenômeno de caráter multidisciplinar que deverá ser analisado e estudado por diferentes áreas do conhecimento. A situação de hoje, e a que se projeta para o futuro, é a de um fenômeno relacionado, entre outros fatores, com a queda no número de nascimentos e o aumento da expectativa de vida. Um novo paradigma de gestão social deve ser construído para a nova sociedade que irá surgir com o envelhecimento da população, a longevidade e a diminuição do número de jovens.

Teóricos defendem que o envelhecimento demográfico — aumento do percentual de idosos em uma determinada população — traz várias consequências sociais. Entre elas estão a coexistência de três ou quatro gerações, com famílias convivendo com um ou mais idosos, e a chamada feminização da velhice, com mais mulheres idosas do que homens, e mais longevas. Além disso, referem-se a um maior número de pessoas vivendo em instituições hospitalares e asilares, com maior demanda por serviços médicos, maiores gastos com medicamentos e maior ocupação de leitos hospitalares.

O Brasil, em ritmo crescente, tem se destacado pela longevidade de sua população, deixando gradativamente de ser um país de jovens. A exclusão dessa população ainda ativa do mercado de trabalho constituirá um grave problema de contornos incalculáveis. No Brasil, a expectativa de vida é, hoje, de 68,6 anos, segundo o censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contra mais de 74 anos previstos para 2025. Temos, portanto, um país que está deixando de ser de jovens para ser de idosos. Isso quer dizer que as pessoas que nasceram no pós-guerra estarão, em 2025, na faixa etária entre 65 e 80 anos. E os números brasileiros sobre envelhecimento são alarmantes. Segundo os dados do relatório Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, de 2001, em 25 anos a população de idosos poderá ser superior a 30 milhões de pessoas no país. Por isso, impactos em ordem crescente são esperados nas áreas social, econômica, cultural, política e da saúde. É importante considerar, também, a diminuição geral do tempo de serviço do trabalhador já a partir dos seus 50 anos.

Diante disso, o contexto que se apresenta é de abertura de um novo campo em gestão de serviços na área da administração. A futura sociedade de idosos é fato novo, mas que, em contrapartida, revela um desafio sem precedente, que impacta nas diversas áreas de conhecimento e em uma nova visão de mundo e de sociedade.

Arthur Bispo do Rosário : Missão divina


Centenário de Arthur Bispo do Rosário será comemorado com exposições, debates e filme. Flávio Bauraque vai interpretar o homem que recriou o mundo em sua cela de hospício
Sérgio Rodrigo Reis
Taime Gouvea/Divulgação
O ator Flávio Bauraque interpreta o homem que reinventou a arte dentro do manicômio

Para o sergipano Arthur Bispo do Rosário, a arte era desígnio divino. Ele acreditava que, enquanto vivesse, deveria miniaturizar o mundo para apresentá-lo no dia do juízo final. Fez disso a sua saga. Negro e pobre, foi considerado louco. Em 5 de janeiro de 1939, acabou recolhido ao pavilhão dos agitados da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Entre idas e vindas, passou os 50 anos seguintes no asilo psiquiátrico. Para sobreviver à decadência, aos choques elétricos e aos castigos na cela forte, onde era tratado a pão e água, jamais se assumiu como demente, mas como criador capaz de inventar algo singular. Este ano, quando se comemoram o centenário de nascimento e os 20 anos da morte do artista, filme, exposições e relançamento de livro celebram a obra deste mestre.

Ainda há muito a descobrir sobre o legado de Arthur Bispo do Rosário – referência das artes plásticas contemporâneas do Brasil. Nascido em 1909, em Japaratuba, ele deixou a terra natal para ingressar na escola de marinheiros em Aracaju, em 1925. Dispensado por problemas mentais, foi enviado ao Rio de Janeiro, onde sofreu grave acidente de trabalho. Seu advogado, Humberto Leoni, o contratou como uma espécie de faz-tudo da casa da família. Foi lá que Arthur teve a primeira crise. “Em 22 de dezembro de 1938, eu vim” – bordou ele numa jaqueta, para marcar a data inaugural de seu processo criativo incessante, cotidiano e diuturno.

Depois de passar um período internado no Hospital Pedro II, na Praia Vermelha, ele foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, onde criou objetos, estandartes, roupas, bandeiras e esculturas – boa parte com bordados. Começou o trabalho na cela, mas, pouco a pouco, ampliou-o para todo o pavilhão. O compromisso era um só: realizar o inventário poético do mundo.

O Museu Bispo do Rosário, instalado na extinta Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, se tornou depositário da saga de Arthur. A intenção da instituição é mostrar parte do acervo de cerca de 800 peças em exposições pelo Brasil, inclusive em Belo Horizonte. “O público verá o Bispo e o efeito que essa criação causou em artistas contemporâneos como Leonilson e Louise Bourgeois”, adianta Wilson Lázaro, curador do museu, um dos organizadores do tributo e autor do livro Arthur Bispo do Rosário. Com 303 páginas, a obra está esgotada, mas vai ganhar reedição este ano, acrescida de imagens do artista e de trabalhos inéditos.

Em outubro, mês do provável nascimento de Arthur, o museu promoverá uma semana de discussão com a presença de curadores e colecionadores de arte nacionais e estrangeiros. “Vamos apresentar a relação do Bispo no mundo. Ele está muito bem e, por isso, nossa instituição virou referência em arte contemporânea. A ideia é reservar a galeria principal para performances de dança, música e teatro, destacando a influência do trabalho dele em outras artes”, adianta Lázaro.

NO CINEMA

Alexandre Campbell/FI
ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO se proclamava Jesus. Sua obra era ardente de restos: estandartes podres, lençóis encardidos, botões cariedos, objetos mumificados, fardões da academia, miss Brasil, suspensórios de doutores -“coisas apropriadas ao abandono. Descobri entre seus objetos um buquê de pedras com flor. Esse Bispo do Rosário acreditava e em Deus.” – Manoel de Barros, poeta

O filme O senhor do labirinto deve chegar às telas este ano. Não é biográfico, mas dá voz ao discurso de Bispo. “Vai mostrar como ele via a própria produção artística”, adianta o cineasta Geraldo Motta. A proposta surgiu do convite de Luciana Hidalgo, autora do livro Arthur Bispo do Rosário – O senhor do labirinto, em meados de 2002. “Reconstruímos o manicômio em Socorro, perto de Aracaju. A intenção é mostrar como ele desenvolveu arte absolutamente inovadora naquele momento”, explica o diretor. Sem qualquer estudo, Bispo realizou trabalho sintonizado com as questões plásticas da época em que viveu. “Enquanto artistas estabeleciam a ruptura com a tradição visual, ele criava algo semelhante, mas de maneira inusitada, isolado do mundo”, destaca Motta. O elenco reúne os atores Flávio Bauraque (Bispo), Maria Flor (a estagiária de psicologia pela qual o interno se apaixonou platonicamente) e 100 figurantes.

Flávio Bauraque se comoveu ao ver pela primeira vez a obra de seu personagem numa exposição em Manaus. “Chorei muito. Fiquei tão emocionado que as pessoas de lá acharam que eu era parente”, conta. O que mais chamou sua atenção foi a força das palavras bordadas nas obras. “Sempre quis entrar no universo das palavras e viver esse personagem negro tão específico. Difícil foi não cair no estereótipo. Aquele cara poderia ter embarcado na loucura, mas conseguiu transformar todo o seu universo em arte.”

O que mais encantou Bauraque foi a complexidade do ser humano. “Bispo não é bonzinho, nem mau. Mas uma pessoa com inteligência surpreendente.” Realmente se tratava de um louco?, pergunta-se o ator. “Quem é considerado louco segue um caminho particular, vai aonde quer. Nós é que estamos aprisionados em convenções”, pondera.

O curador Wilson Lázaro também põe em dúvida o diagnóstico. “Ele nunca tomou remédios. No fundo, surtou porque queria criar”, sugere. A batalha à frente do Museu do Bispo do Rosário inclui a tentativa de quebrar estereótipos sobre a loucura que perseguem o legado do artista. Tal preocupação interferiu no processo de elaboração do roteiro do filme. “Tivemos várias brigas no início, porque eles queriam uma imagem da loucura que não existiu. Há fantasia em torno disso”, afirma Lázaro.

Obra de Bispo inspira artistas contemporâneos

Para ele, a única explicação para a obra de Bispo é a vontade de fazer, de se expressar. “Seu relato permanece atual”, avisa o curador. A ideia é seduzir as novas gerações para a obra de Arthur Bispo do Rosário, apresentando-a em “conta-gotas”, em exposições temáticas, relacionando-a com o trabalho de outros artistas. “Se optássemos por uma retrospectiva permanente, perderíamos o frescor. As pessoas nos visitariam apenas uma única vez, pois estamos instalados longe do Centro do Rio”, explica.

Esse risco, definitivamente, Arthur Bispo do Rosário não corre. Em abril, a próxima mostra da programação relacionará o trabalho dele com a moda. Há algo mais atual?

Aula de cidadania

Professora da rede estadual transforma redações feitas para a Olimpíada de Português em livro de artigos sobre o cotidiano e os desafios enfrentados pelos jovens alunos
Flávia Ayer
Euler Junior/EM/D.A Press
Maria de Fátima e os estudantes da Escola Professor Fernando Brant, no Bairro Caiçara, lançam hoje a coletânea de textos

Em vez de gavetas e lixeiras, 150 alunos da Escola Estadual Professor Fernando Brant, no Bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte, deram outro destino às redações feitas nas aulas de português. Hoje eles lançam o livro I Mostra de Artigos de opinião – O lugar onde vivo…. São 41 textos sobre a comunidade do entorno, com temas como violência, trânsito e lixo. Os alunos participaram de todo o processo, desde a produção dos artigos, fotos e ilustrações até a diagramação. “Os alunos desenvolveram muito a capacidade de argumentação e o conhecimento sobre a comunidade. Vimos que uma atividade rotineira pode chegar fora da sala de aula”, afirma a professora Maria de Fátima Anselmo Cláudio, coordenadora do projeto.

