Arte na favela



Artistas holandeses criam projeto para cobrir o morro de arte

Da redação

Quando vieram ao Brasil pela primeira vez, dois anos atrás, os artistas holandeses Dre Urhahn e Jeroen Koolhaas foram convidados por um amigo que trabalha em uma ONG a visitar a Favela do Cruzeiro. A dupla de artistas teve a idéia de pintar um mural no morro. Foi assim que começou o Favela Painting.

O desenho foi discutido com a comunidade, representada pela associação de moradores. Entre as várias propostas de desenhos dos dois holandeses, a preferida foi um menino empinando uma pipa. Inicialmente com o patrocínio de uma marca de tintas, eles colocaram mãos à obra, junto com 3 jovens moradores do Cruzeiro. Depois de pronto, o alegre mural conquistou até quem achava a idéia meio estranha…

“Todos falam que a rua onde o mural foi pintado melhorou, que é a mais bonita do morro”, conta Dre, em bom português, todo aprendido no Rio. “Agora todos conhecem a rua, e ela é motivo de orgulho. O mural atraiu atenção positiva da imprensa no Brasil e na Europa, agora o resto da cidade vê as coisas boas da comunidade, que antes só era lembrada pela violência”.

Os três jovens que trabalharam com eles aprenderam técnicas de pintura. “É uma alternativa e um jeito de mostrar criatividade. Agora eles também são chamados para pintar”, conta o artista. Dre e Jeroen moraram na favela durante todo o trabalho, e hoje se sentem parte da comunidade: “morar aqui mudou a minha vida, é uma nova família”.

Depois do sucesso do primeiro mural, a dupla voltou para a Holanda, onde venderam quadros para levantar dinheiro para um segundo mural. O projeto foi apresentado ao governo holandês, que também o patrocinou. E os dois voltaram ao Cruzeiro.

“Tem uma escada que parece um rio, e a nossa idéia era pintar um rio. Convidamos um tatuador da Holanda para fazer o desenho”. Esse novo trabalho, um peixe no estilo japonês que realmente lembra uma tatuagem, está quase pronto, e a inauguração está prevista para 17 de outubro.

Dre está feliz com o resultado e acha que o objetivo de mudar a imagem da favela para os próprios habitantes foi atingido: “Como só a violência sai no jornal, as pessoas ficam com a idéia de que vivem num lugar ruim. É legal mostrar que é bom, a pintura vira quase um monumento. E como muita gente não tem a opção de ir a um museu, não tem acesso à arte e à cultura, é bom poder trazer um pouco”. Mas a realidade difícil da comunidade continua presente, e não pode ser ignorada. Até porque a violência e os tiroteios impedem o trabalho dos pintores, assim como impedem todos os outros moradores de sair de casa. Agora é torcer para que esses imprevistos não impeçam a conclusão do próximo mural, e que ele faça tanto sucesso quanto o primeiro!

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