As Mães Sem Filhos



Dia 13, faz 200 anos da Lei Áurea

Hoje é o dia dedicado às mães. Terça-feira, o país comemora os 200 anos da Abolição da Escravatura. Neste Dia das Mães, mães brancas e negras chorarão seus filhos ausentes, mortos ou desaparecidos – muitos deles nos anos de chumbo –, muitos negros, presos por engano, porque eram de cor negra. Muitas se perguntarão: onde estão os nossos filhos? Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel aboliu a escravatura ao assinar a Lei Áurea. porém, o sentimento que mora dentro do coração dos negros que sofrem diariamente discriminação ainda não foi extirpado e é sentido na “pele”.

Entre milhares de mulheres negras brasileiras que sofreram e sofrem por ter filhos negros, encontra-se a guerreira Vânia do Nascimento, mãe do bancário mineiro Saulo Fróis do Nascimento, desaparecido em 20 de agosto de 2005, depois de ter tido o carro abordado por três viaturas, na manhã daquele sábado, devido a uma denúncia anônima. Vânia, durante quase um ano, não descansou para achar o filho: vivo ou morto. Fez greve de fome, espalhou fotos do filho no Brasil inteiro, esteve nos cais do porto em São Paulo e no Rio de Janeiro, fincou sua presença por mais de um mês na Praça da Liberdade, atraindo trombadinhas e viciados que tentaram assaltá-la. Abraçou a causa de todas as pessoas que têm parentes desaparecidos levando sua presença, seu conforto e sua força para que não desistissem de procurar seus entes queridos. Faltando menos de um mês para completar um ano do desaparecimento de Saulo, no dia 27 de julho de 2006, a ossada do bancário Saulo Fróis do Nascimento foi localizada na mata da Serra do Curral, na Região Sul da capital, por dois trilheiros que, também, por acaso, acharam-na, muito embora Vânia tenha solicitado à polícia um rastreamento tipo pente-fino na área desde o desaparecimento de Saulo, já que o local era muito freqüentado por ele, para meditações.

A busca incansável de Vânia pelo filho tinha duas razões fortíssimas, além de ser mãe: nos anos 1970, seu irmão, também negro, na época com 19 anos, desapareceu misteriosamente, depois de ser convidado a entrar em um carro de polícia, e até hoje nem os restos mortais dele Vânia encontrou. A segunda eram as constantes discriminações que Saulo Fróis sofria por ser negro, alto e forte, o que podia confundi-lo com um marginal, conforme ele relatava à mãe, quando era barrado para entrar em casas de show em Belo Horizonte.

Que neste dia das mães, meditemos um pouco e oremos por todas as mães, especialmente pelas mães negras e seus filhos que, infelizmente, hoje, tanto são escravizados moralmente!

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