O pontapé foi a participação dos alunos na Olimpíada de Língua Portuguesa, promovida pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Itaú Social. O desafio era escrever um artigo com o tema O lugar onde vivo e o melhor iria concorrer com textos de todo o Brasil. “Mas a olimpíada acabou virando um pretexto”, conta Maria de Fátima. Inicialmente, o projeto abrangia apenas as quatro turmas de 3º ano do ensino médio, mas a professora estendeu também para uma turma do 2º ano. A maioria dos participantes já se formou. Durante dois meses, as aulas se transformaram em discussões sobre o uso do boné e do celular em sala, o namoro na escola. Além do olhar atento e observador sobre a vizinhança, os alunos pesquisaram em arquivos e jornais.



Foi uma grande oportunidade de ler,
reler e ter outra visão sobre as coisas. Todos participaram, mesmo aqueles que não tiveram seu texto escolhido. Creio que o livro vai ajudar até alunos de outras escolas

Poliana Ceribeli Yahiro, escritora

“Foi uma grande oportunidade de ler, reler e ter outra visão sobre as coisas. Todos participaram, mesmo aqueles que não tiveram seu texto escolhido. Creio que o livro vai ajudar até alunos de outras escolas”, ressalta a ex-aluna Poliana Ceribeli Yahiro, de 17 anos. Ela assina um dos artigos e a diagramação. Com bom-humor, denuncia em seu texto um grave problema do bairro onde mora, o Jardim Montanhês, vizinho ao Caiçara. “A quantidade de ratos aumentou muito após a instalação de uma empresa de compra e venda de materiais reciclados”, conta.

Após a redação, Maria de Fátima viu que o material merecia um tratamento especial. “Primeiro, imaginei um livro simples, com fotocópias, encadernado. Por meio de uma parceria da escola conseguimos financiamento.” Os próprios estudantes fizeram a seleção dos 41 artigos. A capa ficou por conta do então aluno do 3º ano Gustavo Matheus Vitor Moreira, de 20 anos. “Reparei pessoas marcantes e o dia-a-dia do bairro e criei a ilustração. O projeto mostrou uma habilidade minha.” Com o livro, ele passou a questionar mais sobre as coisas. “Comecei a escrever artigos, o que é fundamental na faculdade”, afirma o aluno do primeiro período de economia.

• MOSTRA DE ARTIGOS DE OPINIÃO – O lugar onde vivo… tem uma tiragem inicial de 500 exemplares e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Educação, entre outros parceiros. “A ideia está lançada. Quem sabe virão outros estilos de textos e formas de expressões”, comenta Maria de Fátima.

SERVIÇO
O lançamento do livro I Mostra de Artigos de opinião – O lugar onde vivo será às 20h, na Rua Arthur Hass, 36, Bairro Jardim Montanhês.

Chiquinho: A voz e a vez das periferias da serra gaúcha



por Especial Hip-Hop*

Direto de Caxias do Sul, segunda maior cidade do RS com mais de 450 mil habitantes, ficando atrás apenas da capital Porto Alegre, duas horas de carro. Vou comentar sobre o cenário hip-hop por aqui. Pois bem, o nosso movimento cresceu de uma forma desproporcional de cinco anos pra cá. Cada um puxa a brasa pro seu assado e poucos param para analisar se o rap está realmente cumprindo o seu papel.



Poetas Divilas (RS) em apresentação no (RJ)

Será que a molecada está entendendo a mensagem? Será que estão sabendo interpretar? Será que o papel de reivindicar está sendo usado coerentemente?
Mas deixa quieta. Enquanto isso vamos comendo pelas beiradas, cobrando o escanteio e correndo para cabecear.


Aqui também existem favelas. Principalmente porque milhares de famílias do interior vêm à procura de empregos na cidade do aço. Cidade da Metalurgia. Se existem periferias, existem tristezas, melancolias, existem também alegrias, existe o rap, o samba, mas infelizmente existem crianças com fome, analfabetos, a discriminação racial, social, falta de infra-estrutura e coisa e tal. A mídia ostenta que Caxias do Sul, terra da uva e do vinho de excelente qualidade é a campeã de Qualidade de Vida do Rio Grande do Sul. Ostentam que o nível de analfabetismo é “quase” zero. Mas será que entraram nas favelas da serra? Só na minha rua, conheço dois manos que não sabem ler e aprenderam a assinar seus nomes recentemente. (”Só quem é de lá sabe o que acontece…”)

A prefeitura da cidade colabora em partes com o hip hop, mas como a cidade foi colonizada por imigrantes italianos (saga européia) muitas vezes jogam a cultura para escanteio.

Trabalho com o hip-hop voluntário, há mais de dez anos, e não sobrevivo com o dim-dim do hip-hop. Para sustentar minha família e ficar de pé, trabalho em uma multinacional. Mas nos finais de semana e até mesmo nos dias úteis, o hip hop está presente. Shows, oficinas, debates… Sou integrante do grupo Poetas Divilas que há mais de dez anos vem oscilando entre altos e baixos (normal). “Não tá morto quem peleia, tchê!!”.

Recentemente fomos contemplados com o FUNDOPRÓ-CULTURA onde o poder público patrocina a gravação de um cd com mil cópias tudo original. Estúdio, encarte, divulgação e show de lançamento. E nós vamos representar o movimento. Mas não foi fácil, conquistamos esse projeto com unhas e dentes. Isso deu um gás para o grupo, chegou em boa hora.

Tenho por costume ler os artigos do Hip-Hop à Lápis o que me ajudou a concluir minha monografia de comunicação social Relações Públicas (sobre hip-hop) o primeiro trabalho sobre o tema na UCS Universidade “particular” de Caxias do Sul, onde eu contrario as estatísticas e logo pego meu diploma em graduação. Com o título RELAÇÕES PÚBLICAS COMUNITÁRIAS E O HIP-HOP: a comunicação pedagógica em busca da cidadania. Recebi muitos prêmios acadêmicos e concedi palestra sobre o trabalho. O hip-hop entrou pela porta da frente na facul. E queremos nossos lugares lá, já avisamos eles…

Ano passado participamos de dezenas de oficinas em escolas públicas com shows e troca de ideias para estimular as crianças e adolescentes das periferias de Caxias e incentivá-los a sonhar, pelo menos isso. ”Cultura, educação, livros, escolas”, não sou DJ, mas gosto de fazer esta colagem nos meus artigos, risc risc risc.(desculpem,viajei).

Fomos também para a Bienal em 2007 no RJ e cantamos no Circo Voador. Muito loko, tivemos a oportunidade de conversar com Marcelo Buraco (meu amigo) e com Aliado G, no qual já se apresentou juntamente com o grupo Face da Morte aqui na cidade.

Moramos em uma comunidade onde é dividida por um cemitério (Público) e um time de futebol da terceira divisão do brasileiro (Ser Caxias) o clube do povão, o meu clube.(sofredor de carteirinha). Por isso que a quebrada é denominada Zona do Cemitério.

Temos a parceria forte com os irmãos do grafite, onde o Duda juntamente com sua crew toca o barco com as atividades, oficinas e palestras. A nova escola representa a dança de rua, a gurizada tem elasticidade, disposição e estão em processo de evolução. O movimento da cidade também possui bons, mas poucos DJs. De grupos de rap posso arriscar em falar que hoje o Poetas Divilas é o mais antigo da cidade. A cidade também está carente de minas no movimento. Dificilmente se vê as minas com spray, microfone e vinil. Mas as que têm são de fé. Cabe a nós mesmos trazê-las e incentivá-las.

Mas para deixar o hip hop no lugar que ele merece, precisamos além da união de todos, lutar, trabalhar e acreditar. Deixar de picuinhas, parar de chorar e apresentar mais ação concreta. Aí sim, será tudo nosso!

Sei que o tempo é curto, mas para a leitura devemos separar um bom tempo, pois isso é troca de ideia. Se nos consideramos os lanceiros negros contemporâneos, lembre-se que a responsa é muito grande. Tão grande quanto o nosso Rio Grande do Sul, céu, sol sul… “Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor…”

Salve, Brasil

Chiquinho é integrante do grupo Poetas Divilas e ativista do movimento hip-hop de Caxias do Sul.

chiquinho.divilas@gmail.com
http://www.myspace.com/poetasdivilas
http://www.youtube.com/watch?gl=BR&hl=pt&v=WX9AkzQTBGs



Igualdade de gênero é condição para superar pobreza, diz Tribunal

Realizados em diferentes países pelo mundo, os tribunais dão voz a mulheres vítimas de exclusão social e que atuam em comunidades buscando a superação da pobreza. Objetivo é pressionar governos e a comunidade internacional por políticas que garantam a igualdade de gênero. 70% dos pobres do mundo são mulheres.

Por: Bia Barbosa

BELÉM – Dois terços dos pobres do mundo são mulheres. Dois terços das pessoas fora da escola são mulheres. Uma mulher em cada três é uma vítima sobrevivente de violência de gênero. Diante deste quadro, feministas em todo o mundo são convictas em afirmar: a igualdade de gênero é uma condição indispensável para a superação da pobreza. Tal afirmação veio à tona mais uma vez durante este Fórum Social Mundial, inspirando a realização, aqui no Brasil, de um Tribunal das Mulheres.

Iniciados ao redor do mundo em 2007, como iniciativa da Força-Tarefa Feminista da Campanha Global de Ação contra a Pobreza, os tribunais de mulheres encontraram um novo formato – exitoso em ações de outros setores, como o debate da dívida no Brasil – para dar visibilidade, ampliar o impacto e mobilizar pessoas em torno da causa da erradicação da pobreza. E fazem isso dando voz às mulheres vítimas de exclusão social e que atuam em comunidades pobres. Nos tribunais, elas são testemunhas das violações de direitos que sofrem em função da profunda desigualdade social e, a partir de uma perspectiva local, sugerem alternativas às políticas públicas desenvolvidas por seus governos.

“Peru, Egito, Índia e Estados Unidos já fizeram tribunais de mulheres, questionando a idéia tradicional da pobreza. Não partimos da idéia de quem alguém pobre não tem condições de sair desta condição, que são vítimas. Vemos as mulheres como portadoras das soluções, como quem pode nos ensinar mais sobre possíveis caminhos para superar a pobreza”, explica a uruguaia Ana Agostino, coordenadora da Força-Tarefa Feminista. Para o grupo, os governos devem implementar programas que tenham como base uma parceria junto aos grupos pobres e marginalizados, e devem abolir urgentemente quaisquer leis discriminatórias em termos de gênero, raça e casta.

Na Índia, no primeiro tribunal, 21 organizações feministas levaram para o tribunal mulheres de comunidades de base, pertencentes a tribos minoritárias e a castas consideradas inferiores, como os dalits. A carta final com as recomendações das mulheres foi entregue em mãos ao presidente do país. No Peru, a campanha trabalhou com a temática do desenvolvimento, da educação e da segurança, revelando emocionantes e tristes histórias de sobrevivência. O sucesso foi tão grande que, em 2008, os tribunais foram incluídos nos 50 dias de ativismo global contra a pobreza, resultando em 20 sessões de testemunhos em todo o mundo.

“Depois disso, era o momento de mostrar as mulheres migrantes, negras, invisíveis numa das maiores cidades do mundo, cujo orçamento é maior do que o de alguns países. Fizemos então um tribunal em Nova Iorque, trabalhando com latinas, africanas e asiáticas e com as questões de insegurança e saúde”, conta a americana Diana Salas.

Foram ouvidas mulheres que ganham três dólares por dia discutindo suas condições de escravas; mulheres que sofreram abusos de seus maridos, contraíram o HIV e vivem sem acesso a medicamentos; árabes que passaram a ser atacadas e acusadas de terroristas depois do 11 de setembro, sendo presas e deportadas sem razões e recursos.

“Sabemos que as decisões tomadas em Nova Iorque impactam o mundo todo. Por isso, precisamos trabalhar juntas, olhar para o que está acontecendo lá. Essas mulheres têm o direito de não serem mais marginalizadas e viverem na pobreza em uma sociedade tão rica como a americana”, acredita Diana.

Denúncia às Nações Unidas
Em setembro do ano passado, durante o Evento de Alto Nível da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a Força-Tarefa Feminista denunciou a feminização da pobreza às Nações Unidas. Na ocasião, foi realizado um dia de audiências, que contou com a participação de Mary Robinson, ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos. Este dia reuniu testemunhas e defensores de mais de doze países, para que manifestassem suas demandas aos líderes mundiais.

Mulheres de Uganda, Nepal e Irlanda falaram da crise alimentar cada vez maior e dos efeitos devastadores da desnutrição e da fome. Representantes do Togo, Índia e Filipinas sublinharam a importância da educação para as crianças e os adultos. As de El Salvador, Papua, Quênia, Suriname e Bangladesh clamaram por ações urgentes acerca do meio-ambiente, água e saneamento básico.

“A conjuntura da crise econômica ajudou muito a pautar este debate, porque a poucos quarteirões da sede da ONU, na ilha de Manhattan, os economistas discutiam como conseguir bilhões para salvar bancos e financeiras”, disse Rosa Lizarde, outra integrante da Força-Tarefa. “Ficou claro que não faltam recursos, mas que eles seguem sendo voltados para gerar benefícios para poucos em vez de serem voltados para a saúde, o saneamento e a educação”, completou Ana Agostino.

Aqui no Brasil, uma grande roda de conversa em pleno FSM já começou a desenhar temas que podem estar na pauta de um tribunal das mulheres, e as questões amazônica e de mudanças climáticas aparecem no centro das discussões, além da violência doméstica e da criminalização das mulheres que praticam aborto. A estratégia, comum aos tribunais, é relacionar todos esses temas com a pobreza, mostrando que somente um enfrentamento global da questão permitirá que todos e todas tenham direito a uma vida mais digna.

‘Grafitar’ com tricô vira mania em diversos países

Foto: KnittaPlease

O ônibus foi o projeto mais ousado de um dos grupos

Um movimento criado nos Estados Unidos vem ganhando adeptos ao redor do mundo: o de cobrir propriedades públicas com tricô.

Os grupos já “embrulharam” árvores, corrimãos, postes de luz, hidrantes, semáforos e outras estruturas públicas com tricô.

Chamado de Yarn Bombing (Bombardeio de novelos, em tradução livre), o movimento começou com a americana Magda Sayeg há três anos em Houston, no Texas.

Sayeg cobriu o trinco da porta de sua loja de roupas com tricô e chamou a atenção do público. O interesse pelo detalhe de tricô a inspirou para criar o grupo KnittaPlease e reunir interessados no mesmo tipo de trabalho manual.

“A idéia é bombardear a cidade com trabalhos de arte tricotados e vibrantes, embrulhar com tricô coisas simples, como uma garrafa de cerveja a monumentos públicos e estruturas urbanas”, disse Sayeg.

Sayeg criou um website para publicar fotos dos monumentos e objetos cobertos com o tricô e formou a base para outros grupos também publicarem os objetos tricotados ao redor do mundo.

O movimento já se espalhou por países como Holanda, Suécia, Finlândia, Canadá, China, Austrália e Grã-Bretanha.

Ousadia

Foto: KnittaPlease

A idéia é interferir na paisagem urbana

Um dos projetos mais ousados já realizados por Sayeg foi cobrir um ônibus com tricô.

Segundo ela, o trabalho levou uma semana e contou com dezenas de voluntários.

“Usamos agulhas bem grossas e dezenas de novelos para cobrir o veículo todo”, disse ela.

Ela diz que o movimento é uma forma de “grafitti”, mas com lã.

“Usar o tricô como forma de grafitti é um fenômeno interessante e não há outro hobby melhor do que esse”, disse ela.

No Canadá, um livro sobre o movimento está previsto para ser publicado até o final deste ano.

Yarnbombing: The Art of Knit Graffiti (Yarnbombing: A Arte do Grafitti de tricô), de Mandy Moore and Leanne Prain, vai trazer fotos e a história dos primeiros grupos do movimento.

Aumenta a certeza da impunidade

Felipe Gustavo Gonçalves Caires – Promotor de Justiça em Montes Claros – MG
O Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria de votos, decidiu que acusado condenado pela segunda instância só deve ser preso depois de condenação confirmada pela quarta e última instância. Referida decisão não precisa ser seguida pelos magistrados do país. Porém, caso algum tribunal inferior a contrarie, basta o “prejudicado” impetrar habeas corpus ao STF para continuar solto. A decisão também possibilitará que milhares de presos, já condenados em segunda instância, mesmo que confessos, mas com recursos pendentes de julgamento, sejam colocados imediatamente em liberdade até que a instância final aprecie seus recursos. Assim, se alguém matar ou roubar alguém de sua família, ou desviar recursos públicos, caso não seja preso em flagrante, e ainda que confesse o crime, em regra apenas será preso depois de sua condenação ser confirmada pela quarta instância, na melhor das hipóteses 10 anos depois, porque na quarta instância só há 11 juízes para todo o Brasil, e, mesmo assim, será preso apenas se o crime não houver prescrito.

Nem se diga que nem tudo está perdido porque o STF continuou admitindo a prisão preventiva para os condenados pela segunda instância. Ocorre que raramente será cabível prisão preventiva de tais condenados. Afinal, a instrução processual já acabou. Por que fugir com uma perspectiva tão distante de julgamento definitivo e tão próxima da prescrição? E o STF acha que a liberdade de condenados por crimes graves não ameaça a ordem pública, mesmo aumentando o sentimento de impunidade e de descrença nas instituições.

Entendeu o STF que a prisão na pendência de recurso ainda não julgado pela instância final, mesmo já existindo condenação confirmada pela segunda instância, feriria a chamada “presunção de inocência” consagrada no artigo 5º, LVII da Constituição. Um argumento simplista e inconsequente, com todas as vênias, como se a presunção de inocência fosse absoluta e significasse impossibilidade de prender antes de apreciados todos os recursos (trânsito em julgado). Ora, se referida presunção fosse absoluta, ninguém poderia ser preso em flagrante, como autoriza a Constituição (artigo 5º, LXI), porque quando se prende em flagrante ainda não houve processo ou mesmo julgamento, nem sequer na primeira instância, muito menos trânsito em julgado. Ainda, se fosse absoluta, pela mesma razão ninguém poderia ser preso temporária ou preventivamente. Aliás, se fosse absoluta mesmo, ninguém jamais seria preso, porque não existe prazo para manejo da chamada revisão criminal em favor do condenado, de modo que, a rigor, a sentença penal condenatória jamais transita em julgado para a defesa, no sentido de não poder ser mais alterada para beneficiar o condenado.

O que a Constituição diz é que ninguém será considerado culpado – e não que não será preso – até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Em nenhum país, incluindo as democracias mais consolidadas, a regra é aguardar a condenação da quarta instância para prender. É difícil acreditar em tamanha irresponsabilidade provinda da nossa própria Corte Suprema, de modo que encerro este artigo na esperança de que esse quadro se reverta, seja pela reflexão de alguns valorosos ministros do STF ainda dotados de humildade suficiente para reconhecer que erraram, seja pela reação da sociedade civil a uma decisão que pode incentivar outras “justiças” – de mãos próprias ou “terceirizadas” – no Brasil.

Escravidão eletrônica

MARCELO COELHO



O sistema inventado pelo Google transforma cada portador de celular num preso virtual


PROCURO MANTER máxima distância do meu telefone celular. Por sorte, não é objeto imprescindível no meu cotidiano. Contaram-me de pessoas ocupadíssimas, que usam três celulares ao mesmo tempo.
Creio ter visto algumas delas em lojas ou elevadores. Berram no aparelho, que deveria ter algum mecanismo melhor de captação de som. Ou será que o mecanismo já é bom, e seus usuários não percebem?
Levo sempre um susto quando estou ao lado de uma pessoa, aparentemente normal e civilizada, e subitamente percebo que ela está falando em voz alta com alguém a quilômetros de distância.
Não sou ciumento, mas me sinto despossuído, roubado, ignorado, por alguém que prefere falar no celular em vez de manter o mesmo silêncio que eu. Será vaidade minha? Não sei. Prefiro pensar que se trata de um desrespeito: o falante do celular age como se eu não existisse.
Todo esse tipo de queixas se reduz à picuinha diante da última e assustadora novidade que li nos jornais.
Inventaram um jeito de localizar as pessoas por meio do celular. O serviço Latitude, do Google, descobre o paradeiro do cidadão que estiver com o celular ligado, desde que ele concorde em se inscrever no programa.
Em tese, como sempre, a invenção é boa: você marcou um encontro com um amigo (ou não marcou, pouco importa). Torna-se possível saber onde ele está, com visualização de mapas e tudo mais.
Amigos há muito tempo distantes se reencontrarão nas planícies de Mato Grosso, ex-mulheres poderão ser evitadas numa excursão às boates da moda, crianças perdidas reencontrarão os braços dos pais.
Fora essas situações extremas e cinematográficas, o Google Latitude se assemelha a outro dispositivo, contra o qual não me oponho. É o bracelete eletrônico, a tornolezeira punitiva que se usa para vigiar criminosos em regime de liberdade condicional.
Eis um instrumento maravilhoso, que evoca a velha imagem da bola de ferro presa com correntes ao tornozelo do prisioneiro, mas sob uma concepção moderna do ser humano: ele será livre, mas, graças à algema eletrônica, poderemos monitorá-lo. Que desperdício, afinal, de tempo e desconfiança, não existe em guardar um criminoso entre as grades?
Mas o sistema inventado pelo Google transforma cada portador de celular num preso virtual. O telefone móvel, que já era uma espécie de carro de bombeiros pronto a soar seu alarme em casos de emergência doméstica, torna-se uma espécie de radiopatrulha, pronta a detectar culpas e desvios de rota na vida de um cidadão honesto.
No mundo fantasioso do liberalismo, nenhum atentado à privacidade pessoal foi feito com essa invenção. O indivíduo escolhe soberanamente: instala o instrumento em seu celular ou não? Abre seus códigos para os amigos ou não?
Na vida real, os problemas são maiores. Uma indústria pode querer saber o que fazem seus vendedores e mensageiros quando se aventuram pelo mundo. Quantos trabalhadores serão obrigados a inscrever seus celulares no novo programa?
É verdade que a informática, até agora, esteve a serviço do trabalhador relapso. Sem ninguém ver, ele acessa sites de relacionamento pessoal nos horários de trabalho.
Uma questão subsiste, entretanto, nesse pega-pega entre o trabalhador e o patrão. Será realmente necessário o trabalho do empregado que foge o máximo que pode das exigências impostas no seu horário de serviço? Serão essenciais as horas integrais de esforço do funcionário que “tira uma folguinha” frequentando uma lan house ou um centro de videogames quando já está com sua missão cumprida?
Na outra ponta do espectro organizacional, o chefe aciona freneticamente as teclas do seu computador. Localiza o motoboy relapso nas imediações de uma praça onde ele não deveria estar. Brinca de videogame ele também.
São todos escravos, talvez, de um sistema eletrônico no qual a diferença entre jogo e trabalho tende a desaparecer, assim como a diferença entre vida pública e vida pessoal.
Isso é bom? É ruim? Meu otimismo impede respostas apocalípticas. Confio na esperteza (para o bem e para o mal) do ser humano. Logo inventarão maneiras de fugir aos novos braceletes celulares. Logo inventarão meios de disciplinar mais o ser humano. Nesse jogo entre ordem e desordem, progredimos.

coelhofsp@uol.com.br

Homens-bomba de batina

CLÓVIS ROSSI

SÃO PAULO – O pai de Eluana Englaro, a moça italiana que morreu anteontem, quando os médicos deixaram de alimentá-la após 17 anos de vida meramente vegetativa, deu uma esclarecedora entrevista ao jornal espanhol “El País”, publicada no domingo passado.
Explicava Beppino Englaro, com uma nitidez que os melhores filósofos e teólogos terão dificuldade em acompanhar: “As pessoas vivas são capazes de entender e decidir por elas próprias”.
Por essa definição, que parece incontestável, Eluana não era um ser vivo e, portanto, atá-la a uma máquina, como pretendiam o Vaticano e, por pressão dele, o governo italiano, é que seria desumano.
Aplica-se idêntico raciocínio a qualquer pessoa na mesma situação, ressalvada a importante diferença traçada ontem por João Pereira Coutinho, nesta Folha, entre matar e deixar morrer.
Posto de outra forma: o Vaticano comportou-se nesse caso com o mesmo desrespeito à vida dos homens-bomba.
E, pior, não é um caso isolado. O Vaticano também havia revertido a excomunhão do bispo britânico Richard Williamson, mesmo depois de ele ter negado o Holocausto. Williamson, contra toda evidência histórica, contra todos os arquivos disponíveis, diz que os judeus mortos pelo nazismo não foram 6 milhões, mas de 200 mil a 300 mil, e que não houve mortos em câmaras de gás. Só para efeito de raciocínio, aceitemos por um segundo esse disparate. Ainda assim, qualquer pessoa que respeite a vida ficaria indignada à morte com o assassinato de 200 mil ou 300 mil pessoas, em câmaras de gás ou onde seja.
Medir o Holocausto por quilo, como parece fazer o bispo, é crime hediondo. De novo, é o mesmo desrespeito à vida dos homens-bomba, o que só prova que fundamentalismo não é exclusividade islâmica.

crossi@uol.com.br

"A VIOLÊNCIA NÃO NASCE NOS FILMES"

Entrevista / Caco Souza

Ana Carolina de M. D. Maciel/Divulgação

Como é filmar um personagem central tão (ou mais) polêmico como o capitão Nascimento, de Wagner Moura, em Tropa de elite?
Procurei ao máximo fugir de estereótipos do herói ou do vilão. Quero humanizar os personagens, com suas dúvidas e contradições. O filme é livremente inspirado no livro, o que me possibilitou liberdade criativa.

Você tem experiência em documentários e filmes publicitários. Como é filmar um longa de ficção?
Minha experiência em documentários fez com que optasse pelo tom realista, tanto nos cenários (do diretor de arte Bernardo Zortea) como nas atuações. Durante o treinamento dos atores, eles freqüentaram – com o preparador Christian Duvoort – a colônia penal para vivenciar o universo prisional. Para que os diálogos fluam com naturalidade, recebem suas falas um dia antes das filmagens. E, no ato, ainda sugiro motivações para que possam improvisar. Outro aspecto importante é a utilização de internos da colônia como figurantes e do agente penitenciário que foi fazer uma oficina para os atores e ‘virou’ ator do filme: Rojão, carcereiro da Ilha Grande.

Até que ponto seu filme terá tom documental?
Em vários aspectos: na linguagem da câmera (de Rodolfo Sanchez), na escolha da locação, na mescla atores/internos, nas cenas externas que serão rodadas na Ilha Grande, onde ainda restam ruínas do presídio e que contará com figuração de antigos funcionários e detentos.

Concorda com os que dizem que há uma certa espetacularização da violência no cinema brasileiro? De que produções recentes mais gosta?
A violência é tema espetacularizado em alguns programas televisivos e filmes. Não sou contra nem a favor de obras que denunciem a violência urbana. Acho apenas que é tema necessário como tantos outros. O problema maior não é julgar porque se fala tanto de violência, mas sim pensar por que temos tanta violência, isso sim é sintomático. Afinal, a violência não nasce nos filmes, não é ficção cientifica. Está na vida real, cotidiana, nas esquinas, nos bairros, nos morros e nas favelas. Violência é um tema que invade nossas casas pelos jornais, revistas, internet. Não há como escapar. Talvez a necessidade de se falar seja para se poder entender. Acho que entender é melhor do que fingir não ver. Não se trata, meramente, de espetacularizar a violência porque esta é palatável ou porque gostamos dela. Sobre as obras recentes, gosto de Cidade de Deus (de Fernando Meirelles) e Bicho de sete cabeças (de Laís Bodansky). Não por acaso.

Berço do inferno


Em 400 contra 1 – Uma história do Comando Vermelho, Caco Souza desfaz mitos criados em torno da organização criminosa. Daniel de Oliveira e Daniela Escobar estrelam o longa
Gracie Santos
Marina Bottega/Divulgação
Uma “caiçara desglamourizada”, na opinião do diretor, Daniela Escobar interpreta a namorada do bandido William da Silva Lima, autor do livro que deu origem ao filme
Quatrocentos contra um. A covardia é tanta, que parece ficção. O episódio é real e envolve o bandido Zé Bigode, que enfrentou sozinho o cerco de 400 policiais, durante mais de 12 horas, num morro do Rio. Do fato nasceu o nome do filme, que vai contar a história do Comando Vermelho, poderosa organização criminosa do país, criada no Instituto Penal Cândido Mendes, o Presídio da Ilha Grande, no auge da ditadura militar. No comando, William da Silva Lima, não por acaso amigo de Zé Bigode e que teria sido obrigado pela polícia a assistir ao cerco. A explosiva fórmula presos políticos presos comuns, na Galeria B de Ilha Grande, a partir de 1974, criou, por um lado, uma relação de respeito e admiração dos presos comuns com a disciplina, organização e companheirismo dos revolucionários de esquerda. E, por outro, culminou em clima de tensão crescente até detonar uma tragédia, que agora será contada no cinema.

400 contra 1 – Uma história do Comando Vermelho começou a ser rodado em 25 de janeiro. Terá locações em Curitiba (na Prisão Provisória do Ahú, desativada desde 2006, onde a equipe está esta semana), na Ilha Grande e no Rio. A previsão de estreia do filme é para o fim do ano. O diretor Caco Souza tem experiência em obras publicitárias e documentários. Entre eles, Senhora liberdade, com o próprio William da Silva Lima, “curta que foi um balão-de-ensaio, pois pude colocar em imagens as conversas que tinha com ele desde Bangu 3, quando começamos a travar contato”, conta o cineasta, que, interessado pelo tema, em 2002 deparou-se com a autobiografia de William da Silva Lima.

“Percebi que o filme estava ali. Era o relato de um preso comum (assaltante de bancos), que durante a ditadura foi condenado pela Lei de Segurança Nacional, o que fez com que cumprisse pena junto a presos políticos no Presídio Cândido Mendes. Essa convivência entre presos políticos e comuns foi muito controversa e espetacularizada. A imprensa da época passou a relacionar o nascimento do Comando Vermelho, então denominado Falange Vermelha, com as táticas de guerrilha que teriam sido ensinadas a eles pelos presos políticos”, explica Caco Souza, que garante: “Não foi bem assim”. A pesquisa realizada para o longa (pela historiadora Ana Carolina de M. D. Maciel) lhe deu subsídios para que, “no primeiro ‘ação’, tivesse a certeza do enredo a ser contado”.

Ana Carolina de M. D. Maciel/Divulgação
Fabrício Bolivera e Daniel de Oliveira, no papel do criador do Comando Vermelho

ESCOLA

Caco Souza lembra que os presos da lei (como se autodenominavam) observaram atentamente a organização dos presos políticos. E passaram a adotar práticas de solidariedade entre eles, “o que gerou a conscientização do coletivo e de que juntos seriam mais fortes para resistir aos desmandos do sistema prisional durante a ditadura militar (torturas, péssimas condições, falta de acesso a tratamentos médicos, ausência de oficinas de trabalho etc.)”. Os presos políticos organizaram uma escola dentro do presídio e emprestavam livros aos presos comuns. Mas Caco Souza salienta que isso não significa que eles tenham ensinado os presos a assaltar. “Acredito que o maior saldo dessa convivência foi a noção de que, organizados, os presos comuns poderiam conquistar reivindicações que, isoladamente, não conseguiriam”.

O diretor de 400 contra 1 afirma que essa organização entre os presos comuns, iniciada nos anos 1970 como forma de resistência, “é hoje um dos maiores expoentes do crime organizado”. E contabiliza: “Para que o atual Comando Vermelho se tornasse o que é hoje foram quatro décadas de exclusão econômica e social e um crescente consumo das drogas. Não temos apenas culpados e inocentes nesse percurso.” A proposta do filme é gerar reflexão sobre a gênese do Comando Vermelho em outra vertente, “não maniqueísta e não imediatista. A escravidão foi abolida, mas gerou imensa massa de excluídos. Nos morros cariocas, a maioria da população é negra. Isso é por acaso? Por que um jovem habitante do morro ou favela não deve admirar e se pautar pelo comportamento dos chefões do tráfico? Que outra perspectiva ele teria? Como entender o grave problema do crime organizado no Brasil sem conhecer as suas origens?”

MATURIDADE A trama tem o ator Daniel de Oliveira (A festa menina morta) como William da Silva Lima, o principal articulador do movimento. “Daniel incorporou com muita maturidade o personagem. Tem densidade para isso e está desempenhando com maestria essa empreitada. É um grande privilégio contar com ele”, diz o diretor. Daniela Escobar (Vida de menina) é a namorada de William, Tereza, “caiçara desglamourizada e oportunista, que não mede esforços para alcançar seus objetivos. Ela assumiu com muita seriedade esse papel e o resultado está sendo fantástico”, assegura Caco Souza, estendendo elogios ao elenco: Branca Messina, Fabricio Boliveira, Lui Mendes, Jefferson Brasil, Jonathan Azevedo. “Os demais também se entregaram de corpo e alma! Equipe e o elenco compuseram grupo coeso, inspirado no próprio conceito do filme: coletivo”, assegura.

Racismo, raça, etnia e marxismo

por Edson França*


Reconhecidamente, há um grande déficit teórico do marxismo em relação às questões raciais. O socialismo científico, a mais libertária e conseqüente teoria sociológica, nasce contemporâneo à radicalização do abolicionismo na Inglaterra, França e Estados Unidos; ao racismo “científico” que buscava justificar o novo colonialismo europeu que avançava sobre os continentes africano e asiático, e estabelecer um novo lugar a um enorme contingente populacional recém saído da escravidão nas Américas.



Apesar do momento sombrio que se avizinhava à ciência polítcia, Marx e Engels não avançaram os limites colocados em seu tempo histórico, para eles a questão étnica e racial não se impôs claramente. Outros importantes teóricos marxistas não desenvolveram reflexões sobre esse tema, isso explica as lacunas teóricas e alguns erros políticos do movimento comunista. Ainda assim, o marxismo é o melhor método científico tanto para entender como para combater o racismo.

Ciente do limite teórico ora explicitado, as correntes liberais e pós-modernas, algumas se auto-intitulam pós-marxistas, como mais um meio de propagar o fim do marxismo e a consolidação de um novo tempo histórico, desenvolve reflexões nefastas ao desenvolvimento do socialismo. Acusam o marxismo de ter fracassado na resolução das contradições relacionadas à raça, gênero e etnia existentes no interior das classes; argumentam que as experiências do socialismo no leste europeu foi um fiasco, sufocou as nacionalidades, essas só expressaram suas aspirações e singularidades com plena liberdade após a “democratização” da região. Advogam que a ênfase marxista nas classes sociais é reducionista, pois as classes estão dissolvendo. A política contemporânea responde a impulsos enraizados em identidades diversas (raça, gênero, etnia, nacionalidade, orientação sexual, etc.), cujos interesses políticos não se esgotam nos limites dado pelas divisões de classes.

Hipocritamente omitem que o racismo está enraizado, desde sua gênese, em base econômica, sempre serviu a interesses sociais, econômicos e políticos de Estados e das classes dominantes, por isso imbrica-se na luta de classes, na luta contra o colonialismo e contra o imperialismo. Segundo Libero Della Piana, presidente do Partido Comunista dos Estados Unidos, “o racismo em nosso país é a maior ferramenta do capitalismo, ferramenta número um para dividir os trabalhadores. O racismo faz os capitalistas mais ricos” .

Essa mesma corrente não esconde sua verdadeira intenção quando apregoa a minimização do Estado e plena liberdade aos mercados; associam as experiências socialistas com autoritarismo e corrupção; propõe a solidariedade entre as classes, fim do antiiperialismo e fortalecimento do conceito de interdependência entre ricos e pobres. Resumidamente estão na contramão do anti-racismo, pois propõe uma agenda conservadora que deve ser combatida, porque beneficia exclusivamente a burguesia internacional e os Estados nacionais ricos.

As manifestações culturais subjacentes no racismo – estereotipo negativo e preconceito – sobrevivem as mudanças estruturais econômicas e políticas. Para construção do socialismo haverá necessidade de um longo período de transição após a classe operária ascender ao poder político, ou seja, a mudança estrutural deverá ser processual. Quanto a superestrutura o processo é idêntico, mudando a estrutura material a sociedade processualmente se divorciará das idéias dominantes anterior. O racismo não putrefará na inércia, haverá necessidade de atuar sobre ele, reeducar o povo contra os resquícios culturais e psicológicos oriundos do racismo. Por essa razão a luta contra o racismo é compatível e deve organizar-se em concomitância e unidade com a luta do proletariado para tomada do poder político e construção do socialismo. O que exige dos comunistas, em especial dos brasileiros pelo histórico de miscigenação e multiculturalidade do país, protagonismo na formulação de ferramentas teóricas e políticas, sempre sintonizadas a nossa experiência histórica, assim erradicaremos o atraso do racismo no Brasil.


Conceito de raça e etnia

No marxismo, raças / etnia são elementos irrelevantes para explicar as diferenças políticas, grupos homogêneos competem por recurso comum disponíveis, para isso lutam politicamente entre si. No entanto, em certos contextos políticos, a percepção de equivalências sócio-econômicas contribui na formação vínculos políticos para atuação na luta de classe, fenômeno invariavelmente confundido com lutas raciais – a grande rebelião da comunidade negra em Los Angeles em 1992 e o levante nos subúrbios de Paris em 2007 são exemplos da luta de classe subjacente em conflitos raciais. “Os diferentes grupos étnicos são colocados em relações de cooperação, simbiose ou conflito, pelo fato de que como grupos têm diferentes funções econômicas e políticas” .

O conceito de raça é inoperante para explicar a variabilidade humana, não tem amparo na ciência biológica. A sociedade humana é uma espécie que não subdivide em raças ou sub-raças diferentes, “mas em seis bilhões de indivíduos genomicamente diferentes entre si, mas com graus maiores ou menores de parentesco em suas variadas linhagens genealógicas. (…) Em outras palavras, pode ser fácil distinguir fenotipicamente um europeu de um africano ou asiático, mas tal facilidade desaparece por completo quando se procuram evidências dessas diferenças ´raciais’ no genoma das pessoas” . Raça não é uma realidade biológica, é uma construção sócio-política, carregada de ideologia, como tal, não proclama seu verdadeiro sentido: relação de poder e dominação .

Na forma “científica” o conceito foi elaborado e desenvolvido pelas elites burguesas européias em finais do século 18 e 19, com objetivo de legitimar filosoficamente dominação e sujeição política e econômica entre classes sociais, através da colonização, escravidão, discriminação, diversas formas de exploração e atrocidades. A elaboração anterior proposta pela Igreja não se sustentava racionalmente, o racismo científico foi uma chave fundamental para as mudanças estruturais impostas pela burguesia – classe social que acabara de assumir definitivamente o poder político – e para o desenvolvimento do capitalismo enquanto modo de produção globalmente dominante.

A partir do século 16, época das grandes navegações, colonização da América, fase inicial do encontro e trocas comerciais entre os povos europeus, africanos e asiáticos, as populações negras, em todo planeta, vivem com acúmulos de desvantagens provocadas pela violência, saques e exploração insana da sua mão de obra. No imaginário do senso comum negro é sinônimo de pobre e marginal, os negros compartilham histórico de discriminação negativa e subalternidade. Esse lugar social secularmente imposto, teórica e filosoficamente sustentado determinou identidades comuns, racializou a humanidade.

Desde finais da segunda guerra mundial as teorias racistas baseadas em pseudos ciências foram rejeitadas pela comunidade cientifica internacional, ainda assim, se mantêm a desigualdade herdada do racismo científico e do histórico de exploração direcionada as populações não brancas. Provando que o racismo, na atualidade, não necessita de uma teoria para legitimá-lo nem da proclamação científica de existência das raças, o pensamento coletivo a convencionou, há forças políticas e econômicas lucrando com sua vitalidade, será necessário tempo para que sua sustentação mental seja aniquilada e luta política para sua superação. As variedades fenotípicas entre os seres humanos são empiricamente incontestáveis, não se confunde visualmente um esquimó da Groenlândia com um aborígine australiano, por isso a noção social de raça dispensa critérios genótipos, é na “raça biologicamente fictícia” que se assenta a classificação hierárquica, se assentam os estereótipos e o racismo sobrevive vigorosamente.

Etnia é um conceito de caráter sócio-cultural, histórico, psicológico, lingüístico e de identidade, está em constante desenvolvimento, tem se fortalecido na mesma medida da inviabilidade científica das raças. Se para a ciência a hierarquização biológica é uma fraude, então se substitui pela cultura, assim mantem a respeitabilidade teórica da desigualdade produzida pelo racismo e legitima a dominação política anterior. As identidades étnicas tomam lugar das raças, prendendo as populações representantes das culturas “menos desenvolvidas”, “atrasadas” e “primitivas” nas franjas da sociedade moderna. Marx nos alertou ao peso negativo para luta emancipacionista do proletariado a inobservância da opressão direcionada a setores ou camadas dos trabalhadores e o quanto a opressão etnorracial divide a luta e beneficia os algozes:

“Cada centro industrial e comercial na Inglaterra possui uma classe trabalhadora dividida em dois campos hostis, proletários ingleses e proletários irlandeses. O trabalhador inglês comum odeia o trabalhador irlandês como um competidor que rebaixa seu padrão de vida. Em relação ao trabalhador irlandês ele se sente um membro da nação dominante, e assim torna-se num instrumento dos aristocratas e capitalista de seu país contra a Irlanda, fortalecendo a sua dominação sobre ele próprio. Ele aprecia os preconceitos sociais, religiosos e nacionais contra os trabalhadores irlandeses. A sua atitude é muito parecida a dos ‘brancos pobres’ em relação aos negros nos antigos estados escravagistas dos EUA. O irlandês lhe paga com juros na mesma moeda. Ele vê no trabalhador inglês ao mesmo tempo o cúmplice e o instrumento estúpido do domínio inglês na Irlanda.”

Nessas palavras de Marx são possíveis duas deduções, uma que o racismo e a discriminação estabelecem desvantagem material a segmentos étnicos, raciais ou nacionais no interior do proletariado, divide a classe e fortalece a burguesia. Outra que a parcela dos trabalhadores que não recebe o impacto direto do racismo e da discriminação se sente psicologicamente superior, esse sentimento conforta a angústia da miséria em que se encontra, arrefecida pela facilidade em despejar-la sobre seu bode expiatório: o discriminado. A mensagem racista seduz parcela dos trabalhadores, pois está implícita uma promessa de solução imaginária ao problema real, como a pobreza, desemprego, exploração, que os defronta cotidianamente. Segundo Alcir Lenharo o nazismo triunfou na Alemanha porque “… a ideologia racista oficial era de fato acatada e subassumida, e servia de ponto norteador da conduta individual e coletiva da população.” Silenciar e subestimar o racismo enquanto uma proposta política social reacionária para benefício de uma minoria, equivale a apoiar tacitamente a própria dominação. Por isso combate-lo é uma tarefa revolucionária, cabe ao proletariado e seu Partido, a quem está dada a tarefa da transformação social, ações com objetivo de desarticular, enfraquecer e superar o racismo.

Os comunistas e a compreensão do povo brasileiro

Os comunistas reconhecem a existência do racismo e da desigualdade racial no Brasil, compreendem que dispomos de condições e instrumentos positivos para melhor combate-lo. Somos um povo uno, unidade formada pelo encontro assimétrico e miscigenação de três povos: os colonizadores portugueses, os índios nativos da terra e os africanos utilizados como mão de obra escrava. Unidade forjada na luta popular contra a opressão imperialista e das elites locais. Não há em todo território nacionalidades em conflitos, movimentos ou forças separatistas conseqüentes, etnias reivindicando território e autodeterminação. Somos um povo profundamente miscigenado – compreendendo miscigenação não apenas como intercurso sexual para procriação, mas encontro de valores humanísticos que envolvem religião, mitos de criação, culturas, folclores, etc. -, falamos apenas um idioma, enquanto povo-nação, o povo brasileiro é um todo indivisível.

A compreensão da existência de um povo uno no Brasil, não ignora e nem subtrai da unidade contradições de diversas dimensões que devem ser tratadas: gênero, etnia/ raça, desigualdades regionais, dentre outras. Encontramos-nos entre as sociedades mais desiguais do planeta; convivemos com índices alarmantes de violência, onde a juventude negra é o principal alvo; temos uma classe média racista e conservadora, tenaz atuante contra os avanços sociais propostos; a elite mais mesquinha, gananciosa e antipatriota do mundo. Estamos diante de uma unidade doente, sob suspeita, em situação de risco, inconclusa, mas, contraditoriamente em processo de aperfeiçoamento. Daí a importância das forças progressistas ocuparem os governos para aprofundarem a mudança, dando prioridade na universalização da intervenção do Estado junto a população, sem prejuízo do olhar atento sobre as especificidades. A manutenção das contradições no interior do povo favorece a desagregação da sociedade e dificulta o processo de construção – ainda em curso – da Nação brasileira.




*Edson França, É Coordenador Geral da Unegro, membro do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e da coordenação da Conen-Coordenação Nacional de Entidades Negra

CARREIRA

Biólogo estuda plantas e animais

Curso envolve excursões a ecossistemas; profissional pode atuar com projetos de impacto ambiental

Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu a luta contra os problemas climáticos -que fora deixada de lado pelo governo anterior, de George W. Bush. A mudança de atitude representa a preocupação crescente do mundo com a questão ambiental. No Brasil, por exemplo, cada vez mais empresas plantam árvores para compensar os danos que fazem ao ecossistema. E são os biólogos que costumam trabalhar com projetos de impacto ambiental desse tipo.

De acordo com o Ministério da Educação, há no país cerca de 200 cursos na área.
Na cidade de São Paulo, ainda segundo o MEC, só há o da Universidade de São Paulo. Criada nos anos 40, a graduação foi reformulada na década de 70, quando foi criado o Instituto de Biociências, que hoje abriga o bacharelado.
“O nosso curso tem grande fundamento teórico, mas a parte prática também é muito importante”, afirma Welington Braz Carvalho Delitti, diretor do instituto. É na parte prática que estão os trabalhos de campo, quando os alunos fazem excursões pelos ecossistemas brasileiros. Nos últimos anos, os alunos foram estudar a mata atlântica na Ilha do Cardoso e conhecer o cerrado em Pirassununga -os dois destinos no Estado de São Paulo. As viagens são pagas pela escola.
Geralmente, o curso de biologia é integral e dura quatro anos. Na USP, onde a graduação se chama biociências, ainda há a opção noturna, mais demorada -de cinco a seis anos.
“Quem pensa em ser biólogo tem de ter afinidade com animais e plantas”, afirma Welington. “Porque, mesmo que quiser trabalhar com botânica vai ter de estudar a parte animal. E vice-versa”, diz ele.
Além disso, acrescenta Ana Júlia Fernandes Cardoso de Oliveira, coordenadora do curso de ciências biológicas da Unesp de São Vicente, “é preciso gostar de matemática, química e física”. Ela diz que muitos alunos levam um choque quando entram na faculdade e veem que essas matérias são tão necessárias quanto as disciplinas ligadas diretamente à biologia. “Acham que só vão estudar o que gostam, mas não é bem assim”, diz ela.
“Outro engano dos jovens é achar que, saindo do curso, já vão trabalhar no mar”, diz ela. “É difícil e demora conseguir atuar na área desejada.”
Na Unesp, há cursos de biologia em oito campi. Em São Vicente (a 65 km da capital), o aluno pode se graduar em duas habilitações: biologia marinha e gerenciamento costeiro. Quem quiser fazer as duas pode, depois dos quatro anos da graduação, cursar mais um ano para ter o segundo título.
De acordo com o professor Welington, da USP, o mercado de trabalho está em uma época boa. “Na área acadêmica, há até carência de profissionais”, diz ele. Mas, além de trabalhar em salas de aula, o campo de atuação dos biólogos é bastante amplo. Há vagas em órgãos públicos, como secretarias de ambiente, e em empresas particulares, na parte de impacto ambiental, por exemplo.
Eduardo Antônio Ananias, 23, optou por se dividir entre a área acadêmica e a empresarial. Formado no bacharelado no fim do ano passado, ele agora está fazendo licenciatura. Divide o seu dia entre as aulas na USP e os dois trabalhos: dá aulas no colégio Giordano Bruno, na zona oeste, e trabalha em um escritório de arquitetura, com projetos ambientais.
Ele decidiu fazer o curso no final do ensino médio. “No colegial descobri que eu gostava mais das matérias de biologia”, diz ele. “Aí, tinha dúvidas se fazia um curso de biologia, medicina ou farmácia. Acabei escolhendo biologia e não me arrependo nem um pouco.”
Institutos como o Butantan e parques zoológicos também são opções para os profissionais. Outra área é a de pesquisa, trabalhando em laboratórios. Um biólogo pode, por exemplo, por meio de estudo, descobrir se uma pessoa terá a doença genética presente em sua família.
Foi devido ao crescimento do mercado que o Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto (a 313 km da capital), ampliou o seu curso de biologia. Até o ano passado, a escola só oferecia a licenciatura na área. A partir deste ano, os alunos ingressantes saem com os dois títulos: o do bacharelado e o da licenciatura. “A procura pelo curso é grande, o mercado está bom, então, resolvemos fazer o bacharelado”, afirma Lucimara Zuanazi Pinto, coordenadora do curso na instituição.
O salário inicial de um recém-formado vai de R$ 800 a R$ 1.500. (LAS)

SALÕES DE BELEZA

1 em cada 10 manicures está contaminada com hepatite B ou C

FERNANDA BASSETTE

Uma em cada dez manicures de São Paulo está contaminada pelo vírus da hepatite B ou C, aponta levantamento da Secretaria de Estado da Saúde realizado com cem profissionais. Após análise do sangue, os resultados mostraram que dez das mulheres estavam com hepatite -oito delas com o vírus do tipo B e duas com o tipo C.
Segundo a enfermeira Andréia Cristine Deneluz Schunck de Oliveira, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a contaminação provavelmente aconteceu porque elas não adotaram as medidas necessárias para evitar o contágio. A transmissão acontece quando materiais contaminados são compartilhados.
Apenas 26% das manicures esterilizavam os instrumentos com autoclave (com sabão sob pressão), método considerado o mais seguro. Outras 54% utilizam estufa, 8% usam forninho de cozinha, e 2% não esterilizam os equipamentos.
Segundo Oliveira, apenas 8% delas limpavam os equipamentos antes de mandá-los para esterilização. “Se o equipamento não está limpo, a esterilização é ineficaz.”
Outro problema constatado foi a falta de higienização após os procedimentos. Apesar de 74% das profissionais terem afirmado que sempre lavam as mãos antes e depois de fazer as unhas dos clientes, foi constatado que ninguém adotou esse procedimento enquanto a pesquisadora permaneceu no salão observando o atendimento.

João Cândido – símbolo de luta pela afirmação da dignidade humana

Por Jair Silva*

Apesar de a princesa Isabel ter decretado oficialmente o fim da escravidão, em 1888, a Marinha brasileira, através da mentalidade racista de seus oficiais brancos, ainda continuava utilizando-se de práticas escravistas para punir os atos de indisciplina de seus marinheiros subalternos, em sua grande maioria negros e mulatos, com base no Decreto de nº 328, de 12 de abril de 1890.

Esse código disciplinar era extremamente desumano e responsável pelos maus-tratos, bem como pelas condições de trabalho aviltantes a que eram submetidos os marujos de baixa patente. Assim sendo, por seu intermédio, recomendava-se para faltas leves o uso da palmatória, prisão a ferros, a pão e água na solitária; e para faltas graves os marinheiros eram submetidos ao castigo de vinte e cinco chibatadas. Como se não bastasse todo esse sofrimento aplicado aos marujos, os praças que organizaram a Revolta da Chibata eram obrigados a conviver com a reduzida quantidade e a má qualidade de alimentos, além das temíveis chibatadas. Este castigo, vale ressaltar, era o que mais provocava revolta e indignação, como no caso do marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes, que, pelo Código de Disciplina, deveria levar apenas 25 chibatadas, e, no entanto, o mesmo acabou levando 250 chibatadas, chegando a desmaiar, o que não impediu que o chibateiro do navio Minas Gerais continuasse a espancá-lo. É preciso não esquecer ainda que antes da Revolta da Chibata eclodir, em 22 de novembro de 1910, alguns marinheiros recebiam até 500 chibatadas num único dia!

Diante desse contexto, antes de ter sido escolhido para liderar a Revolta da Chibata, ao lado de Francisco Dias Martins, João Cândido já tinha tentado acabar com os castigos violentos na Marinha, através de uma audiência com o presidente da República, Nilo Peçanha. Mas não obteve êxito. Por que João Cândido, cognominado de ”o almirante negro”, lutou para humanizar as relações de trabalho na Marinha de Guerra? Em primeiro lugar, João Cândido aprendeu que o marinheiro merecia respeito e bom tratamento a partir de uma viagem que fez à Inglaterra, no ano de1908, para acompanhar o término da construção do navio de guerra Minas Gerais. Vale frisar que, na Inglaterra, entre os anos de 1903 e 1906, aconteceu um movimento de marinheiros ingleses para melhorar as condições de trabalho. Entre os praças que bombardearam o Rio de Janeiro, em 1910, então capital administrativa do Brasil, alguns sabiam falar inglês, e, em conversas com os marinheiros ingleses toda essa história de luta dos soldados ingleses deve ter chegado aos ouvidos de João Cândido, já que ele viveu dois anos na Inglaterra e também sabia falar inglês. A revolta do Encouraçado Potenkim(1) na Rússia, também influenciou as idéias do “almirante negro”. Em segundo lugar, a luta do “almirante negro” como a imprensa da época o chamava, não foi somente uma revolta contra o uso da chibata na Marinha. Na verdade, a luta do “mestre–sala dos mares”(2) vai além da abolição dos aviltantes castigos corporais, pois João Cândido deve ser visto e reconhecido pela sociedade brasileira e pelas futuras gerações como um sujeito que lutou para preservar a saúde dos marinheiros subalternos, uma vez que ele e os demais companheiros de luta não tinham o direito de ter folgas. Por isso que João Cândido combateu a exploração da força de trabalho e os excessos de serviços que violentavam a dignidade e a integridade física dos marujos de baixa patente, chamando a atenção do governo de Hermes da Fonseca, Congresso Nacional e da imprensa nacional e internacional para os maus-tratos e condições de trabalho degradantes.

Para se ter uma idéia do quanto os praças eram marginalizados, explorados e desrespeitados na Marinha de Guerra da época, basta apenas dizer que os marujos chegavam a trabalhar em turnos de até 36 horas, o que era inaceitável para o “almirante negro”, que teve a coragem de lutar para pôr fim a essas duras, desumanas e injustas relações de trabalho.

Além desses fatores que levaram João Cândido a lutar por melhores condições de trabalho, pode-se dizer que outra grande injustiça contribuiu de forma decisiva para a eclosão da Revolta da Chibata e envolvimento do ” almirante negro”. É que, com a chegada dos modernos navios de guerra da Inglaterra, as jornadas de trabalho aumentaram, provocando uma sobrecarga de trabalho que não veio acompanhada com a melhoria dos soldos. Enquanto que a oficialidade branca da Marinha comia bem e ganhava aumento com a modernização da frota de navios, João Cândido e os demais integrantes da Revolta da Chibata continuaram trabalhando muito, comendo comida estragada, sendo espancados e recebendo irrisória remuneração. Daí o imenso esforço humanizante de João Cândido para que o marinheiro subalterno tivesse uma política de remuneração digna.

Afora esses aspectos importantes quefazem parte da luta de João Cândido para humanizar a Marinha, pode-se dizer também que o “almirante negro” lutava para que os praças fossem educados pela Marinha, onde oitenta por cento de seus soldados eram negros e mulatos. Logo, podemos dizer que ele estava lutando contra a discriminação racial e, ao mesmo tempo, pelo crescimento intelectual e ascensão da raça negra na carreira militar, e de todos os seus companheiros de luta, visto que a Marinha recrutava os soldados subalternos nos extratos marginalizados da sociedade pós-abolicionista e não se preocupava com sua formação educacional, nem com o crescimento profissional. O próprio João Cândido, que era filho de ex-escravos não pôde ser sinaleiro porque era semi-analfabeto.

Portanto, diante do exposto, João Cândido deve ser visto pela história como um grande marco da resistência negra e uma referência de luta pelos direitos humanos, pois ele foi um corajoso líder trabalhista que lutou para democratizar e humanizar as relações de trabalho em 1910, tendo em vista que os marinheiros subalternos eram tratados de maneira desumana nas relações de trabalho. Por que os marinheiros subalternos recebiam comida estragada e enfrentavam espancamentos constantes? O “almirante negro” não queria ver seus companheiros de profissão sendo tratados como escravos no exercício de seu trabalho e tinha plena consciência desse fato. Não foi à toa que em um dos manifestos enviados ao governo de Hermes da Fonseca, os marinheiros e João Cândido reivindicaram “uma armada de cidadãos e não uma fazenda de escravos que só têm dos seus senhores o direito de serem chicoteados”. Por isso que ele lutou para recuperar a condição humana perdida na Marinha onde vigorava horrendas práticas escravistas, assim como lutou para livrar os marinheiros dessas condições de trabalho humilhantes, pois o que o “almirante negro” desejava, em síntese, era ver o marinheiro subalterno com educação, cidadania e dignidade para exercer a sua profissão na Marinha de Guerra do Brasil.

Por conta de todas essas ações para humanizar as relações de trabalho, João Cândido pagou muito caro pelo seu gesto de pura bravura e ousadia, já que ele foi injustamente preso na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, onde conseguiu sobreviver à fome, à sede, ao calor e ao sufocamento numa cela subterrânea, na condição de preso incomunicável. Depois ainda foi internado como louco indigente no Hospital Nacional de Alienados, em abril de 1911. Ao sair do hospital, João Cândido, volta para o presídio na Ilha das Cobras e acaba sendo excluído dos quadros da Marinha, apesar de ter sido inocentado no processo militar que a Marinha movia contra ele.

À guisa de conclusão, podemos afirmar que, se o “almirante negro” através de sua luta conseguiu acabar com os violentos castigos físicos na Marinha de Guerra, cabe-nos, agora, lutarmos para destruir a mentalidade racista das elites que tentam apagar da memória do povo brasileiro a História de um marinheiro que virou símbolo de luta pela dignidade humana. Cabe, outrossim, a todos nós fazer de João Cândido um herói da Pátria e, por conseguinte, um eterno referencial de luta pela preservação dos direitos inalienáveis da humanidade.

*Estudante do curso de história da Universidade Estadual da Paraíba e militante do Movimento Negro de Campina Grande há 18 anos.

(1)Movimento de marinheiros russos contra a má alimentação e os castigos físicos ocorrido em 1905.

(2)Mestre-sala-mares é o título de uma canção de João Bosco e Aldir Blanc que foi censurada pelo regime militar.

Bota o fone, por favor!

Andar ouvindo música alta pelo celular vira moda; falamos com os ouvintes e com suas vítimas

Sergio Zacchi/Folha Imagem

Augusto Hiro comprou uma caixa de som para aumentar a potência da música de seu celular

JULIANA CALDERARI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para quem já se incomodava com as conversas nos celulares -comuns nos restaurantes e nos cinemas-, a nova onda que está tomando São Paulo pode ser um pesadelo. Munidas de aparelhos potentes, a moçada decidiu abolir o uso dos fones de ouvido nos espaços públicos.
“Tenho o fone, mas me incomoda”, justifica Douglas Santos, 19. O estudante, que é fã de animês, ouve suas músicas preferidas aonde quer que vá. Em uma lanchonete na zona sul da cidade, Douglas já é reconhecido antes mesmo de entrar. “Pela música alta meus amigos já sabem que eu estou chegando.”
Por causa da barulheira, Douglas foi obrigado a descer de um ônibus e já teve um de seus celulares jogados na parede por uma tia que perdeu a paciência. No metrô, já ouviu gritos de “Abaixa isso aí!”.
A estudante Vanessa Lacanna, 21, por exemplo, é uma das vítimas dos ataques sonoros nos trens. “Eram 6h da manhã e tinha um menino ouvindo música black muito alto. Foi irritante.” Para se manifestar, os insatisfeitos já criaram comunidades no Orkut repudiando o hábito.

Amizade
Mesmo após ter levado alguns puxões de orelha, Douglas acredita que o retorno é positivo e que o som alto costuma lhe trazer novas amizades. Sempre que ouve algo interessante tocando no celular do próximo, não hesita em pedir para receber a canção via “bluetooth”.
“Aí já faço amizade.” Dessa maneira, ele ganhou amigos em algumas das estações de metrô pelas quais passa diariamente e no bairro onde mora.
William Barbosa de Almeida, 23, que foi encontrado ouvindo música dentro de um dos trens do metrô, conta que as pessoas costumam cantar e dançar quando gostam do repertório. “Gosto de deixar bem alto, para todo mundo ouvir.” Embora nunca tenha recebido uma reclamação, ele garante que, caso aconteça, desliga o aparelho. “A ideia é curtir, e não atrapalhar.”

Disputas
Bruno Monteiro de Lima, 21, trabalha em um escritório de advocacia na av. Paulista em que não é permitido escutar música. Por isso, sempre que tem a oportunidade de sair do prédio, leva junto um de seus três aparelhos celulares, e dá-lhe som. Sem os fones de ouvido, é claro. “Tem tanto barulho na cidade que é bom ouvir uma música para descontrair”, explica.
Na sua lista de mais tocados, reina o funk. É com esse gênero que Bruno costuma entrar em disputas de decibéis com amigos e desconhecidos.
Funciona assim: ao perceber a música alta, o desafiante saca seu celular e o liga mais alto. Os dois seguem trocando de músicas e subindo o volume, até que ganha o dono do celular mais potente. Os “rachas” acontecem em todo lugar: no metrô, nos shoppings e em parques.
“Aconteceu de um colega ligar um MP9 e não teve jeito. Tive que desligar o meu”, conta.
“Apesar de o volume do som ser alto, a qualidade [de reprodução] dos aparelhos celulares costuma ser ruim”, adverte Régis Rossi Faria, do Núcleo de Engenharia de Áudio do Laboratório de Sistemas Integrados da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).
O pesquisador lembra, ainda, que a exposição ao som entre 60 e 70 decibéis pode causar dor e desconforto e que, acima de 90 decibéis, há possibilidade de perda auditiva progressiva. Os celulares modernos podem passar disso.

Paquera
Insatisfeito com a potência do seu celular, Augusto Hiro, 18, resolveu comprar uma caixa de som. Na forma de uma simpática joaninha, o “speaker” já causou confusão logo de cara. “O segurança do shopping pediu para baixar o volume.” Atualmente, Augusto leva seu inseto preso à bicicleta. Ele acredita que o som do celular ajuda na paquera -“Chama a atenção das garotas”.
Carla Souza Ferreira, 14, dispensa os fones de ouvido quando está com as amigas. Quando sai acompanhada, ela e suas colegas de escola curtem funk e hip hop dentro do ônibus.
“Quando estou sozinha, fico com vergonha”, diz. Por ser menina, Carla acha que os motoristas e os seguranças são mais tolerantes do que seriam com os garotos.
Segundo os meninos, na hora de fazer barulho, elas são mais tímidas. “É difícil as meninas ouvirem música alto”, afirma William, que trocou uma faixa de pagode com um trio de garotas no metrô. “É coisa de moleque”, confirma Douglas.

Xenofobia

ELIANE CANTANHÊDE

Um espectro ronda a Europa e todo o mundo desenvolvido: o do “nacionalismo”, sob as formas do protecionismo econômico, que limita as transações comerciais e alimenta a crise, e da xenofobia, que, além de todos os seus aspectos subjetivos, carrega um muito objetivo -não salva nem a pele nem o emprego de ninguém.
Tempos de bonança são de confraternização. Já as crises fazem desabrochar o lado cruel dos regimes políticos e econômicos, mais os monstros que habitam a alma humana e que, coletivamente, produzem atraso, perseguição, desumanidade. Em cadeia.
O mundo ficou chocado com movimentos de trabalhadores do Reino Unido contra “concorrentes” portugueses e italianos, mas a própria Itália e a Espanha votam leis para punir duramente patrões que empreguem imigrantes ilegais. Com o detalhe sórdido, senão fascista, de impor aos médicos italianos que denunciem seus pacientes. Na Rússia, a queda do rublo e do petróleo é pretexto para endurecer contra os direitos humanos. E, nos EUA, conforme relatou Andrea Murta na Folha, ativistas anti-imigração já põem suas manguinhas de fora, não só em movimentos sociais mas no próprio Congresso.
Começa assim, com uma manifestação daqui, um discurso dali, uma nova lei acolá, e logo a onda ganha corpo e alma racistas. Primeiro, contra portugueses e italianos; depois, contra gregos e turcos; no fim, contra africanos, asiáticos e latino-americanos, sobretudo indígenas andinos. Ou seja: os que aceitam os serviços para os quais ingleses, alemães, franceses, norte-americanos e espanhóis viram a cara e torcem o nariz -literalmente.
O mundo acaba de aplaudir a vitória e a posse de um negro de sobrenome Hussein na maior potência do planeta. Que esse mundo não volte aos seus piores momentos, descarregando a crise -e os monstros- exatamente sobre suas vítimas mais desamparadas.


elianec@uol.com.br

A juventude negra quer viver!

Fórum Nacional de Juventude Negra lança, durante o Fórum Social Mundial 2009, a Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra.

Por Thais Zimbwe*

Sob os princípios de promoção de um espaço aberto ao pluralismo e à diversidade de engajamentos e atuações das entidades e movimentos que dele decidam participar, para o aprofundamento da reflexão, o debate democrático de idéias, a formulação de propostas, a troca livre de experiências e a articulação para ações eficazes, o Fórum Nacional de Juventude Negra, lançou no dia 28 de janeiro durante a edição 2009 do Fórum Social Mundial, realizada na cidade de Belém no Pará, a Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra.

A Campanha é fruto de um processo de articulação nacional da juventude negra brasileira reunida durante o I Encontro Nacional de Juventude Negra, em 2007 na Bahia. A Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra, sob coordenação do Fórum Nacional de Juventude Negra com dinamização dos Fóruns Estaduais de Juventude Negra, surge como um instrumento de luta e discussão com a sociedade brasileira sobre um modelo de segurança pública que respeite os direitos humanos e seja compatível com um Estado democrático e de direito, reduzindo assim o alto índice de violência contra a população negra, especialmente jovens negros e negras.

A atividade foi realizada durante o Dia da Pan-Amazônia, dedicado a levar ao mundo as vozes da Amazônia, evidenciando 500 anos de resistência, conquistas e perspectivas africanas, indígenas e populares. Os dados para a violência na região amazônica do país são alarmantes, dos 100 municípios com maiores índices de desmatamento, 61 estão entre os que apresentam as maiores taxas de assassinatos no país, de acordo com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros. Entre os municípios que figuram nas duas listas, 28 estão no Mato Grosso, 21 no Pará, oito em Rondônia e dois no Maranhão.

Thais ZimbweA violência é um dos maiores problemas enfrentados pela sociedade brasileira, fruto de condições sócio-econômicas profundamente desiguais, de corrupção e de uma tradição de impunidade. “O racismo não vai deixar de existir, precisamos criar políticas de enfrentamento a ele. Apoiamos a luta da juventude negra, precisamos salvar os nossos jovens”, enfatizou o Babalorixá Edson de Oxossi, integrante da organização paraense CEDENPA, durante a atividade.

O lançamento reuniu lideranças das religiões de matriz africana, do movimento negro paraense, integrantes dos Fóruns Estaduais de Juventude Negra e dezenas de participantes do Fórum Social Mundial. Em um universo de cerca de 200 pessoas que assistiam à atividade, foi consenso durante as intervenções que é urgente a incorporação de uma cultura de paz e garantia de vida saudável para a juventude negra.

“O racismo presente na sociedade impede a população negra, principalmente sua juventude, de acessar uma educação de qualidade, acesso ao serviço público de saúde, e principalmente se materializa na violência diária sofrida pelos jovens negros. O Fórum, através dessa Campanha, abre um espaço de diálogo com a sociedade para evidenciar essas práticas e dar um grito de alerta: precisamos viver! ”, enfatizou Gleidson Alves, coordenador do Fórum de Juventude Negra do Pará.

Apesar dos avanços na legislação de proteção aos direitos humanos, os índices de homicídios contra a juventude permanecem elevados e alguns deles cresceram ainda mais nos últimos anos. Pesquisas recentes têm demonstrado que é o homem, jovem e negro a vítima preferencial da violência. No início de 2006, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou dados sobre o genocídio praticado pelo Estado brasileiro contra sua juventude. O Brasil ficou conhecido como o país que mais mata jovens no mundo, sendo que a imensa maioria destes(as) jovens são negros(as).

Reforçando o ambiente do Fórum Social Mundial como espaço convergente das várias lutas sociais, sob um contexto de dimensão internacional, durante a atividade de lançamento da Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra, contou-se com a participação do jovem colombiano Hugo Mondragon, que apresentou o cenário de violência contra a população afro-colombiana, “No meu país, sofremos perseguições e todos os dias são cometidas violências e chacinas contra os negros. Nossos líderes são mortos, desaparecidos ou impossibilitados de seguir na sua luta social, visando assim deixar a população negra colombiana sem lideranças e, em conseqüência, menos forte”, explicou Mondragon.

De acordo com o “Mapa da Violência: Os jovens da América Latina”, as taxas de violência da América Latina para o conjunto da população são dezesseis vezes maiores que as taxas européias; quando se trata de vítimas jovens, são 31 vezes maiores. Historicamente, os pólos dinâmicos da violência encontravam-se localizados na América do Sul, principalmente na Colômbia e no Brasil. Apesar de não ser totalmente correto, nas últimas décadas, a violência na América Latina virou sinônimo de tráfico de drogas, com seu aparelho criminal infiltrado nas diversas instâncias da sociedade civil e política e seus assentamentos territoriais.

As alternativas a esse cenário são a promoção de políticas e estratégias que estimulem a plena inserção e um papel protagônico para os(as) jovens, em que sejam articulados esforços e iniciativas do setor público em suas diversas instâncias, da esfera privada, das organizações não-governamentais e dos(as) próprios(as) jovens. Estratégias que promovam o conhecimento, a revalorização e o fortalecimento da identidade juvenil e sua participação, como setor ativo e consciente da construção da cidadania e do desenvolvimento dos países.

A Campanha Nacional contra o Extermínio da Juventude Negra visa despertar uma reflexão sobre o valor da vida humana e das práticas discriminatórias predominantes na sociedade, fortalecer, impulsionar e disseminar as discussões sobre violência e segurança pública através do olhar da juventude negra. Serão desenvolvidas ações nacionais baseadas na formulação de estratégias de prevenção à violência contra a juventude negra de forma que os índices de violência contra este grupo da população seja reduzido. A avaliação do sucesso desta iniciativa se dará a partir de cada vida poupada e da elevação da consciência coletiva sobre os fatores que norteiam a permanência de uma conjuntura exterminadora e violenta para a juventude negra brasileira.

*Thais Zimbwe é jornalista, integrante da Coordenação
do Fórum Nacional de Juventude Negra e colaboradora do Ìrohìn.